NA PERSONA DE GREGÓRIO DE MATOS - LIBRETO - ERIC PONTY
Estimado ERIC!
Espero que tudo esteja indo bem com vc. Parabéns pelo belíssimo trabalho. Creio que é uma obra erudita de peso. Eu ainda estou engatinhando no Libretto de ópera que mistura Prosa e Poesia. A Prosa é o enredo propriamente dito, e a Poesia são as Árias (assim denominadas no meio da dramaturgia musicada desde seus primórdios na Itália em fins de 1500), tudo somado, temos o Libretto.
Re: FLORES DO MAL - TRAD. ERIC PONTY
Caro amigo Eric Ponty,
Agradeço o envio da obra, que é magnífica. Parabéns. Foi um esforço hercúleo e MUITO necessário para a cultura brasileira. Poesia é o último estágio na Arte... Sempre a achei subjetiva demais e complexa por isso mesmo (eu preciso de aulas de análise com cada poeta para entender os signos e significados de cada poema).
Abs,
Andersen
P.S.: Traduzi para o inglês "O macaco que foi rei por um dia" do Oranice...
Albatroz@companhia
CANONE INTERNACIONAL EM LÍNGUA PORTUGUESA PELO POETA ERIC PONTY
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quinta-feira, outubro 08, 2026
DUAS MISSIVAS DO DOUTOR E COMPOSITOR ANDERSEN VIANNA - F. CLÓVIS SALGADO @ UFMG
A Defesa de Guenevere - William Morris (1834–1896) - Trad. Eric Ponty
MAS, sabendo agora que iriam fazê-la falar,
Ela jogou o cabelo molhado para trás, afastando-o da testa,
Com a mão perto da boca, tocando a amura,
Como se tivesse recebido ali um golpe vergonhoso,
E sentindo que era vergonhoso sentir qualquer coisa além de vergonha
Por todo o seu coração, mas sentindo a amura arder tanto,
Que precisava tocá-la um pouco; como alguém coxo,
Ela se afastou de Gauwaine, com a cabeça
Ainda erguida; e na amura em chamas,
As lágrimas secaram veloz; ela parou por fim e disse:
“Ó cavaleiros e senhores, parece-me pouca habilidade
Falar de coisas bem versadas, já caídas e mortas.
“Deus sabe que eu deveria dizer: agi mal,
E peço a todos, de todo o coração, perdão!
Pois devem estar certos, senhores tão ilustres; ainda assim
“Ouçam: suponham que tivesse chegado a hora de morrerem,
E que estivessem totalmente sozinhos e muito fracos;
Sim, deitados à beira da morte, enquanto com grande força
“O vento agitava a estreita faixa
Do rio que corre bem por suas vastas terras:
Suponham que se fizesse silêncio, e então alguém falasse:
“‘Um desses panos é o céu, e o outro é o inferno,
Agora escolha um tecido para sempre; quais sejam,
Não vou lhe dizer, deve, de alguma forma, dizer:
“‘Da sua própria força e poder; aqui, veja!’
Sim, sim, meu senhor, e, ao abrir os olhos,
Ao pé da sua cama familiar, verá:
“Um grande anjo de Deus em pé, com cores
Desconhecidas na Terra, em suas grandes asas e mãos,
Abertas em duas direções, luz vinda dos céus internos
“Mostrando-o bem e fazendo com que suas ordens
Parecessem ser ordens de Deus, além disso, também,
Segurando em suas mãos os panos em varas;
“E um desses estranhos panos escolhidos era azul,
Ondulado e longo, e outro curto e vermelho;
Ninguém sabia dizer qual dos dois era melhor.
“Após meia hora de tremores, você disse:
‘Deus me ajude! A cor do céu, o azul’; e ele disse: ‘o inferno’.
Talvez você então se revirasse na cama,
“E clamasse a todos os homens bons que tanto te amavam,
‘Ah, Cristo! Se ao menos eu soubesse, soubesse, soubesse’;
Lancelot foi embora, então eu pude perceber,
“Como o homem mais sábio, como tudo seria, gemer,
E me revirar e me machucar, e ansiar pela morte,
E, ainda assim, temer muito morrer pelo que foi semeado.
“No entanto, ó Sir Gauwaine, mente,
Seja o que for que tenha acontecido ao longo desses anos,
Deus sabe que falo a verdade ao dizer que mente.”
Sua voz estava baixa no início, cheia de lágrimas,
Mas, à medida que se clareava, tornou-se alta e estridente,
Transformando-se em um grito cortante nos ouvidos de todos os homens,
Um zumbido em seus cérebros assustados, até que
Ela disse que Gauwaine mentia; então sua voz se abafou,
E seus grandes olhos abriram antes a se encher de lágrimas,
Embora ela jazesse ereta, sem jamais recuar,
Mas continuasse a falar com coragem, gloriosa e bela dama!
Quaisquer que fossem as lágrimas que seus lábios carnudos tivessem absorvido,
Ela permaneceu de pé, parecendo refletir, e torcia os cabelos,
E por fim falou sem mais nenhum traço de vergonha,
Com um contorcer abismado de seu corpo ali:
“Aconteceu que, certo dia, Lancelot veio
Para morar na corte de Artur: na época do Natal
Isso aconteceu; quando os arautos entoaram seu nome,
“Filho do rei Ban de Benwick”, parecia ressoar
Junto com todos os sinos que tocavam naquele dia,
Sobre os telhados brancos, com pouca variação na rima.
“O Natal e o inverno branco passaram,
E sobre mim chegou o sol de abril,
Tornado terrível pelas nuvens negras de granizo, sim,
“E no verão eu empalideci com as chamas,
E abaixei a cabeça: outono, e os doentes;
A certeza de que as coisas nunca mais seriam as mesmas;
“Por mais que a primavera se mostrasse exuberante;
De flores e botões, isso me atingiu, e eu me tornei;
Indiferente à maioria das coisas,
deixando o relógio fazer tique-taque, tique-taque;
“Ao meu pulso infeliz, que batia direto através
Meu corpo ansioso; enquanto eu ria alto,
E deixava meus lábios se curvarem, fosse falso ou verdadeiro,
“Pareciam frios e superficiais, sem qualquer nuvem.
Eis que, meus juízes, então trouxeram os panos;
Enquanto eu estava assim tonto, velhos pensamentos se aglomeravam,
“Pertencentes ao tempo antes de eu ter sido conquistado,
Pelo grande nome de Arthur e seu pequeno amor;
Devo desistir para sempre, pensei,
“Aquilo que eu considerava que sempre me envolveria,
Glorificando todas as coisas; por uma pequena palavra,
Que quase nunca teve sentido algum, devo agora provar
“Que estou fria como pedra para sempre? Peço-vos, será que o Senhor
Deseja que todas as pessoas sejam totalmente felizes e boas?
Amo a Deus agora um pouco; se esse laço,
“Se rompesse, de uma vez por todas, que esforço poderia
Fazer-me amar qualquer coisa na terra ou no céu?
Assim, dia após dia, isso crescia, como se alguém devesse
“Deslizar sem pressa por alguma passagem afundada, lisa e monótona,
Descendo até um mar fresco num dia de verão;
No entanto, ainda naquela descida havia um pequeno fermento
“De mãos desdobradas pegando pedrinhas pela passagem,
Até que uma delas, certamente, alcançasse o mar por fim,
E sentisse uma alegria nova e estranha enquanto a cabeça cansada repousava
“Para trás, com os cabelos como algas marinhas;
sim, tudo já passou de suor da testa, secura dos lábios,
Lavados por concluído pelas prezadas ondas que se erguiam,
“No mar solitário, longe de qualquer navio!
Não conheço agora um dia de primavera?
Nenhum minuto daquele dia selvagem jamais escapa,
“Da minha memória; ouço os tordos cantarem,
E onde quer que eu esteja, já
Pensamentos de tudo isso surgem com uma pontada fresquíssima:
“Eu estava meio enlouquecida pela beleza naquele dia,
E saí sozinha, sem minhas damas,
Em um jardim sereno, cercado por muros por todos os lados;
“Eu estava muito feliz com aquele muro de pedra,
Que isolava as flores e as árvores do céu,
E triplicava toda a beleza: até os ossos,
“Sim, bem até o meu coração, que se tornara muito tímido
Com pensamentos cautelosos, ela o perfurou e me deixou feliz;
Assaz feliz, e eu sabia, de verdade,
“Uma coisinha, naquela exata ocasião, tinha me largado louca;
Não ousava pensar, como costumava fazer,
Às vezes, na minha beleza; se eu tivesse
“Estendido minha longa mão contra o azul,
E, olhando para os dedos ternamente escurecidos,
Pensasse que, por direito, deveria ser possível ver bem por meio deles,
“Ali, veja, onde a luz suave e tranquila ainda paira
Ao redor das bordas; o que eu teria feito,
Se isso se unisse a cantores salpicados de amarelejo,
“E a um verde admirável atraído para cima pelo sol?
Mas gritando, soltando, veja agora! todo o meu cabelo,
E, em transe, fiquei observando o vento do oeste soprar
“Com o mais fraco som de respiração, quase inaudível: por que ali.
William Morris (1834–1896) - Trad. Eric Ponty
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
quarta-feira, outubro 07, 2026
O LIVRO DAS IMAGENS (EXCERTO) - RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY
Agora a hora se inclina e me toca
com seu som claro e metálico:
meus sentidos tremem. A sensação se forma: eu posso—
e agarro o dia maleável.
Nada estava completo antes de eu vê-lo,
tudo o que estava em devir parou.
Meus olhos estão maduros, e tudo o que eles desejam
se aproxima como uma noiva.
Nada é pequeno demais: contra um fundo dourado
eu o pinto em grande escala e com carinho
e o ergo bem alto, e nunca saberei
de quem será a alma que ele poderá libertar…
Vivo minha vida em círculos cada vez mais amplos
que se estendem por cima das coisas.
Talvez eu não alcance o último deles,
mas esse será meu objetivo.
Giro em torno de Deus, em torno da torre milenar;
venho girando há milênios
e ainda não sei: serei um falcão, uma tempestade,
ou uma canção soberana?
Tenho muitos irmãos que vestem batinas claras
no Sul, onde nos claustros há louro.
Sei como, humanamente, eles criam madonas,
e sonho frequentemente com os jovens Ticianos
através dos quais Deus se move em chama pura.
No entanto, aqui, onde os instintos se voltam para dentro:
Meu Deus é sombrio e como uma teia
de raízes emaranhadas, todas bebendo em silêncio.
Que, desse calor ávido, eu me levante,
é tudo o que sei: pois meus galhos mantêm calma perfeita
e apenas sussurram ao vento.
Você, Deus vizinho, se às vezes, na longa noite,
eu o acordar com minhas batidas fortes, —
é só porque raramente ouço você respirar
e sei: você está sozinho naquele quarto enorme.
E caso precise de algo, não há ninguém lá
para levar água aos seus lábios.
Estou sempre à escuta. Dê um pequeno sinal.
Sinta minha presença aqui.
Apenas uma parede fina nos separa,
e isso por mero acaso: talvez bastasse um único chamado
da sua boca ou da minha —
e ela desmoronaria
completamente, sem fazer barulho.
É uma parede construída com suas imagens.
E suas imagens estão diante de você como nomes.
E quando a luz dentro de mim se acende —
aquela luz pela qual o mais íntimo da minha alma te discerne —
ela reflete em suas molduras como um brilho ofuscante.
E meus sentidos, que rapidamente falham,
estão abandonados, isolados de você.
Vivo bem à beira do século.
É possível sentir o vento vindo de uma grande página —
que Deus, você e eu preenchemos com palavras —
que agora gira bem lá em cima, nas mãos de estranhos.
É possível sentir o brilho da nova folha,
na qual ainda se pode escrever qualquer coisa.
As forças silenciosas testam sua amplitude
e se olham com ar sombrio.
Li isso em tua palavra, aprendi com a história
daqueles gestos com que tuas mãos
se fechavam em torno de cada coisa incipiente —
calorosas, acolhedoras, sábias.
Tu declaraste: “Viva com força e morra suavemente”
e repetias incessantemente: “Seja”.
Mas, antes da primeira morte, veio o assassinato.
Com isso, uma ruptura rasgou teus círculos perfeitos
e um grito irrompeu
e dispersou todas aquelas vozes
que haviam acabado de se unir
para cantar para ti,
para te carregar,
sua ponte sobre todos os abismos—
E o que elas vêm balbuciando desde então
são fragmentos
do teu nome antigo.
A cigarra e a formiga - Jean de La Fontaine - Trad. Eric Ponty
A Cigarra tendo cantado,
Todo o verão sem um perdão
Quando à brisa vento chegou,
viu-se em confusa estadia:
Nem pedacinho de brisa,
Nem de mosca ou minhoca.
Á Cigarra gritou por comida
Pra à Formiga da porta ao lado,
Implorando-lhe a empreste-lhe,
Alguns grãos sobreviver
Em até à nova estadia
Que de uma nova estadia...
- Pago-lhe", - Cigarra, - em fé,
Antes de Agosto, a fé animal,
É coisa será capital.
Formiga não emprestadora;
Sendo é o menor dos defeitos.
"Que estava a fazer Verão quente?
disse formiga pra infeliz mutuária.
- Noite e dia pra todos visitantes
Estava a cantar. não se importam.
- Cantar? Mui contente. – Estadia. -
Formiga: - Bem, já dançou hoje.
Jean de La Fontaine - Trad. Eric Ponty
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
terça-feira, outubro 06, 2026
SONETO DA PORTUGUESA - Elizabeth Barrett Browning - TRAD. LEORNADO FRÕES @ ERIC PONTY
Como te amo? Deixa-me contar os modos.
Te amo do fundo e da largura e aturam
A que a alma chega quando os fins procuram
Do Ser, da Graça ideal, sumindo a todos.
Eu te amo ao nível das necessidades
Serenas, seja ao sol ou luz de vela.
Livre te amo como quem luta pela
Justiça; pura te amo sem vaidades.
Te amo com a paixão que punha em uso
Na dor; com a confiança de menina.
De um amor te amo às vezes já confuso,
Pois, quando perde, a mais se determina.
Te amo rindo e chorando. E até me induzo
A na morte te amar, se Deus designa.
TRAD. LEORNADO FRÕES
Como eu te amo? Deixa-me contar os jeitos.
Eu te amo com a finura, ardor e a altitude
Que minha alma pode arrumar, quando busco, sem ver,
Os confins do Ser e da Graça ideal.
Eu te amo no nível da precisão mais silente do dia a dia,
À luz do sol e à luz de velas.
Eu te amo livremente, quais homens lutam pelo Direito;
Amo-te puramente, quais eles se apartam do Louvor.
Amo-te com a paixão empregada
Em minhas antigas mágoas e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que parecia ter perdido.
Com meus santos perdidos — amo-te com o fôlego,
Dos sorrisos, as fúcsias de toda a minha vida! — e, se Deus quiser,
Amo-te ainda mais após a morte.
PARÁFRASE DE ERIC PONTY
Como eu te amo? Deixa-me contar os jeitos.
Eu te amo tua amargura, tua tristeza, teus feitos
Que minha alma pode arrumar, busco, sem ver,
Teu sexo, tua estria, confins do Ser e da Graça ideal.
Eu te amo no nível da precisão mais silente do dia a dia,
À luz do sol e à luz de velas abrigando o teu ser,
Eu te amo livre eterna, quais homens lutam pelo Destro;
Amo-te pura infinito, quais se apartam Louvor e Amor.
Amo-te com paixão empregada nos meus versos mais findos
Em minhas antigas mágoas e com fé da minha infância.
Amo-te com um amor que parecia ter perdido.
Com meus santos idos — amo-te com fôlego, e, flama, verdade,
Dos sorrisos, as fúcsias de toda a minha vida de minha lida!
— E, se Deus quiser, Amo-te ainda mais após a morte ainda mais forte.
TRAD. ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
segunda-feira, outubro 05, 2026
Romance sonâmbulo - Federico Garcia Lorca - Trad. Eric Ponty
PARA MINHA AMADA DOUTORA
A Gloria Giner y a Fernando de los Ríos
Verde, como eu te amo verde.
Vento verde. Galhos verdes.
O barco sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra na cintura,
ela sonha em sua varanda
verde como a carne, cabelos verdes,
com olhos de prata fria.
Verde, como eu te amo verde.
Sob a lua cigana,
as coisas estão olhando para ela
e ela não consegue olhar para elas.
Verde, como eu te amo, verde.
Grandes estrelas de gelo,
chegam com o peixe-sombra
que abre o caminho do amanhecer.
A figueira esfrega seu vento
com a lixa de seus galhos,
e a montanha, gato-garduño,
eriza seus espinhos amargos.
Mas quem virá? E por onde?…
Ela continua em sua varanda,
verde como a carne, cabelos verdes,
sonhando com o mar amargo.
Amigo, quero trocar,
meu cavalo pela sua casa,
minha sela pelo seu espelho,
minha faca pela sua manta.
Amigo, venho sangrando,
desde os portos de Cabra.
Se eu pudesse, rapaz,
esse negócio estaria fechado.
Mas eu já não sou mais eu,
nem minha casa é mais minha casa.
Amigo, quero morrer
decentemente na minha cama.
De aço, se possível,
com lençóis de Holanda.
Você não vê o ferimento que tenho
do peito até a garganta?
Trezentas rosas escuras
adornam seu peitoral branco.
Seu sangue escorre e exala um cheiro
ao redor da sua faixa.
Mas eu já não sou mais eu.
Nem minha casa é mais minha casa.
Deixem-me subir pelo menos
até as altas grades,
deixem-me subir! deixem-me
até as grades verdes.
Grades da lua
por onde a água ressoa.
Os dois amigos já sobem
em direção às altas grades.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremiam nos telhados
lanterninhas de lata.
Mil tamborins de vidro,
feriam a madrugada.
Verde, como eu te amo verde,
vento verde, galhos verdes.
Os dois compadres subiram.
O vento forte deixava
na boca um gosto estranho
de fel, de hortelã e de manjericão.
Compadre! Onde ela está, me diga?
Onde está sua garota amarga?
Quantas vezes ela esperou por você!
Quantas vezes ela esperou por você,
com o rosto fresco e o cabelo negro,
nesta grade verde!
Sobre a superfície da cisterna,
a cigana balançava.
Pele verde, cabelos verdes,
com olhos de prata fria.
Um gelo de lua,
a mantém sobre a água.
A noite tornou-se íntima,
como uma pequena praça.
Guardas civis bêbados,
batendo na porta.
Verde, como eu te amo, verde.
Vento verde. Galhos verdes.
O barco sobre o mar.
E o cavalo na montanha.
Federico Garcia Lorca - Trad. Eric Ponty
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
domingo, outubro 04, 2026
LIED PARA STAEL VIEGAS - ERIC PONTY
P/SÃO JOÃO$ISRAEL
SÊ és música, te entristece-o ouvi-la?
Sê o doce é doce e a alegria é alegre,
porque é que amas aquilo com amargura
Ao ter prazer faça-nos desprezíveis?
Sê não estiver satisfeito por ouvi-la,
Casal de notas com notas que somam,
é porque o repreendem com voz suave:
Da partitura não é só pra si.
As cordas, como sabe, estão dispostas,
Pares bem distintos e através notas,
Por enquanto nos cantam um acorde.
Parecem-se com pai, filho e mãe amada,
E tua canção, sem letra e com talento,
Cantam pra si: "Vós, solista, não percas".
DR. ANDERSEN VIANNA - FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO - UFMG
ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
Poemas - Allison Grayhurst - Trad. Eric Ponty
P/Allison Grayhurst com abraço
Dê as boas-vindas à morte
Dê as boas-vindas à morte
de abraçar a morte
como um sorriso. Pois tudo
o que sonha por dentro,
tudo o que se espalha imaculado
pelas veias, vira as costas
ao esquecimento, conhece a fé, sabe que
seu destino está sob as
estrelas.
Dê as boas-vindas às folhas que mudam, às
flores cobertas de geada, à vaidade do ser,
de sentir um único Ser, inteiro diante do
mundo.
Dê as boas-vindas ao corpo, às moedas contadas,
ao sofrimento da criança e aos rostos perdidos
na luz da meia-noite, eternamente esquecidos.
Dê as boas-vindas àquele que jaze de pé, àquele que
elogia cada sílaba gritada, purifica
a alma de batalhas estagnadas, hora após hora
sente o frescor da renovação nos punhos cerrados
e nos telefones que nunca tocam.
Dê as boas-vindas ao som de um beijo lembrado
e aos fantasmas que choram para sempre
ao lado de cada coração mortal.
Amor e Deus e cresce
não surge
na tolerância, aprendida,
conquistada com esforço. Resistindo
à crueldade, aos lábios ressecados,
à dor selvagem, ela se torna maior
do que o amor e Deus e cresce
até que todos os gestos a revelem.
Secretamente, à sombra da devoção,
ela se enfurece. Agachada atrás de igrejas e
escadarias, ela torna sua droga mais doce
do que o toque. Queima o estômago, priva
o coração das riquezas da fé.
Quando chega, não há erro algum,
nem a presença instável
da dúvida.
Quando chega, chega galopando,
circulando como o anoitecer
em torno da grande gema da alma.
A cama está desarrumada.
Os telhados são lindos
e brancos.
Lar é um bolo de aniversário
O lar é um bolo de aniversário,
uma pintura gravada em luz cremísia.
Os gatos observam atentamente.
Os sons lá fora são poucos. Um dos amantes
está dormindo, o outro respira a vista invernal.
Como uma purificação, como uma página em branco
ou uma fatia de pão italiano,
a neve desce, trazendo calor
às veias, trazendo o conforto
de suéteres e meias de tricô, unindo
os corpos e levando o ano ao fim.
A primeira neve do inverno caindo
como uma nova chance, como uma despedida
das cores que se desvanecem e das flores nos túmulos.
A primeira neve do inverno chegando,
sua maré de magia em ação
acariciando e afastando a fúria da cidade
com seu abraço frio e imaculado.
A moldura de pedra
A moldura de pedra canta
meu limiar, canta a
futilidade do meu coração. É uma gaiola tão dura que faz
meus nós dos dedos estalarem, quebra
meus ossos de tanto pular.
A moldura de pedra deseja ser meu útero, mas
nunca poderia ser um casebre reconfortante,
ou um lugar de descanso longe do
vento do mundo e das chamas.
A estrutura de pedra mutila minha voz
ao protestar, acende um fósforo
na minha resistência e me mantém presa
em seu dormitório úmido e empoeirado.
A estrutura de pedra me deixa sonhar com milhas
de distância de sua porta, mas nunca permite que mais
do que minha imaginação vá vagar.
A estrutura de pedra é minha percepção presa
em uma monotonia sem fé, é meu sorriso covarde
que teme o caos fora de suas paredes cinzentas e imutáveis.
Santuário
Ele vira sua cabeça de falcão
para observar as carapaças das tartarugas que cortam em zigue-zague
o manto imóvel da água nos tanques,
tão azuis quanto o céu.
Ele levanta uma perna e, com as garras tensas,
gira para se defender de uma sombra que se aproxima.
Com olhos esbranquiçados e um desejo impossível
de voar, ele salta ao longo de seu poleiro artificial em direção a
as gaiolas onde os esquilos pulam
do metal para a madeira, espalhando-se como folhas
em uma agitação imprevisível.
Ele escuta os sons sem lábios dos patos.
A primavera, ele nunca mais vivenciará, nem conhecerá
o aroma de uma vida reprimida que se liberta como
girassóis desabrochando, ou a sensação da lua,
mais fria, mas mais reconfortante do que ser tocado.
Ele está sem tempo nem tribo,
e, como o fogo, ele assombra
simplesmente por existir.
Allison Grayhurst - Trad. Eric Ponty
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
POEMAS - JOHN KEATS - TRAD. ERIC PONTY
Sobre a Paz
Ó Paz! E será que, com tua presença, abençoas
As moradas desta ilha cercada pela guerra;
Acalmando com tua expressão serena nossa recente angústia,
Fazendo o triplo reino sorrir radiantemente?
Com alegria saúdo tua presença; e saúdo
Os doces companheiros que esperam por ti;
Completa minha alegria — não deixes que meu primeiro desejo falhe,
Que a doce ninfa da montanha seja tua favorita.
E, com a felicidade da Inglaterra, proclame a liberdade da Europa.
Ó Europa! Não permitas que tiranos com cetro vejam
Que deves refugiar-te em teu estado anterior;
Mantém tuas correntes quebradas e declara com ousadia que és livre;
Impõe a lei aos teus reis — não deixes os poderosos sem restrições;
Assim, com os horrores do passado, conquistarás teu destino mais feliz!
Sobre a Morte
Será que a morte é um sono, se a vida não passa de um sonho,
E as cenas de felicidade passam como um fantasma?
Os prazeres passageiros parecem uma visão,
E, no entanto, pensamos que a maior dor é morrer.
Quão estranho é que o homem vagueie pela Terra,
E leve uma vida de sofrimento, mas não abandone
Seu caminho árduo; nem ouse contemplar sozinho
Seu destino futuro, que nada mais é do que despertar.
Encha para mim uma tigela cheia até a borda
“What wondrous beauty! From this moment I efface from my mind all women.” —Terence, The Eunuch, Act II, Sc. V
Encha para mim uma taça transbordante;
E deixe-me nela afogar minha alma:;
Mas coloque nela algum remédio destinado;
A banir a Mulher da minha mente.;
Pois não desejo a corrente inspiradora,;
Que aquece os sentidos com desejo lascivo,;
Mas desejo um gole tão profundo;
Quanto jamais foi bebido das ondas do Lete;;
Para afastar do meu peito desesperado
A imagem da forma mais bela
Que meus olhos embriagados já contemplaram,
Que minha imaginação errante já evocou.
É em vão! — não consigo afastar
A suavidade derretida daquele rosto,
O brilho daqueles olhos luminosos,
Aquele peito — o único paraíso da Terra.
Minha visão nunca mais será abençoada;
Pois tudo o que vejo perdeu seu encanto:
Nem com deleite posso explorar
A página clássica, o saber da musa.
Se ela soubesse como meu coração batia,
E com um único sorriso aliviasse sua dor,
Eu teria sentido um doce alívio,
Eu teria sentido “a alegria da tristeza”.
No entanto, assim como um toscano, em meio à neve
Da Lapônia, pensa no doce Arno,
Assim também, para sempre, ela será
A auréola da minha memória.
Como se da escuridão crescente surgisse uma pomba prateada
Assim como da escuridão crescente uma pomba prateada
Alça voo e mergulha na luz do Oriente,
Com asas que nada mais movem senão puro deleite;
Assim fugiu tua alma para os reinos celestiais,
Regiões de paz e amor eterno;
Onde espíritos felizes, coroados com diademas brilhantes
De raios estelares e gloriosamente adornados,
Saboreiam a alegria sublime que só os abençoados podem experimentar.
Lá, ou te unes ao coro imortal
Em melodias que até mesmo o belo céu
Enchem de felicidade superior, ou, a pedido
Do Pai onipotente, fendas o ar,
Enviado em missão sagrada. — Que prazeres há mais elevados?
Por que, então, alguma tristeza empanturra nossa alegria?
JOHN KEATS - TRAD. ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
sábado, outubro 03, 2026
Se pra uma Rosa e uma Margarida - Eric Ponty
Doutora Te Amo em Branco na Janela
Esses versos, Doutora, que tinha,
que ao teu deleite consagro,
e só os têm dos bons agrados
te conheceres que são maus,
Nem os desculpar quero
nem quero recomendá-los,
Porque isso fora está querer
fazer deles muito pouco caso.
Não ao agradecido te busco:
pois não deves, bem olhados,
estimar o que eu nunca serão,
julguei que foram as tuas mãos.
Em tua liberdade te ponho,
Se quereis censurá-los assim;
Pois de que, ao fim, te estás
Neles, estou muito ao fim,
Não há coisa mais livre que
A compreensão humana;
Pois o que Deus não violenta,
Por que ei lhes de violentá-los?
De quanto os quiseres deles,
que, quando mais inumano
me os mordêreis, contudo
se quer às mais obrigado,
Pois lhes deves a mim Musa
ao mais sazonado pranto,
que és o murmurar, segundo
Um pensamento cortesão.
E sempre que te sirvo, pois
Ao te agrado, ou não te agrado:
Se te agrado, te divertis; vários
murmuras, se não te cenários.
Bem pudera eu ia dizer-te
por desculpa, que não eis dado
Lugar para corrigir-vos
Com pressa destes escritos;
Que vão de diversas letras,
matam de sorte o sentido,
que és cadáver do vocábulo;
E que, quando os hei feito,
Há sido em certo espaço
que feriram ao ócio às
precauções de meu estado.
Se tenho pouca saúde
E se contínuos embaraços ,
tais, que há dizendo isto,
Que levo a pluma trotando.
Porém tudo isso não serve,
Pois pensarás que me louvo
de que serão que forem bons
ao fazer-vos feito despacho;
E não quero que tal creias,
Se não só que és ao dar-nos
Ao teu rubor, tão só por
Obedecer-lhe a um mandato.
Isto és, si gostas acredita-lo,
Se sobre isso não me mato,
Pois ao fim farás o quê
se te puseres no lixo.
E adeus, isto não és mais dês
Dar-te a mostra do pano:
Se não te agrada a peça,
não desenvolvas esses versos.
II
Aos vossos olhos se ofereceis
Esses versos, por ficares
ilustrada de tanto sol,
digno de tanta deidade.
Diverti-los só um instante
És quando aspirar poderás,
que fora mui empreender
atravessá-lo a ocupar-vos.
Se eu ousar para servir-vos
És de certas temeridades,
defendido em seu escopo
se consagrar ao vosso olhar.
Reverente as vossas santas,
solicitam, em seus disfarces,
Não dareis que os discorrer,
Sim só o que lhes explicar.
Tão feliz será lido por seus,
Olhos, que, ufano, dilatará
De instantes de atenção
aos séculos de vanidade.
Fazer-se imortal busca,
Qual favor tão celestial
se mede na estimação
aos preços da eternidade.
Todo quanto até em si
por lidos por si os dá,
porque não és ferro na fé
oferecer, senão duvidar-me.
Dê atenção com que se expõe
Não espera que agradeçais;
que, em Vosso culto, ao crer
impeça-vos por não esperar.
Tão resignado vosso respeito
aos vossos olhares irão,
que a primeira oblação
És não ter mais desejo.
Da ousadia de atrever-se
Não lhes pretende desculpar,
Que aos buscá-los, tua razão
Se elevou sua indignidade.
Um descuido vosso pede,
por que, sendo os versos tais,
não prendeste à atenção
Com ferros da ociosidade.
Muito quer, pois não ignora
que, pela natureza da piedade,
mais apurado deve ao céu
Ao desleixo que se fez afã.
Mas nem esquecer nem atenções
Poderão estes versos lograr,
porque és daqueles indignos
E sóis deles feitos incapazes.
Com tuas deidades os crer;
Porém, ao ver vossa beldade,
Como falar mais que crer,
Se te escusa do ignorar.
Tanto infere que, crendo
mais do que é possível já,
Qual te cantar Doutora, os tinha.
III
Quando canto faz surgir o mês de outubro
Eu te descubro uma graça bem maior rubra
Que me regressou na época e ser menino
E ao tom do sino ver a vida feminino.
Ver gente em procissão tomando as ruas
Espalhando que és Lírio outra vez cruas,
Que és Rainha do Lenheiro vem chegando
Vem trafegar pelas ruas São João andando.
Cordas dum violão avançam o corpo cansa
Só pra colo descansar, Só colo descansar
É meu olhar soluçando ao ver o teu olhar
Pequenina e menina segues colher
Rosas e Flores que tua gente quer te dar!
Ó Virgem Maria, tua gente a cantar
Dona de Nazaré! Dona do Pilar!
Ó Virgem Maria, tua gente a cantar
Dona de Nazaré! Dona do Pilar!
Tu és Rainha o manto as flores das Dores,
Reinante no pão humano tão mulher
Tão majestade de Deus nos guardar
Nossa gente, nosso sangue nesse altar;
Tu és Rainha o manto as flores das Dores,
Posteridade que acolheu ser mulher
O segredo encarnado jazes revelando
Por isso hoje é Lírio outra vez andando.
Quando canto faz surgir o mês de outubro
Eu te descubro uma graça bem maior rubra
Que me regressou na época e ser menino
E ao tom do sino ver a vida feminino.
IV
Regado em luz, Regado em luz, ver cruz,
Ao tempo já surgiu, O tempo já ardeu,
Já retornou nos braços da manhã
eterno amor arruma o tempo se deu.
Derramar véu as cores da aliança,
No pão que és da minha dor feita flor.
E ao seu redor Deus acerca de Verbo,
Cede o colo pra me abrigar mulher,
E me guia quando eu não sei seguir.
Abro as portas do meu coração ter,
Descer o manto da vida sobre o ser,
Ouvir tua voz sem rodeios me indaga
Na chama íntima só eu posso ouvir:
Será estou valer pena ser quem eu fui?
Viver a trama que escolhi pra ser o meu?
Louvar quem amo, buscar o que busco?
Andar no rumo que escolheu meu coração.
Regado em luz, Regado em luz, ver cruz,
O tempo já surgiu, O tempo já ardeu,
Já retornou nos braços da manhã
eterno amor arruma o tempo se deu.
V
Ver fonte na procissão tomando as ruas
Espalhando que és Círio outra vez cruas,
Que és Rainha Aparecida vem chegando
Vem viajar pelas ruas chega já passando.
Cordas d´alma avançam teu corpo cansa
Só pra solo se banhar, Só solo se banhar,
É meu olhar soluçando ao ver o teu olhar
Pequenina és a Rainha segues poder
Orações e Flores tua gente quer doar!
Tu és Rainha das santas as flores das Dores,
Reinante no chão humano tão mulher
Tão majestade de Jesus nos guardar
Nossa gente, nosso prado nesse altar;
Ver fonte na procissão tomando as ruas
Espalhando que és Círio outra vez cruas,
Que és Rainha Aparecida vem chegando
Vem viajar pelas ruas chega já passando.
VI
Minhas mãos se chegam, minha voz te gaba,
Meu ser regozija quando estou em tua presença
Ó Senhor.
É teu este instante de aclamação,
Não trago nem palavras me expressar.
No fulgor dessa luz que vem do teu olhar,
Acho-me no teu abrigo, de teu regar.
Quando estarmos juntos entre nós estás,
Calhando em nosso meio a nos abençoar.
E voltar com ternura com a tua mão
A cada um que acende o coração.
Minhas mãos se chegam, minha voz te gaba,
Meu ser regozija quando estou em tua presença
Ó Senhor.
VII
Senhora Jovem Rosa, és minha chama,
Morena, clama, esgalga, penumbra,
Se és rosa colhida feita orvalho,
Justo é momento tornar-se sombra.
Ah, porque não deixas graça flora,
Se tu fazes versos, na misteriosa,
Fragrância do ventre, feito de nada,
Coisa tão sutil, que perfaz tua rosa.
Mas (Senhora Luz) por que deixá-la em haste,
Agora ela é rosa comprometida,
Deves na tua lida o que buscaste.
E tão dolorosamente varrida,
Ela é Rosa, cume... assim na clama...
Se vês bem ramagem... Ela é vida...
VIII
Aquilo não posso,
Não é bem quero,
Querer repousou
Do já não espero.
Se quero pousou,
Pelo que já voou,
Vim saber onde,
Sei pra onde estou.
Senhor, sou terra,
Então sou um louco,
Amante, pai, dera.
Lida, que me fere...
Suor, fura tudo,
Vida que vai...
IX
Olhem as margaridas,
Jardins telepáticas,
Olhem as margaridas,
Tão Belas inexatas
Olhem as margaridas,
Sem face alterada,
Olhem as margaridas,
Não sejam feridas
Olhem as margaridas,
Pela rosa parida,
Olhem as margaridas,
Não é exata,
Olhem as margaridas,
Pela rosa surgida,
Olhem as margaridas,
Olhem as margaridas,
Pela rosa da vida,
Olhem as margaridas,
Pela rosa da lida,
Olhem as margaridas,
Pela rosa da ida
Olhem as margaridas,
Pela rosa ramagem,
Olhem as margaridas,
Sem que saia
Olhem as margaridas,
Pela Rosa Margarida.
X
Tantas vezes calaste,
Que quero desesperar,
Pranto tanto, estou em riste,
Que já desaprendi clamar.
Ó louvada, não partas,
Não me apartas de mim,
Que só ida não tem fim,
Não há nada consorte,
Essência Deus olhos teus,
Diz que é minha maldade,
Tudo agora podes matar-me,
Longe da Rosa, tua,
Adeus.
Eric Ponty
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
erotic poems E.E. CUMMINGS - TRAD. ERIC PONTY
viii.
senhoras irrepreensíveis,
firmemente lascivas
sobre lajes perigosas de um estrondo instável,
cujas
bocas caminham distintamente
seus sorrisos acusam
o crepúsculo com uma elegância destemida,
esbelta e contida
magia
enquanto em teus olhos habita
um ruído verde egípcio.
Mulheres com quem o tempo
sustenta sobretudo seus imensos lábios
Em cuja profunda nudez a morte mais crê,
meninas perpétuas pisando em direção ao amor
cujos corpos me beijam com o crime quadrado
da vida…. Cecile, o empurrão oval
de ocultar o prazer.
Alice, piadas mordazes
sobre a carne.
Loretta, chega de palhaçada,
garota…
Fran, Mag, Glad, Dorothy
ix.
mais perto: sopro do meu sopro:
não afastes de mim teus membros formigantes:
faz da minha dor o banquete enlouquecido deles:
deixa que teus tigres de doçura suave se infiltrem
lentamente em flores mudas de uma nova mistura:
mais fundo: sangue do meu sangue:
com rapidez que se encolhe para cima,
mergulha esses leopardos de sonho branco
na carne alegre do meu medo:
perfura com mais precisão
essa medula de escuridão:
esculpe uma flor de loucura com bordas malignas
em lábios cerrados
e nos olhos abertos, contorcendo-se com luz insana,
cinzela a chama mortal que se agarra vertiginosamente.
Cinzas interrogativas entre casas com bocas se enrolam
com sede. Estrelas mortas deformam. Aurora. Insignificante,
a carcaça poética de uma menina.
xi.
Deus, tem piedade de mim, a quem (Deus claramente)
a pena sexual leve, esbelta e flutuante
do seu — devo dizer — corpo? acompanha
verdadeiramente através de um gemido gotejante de jazz
cuja juventude arqueada, ocasional e íngreme, engolfa
curvando-se, a intensidade dos meus quadris;
ou, seu primeiro espasmo de carne juvenil e firme mergulha
minha altura em um clima firme, frágil e pungente,
(sem fôlego com lábios afiados e necessários) garoto,
ladra feminina do corpo bacana, rufião e malandro,
rindo com seios sábios ainda em desenvolvimento,
carne ceceante, veloz para tramar o zumbido um tanto gordo
de “I Want a Doll”,
pés ágeis e esvoaçantes com passos deslizantes
que separam a confusão do sotaque saxofônico
E.E. CUMMINGS - TRAD. ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
CANTORES NA TORRE DA IGREJA. - Verner von Heidenstam - Trad. Eric Ponty
Na janela da torre do sino, estava o sineiro,
Uma figura vigorosa, de estatura gigantesca.
Sua cabeleira ruiva, despenteada e desgrenhada,
Estava caindo sobre seus olhos.
—Ding! Dong!—
Ele pisava com força no pedal e cantava sua canção:
"Ó poderoso e estrondoso sino da igreja, ó tu,
Com lábios e língua de metal que ressoam,
Tu convocas o povo para a adoração agora,
Mas prefiro cantar este meu próprio salmo.
Os dias cansativos da semana, desde segunda-feira
São escravos do homem rico, do senhor do dinheiro.
O único dia que rouba de seu tesouro
Uma moeda de cobre insignificante é o domingo.
A vida dele é um paraíso. A nossa, ao contrário,
É um inferno. Estamos esfarrapados e comemos pão duro.
Em casa, nossos entes queridos suspiram,
Enquanto, famintos, remamos para uma raça saciada
A barcaça do comércio deles, com suor no rosto
E choramos nos remos que manuseamos.”
—Ding! Dong!—
“Que uma vingança terrível os consuma!
Quando tocarei o sino para reparar a injustiça,
E o próprio julgamento de Deus os condenará?
De nossa carne faminta eles cortam meio quilo
Para engordar e engordar o senhor do dinheiro.
Mas cuidado, senhor do dinheiro, seu sino fúnebre será tocado!
A opressão é antiga, mas a liberdade é jovem.
Ela chega como um ladrão na calada da noite.
Ela não espera para bater à porta, mas invade
Ela pisoteia seus tapetes e os transforma nos dela
Tudo o que você arranhou com toda a sua força.
Há uma mina de pólvora nada pequena
Nos porões sob a muralha do seu castelo.
Uma faísca, e a multidão se reunirá.”
—Ding! Dong!—
“Trouxemos os braços cheios de pedras,
Com tochas saímos
De casebres e becos.
Envergonhamos sua esposa, esfaqueamos seus porcos,
Derramamos na rua seu vinho mais caro.
Seu cavalo ruão terá de puxar onde nós nos esforçamos.
E quando seu castelo for reduzido a cinzas,
Nosso inferno se transformará
Imediatamente em seu orgulhoso paraíso.
De nossas cabanas até a praça, todos arrastamos
Nossa palha e nossos trapos, remendo por remendo.
Sobre eles estará seu trono, ó rei do dinheiro,
E traremos sua bolsa saqueada em troca de sua maçã.
E os bateristas virão e se posicionarão ao redor
Para trovejar e bater
Furiosamente nas panelas da sua cozinha,
E os flautistas tocarão em sincronia com eles
Em garrafas de cristal, seu réquiem.
Lá em cima, sua casa vacila, enquanto faíscas adornam
Seu dossel tecido de fumaça.
Seu canto fúnebre agora gemerá aos céus,
E mendigos trarão carvões em brasa para acender
A pilha de palha que agora é seu trono.
Eles dançam em círculo ao redor de sua pira,
Enquanto eu canto o baixo na canção grave dos homens.
E eu anuncio tão alto sua hora final
Que a terra ecoa meus golpes de poder.”
—Ding! Dong!—
No alto da torre, sentada nas vigas ao lado dele, estava
sua esposa, em silêncio. Então ela o seguiu
pela escada íngreme, e continuou a segui-lo
em pensamentos silenciosos pelos caminhos bem cuidados do cemitério.
Ao lado de sua cabana havia um pequeno canteiro
de jardim junto a uma colina, todo ressecado e árido.
Para lá ela foi sozinha, mas em seus ouvidos
ainda ressoavam o som profundo do sino e o grito do marido.
Ele, rude e indomável, esgueirou-se como de costume,
Para beber e jogar na casa de um vizinho.
Ela se sentou entre as pedras, sob
Os galhos entrelaçados de bordo e cerejeira silvestre.
Para não sujar seus sapatos de domingo, ela os afrouxou
E, lentamente, os tirou. Com ar brincalhão
Ela trançou, por diversão, uma corrente de folhas de bordo
E prendeu algumas cerejas aqui e ali.
Então ela se levantou de um salto, ao ouvir a voz de um homem próxima
E o som de mais homens se aproximando, saltou por cima
Do portão de treliça do jardim com um salto ágil,
E correu até chegar à porta da torre da igreja.
Lá ela entrou, com medo de ser pega
Correndo descalça num dia de sábado.
Na torre escura, sob o sino redondo,
Ela, jovem e bronzeada, segurava seu arranjo de folhas.
Ela ficou ouvindo por um bom tempo; por fim, quando ninguém apareceu,
Rapidamente colocou a coroa em volta do pescoço
E subiu os degraus íngremes cada vez mais alto,
Até que o chão desaparecesse de sua vista.
A corrente de ar que girava gemia surdamente na madeira.
Com o pé flexionado e a mão experiente, ela permanecia
Nos degraus como se fossem cordas bem esticadas
E se segurava com firmeza, com um ânimo resoluto.
Pelas frestas, ela podia ver a praça do mercado,
Mas tudo estava escuro abaixo dela, na torre.
A cada passo, o som do sino tornava-se mais forte,
E as pessoas ficavam cada vez menores na rua abaixo dela.
Sem fôlego, corada e aquecida, ela chegou até o sino;
Encontrou-o como se fosse um amigo querido e de confiança,
E quando bateu com os nós dos dedos na borda,
Vibrações sussurrantes se espalharam ao redor.
Mas os degraus estreitos levavam ainda mais para cima.
Com ousadia, finalmente, com as mãos erguidas, ela se balançou
até a viga estreita. O sino lá embaixo,
pendia em silêncio sobre seu eixo desgastado pelo brilho.
Com um braço apoiado na viga, ela entrelaçou sua corrente
de folhas de bordo ao redor da crista de bronze,
de modo que o gigante verde-acinzentado, de repente,
parecia uma donzela vestida para o casamento.
Terminada a missa, o sineiro chegou, mas parou
Em surpresa muda, com o braço apoiado em uma viga,
Para observar o adorno verdejante do sino
Com cerejas roxo-avermelhadas brilhando intensamente.
Sua esposa já havia tocado o sino muitas vezes antes;
Ela não esperou por seus resmungos nem por seu cenho franzido
Mas no pedal bem gasto do sino
Ela colocou o pé, de tendões fortes, descalço e moreno.
O sino balançava pesadamente de um lado para o outro,
E então os primeiros toques ensurdecedores começaram a ressoar.
Com isso, os corvos assustados levantaram um grito,
E a torre, o telhado e as vigas começaram a balançar.
—Ding! Dong!—
Verner von Heidenstam - Trad. Eric Ponty
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
sexta-feira, outubro 02, 2026
https://www.academia.edu/
O nome “E. Ponty” aparece em um artigo de um autor renomado. Uma correspondência de nome não é uma confirmação: só você pode saber.
Olá, Eric,
“Eric Ponty” aparece em um artigo sobre Antropología filosófica publicado no Academia.
Olá, Eric,
“Eric Ponty” aparece em um artigo sobre Sociology publicado no Academia.
Dear Eric,
Dear Eric,
The name "E. Ponty" is mentioned in "Cantos De Trabalho: Das Roças Para a Sala De Aula. Possibilidades Vocais e Instrumentais" uploaded to Academia.
“Eric Ponty” was mentioned by “Christinia Landry”.
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