I
Segue traços do Pastor enquanto do estudo,
Soube do então bruno vale para o horizonte,
Que a coroa de sempre das fúcsias te afronte
Nesta vitória da então crença que lhe é tudo.
Não te detenhas na sombra escabrosa via
E que a taça amarga de fel não te amedronte
Louvar deste madeiro que te dobrou a fronte
Para que essa estrada cruel, de áspera e fria.
Enquanto há sol, que avança então na subida,
De alma desfalecente e consumida agonia,
Então bendizendo o martírio que te eleva!
Seja por essa Luz tua excelsa recompensa,
Porque a noite da morte agonia é triste e densa
Para aqueles que dormem sombras sob da treva.
II
Minh’ alma é triste até para à morte,
Tu que então trevas me sepultaste?
Minh’ alma triste qual a dor aterra
Beija então teus passos. Cordeiro aferra!
Que noite negra, tão cheia destas sombras.
Não foi a noite que aqui então passaste?
Estrelas tão lindas neste céu brilharam.
Voltou-me o teu riso, já quase do horto.
Não tenhas medo então do sofrimento.
E sendo ele é a escada do Paraíso...
Contemplar os astros do firmamento,
Olha para estrelas... No céu então escuro
Parecem ser risos amortalhados...
Assim, nestas trevas do mundo impuro!
III
Partiu-se do fio branco e tão delicado,
São dos sonhos de Minh ‘alma que desditosa...
E das contas do rosário assim tão quebrado,
Que caíram como folhas de que umas rosas.
Tu debalde eu as procuro tão lacrimosas,
Que são estas doces relíquias do Passado,
Para que guardá-las nesta urna perfumosa,
Deste meu seio nesse cofre imaculado.
Aí! se eu ao menos por uma, só lhe pudesse,
Que d’estas contas se achar que me fizesse,
Lhe Lembrar um mundo de alegrias tão doidas...
Feliz tão séria..., Mas Minh ‘alma lhe atenta,
De que em vão procura uma continha benta:
Quando então partiste m’as levaste com todas!
IV
Oro de joelhos, pelo Senhor, na terra
Que purificada pelo esse teu pranto...
Minh’alma triste à sombra dá dor aferra,
Beija em teus passos. Cordeiro manto!
Eu disse... e das sombras se dissiparam.
Senhor descendo sobre desse meu Horto...
Estrelas de tão lindas no céu brilharam.
Regressou-me o riso, já quase torto!
Levanta-se olhos para o meu rosto,
Que à vista dele foge então o Desgosto,
Não tenhas medo então do sofrimento.
Contempla dos astros do firmamento,
Olha das estrelas... Nesse céu escuro,
Brilham sombras almas dos desolados.
V
É tempo regressar. O inverno ainda
Qual avezinha se mudando chão...
É conciso deixar a terra finda
Em singelas casinhas sem portão.
É imperioso partir, embora, ainda
Sinta estourar de dor meu coração,
E a alma cheia de lembrança infinda
Tão sozinha chora então em solidão.
Minha alma treme qual mariposa,
Que se despe na chama, alucinada
Em de cada vez que o meu olhar se pousa.
Vamos, coração, não soluces tanto...
Oculta bem este teu sentido pranto,
Não tenhas pena de quem ficou cá.
VI
Se tudo foges e desaparece,
Se tudo vai ao vento dessa Desgraça,
Se a vida é o sopro que os lábios passam
Gelando o ardor verdadeira prece;
Se sonho chora e geme e desfalece
Dentro do coração que o amor enlaça,
Se rosa murcha inda em botão, desgraça
Da moça foge quando a idade cresce.
Se Deus transforma em tua lei tão pura
Da dor das almas que o ideal apura,
Nesta demência feliz, pobres loucos...
D’água do rio em oceano percorre,
Se tudo cai. Penhor! Por que não ocorre,
Dores sem fim que me devora aos poucos.
VII
Tu passaste por mim toda de aleto,
Pela mão conduzindo em uma aliança...
E eu cuidei lhe ver ali uma Esperança,
E duma saudade em pálido afeto.
Pois, quando a falta de um sagrado afeto
De lastimar este canto não cansa,
Numa alegria descuidosa de sã.
Passar o infante, o beija-flor tão quieto.
Na vida nesse gozo e desventura
Pisam sempre unidos, tão mãos dadas,
Cultura, às vezes, leva à sepultura...
Neste coração - um horto de martírios!
Brotam sem fim tão ilusões douradas,
Quais nas campanhas desabrocham lírios!
I.I
Suave formosa em tua voz que esvai este céu,
Tu roubaste-a, Maria, aos rouxinóis neste arado?
Aqui na igreja santa então vens rezar cruz.
Quanta piedade tal trazes no olhar em luz.
Como és bela Maria altar, para teu olhar de estrela,
Tens a pálida alvura em um lírio usura em flor,
Deixa o lábio de rosa ardor, e, que doce brancura,
Junta esta mão, formosa em tal noite já desceu.
Olhar que eu tenho medo então da escuridão...
Deixas o lábio em rosa enquanto diz por mim,
Vamos: terminar tão cedo tua oração enfim.
Vale tanto uma prece então dita por jus!
Ô Maria. Como és bela então conjunto a Jesus!
Aqui na igreja santa então vens rezar cruz.
I.II
Ter doze anos somente, e, na idade sofrer!
Sonhar porvir ridente então, e, na aurora morrer!
Eis o que te foi da existência, Ó desditosa,
Doce lírio inocência, pobre floco neblina.
Quais dois botões pequenos, flores orvalhadas,
Que teus olhos dormem serenos sob as pálpebras,
Voaste, tão meiga infante de tão feiticeira,
Sendo tal qual um riso esperança uma folha.
Triste morrer no fim urna manhã esplendores,
Fronte a ocultar, assim, numa grinalda flores,
Quando suspiro leve, est’alma que o corpo encerra!
Desprender-se da terra em voo suave e franco,
Fugiu para o céu de anil... Qual noiva gentil,
Aí, no funéreo leito em coberta das rosas.
RONDÓ
Que noite negra, cheia destas sombras.
Não foi a noite então que aqui te passaste?
Noite imensa... por que vós vindes sobras,
Como se da corda de um ’harpa trouxe:
Tu que nestas trevas me sepultaste?
Na longa estrada cheia de suicídios,
Guia do meu passo, nos bons Idílios,
Tu que nas trevas me trouxeste ouro?
Que noite negra, cheia destas sombras
Noite imensa... por que vós vindes sobras,
Assim, nestas trevas do mundo impuro,
Se parecem sonhos amortalhados,
Que brilham as palmas dos desolados.
Nesta longa estrada cheia de espinhos,
Guia do meu passo, nos bons caminhos,
Tu que nas trevas me trouxeste puro?
ERIC PONTY

ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA