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segunda-feira, setembro 19, 2022

Sonetos - JUAN BUSCÁN - Trad. Eric Ponty

XXI – Soneto

Nunca de amor esteve tão contento,
Que em seu elogio meus versos ocupar-se,
Nem a nada aconselhe que se enganei,
Buscando ao amor contentamento.

Isto sempre julgou meu entendimento,
Que deste mal todo homem a guardar-se,
E assim, porque esta lei se conservasse,
Folgar ser todos d´escarnecimento.

Oh vós outros andais traz meus escritos,
Os que de Deus tão grande merece haveis,
Que do poder de amor fostes taís quais!
XXX – Soneto

As chagas que de amor, que são invisíveis,
Quero como visíveis que se apresentem,
Porque aqueles que humanamente sentem
Se espantem de acidentes tão terríveis.

Os casos de justiça mais horríveis,
Em público hão de ser porque castigados
Com sua torpeza, e de que se amedrontem
Até os seus corações invencíveis.

Eu trago cá a história de meus males,
Donde ilustre de amor hão ter concorrido,
Tão fortes, que não sei como contá-las.

Eu só em tantas guerras fui ferido,
E são minhas feridas, os sinais,
Tão feias, que hei vergonha mostrá-las. 

JUAN BUSCÁN - Trad. Eric Ponty
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

domingo, setembro 18, 2022

SONETO 12 - SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY

Quando conto horas a que tempo avise,
Ver dia alegre afundar-se numa noite,
Quando olho violeta sem o teu esplendor,
Cachos de jatos cobertos de alva e prata;

Quando vejo árvores mais altas sem folhas,
Que outrora rebato prestavam sombra,
E o verde de Maio num carro funerário,
atado em feixes de barba alva de cerdas;
Também me interrogo sobre teu encanto,
Que do tempo vos levará devastado,
Por toda a beleza do que também foi,
E que morreu enquanto outro amadurece.

Contra foice do Era não há ninguém,   
Se insurgir, ao menos deixe um filho.
SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

SONETO 6 DE SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY

Não deixe que a mão crua do inverno arruíne a vida,
Naquele Verão, sem primeiro lhe destilar;
Preservar tua essência em lindas embalagens,
Antes que o mais belo tesouro seja aniquilado.

Não é proibido usar a vida desta forma,
Fazendo a pessoa que paga a renda feliz;
Fazer uma cópia de si significaria o mesmo,
Se for dez vezes um, dez vezes conteúdo.
E dez vezes mais feliz ainda se sentiria,
Se em dez outras dez vezes copiar-se dez vezes:

Então, o que faria a Morte quando partissem?
Se, como herdeiro vivo, fosse deixado?
Não insista mais nisso, tão bonita excelência,
Nem a Morte nem as larvas ficam por herança.

SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

Rime - 4 - Michelangiolo Buonarroti - Trad: Eric Ponty


Quanto se gozou alegre bem contesta,
Da flor sobra crina doiro da guirlanda
Que um outro prévio há outro manda
Feito teu primo vais beijar ao julgo.

Contenta tudo em torno àquela vesta,
Que encerrou peito põe há que se alargue
E que com fios douro se convida
Guanche acorde sonho não abdique.

Mas mais alegre que lhe tirar que goza
Doirada ponta se fez com caráter
Que premeu, e, tocou ao peito se une.

A sincera cintura há que se amarrou,
Meu igual exaurir na torrente sempre
Ou que fazeis coroa dos meus braços?
Michelangiolo Buonarroti - Trad: Eric Ponty
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

sábado, setembro 17, 2022

SONETO PARA MINHA MUSA - ERIC PONTY

 Michelangiolo Buonarroti 

O dia estava perto quando o Senhor,
Que nesta altura ela poderia ficar,
Na forma humana veio pra se provar,
Do ventre virginal que saiu à frente.

Quando dignou, o meu ilustre senhor,
Pra o qual tenho muitas queixas dispersas,
Poder aninhar-se num lugar mais alto,
Pra ser o ninho e abrigo do meu coração.

A fé é curta e a beleza não dura,
Já se parece estar a ser consumido,
Feito teu pecado quer do meu dano.
Sempre entre “nós" com todos estes anos,
Nós passamos e pascer com olhares,
Donde está, aonde esteja que não acho!
ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

Quando meu senhorio foi o primeiro - Gaspara Stampa - Trad. Eric Ponty

Quando meu senhorio foi o primeiro,
Todos os planetas no céu, todos astros,
Dar-lhe graças, destas graças das graças,
Para que só fosse perfeito entre nós.

Saturno dá-lhe altura do intelecto,
Júpiter, caçador coisas dignas e belas;
Febo encheu o seu peito de estilo e sentido;
Marte com tornou todos outros homens;

E Vener deu-lhe beleza de graça;
E Verbo do mercúrio; mas a lua.
Congelou-o mais do que eu desejaria,

Destas muitas e raras graças cada,
Inflamou -me com minha clara chama,
E pra o arrefecer continua a ser dessa.
Gaspara Stampa - Trad. Eric Ponty
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

Ainda bem, velho Hunt tenha sido cativo na prisão, - John Keats - Trad. Eric Ponty

Ainda bem, velho Hunt tenha sido cativo na prisão,
Por mostrar a verdade ao estado de petulância,
Que seu espírito imortal foi sempre tão livre,
Tal qual um poço que sobe pelo céu.
Servo dos próceres, acha que ele esperou?
Acha que ele só viu os muros da prisão,
Até lhe ter aberto as portas de má vontade?
Ah, não, mui mais nobre e alegre foi o seu fado!
Vagueou pelas quintas e vinhas de Spenser,
Apanhar alguns gritos de encantamento, e erguer,
Com o audaz Milton pelo meio dos campos do ar:
Prá suas próprias regiões e seu vero gênio,
Alçou feliz voo, quem atrasará a sua fama,
quando você e a sua misera tripulação jazerem?
John Keats - Trad. Eric Ponty
POETA, TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

sexta-feira, setembro 16, 2022

A partir da sombra a pomba prateada - John Keats - Trad. Eric Ponty



A partir da sombra a pomba prateada,
Remontam sobe e desce a luz do Oriente,
Com asas nutridas por puro prazer,
Assim voou a sua alma pra regiões longes,
Comarcas de paz e de amor sem fim,
Onde espíritos alegres, laurel de lúcidos,
Anéis estrelados, e adornar em glória,
Provar a alegria reservada aos santos.
Tu aí, ou então junta-te ao coro imortal,
Com cânticos que até o nobre Céu enche,
De suprema sorte ou, segundo desejo,
Do Pai omnipotente, fendes ar, envias,
Que prazeres mais altos? Prazeres mais altos?
Por que é que a dor viola a nossa alegria?
John Keats - Trad. Eric Ponty
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

OS TEUS OLHOS DE TESOUROS - ERIC PONTY

Mais alvos e ainda mais intumescidos de tesouros do que as tendas feira, os teus belos seios. Ó minha desejada, estás tendas são do meu amor.

Quando perto do meio-dia quero encontrar tua face na minha cabeleira e acho o teu amor, teus olhos são duas estrelas que iluminam está noite de perfumes em que me resguardo.

Se algum dia, Ó minha desejada, que um outro dormiu em tua cabeceira e que teus olhos deram luz para o rosto desse maldito, não porei a minha língua qual uma navalha afiada, não usarei veneno fazendo o trajeto que só nos dois conhecemos ao lugar primeiro que nós vemos. Lá enterrarei, para a eternidade, e, o lenço que enxugará meus sentidos dos aís meus prantos!

ERIC PONTY

George Seferis - (DOIS POEMAS) - TRAD. ERIC PONTY

 A garota abatida

Sobre a pedra da paciência que você
sentou-se ao anoitecer com o negro olhar
Demostrando como se magoou então;

E sobre os seus lábios que você tinha uma linha, 
nus e os tremores feitos a alma dirigindo-se a invocar

E na sua mente a melodia que começa a rasgar 
e você foi um organismo que, 
a partir de sua borda retornou para o seu fruto.

Mas o seu coração à angústia não verte lágrimas, 
mas transformando-se em um sentido 
dados ao mundo pela estrela céu vastidão...

Automóvel

A via pública como o abraço
duas frentes de uma bússola
o vento, os dedos na juba e milhas no ventre,

Nós dois estávamos indo embora, ocos, 
macio coelho para o olhar; 
pensamento um espelho para maquiagem,
o sangue que o nu, nu, nu!

…. Em uma cama com almofadas macias 
e altas feitas a tontura se desviou 
Qual um peixe no mar ...
Nas duas frentes via pública, 
fomos deixando, apenas corpos, 
mas com nossos corações em cada filial separados, 
um à esquerda, um à direita.

GEORGE SEFERIS - TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, CRÍTICO IVO BARROSO LADEADO POR ERIC PONTY

terça-feira, setembro 13, 2022

LITURGIAS ÍNTIMAS – PAUL VERLAINE - TRAD. ERIC PONTY

 A CHARLES BAUDELAIRE

Eu não ainda te conhecia, não te amava,
Não te conheço e te amo-o ainda menos:
Eu não assumiria teu nome difamado,
Se tiver algum direito estar entre às presenças,
Em inicial sítio, sendo isso em qualquer outro,
Inicial cravo frio, após pelo abalo morto
Mulheres de pecado, quais tantas ungidas
Tantos beijos, crismas loucas e beijos famintos,
Tombou rezou, como eu, como tantos todos,
Almas que têm fome e sede em suas passagens,
Empurra bela espera pra Calvário tocado,
- Calvário, justo e vero, Calvário onde, há assim, dúvidas,
Cá, ali, queixas, que arte, chorou pelos fracassos.
É? Simples morremos, nós homens de pecados.

ASPERGES ME

Sendo apenas ramo do hissopo na minha mão,
Do Senhor Todo-Poderoso que me deu graça,
Posso, meu desígnio for puro diante tua face,
Abluir outros passam pela minha passagem,
Posso, se da minha oração seja leve,
Humildade do peso do desejo do lânguido,
Quão pagão, possa batizar em casos urgentes,
Pra lavar meu vizinho, pra tornar mais alvo que neve,
Tem piedade de mim, Senhor, segundo efeito,
Misericordioso da vossa misericórdia,
Faça atadura no meu coração dura provas,
Que o zelo pela tua casa apenas acresceu,
Faz-me prosperar meus desejos de altruísmo,
E pra tal, seguindo o rito respeitado,
Glória à Trindade por toda a eternidade,
Glória a Deus no céu mais inatingível,
Glória ao Pai, criador e governador de todos,
Ao Filho, criador salvador, juiz e partido,
Ao Espírito Santo, de quem veio à luz,
Por que raio? - Assim água luzente, meu sangue ferve,
Sendo apenas ramo do hissopo na minha mão.

AVENT II

"Nas Aventuras", como se diz,
Nos meus países rústicos também,
E que patois um pouco se detém,
Entre outros usos ancestrais, convém,
"Nas Aventuras costas cantarem",
Durante toda a noite, graças à lua,
"Clara" então, e cuja fronte abissal,
Prata e cobre de bronze em frontal,
Até à alva em pouca sombra, destes,
Cantando claro, claro como belo sonho,
Prá proclamar ao ponto de excesso,
O sol... que mais tarde se ergue poente,
Tarde demais para os reclusos entes,
Na capoeira, - E tal como duma alma,
Alcançando-se apenas os eleitos,
No pecado, duma prisão infame,
E, como duma alma em flor, os bons galos,
Vigilante, como nos tempos de Pedro,
Sofredor, mas apesar destes choques,
As sombras cantam, e a alma espera.

NOÈL III

Pequeno Jesus que temos de ser,
Se queremos ver Deus, o Pai,
Permite-nos renascer em paz,
Como bebés puros, nus, sem covil,
Que dum estábulo, e sem companhia,
Um burro e um boi, um humilde casal;
De ter uma ignorância infinita,
E desta imensa fraqueza de tudo,
Pela qual a infância humilde é benta;
Atuar sem magoar ninguém,
A nossa carne, portanto, inocente,
Até mesmo duma carícia angelical,
Sem a nossa fraca detecção ocular,
Dolorosamente do próprio brilho,
Da aurora da alvorada desvanecer,
Da noite seguinte, o brilho final,
Sem sentir qualquer vontade ao fim,
De um sono longo, tépido e pálido,
Como bebés puros que a vida árdua,
Destino, - para que fim severo,
Ou abençoado? - multidão cativa,
Ou tropa livre, a que provação?
Cruel Herodes, negro, pecado,
Com as sete espadas que persegues,
Os inocentes, que eu sou,
Nos meus cinco sentidos, - e, isso evitou,
Aqui estou eu, farto de me defender!
Do barro de onde Deus os formou,
A sua fraqueza pra estes tristes sentidos,
Pela qual sigo os inocentes,
Para ser imolado em Ramah,
Trair assim sua tenra idade.
Assumir o meu fado e a minha morte,
Vive no Egito, de onde está a partir,
Tempo do distintivo de honra,
Que me faz dar a sua vida,
E seu pensar para a minha alegria,
Do eterno, e, pelo meio da ação,
Duma certeza de absolvição,
Do seu próprio padre, o Senhor,
Ressuscitar a minha carne possessa.
CIRCONSISÇAO

Pequeno Jesus que já sofreu na sua carne,
De obedecer ao primeiro preceito da Lei,
Cá chegamos a este dia sagrado doçura e luz,
Pra vos oferecer primeiros frutos da nossa fé,
Para lhe obedecer à está obediência,
Trazemos ao altar a homenagem perfeita,
Desde pecados penitentes até à vossa candura,
No altar branco onde vosso sangue puro, o nosso refém,
Afunda-se mística como se afundou literalmente,
No Gólgota, como ele ainda era, já não existe,
Mas também literalmente, hoje, cujo ritual,
Celebrar o aniversário cruel e com um lírio,
E nós circuncidamos os nossos corações a segui-lo,
E vamos querer ser tal como Tu, que fizeste,
O velho Simeon, nesta solenidade do templo,
Expira-vos numa alegria sem nenhum limite.
O velho Adão que chorou na sua esperança,
Sempre jovial por enfim ver, com seus olhos, melhor de nós,
Somos muito suaves, sem mais raiva rubra ou orgulho tetro,
Vai canta orgulhosa canção de alegria e pranto,
E no céu os benditos homens e mulheres,
Irão divertir-se mais do que é comum, e os anjos,
Para que este ano, ela mal se meteu em fraldas,
Do primeiro suspiro, tem àqueles suspiros amorosos.
ROIS VI

Mirra, ouro e incenso,
São presentes menos amáveis,
Que dons mais humildes,
Oferecido aos Olhos Amorosos,
Quem sorrirá melhor,
A este mero desejo.
Da jornada dos Reis Magos,
Certo que é afável ao Senhor,
Aceitar estas homenagens,
E tem-nos em grande estima;
Mas dum pecador que se redime,
Para ele, sendo glória é maior.
Neste concurso sublime,
De adoração primária,
Jesus provará sempre,
Mais preces, mais orações,
Miserável povo e seus,
Manter um reino melhor.
Dos Anjos e Arcanjos,
Que despertam os pastores,
Vozes de esperança e louvor,
Aos homens encorajados,
Orgulho no azul sem véu,
A estrela miraculosa,
Ricos, pobres, vamos fazê-lo,
Nada diante de si, o Mestre,
Só do Vosso santo nome inveja,
Será capaz de reconhecer,
E acresçerá o seu próprio,
Ricos, pobres, todos os cristãos.
KYRIE ELEISON VII

Tende piedade de nós, Senhor,
Cristo, tende piedade de nós,
Dá-nos a vitória e a honra,
Sobre o inimigo de todos nós.
Tenha piedade de nós, Senhor.
Torna-nos mais religiosos e gentis,
Longe do Subornador Pecador,
Cristo, tem misericórdia de nós.
Proteja-nos do qual faz o vidente,
O grão de que tem ciúmes.
Tenha piedade de nós, Senhor.
Nós a vós suplicamos de joelhos,
Abra-nos com Fé e Alegria,
Tende piedade de nós, Senhor,
Cristo, tende piedade de nós,
Nós Te suplicamos de joelhos.
Tem piedade de nós, Senhor.
Senhor, pela Esperança, abre-nos,
Cristo, tenha piedade de nós.
Tende piedade de nós, Senhor!
GLORIA IN EXCELSIS VIII

Glória a Deus nas alturas,
Paz para os homens na terra,
Aos homens que o esperaram,
Nesta sua boa-vontade,
A salvação vem à terra...
Louvamos-vos, abençoai-vos,
Das Adorões, glorificações,
Damos-lhe graças e gratidão,
Desta vossa glória infinita!
Ó Senhor, Deus, Rei dos Céus,
Pai, deste Poder Eterno,
Ó Filho único de Deus,
Cordeiro de Deus, Filho do Pai,
Vós Aplacais os pecados:
Vós ouvirás os nossos desejos,
Terás misericórdia de nós.
Para si é o único Santo,
Só Senhor e só Altíssimo,
Ó Jesus, que foi ungido,
De longe e demais largo,
Deus no céu, com o Espírito,
No Pai,
No Pai, que assim seja!
CREDO IX

Creio no que a Igreja Católica,
Ensinou-me desde a era do acordo:
Que Deus o Pai é o único perpetrador,
E o regulador absoluto,
De tudo o que é invisível e visível,
E isso, por um mistério infalível,
Ele nasceu, não fez Jesus Cristo,
O seu único Filho perante a luz,
foi criado, e que foi escrito,
Que este morreria de morte amarga,
Para nos salvar da desgraça imortal,
No Calvário e, desde então, no Altar;
Enfim, que o Espírito Santo, que resulta,
do Pai e do Filho e quem falou,
Pelos profetas, e pela minha fé que se ajuda,
Da caridade acredito no dogma total,
Da Igreja de Roma, ao Santo Baptismo,
E na vida eterna.
E na vida eterna. No Supremo desejo.

VENI, SANCTE

Espírito Santo, desça naqueles
De quem zombar do antigo hino,
Onde a simples botar os seus votos,
À música da mais da ingénua.
Derramar os sete dons da fé,
Verter, espírito de inteligência,
Nas almas, tudo a si mesmo,
Sobretudo amor e indulgência,
E deste gosto desta pobreza,
Tanto dos outros qual de si mesmo:
Que entendam a caridade,
Já que são a elite e são nata,
Que ponderam o seu riso tolo,
Visando, não um dogma imutável.
Mas humildes e os fracos (Ataque
Cujo capitão é o Demónio).
Em vez de profaná-la, qual réu,
Este cântico dos nossos avôs,
Deixe-os meditar, para dar-lhe,
Bom exemplo, eles, grandes senhores,
E, enquanto eles estiverem,
De construir o seu pauperismo,
De espírito e dinheiro, que reinam...
Unificarem um pouco o Catecismo.
PAUL VERLAINE -TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY LADEADO DR. ALEXANDRE SCHUBERT

segunda-feira, setembro 12, 2022

5 - SONETOS DE SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY

Horas que teceram com teu trabalho subtil,
Olhar pacato, pra todas outras de captura,
Aos mesmos dos olhares que destes tiranos,
Maltratarem, injusta, pra beleza sublime;

Pra o Verão está sempre a passagem sem pausas,
Neste Inverno cruel, que ali se oblitera;
Seiva é congelada, as folhas, já perdidas,
Em cuja beleza reina a neve e a nudez.

Se não fosse destilar menos essência Verão,
Em celas cristalinas, fluído da prisão,
Que dessa beleza, se perdeu a tua herança,
Não haver mais nada, nem sequer mais ténue esteira.

Mas quando no Inverno é destilar, flor no Inverno,
Só perdeu a teu aspecto: néctar vive pra sempre.

SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, CRÍTICO IVO BARROSO LADEADO ERIC PONTY

SONETO 4 DE SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY

 


Esbanjador prezado, porque desperdiças,
Em si, todo legado precioso que recebeu?
A vida só empresta, mas nada dá, em troca,
Mas é generosa e recompensa os altruístas.

Por isso, muito avarento, porque é que abusas,
D´enorme bondade que recebeu pra dar?
Usurário estéril, por que razão utiliza,
Tais das quantidades, se não sobreviver?

Se apenas tiver negócios contínuos consigo,
Se se engana a si próprio usando a tua atração;
Quando afinal a vida aprontar o teu contrato,
Que contas lhe vai dar se não deixar ativo?

Essa bela aridez irá consigo um dia;
Usá-lo, quão herdeiro, ele viveria pra sempre.
SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY

POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY




domingo, setembro 11, 2022

SONETO 3 DE SHAKESPEARE - Trad. ERIC PONTY

Olhe-se ao cristal e diga à face contemplada,
Que é tempo de se repetir noutra está face,
Pois se não se renovar num novo retrato,
Rouba-se uma mãe, que não será abençoada.

Que bela mulher de ventre virgem, gentil,
Desprezará o cultivo da tua agricultura?
Quem tão tolamente porá fim à tua casta,
Fazendo deste amor em si uma sepultura?

Tu és o espelho fiel da sua mãe, e ela é,
Revive em si agradável Primavera de Abril;
Assim também verá atrás de janelas antigas,
E apesar das rugas, está era de ouro.

Claro, se não quer deixar a tua memória,
Morre só da morte, teu juízo e a tua história.

SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

sexta-feira, setembro 09, 2022

SONETO N2 - WILLIAM SHAKESPEARE - Trad. ERIC PONTY

 


Quando quarenta Invernos cercaram tua frente,
Cavarem trincheiras em campos de beleza,
Requinte, tão orgulhoso, que às pessoas o admiram,
Serão trapos velhos ou apenas ervas daninhas.

Portanto, perguntarem que é feito teu encanto,
Que é feito do tesouro de dias de força,
Dizer nesses olhos, já afundados, mantém,
Será uma vergonha voraz e dum elogio.

Quantos elogios ouvirá em troca desta beleza,
Se respondesse que: "Meu filho predileto,
Há de saldar minhas contas, e, escusa a idade.

Provando a tua herança com teu belo exterior:
Tua juventude, qual velho, veria renovada,
Contemplo vosso sangue cá qual neve e quente.

 WILLIAM SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY


quarta-feira, setembro 07, 2022

AZUL ANEL - DEDICADO RODRIGO PETRONIO - TRAD. ERIC PONTY

 


Dante da Maiano a diversi rimatori.

Provendo-me sábio, desta visão,
por arbítrio não trai vera sentença
Digo duma dona bela facção,
De meu coração medir muito agência.

Minha fé de uma guirlanda doação,
Verde, frondosa bela recepção,
Aproveito meu trovar por vestígio
Camisa seu cume minha partida.

Dedicai tanto amigo, privilégios,
Docemente grandeza de abraçar
Não se desacordo desprezar belo.

Coisa desprezando muito em beijar,
Qual já não digo que minha fé julga
Morte que minha mãe era feito ela. 

Dante da Maiano 



Dante Alighieri a Dante da Maiano.

Salvando julgamento vossa razão,
O homem que prega salvar o saber,
Porque vitando haver vossa questão,
Com respondo com a palavra ornar.

Desejo fértil arado ao fim se pôr,
Que gesto de valor faz obediente,
Imaginando a vossa amiga imagem,
Significasse em dom que antes contasse.

A vestimenta rica vera esperança,
Que fia dela qual almejado do amor,
Não prover vosso espírito bondoso

Digo pensando nesta sua ocasião,
Figura que já morta sobrevir
Na firmeza que haverá no coração.
Dante Alighieri



SONETO N1

Desejamos ver que os mais belo abundam,
para que a beleza em flor que não morra,
até mesmo os frutos pródigos sucumbem,
é justo que uma descendência lhe suceda;

Mas em vós, seus belos olhos governam,
como vós é do alimento que de tua chama
semeias fome onde tudo está disponível,
sendo vós sois tua própria presa já agredida.

Vós que hoje enfeita do mundo com teu encanto,
Vós anuncia buganvília como nenhum outro,
Vós se refere ao vigor deste teu rebento.

E mesmo não gastando com tuas reservas:
tenha piedade e não deixe essa tua gula,
O pão deste mundo é partido com tumba.
WILLIAM SHAKESPEARE

A LORD BYRON

Byron, a tua melodia, que doce tristeza!
Ela harmoniza a alma com ternura,
Se agradável Piedade, com sotaque,
Já tinha tocado ao alaúde à paisana.

Teria captado seus tons sem deixá-los,
Fenecer ofuscar-se angústia que não se faz,
Menos atraente: teu adorna amargura,
Com uma auréola de luz bela, quando;

Duma nuvem ocultou a lua dourada,
Bordos são tingidos com brilho vívido;
Vezes raios âmbar penetram penumbra;

Veias alvas usurpam mármo negro,
Continue a cantar, cisne moribundo,
Conto encantador, conto da dor suave!

John Keats
De uma enfermidade de Dom Antônio de pazos, bispo de Córdova

Deste mais que a neve, branco touro,
Robusta honra que deste gado meu,
E destas aves duas, que ao novo dia,
Saúdam de haver com doce choro.

A ti ele mais rubro, Deus do alto coro,
Está estranha faço oferenda pia,
Sobre este com flama, vencido envia,
Seu fumo de âmbar e sua chama de ouro

Porque tanta saúde seja reposta,
Do nosso sacro e douto pastor rico,
Que um dos que nascerem estão em vão.

Já que das três coroas que neste unido
Ao menos maioral do Tajo, e sejam
da planta abrigo, arminhos com pelica.

Luis de Góngora y Argote
Alude o munem poético do padre Francisco de Castro, da Companhia de Jesus.

Sendo composta flores maravilha, 
Divina protetora americana, 
Que ao ser se passa rosa mexicana,
Aparecendo rosa de castelã;

Ao que em vez do Dragão (de quem humilha
Cerviz rebelde em Patmos), ruela ufana,
Até aqui inteligência soberana,
De sua pura grandeza pura cadeira;

Já ao Céu, que à cópia do misterioso,
Segunda vez seus sinais celestiais
Em figuras de flores claro suma:

Pois não menos lhe dão traslado formoso,
Às flores de teus versos sem iguais,
Á maravilha de tua culta pluma.
Sor Juana Inés de la Cruz

O MENINO PERDIDO

"Pai, pai, onde é que vais? Por essa.
Não caminhem tão depressa! Cessa,
Diga, pai, diz com teu rapazinho, ninho, 
Ou então perder-me-ei nesse caminho".

Noite estava escura, nenhum pai havia por lá,
A criança estava ensopada com orvalho;
Lama funda, e da criança chorava mesmo cá,
E vapor voou ensopado com teu carvalho...
WILLIAN BLAKE
A Mgr LE CARDINAL DE RICHELIEU

Na altura, nossos medos não hão mais razão,
Grande alma às grandes obras sem repouso dado,
Uma vez, por conselho à França está governo,
Tudo que nela funcione terá a tua cura.

Tal quão foi remoçado velha idade dÉson,
quão esta princesa tuas mãos redimidas,
irá bater rigor teimoso do teu fado,
e retomar a tez dessa tua estação verde.

Bom senso do meu rei me faz predizer,
Frutos da paz encherão com vosso império,
e como um semideus o adoraria nas mãos.

Mas lhe observo que o seu hoje é o segundo,
Não lhe prometo que ele deveria esperar,
se não o fizer à conquista desse mundo.
MALLERBE



SONETO DO C....

Escuro e enrugado como dum cravo roxo,
Respira, humilde à espreita entre qual musgo,
Ainda molhado d´amor segue a suave encosta,
Das nádegas brancas até à borda da bainha;

Têm filamentos como lágrimas de leite,
Choraram, sob Outono cruel que os afasta,
Por meio pequenos seixos de marga rubra,
Para irem unos donde está encosta os chamou.

Minha boca mui vezes se cruzou com sua ventosa,
Com minha alma, do coito material cioso,
Fez o teu pingar e o teu ninho de soluços.

É azeitona desmaiada e a flauta fofinha,
Este é cano onde desce pralina celestial,
Chanaan Feminino na névoa florescente!
PAUL VERLAINE
UMA DE PASSAGEM

Rua ensurdecedora à minha volta alarido
Longa, fina, grão luto, agonia, majestosa,
Passou-me uma mulher, com uma mão luxuosa,
Chegar, abalar festão da carpida bainha.

Ágil e nobre, com a perna duma estátua,
Estava a beber, mui tenso por delirante,
No seu viegazul, céu lívido onde tufão,
Doçura que fascina, E, prazer que assassina.

Lida flash luz... após noite! - Belo fugaz,
Em cujo olhar me traz que de repente à vida,
Vê-lo-ei que um dia apenas nesta eternidade?

Noutro lugar, longe daqui! Nunca demais!
Pois não sei onde segue, não sabes onde eu vou,
Ó vós que eu teria amado, Ó vós do que sabíeis!
CHARLES BAUDELAIRE
Ele foi próximo ao do que o Criador, que
Nem na tua altura ao tolo se retardou,
Em forma humana vem se demonstrar,
Do ventre virginal saindo pela frente.

Quando digno, de meu ilustre senhor,
Tantos prantos esparsos ele pode,
Achar um lugar maior no meu ninho,
Fazer ninho abrigo da minha essência

Onde eu sou rara e de alta ventura
Acolhi prazer dormi só mais tarde
Tenho fé digna do eterno cuidado

Até cá axiomas que olhares voltam
Para ele, símbolos de cada medida
Claro e alegre, só quando gira e guarda.

GASPARA STAMPA
Descrive la bellezza de la sua donna e il principio del suo amore, il quale fu ne la sua prima giovinezza.

Era da idade de meu alegre abril,
Por anseio d´alma ainda por menina
Já me indagava belo despertava
Toar aprazer gracejo gentil.

Quando me olha dona mui parecidos
Nem tua voz é cândida qual de anjinhos
Ali não mostraram ser quase eleita
Mostrar-se por dar-lhe meu formoso estilo.

Admirar nova! Ela está meu verso e eu,
Circunda ao teu nome alterado pluma,
E por outro, eu ando retorno a prova.

Esta foi daquela qual dei a suave luz,
De gemer só cantar de me servir
Eu primo ardor espargir doce olvido.

TOQUARTO TASSO

       
  XVIII

QUANDO ESTOU TODO VIRADO PRA ESSE LADO,
FACE DA MINHA DAMA EMANA LUZ,
NO MEU PENSAMENTO HÁ TANTO DE FOGO,
QUE ME QUEIMA AO DESFAZ PARTE A PARTE.

TEMO O MEU CORAÇÃO, POR SI SE PARTE,
PERTO AO FINAL VEJO FIM DA MINHA FLÂMA,
ME VOU IGUAL QUE UM CEGO JÁ SEM LUZ,
QUE AONDE VÁ NÃO SOBE JÁ SEM LUZ.

DESTA MANEIRA ESCAPO DE SER MORTO,
MAS SEM FUGIR TÃO DEPRESSA AO DESEJO,
NÃO ME LEVE COMIGO, COMO CHÃO;

SILÊNCIO VOU, POIS É LINGUAGEM MORTO,
HÁ OUTROS FARIA-ME CHORAR EU DESEJO,
QUE MINHAS LÁGRIMAS POSSAM CAIR.
PETRARCA
PABLO PICASSO

Braços da modorra em cavados noturnos,
Sendas primorosas que separam as nossas cabeças.
Do outro lado do diamante, cada moeda é falsa,
Sobre o céu radioso, está terra é invisível.

A face do coração perdeu está suas cores
E o sol olhar para nós e os cegos nevascas,
Se apartarmos, o horizonte tendo asas
E nossos olhares se dispersaram dos nossos erros.
Paul Éluard
As aranhas do augúrio

Eu sei em suas pupilas surgiram mistérios,
Dum bosque alucinado por uma lua exótica,
Sei dentre suas sedas latem a fuga erótica,
Que sonhou em irreais e láteos hemisférios.

A minhas penas foram divina magia hipnótica,
Seus lábios incensários místicos saltérios,
E eu desejara sempre ter por cativeiros,
Seus braços, cabelos, sua nostalgia gótica.

Ó se pudesse falar! Sonhava que este dia,
Iludiu-se o palácio de minha melancolia,
Em sua fina mão ébria em delirar harmônicas.

Doçuras dos seus parques, vagavam ao piano,
Sonambulando eram alvas das filarmônicas
Aranhas augurais dum mundo sobre humanos.  

Julio Herrera y Reissig
POETA E CRÍTICO RODRIGO PETRÔNIO

POETAS GILBERTO DE MENDOÇA TELES E ERIC PONTY EM MINHA CASA NA 8

Professor Titular Emérito da PUC do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de Goiás. Professor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará e da PUC de Goiás. Foi professor de literatura nos seguintes países: Uruguai (Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro), Portugal (Universidade Clássica de Lisboa), França (Universidade de Rennes e de Nantes), Estados Unidos (Universidade de Chicago) e Espanha (Universidade de Salamanca). Conferencista em várias universidades, nacionais e estrangeiras. / É poeta e crítico, Prêmio “Machado de Assis” da Academia Brasileira de Letras; e Prêmio “Juca Pato” (Intelectual do Ano) da União Brasileira dos Escritores de São Paulo. Seus Poemas se encontram reunidos em Hora aberta (Editora Vozes, 2003, 4ª edição). Entre seus livros de ensaios e de crítica se destacam Drummond: A estilística da repetição (4ª. ed.) e Vanguarda europeia e modernismo brasileiro (20ª ed.). 
POETA, TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

VENUS AND ADONIS - (Abertura) WILLIAM SHAKESPEARE - Trad. ERIC PONTY



Assim que a face avermelhada sol,
Deixou pra trás gemido matinal,
Que flamejante Adonis foi caçar,
Pois riu do amor que adorava da caça.
Perplexa, Vénus, foi com passagem,
Com firme cotação de o seduzir,
"Três vezes", abancou ele, "mais bela",
Flor cardeal, doçura que se impõe,
Pombo branco, e não rosa vermelha,
É-me mais agradável do que um homem,
Natura, que o fez, por sua conta e risco,
Jurou que com sua vida o mundo enfim,
"Alivia, ó maravilha, o teu cavalo,
Prende essa sua nobre cabeça à sela.
Se me concedessem isto, em que troca,
Que mel de mil segredos será vosso,
Aqui, onde não há cobras, senta-se,
Deixem-me banhar-vos com meus beijos.

WILLIAM SHAKESPEARE - Trad. ERIC PONTY

POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

terça-feira, setembro 06, 2022

PARA UMA MULHER - PAUL VERLAINE - TRAD. ERIC PONTY

PARA UNIPTAN & UFSJ

Estes teus versos graça consoladora,
Bons olhos onde um sonho doce ri e chora,
Da vossa alma pureza é toda boa, a vós,
Versos coração da minha angústia violenta.

É esse, infeliz! Enfada hedionda que me assombra.
Não tem tréguas e fica aceso, louco, invejoso,
Multiplicando-se como um cortejo lobos,
Agarrando-se ao meu destino que ele sangra!

Oh, sofro, eu sofro terrivelmente, tão bem,
Que o primeiro gemido do primeiro homem,
Acuado do Éden é apenas égloga ao preço!

E as preocupações que poderão ter que são,
Destas andorinhas num céu azul vespertino;
- Caro, - num belo dia manhã de setembro.
 PAUL VERLAINE - TRAD. ERIC PONTY

POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

segunda-feira, setembro 05, 2022

A CÓRDOBA (1585) - Luis de Gongora y Argote - TRAD. ERIC PONTY

Para Antônio Tirado - IN MEMORIAN

O muro supino, as torres coroadas,
De honra, de majestade, galhardia!
Oh grande rio, grande rei da Andaluzia,
De areias nobres, se não areias douradas,
Planície fértil, as montanhas supinas,
Que privilegia o céu e as marrãs dias!
Ó pátria sempre gloriosa minha,
Tanto pra penas como pra espadas!
Se entre essas ruínas e miúdos,
De enricar banhos de Genil e Dauro,
Vossa memória não era minha comida,
Nunca merecem meus olhos ausentes,
Ver vossa parede, torres vosso rio,
Planície e cerros, Ó pátria, Ó flor Espanha!
Luis de Gongora y Argote - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

SONETO N 1 - WILLIAM SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY

PARA RODRIGO PETRÔNIO
Desejamos ver que os mais belo abundam,
para que a beleza em flor que não morra,
até mesmo os frutos pródigos sucumbem,
é justo que uma descendência lhe suceda;

Mas em vós, seus belos olhos governam,
como vós é do alimento que de tua chama
semeias fome onde tudo está disponível,
sendo vós sois tua própria presa já agredida.

Vós que hoje enfeita do mundo com teu encanto,
Vós anuncia buganvília como nenhum outro,
Vós se refere ao vigor deste teu rebento.

E mesmo não gastando com tuas reservas:
tenha piedade e não deixe essa tua gula,
O pão deste mundo é partido com tumba.

WILLIAM SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY