Nunca de amor esteve tão contento,
Que em seu elogio meus versos ocupar-se,
Nem a nada aconselhe que se enganei,
Buscando ao amor contentamento.
Isto sempre julgou meu entendimento,
Que deste mal todo homem a guardar-se,
E assim, porque esta lei se conservasse,
Folgar ser todos d´escarnecimento.
Oh vós outros andais traz meus escritos,
Os que de Deus tão grande merece haveis,
Que do poder de amor fostes taís quais!
XXX – Soneto
As chagas que de amor, que são invisíveis,
Quero como visíveis que se apresentem,
Porque aqueles que humanamente sentem
Se espantem de acidentes tão terríveis.
Os casos de justiça mais horríveis,
Em público hão de ser porque castigados
Com sua torpeza, e de que se amedrontem
Até os seus corações invencíveis.
Eu trago cá a história de meus males,
Donde ilustre de amor hão ter concorrido,
Tão fortes, que não sei como contá-las.
Eu só em tantas guerras fui ferido,
E são minhas feridas, os sinais,
Tão feias, que hei vergonha mostrá-las.
JUAN BUSCÁN - Trad. Eric Ponty


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