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quarta-feira, setembro 07, 2022

AZUL ANEL - DEDICADO RODRIGO PETRONIO - TRAD. ERIC PONTY

 


Dante da Maiano a diversi rimatori.

Provendo-me sábio, desta visão,
por arbítrio não trai vera sentença
Digo duma dona bela facção,
De meu coração medir muito agência.

Minha fé de uma guirlanda doação,
Verde, frondosa bela recepção,
Aproveito meu trovar por vestígio
Camisa seu cume minha partida.

Dedicai tanto amigo, privilégios,
Docemente grandeza de abraçar
Não se desacordo desprezar belo.

Coisa desprezando muito em beijar,
Qual já não digo que minha fé julga
Morte que minha mãe era feito ela. 

Dante da Maiano 



Dante Alighieri a Dante da Maiano.

Salvando julgamento vossa razão,
O homem que prega salvar o saber,
Porque vitando haver vossa questão,
Com respondo com a palavra ornar.

Desejo fértil arado ao fim se pôr,
Que gesto de valor faz obediente,
Imaginando a vossa amiga imagem,
Significasse em dom que antes contasse.

A vestimenta rica vera esperança,
Que fia dela qual almejado do amor,
Não prover vosso espírito bondoso

Digo pensando nesta sua ocasião,
Figura que já morta sobrevir
Na firmeza que haverá no coração.
Dante Alighieri



SONETO N1

Desejamos ver que os mais belo abundam,
para que a beleza em flor que não morra,
até mesmo os frutos pródigos sucumbem,
é justo que uma descendência lhe suceda;

Mas em vós, seus belos olhos governam,
como vós é do alimento que de tua chama
semeias fome onde tudo está disponível,
sendo vós sois tua própria presa já agredida.

Vós que hoje enfeita do mundo com teu encanto,
Vós anuncia buganvília como nenhum outro,
Vós se refere ao vigor deste teu rebento.

E mesmo não gastando com tuas reservas:
tenha piedade e não deixe essa tua gula,
O pão deste mundo é partido com tumba.
WILLIAM SHAKESPEARE

A LORD BYRON

Byron, a tua melodia, que doce tristeza!
Ela harmoniza a alma com ternura,
Se agradável Piedade, com sotaque,
Já tinha tocado ao alaúde à paisana.

Teria captado seus tons sem deixá-los,
Fenecer ofuscar-se angústia que não se faz,
Menos atraente: teu adorna amargura,
Com uma auréola de luz bela, quando;

Duma nuvem ocultou a lua dourada,
Bordos são tingidos com brilho vívido;
Vezes raios âmbar penetram penumbra;

Veias alvas usurpam mármo negro,
Continue a cantar, cisne moribundo,
Conto encantador, conto da dor suave!

John Keats
De uma enfermidade de Dom Antônio de pazos, bispo de Córdova

Deste mais que a neve, branco touro,
Robusta honra que deste gado meu,
E destas aves duas, que ao novo dia,
Saúdam de haver com doce choro.

A ti ele mais rubro, Deus do alto coro,
Está estranha faço oferenda pia,
Sobre este com flama, vencido envia,
Seu fumo de âmbar e sua chama de ouro

Porque tanta saúde seja reposta,
Do nosso sacro e douto pastor rico,
Que um dos que nascerem estão em vão.

Já que das três coroas que neste unido
Ao menos maioral do Tajo, e sejam
da planta abrigo, arminhos com pelica.

Luis de Góngora y Argote
Alude o munem poético do padre Francisco de Castro, da Companhia de Jesus.

Sendo composta flores maravilha, 
Divina protetora americana, 
Que ao ser se passa rosa mexicana,
Aparecendo rosa de castelã;

Ao que em vez do Dragão (de quem humilha
Cerviz rebelde em Patmos), ruela ufana,
Até aqui inteligência soberana,
De sua pura grandeza pura cadeira;

Já ao Céu, que à cópia do misterioso,
Segunda vez seus sinais celestiais
Em figuras de flores claro suma:

Pois não menos lhe dão traslado formoso,
Às flores de teus versos sem iguais,
Á maravilha de tua culta pluma.
Sor Juana Inés de la Cruz

O MENINO PERDIDO

"Pai, pai, onde é que vais? Por essa.
Não caminhem tão depressa! Cessa,
Diga, pai, diz com teu rapazinho, ninho, 
Ou então perder-me-ei nesse caminho".

Noite estava escura, nenhum pai havia por lá,
A criança estava ensopada com orvalho;
Lama funda, e da criança chorava mesmo cá,
E vapor voou ensopado com teu carvalho...
WILLIAN BLAKE
A Mgr LE CARDINAL DE RICHELIEU

Na altura, nossos medos não hão mais razão,
Grande alma às grandes obras sem repouso dado,
Uma vez, por conselho à França está governo,
Tudo que nela funcione terá a tua cura.

Tal quão foi remoçado velha idade dÉson,
quão esta princesa tuas mãos redimidas,
irá bater rigor teimoso do teu fado,
e retomar a tez dessa tua estação verde.

Bom senso do meu rei me faz predizer,
Frutos da paz encherão com vosso império,
e como um semideus o adoraria nas mãos.

Mas lhe observo que o seu hoje é o segundo,
Não lhe prometo que ele deveria esperar,
se não o fizer à conquista desse mundo.
MALLERBE



SONETO DO C....

Escuro e enrugado como dum cravo roxo,
Respira, humilde à espreita entre qual musgo,
Ainda molhado d´amor segue a suave encosta,
Das nádegas brancas até à borda da bainha;

Têm filamentos como lágrimas de leite,
Choraram, sob Outono cruel que os afasta,
Por meio pequenos seixos de marga rubra,
Para irem unos donde está encosta os chamou.

Minha boca mui vezes se cruzou com sua ventosa,
Com minha alma, do coito material cioso,
Fez o teu pingar e o teu ninho de soluços.

É azeitona desmaiada e a flauta fofinha,
Este é cano onde desce pralina celestial,
Chanaan Feminino na névoa florescente!
PAUL VERLAINE
UMA DE PASSAGEM

Rua ensurdecedora à minha volta alarido
Longa, fina, grão luto, agonia, majestosa,
Passou-me uma mulher, com uma mão luxuosa,
Chegar, abalar festão da carpida bainha.

Ágil e nobre, com a perna duma estátua,
Estava a beber, mui tenso por delirante,
No seu viegazul, céu lívido onde tufão,
Doçura que fascina, E, prazer que assassina.

Lida flash luz... após noite! - Belo fugaz,
Em cujo olhar me traz que de repente à vida,
Vê-lo-ei que um dia apenas nesta eternidade?

Noutro lugar, longe daqui! Nunca demais!
Pois não sei onde segue, não sabes onde eu vou,
Ó vós que eu teria amado, Ó vós do que sabíeis!
CHARLES BAUDELAIRE
Ele foi próximo ao do que o Criador, que
Nem na tua altura ao tolo se retardou,
Em forma humana vem se demonstrar,
Do ventre virginal saindo pela frente.

Quando digno, de meu ilustre senhor,
Tantos prantos esparsos ele pode,
Achar um lugar maior no meu ninho,
Fazer ninho abrigo da minha essência

Onde eu sou rara e de alta ventura
Acolhi prazer dormi só mais tarde
Tenho fé digna do eterno cuidado

Até cá axiomas que olhares voltam
Para ele, símbolos de cada medida
Claro e alegre, só quando gira e guarda.

GASPARA STAMPA
Descrive la bellezza de la sua donna e il principio del suo amore, il quale fu ne la sua prima giovinezza.

Era da idade de meu alegre abril,
Por anseio d´alma ainda por menina
Já me indagava belo despertava
Toar aprazer gracejo gentil.

Quando me olha dona mui parecidos
Nem tua voz é cândida qual de anjinhos
Ali não mostraram ser quase eleita
Mostrar-se por dar-lhe meu formoso estilo.

Admirar nova! Ela está meu verso e eu,
Circunda ao teu nome alterado pluma,
E por outro, eu ando retorno a prova.

Esta foi daquela qual dei a suave luz,
De gemer só cantar de me servir
Eu primo ardor espargir doce olvido.

TOQUARTO TASSO

       
  XVIII

QUANDO ESTOU TODO VIRADO PRA ESSE LADO,
FACE DA MINHA DAMA EMANA LUZ,
NO MEU PENSAMENTO HÁ TANTO DE FOGO,
QUE ME QUEIMA AO DESFAZ PARTE A PARTE.

TEMO O MEU CORAÇÃO, POR SI SE PARTE,
PERTO AO FINAL VEJO FIM DA MINHA FLÂMA,
ME VOU IGUAL QUE UM CEGO JÁ SEM LUZ,
QUE AONDE VÁ NÃO SOBE JÁ SEM LUZ.

DESTA MANEIRA ESCAPO DE SER MORTO,
MAS SEM FUGIR TÃO DEPRESSA AO DESEJO,
NÃO ME LEVE COMIGO, COMO CHÃO;

SILÊNCIO VOU, POIS É LINGUAGEM MORTO,
HÁ OUTROS FARIA-ME CHORAR EU DESEJO,
QUE MINHAS LÁGRIMAS POSSAM CAIR.
PETRARCA
PABLO PICASSO

Braços da modorra em cavados noturnos,
Sendas primorosas que separam as nossas cabeças.
Do outro lado do diamante, cada moeda é falsa,
Sobre o céu radioso, está terra é invisível.

A face do coração perdeu está suas cores
E o sol olhar para nós e os cegos nevascas,
Se apartarmos, o horizonte tendo asas
E nossos olhares se dispersaram dos nossos erros.
Paul Éluard
As aranhas do augúrio

Eu sei em suas pupilas surgiram mistérios,
Dum bosque alucinado por uma lua exótica,
Sei dentre suas sedas latem a fuga erótica,
Que sonhou em irreais e láteos hemisférios.

A minhas penas foram divina magia hipnótica,
Seus lábios incensários místicos saltérios,
E eu desejara sempre ter por cativeiros,
Seus braços, cabelos, sua nostalgia gótica.

Ó se pudesse falar! Sonhava que este dia,
Iludiu-se o palácio de minha melancolia,
Em sua fina mão ébria em delirar harmônicas.

Doçuras dos seus parques, vagavam ao piano,
Sonambulando eram alvas das filarmônicas
Aranhas augurais dum mundo sobre humanos.  

Julio Herrera y Reissig
POETA E CRÍTICO RODRIGO PETRÔNIO

POETAS GILBERTO DE MENDOÇA TELES E ERIC PONTY EM MINHA CASA NA 8

Professor Titular Emérito da PUC do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de Goiás. Professor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará e da PUC de Goiás. Foi professor de literatura nos seguintes países: Uruguai (Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro), Portugal (Universidade Clássica de Lisboa), França (Universidade de Rennes e de Nantes), Estados Unidos (Universidade de Chicago) e Espanha (Universidade de Salamanca). Conferencista em várias universidades, nacionais e estrangeiras. / É poeta e crítico, Prêmio “Machado de Assis” da Academia Brasileira de Letras; e Prêmio “Juca Pato” (Intelectual do Ano) da União Brasileira dos Escritores de São Paulo. Seus Poemas se encontram reunidos em Hora aberta (Editora Vozes, 2003, 4ª edição). Entre seus livros de ensaios e de crítica se destacam Drummond: A estilística da repetição (4ª. ed.) e Vanguarda europeia e modernismo brasileiro (20ª ed.). 
POETA, TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

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