Olhar pacato, pra todas outras de captura,
Aos mesmos dos olhares que destes tiranos,
Maltratarem, injusta, pra beleza sublime;
Pra o Verão está sempre a passagem sem pausas,
Neste Inverno cruel, que ali se oblitera;
Seiva é congelada, as folhas, já perdidas,
Em cuja beleza reina a neve e a nudez.
Se não fosse destilar menos essência Verão,
Em celas cristalinas, fluído da prisão,
Que dessa beleza, se perdeu a tua herança,
Não haver mais nada, nem sequer mais ténue esteira.
Mas quando no Inverno é destilar, flor no Inverno,
Só perdeu a teu aspecto: néctar vive pra sempre.
SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY

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