Ai de mim! Será que nasci para isso,
Para usar esta corrente de escravidão?
Privado de toda a felicidade criada,
Em meio a dificuldades, labutas e dores!
Há quanto tempo permaneço em cativeiro,
E anseio por ser livre!
Ai de mim! E ainda devo reclamar —
Privado de liberdade.
Ó, Céu! E não há alívio algum
Deste lado da sepultura silenciosa —
Para acalmar a dor — para acalmar a tristeza
E a angústia de um escravo?
Vem, Liberdade, ó som alegre,
Ressoa em meus ouvidos extasiados!
Vem, que minha tristeza se afogue na alegria,
E afaste meus medos.
Diga à opressão infame: “Cesse”:
Vós, tiranos, não se enfureçais mais,
E que a alegre trombeta da paz,
Agora convide o vassalo a alçar voo.
Alce-se nas asas daquela pomba
Que há muito arrulha por ti,
E exala suas notas do bosque da África,
O som da Liberdade.
Ó, Liberdade! Tu, prêmio dourado,
Tão frequentemente conquistado com sangue —
Anseiamos que teu sol sagrado nasça,
A dádiva do Deus da natureza:
Faz com que a Escravidão esconda seu rosto abatido,
E que a barbárie fuja:
Desprezo ver a triste desgraça
Em que, escravizado, me encontro.
Querida Liberdade! Em teu seio,
Anseio por respirar;
E como o cisne em seu ninho,
Gostaria de me refugiar em teus sorrisos.
Ó, abrigo abençoado — bálsamo celestial!
Para teus galhos eu fujo —
E em tuas sombras a tempestade se acalmará,
Com canções de Liberdade!
George Moses Horton - TRAD. ERIC PONTY























