- LIED ERIC PONTY - MÚSICA - ALEXANDRE SCHUBERT
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sábado, outubro 15, 2022
MESMA ESTÁTUA - DON FRANCISCO DE QUEVEDO Y VILLEGAS - TRAD. ERIC PONTY
Quem olhas no bronze, senão lhe chora,
Quanto já ao sentimento que adora,
Fará brando o metal a forma dura.
Quis que do teu cavalo a ferradura,
Pisar líquidas sendas, que da aurora,
Ao seu passo perfuma donde flora,
Ostenta varia e fértil formosura.
A dura vida com mão lisonjeira,
Ti deu Florência artífice engenhoso,
E reinas nas almas e nas esferas.
O bronze que ti imita és tão virtuoso,
Oh quanto do gládio da glória fora
Sim os anos lhe imitaras numeroso!
QUEVEDO Y VILLEGAS - TRAD. ERIC PONTY
sexta-feira, outubro 14, 2022
SONETO DE FRANTESCO PETRARCA - FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
A Vanessa em intenção
Era o dia que desvaneceu ao sol,
Pela piedade do seu fator irái,
Quando fui levado, e não me importava,
Pra os bons olhos, Donna, vi-me prender.
Não me pareceu que tempo se abrigasse,
Contra os taís golpes do Amor; mas eu fui,
Seguro, sem suspeitas, meus problemas,
Na tristeza tão comum, começaram.
Encontrei-me Amor total desarmado,
E abrir caminho aos olhos do coração,
A quem de prantos é feita duma porta.
Mas na minha opinião não foi uma honra,
E feriu-me com raios nesse estado,
A si, armado, não demostrou o seu arco.
FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
SONETO IX - GASPARA STAMPA - TRAD. ERIC PONTY
Leve-me de volta este Senhor ímpio,
Dos quais coração teme e não receia,
Tanta alegria da sua tristeza que ele;
E chamará em vão a minha linda ida,
Na fé, de o imenso e ilimitado amor,
Da vossa crueldade, do vosso erro,
Arrependimento tardio, onde não há.
Sendo cantarei a minha liberdade,
De cadarços tão duros e desatados,
Passarei alegre pra a idade futura.
E, se apenas se ouvir oração céus,
Talvez veja também mão da crueldade,
Sua vida à minha vingança envolvida.
STAMPA - TRAD. ERIC PONTY
quinta-feira, outubro 13, 2022
Chanson a part - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY
O que é que vale? Não sei.
Dos presságios, dos testes,
Desta Potência e sabor...
O que é que vale? Não sei...
O que é que pretende? Nada, mas tudo.
O que é que você sabe? Tédio.
O que se pode fazer? Pensar.
Pensando numa mudança,
Todos os dias à noite.
O que é que você sabe? Songer,
Para mudar o Tédio.
O que é que pretende? Os meus bens.
De que é que necessita? Para saber,
Para prever e capacitar,
O que é inútil.
Do que é que tem medo? Querendo.
Quem é você? Mas Nada!
Para onde vai? Até à morte.
O que fazer? Terminar.
Não regressarei.
Ao patife do destino.
Para onde vai? Para acabar.
O que fazer? Homem morto.
PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY
quarta-feira, outubro 12, 2022
Pierrot Lunaire - (EXTRATOS) ALBERT GIRAUD - TRAD. ERIC PONTY
TEATRO
Sonhando com um teatro de câmara,
Cujas persianas Breughel pintaria,
Shakspeare, em palácios pálidos,
E Watteau, dos fundos âmbar.
Nas noites frias desse dezembro,
Acalmando meus dedos roxos,
sonhando com um teatro de câmara,
Cujas persianas Breughel pintaria.
Acendido pelo gengibre das telas,
Veria os tais dos Esquilos Feiosos...
Usarem seus bezerros emaciados,
Para à Columbina, que se arcou.
Sonhando com um teatro de câmara.
DECOR
As grandes aves púrpuras que do douro,
Sendo àquelas das pedras desse bater roupas,
Breughel às punha ao chão, em que seu encanto,
Sobre tal árvore azul desses faz o conjunto.
Ao. Vibrarem, em sua mais ampla ascensão
Lançarem numa sombra sobre todos prados,
As grandes aves púrpuras que do douro,
Sendo àquelas das pedras de baterem roupas.
As grandes aves púrpuras que do douro,
O perfurou com sol com tal esforço urgidas,
Tais gemas amarelas dessa ourivesaria
O verde-azulado dessas ramagens floridas,
E está a ficar à luz mais viva o tempo todo.
As grandes aves púrpuras que do douro.
PIERROT DANDY
Se dum feixe lunar caprichoso
De Frascos de cristais cintilantes
Sobre uma pia de sândalo
O Dandy lívido de Bergamo.
O chafariz lhe sorri em sua bacia
Com um som metálico que se fez vivaz.
Se dum feixe lunar caprichoso
Dum brilhante de garrafas em cristais.
Mas o Senhor tem alvos bascos,
Ao deixarem à casa mais vermelha,
E do verde-escuro oriental,
De inexplicável, em sua máscara
De um feixe lunar caprichoso.
BEM-VINDOS
Se convidados, de garfos nas mãos,
Viram os galões serem furtados,
Assados, tortas, ostras,
E se doce de tal marmelo.
Gilles, asilado em um canto,
Se os convidados, de garfos nas mãos,
Viram os galões serem furtados,
Façam tais caretas de jocosas:
Para sublinharem essa desilusão,
Dos tais insetos ao azul de elytra,
Venham esbarrarem nas rosas de vidro,
E sua abelha está a zombar de bem longe...
Se os convidados, de tais garfos nas mãos.
PURIFICAÇÃO DA LUA
Se tal qual uma lívida lavadeira,
Está lavando suas gretas alvas,
Os braços prateados ausentes de mangas,
Para um ramo cantante dum rio.
Os Ventos por meio da clareira
Soprarem em flautas sem palhetas.
Tais quais uma lívida lavadeira
Estão lavarem suas gretas alvas.
Se o lutador celestial e gentil,
Ao se juntar a saia ao redor dos quadris,
Sob o beijo pascendo dessas guampas,
E espalharem a roupa do leito qual à luz,
Qual de uma lívida lavadeira.
A SERENATA DE PIERROT
Dum grotesco estojo destoante de ar,
Irritante do seu estupro no chão,
À garça, sobre uma perna,
Sendo beliscado num ar indecoroso.
De repente, Cassandra, interventora,
Ao se culpar àquele acrobata noturno,
De um grotesco estojo destoante
Tão Irritante em seu estupro chão.
Pierrot a rejeita, sendo tomando
Com um aperto muito meigo
Do velho por sua gravata forte,
De Zebra, esta barriga do incômodo
De um grotesco estojo destoante.
DECOÇÃO LÍRICA
A Lua, qual omelete amarela,
Espancada em grandes ovos douro,
No fundo azuis-escuros entorpece,
E nestas vidraças se fez pensado.
O Pierrot, em seu lavatório alvo,
Jinx no lar, perto dessa borda,
A lua, qual omelete amarela,
Espancada em grandes ovos douro.
Enrugada qual uma maçã de acelga,
Pierrot está vibrando com muita força
Numa frigideira, e tal esforço brusco,
Crê. Se lançar para o céu faiscante
A Lua, qual omelete amarela.
ARLEQUINADE
O Arlequim saturou arco-íris
De sedas rubras e imaturas,
E ao parecer que nesse douro
Qual os contos dessas fadas...
Sendo uma serpente artificial.
Com tal objetivo principal
Sendo mentiras e o engano,
Arlequim saturou arco-íris
De sedas rubras e imaturas.
A morte do Senhor Felipe IV - Sóror Juana Inés de la Cruz – Trad. Eric Ponty
Ó quão frágil se mostrou o ser humano,
Nos Teus últimos dos fins fatais
Donde servem aromas orientais
De culto inútil, resguardo desvão!
Só quem te respeitou o poder tirano,
O Grande Felipe! Pois com sinais,
Que há demostrado todos são mortais
Ter acreditado a ti soberano.
Conheces ser da terra com fabricado,
Este corpo que está com Mortal Guerra,
Do Bem d´alma que nele aprisionado.
E assim sabendo Bem que céu encerra,
Que na terra não cabes hás provado,
Pois há um corpo deixou porque é terra.
Sóror Juana Inés de la Cruz – Trad. Eric Ponty
SONETO SETE - GASPARA STAMPA - TRAD. ERIC PONTY
Visa um senhor de aspecto vago e doce,
Jovens em anos, velho em intelecto,
D´imagem de glória e de valentia:
De cabelo louro, e de uma cor viva,
De uma pessoa alta e de um peito largo,
Finalmente em cada obra algo perfeito,
Exceto um pouco (infeliz!) impiedoso.
E quem depois me quiser conhecer,
Duma mulher de fato e na aparência,
Imagens desta morte e todos mártires.
Um hotel desta fé inabalável,
Que, por ele chora, queima e suspira,
Não torna o amante cruel lamentável.
STAMPA - TRAD. ERIC PONTY
SONETO - GASPARA STAMPA - TRAD. ERIC PONTY
Frequente. Seu rosto encantador sol,
Olhos, as estrelas, som das palavras,
É harmonia, que se faz senhor de Delos.
Tempestades, chuva, trovões e geadas,
É seu ultraje, quando está furioso;
Bondade e a serenidade é quando,
Para lhe rasgar o véu da sua ira.
Primavera e o florescer das flores,
É quando faz florescer a minha espera,
Prometendo manter-me neste estado.
Inverno horrível é então, quando mudado,
Ameaçou mudar ideias e do espaço,
E tirou-me as minhas mais ricas honras!
GASPARA STAMPA - TRAD. ERIC PONTY
terça-feira, outubro 11, 2022
CEMITÉRIO MARINHO - PAUL VALÉRY - Trad. - ERIC PONTY
Μή, φίλα ψυχά, βίον ἀθάνατον
σπεῦδε, τὰν δ' ἔμπρακτον ἄντλει μαχανάν.
Pindare, Pythiques, III.
Teto calmo onde marcham pombas idas,
Entre palpitar pinho, entre jazidos,
Meio-dia justo compôs fogo estar.
Ô mar, ô mar do sempre reiniciar!
Ô laurel após pensamento olhar
Calmo na demora deuses resguardar!
Qual lide pura fim chispa consuma,
Diamante imperceptível mui escuma
Que desta paz sempre se mantiver
Quando no abismo sol que se repousa
Faz Obra pura duma eterna causa
Tempo cintila, sonho é saber.
Templo tempo, só anseio resume,
Ascender ponto puro me acostume,
Me abarcar desse meu olhar oceano,
Deuses minha oferta suprema aleia,
Cintilação serena que semeia,
Sobre altura desdém soberano.
Eterno ouro templo simples Minerva,
Massa da calma e visível reserva
Água impassível olho vigiar certo
Tanto sono sob véu flâmula calmo
Ô silêncio meu!... Edifício dessa alma
Saturam teto mil telhas! Teto!
Que da fruta fundida do prazer,
Como delícia troco ausência ter,
A Boca onde forma assassina dar
Fumo cá minha futura fumaça
Céu canta alma consumir minha farsa
Mutação rumor margem ao trocar.
Belo céu, vero céu meu olhar tocar,
Após tanto orgulho, tanto estranhar
Ócio mais plena possibilidade
Me desamparo este brilhante espaço,
Casas dos mortos minha sombra passo
Domar frágil móvel igualdade!
Exposta alma solstício desse archote,
Justiça admirável, sustenta corte
Luz das armas de sem piedade arde!
Me rendo puro espaço primeira tarde,
Olhar-me! Entrego-te luz que me farde
Suposta sombra morta meio alarde!
Me abdico minha solidão mim mesmo
Perto imo, fonte poema afim mesma
Entre evento oco me traço tão puro
Acatando ao meu tão grande eco interno
Amargor sombra sonora cisterna
E daqui sempre eu recrio um futuro!
Fôreis vós cativas infiéis folhagens,
Golfo comilão tísicas ramagens,
Sobre meu olhar cerros tão secretos,
Meu corpo puxe lerdo fim metade
Rosto atire a carcaça terra igualdade
Chispar penso meus ausentes retos!
Cerro, sacro, cheio ardor sem matéria,
Fragmento terrestre oferta à luz féria
Este lugar pleno dominado facho
Compôs ouro, pedra árvores sombrias
Onde tal mármo vibrou sombra´ egrégias,
Mar fiel dormir sobre tumba ancho.
Cã esplêndida me afaste os idolatras,
Quanto só pastor Sorriso andrólatra
Apascento misteriosos carneiros
Alvo rebanho das calmas das tumbas
Afastem-se ajuizadas dessas pombas
Sonhos vãos, anjos curiosos herdeiros.
Aqui vindo a preguiça é futura,
Do claro inseto raspou a secura,
Tudo inflamar desmuda asila ar
E não sei qual a sua ríspida essência
Vida é larga, está livre de ausência,
Azedume doce, d´alma aclarar.
Estes Mortos jazidos cá da terra,
Que aquecer seca mistério enterra
Alto do Meio-Dia dia sem movimentos
Se pensa persuadir para si feito
Rosto findo com diadema perfeito
Eu sou o mais abstruso movimento.
Não tem só a mim refrear os medos
Lamentos, dúvidas, constrições credos
Seu absurdo que de seu grão do diamante...
Mas seu ocaso é duns ásperos mármores,
Povo vagar entre estirpes das árvores
Já tomaram partido já lentamente.
Fundiram cerrada ausência do ter
Barro rubro bebeu alva casta do ser
Dom Vida passou às flores alento!
Onde estão mortos, frases familiares
Pessoal arte, almas singulares
A Laroz fia onde formada em lamentos.
Gritos argutos moças aborrecidas,
Dente, olho as pálpebras umedecidas,
Aprazíveis seios bulir com fogo
Sangue fulgir dos lábios se renderam
Extrema oblação, dedos defenderam
Tudo vai sob a terra fundiu ao jogo.
Vós grande alma esperas sonho dar,
Não tenham cores calúnia soar,
Olhos carne faz cá fonte ouro sim,
Cantarás ainda fores vaporosa,
Vá! Fugir de tudo! Aspecto é poroso,
Santa sofreguidão morreu assim.
Magra eternidade breu doirada,
Consoladora horrível laureada,
Da morte fez um seio maternal,
Belo embuste que devota artimanha
Quem não conhece não recusa sanha
O Crânio vazio este riso eternal.
Pais profundos, cabeça inabitada,
Que já são peso de tantas pazadas
Terra confundir seus passos largos
Vero roedor um verme esmagador
Não mais hão dormir taboa calor,
Vital a vida não quita mais amargos!
Amor talvez mesmo mim raiva certo
Seu Secreto dente está tão por perto
Que algum nome venha lhe convir!
Que implica! Vê! Almeja! Sonha! Toca!
Minha carne manta espera leito oco
Ao vivente escravizado caibo vir!
Zenão cruel eleito Zenão d´Eléia!
Mas tu sentes via desta seta ideia,
Vibrar voeja e não voa mais seus laços
O som renasceu seta mata rusga
Ah! O sol... Qual a sombra de tartaruga
Alma Aquiles inerte grandes passos!
Não! Não!... De pé em eras consecutivas!
Arder meu corpo formas pensativas!
Beber meu seio renascido do vento,
Dum fresco dum mar de tão abismado
Chega minha alma... ô pujança salgada!
Correr onda irromper que viva alento.
Sim! Grande mar delírios ambíguos,
Tez pantera clâmide poro exíguos
Quilíades mil ídolos mar do sol!
Hidra total livre azul dessa carne
Morder sua cauda chamejar do farne
Tumulto silêncio igual feito sal!
Vento se alçar!...Breve viver tentar
Abrir e refechar meu livro imenso ar,
Pó tentou desmudar rocha aduelas,
Voejem páginas das quais ofuscadas
Rompam vagas! Se rompam d´águas guardas,
Teto tranquilo onde picam as velas!
SONETO - FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
O dia estava perto quando Criador,
Na sua altura podia permanecer,
Forma humana veio pra se provar,
Da barriga virginal que saiu à frente.
Quando ele dignou, o meu ilustre senhor,
Por qual tenho muitas queixas dispersas,
Aninhar-se num lugar mais alto,
Ser o ninho e abrigo deste meu peito.
Donde mim tão rara e tão alta fortuna,
Recebi bom grado; e lamento à tarde,
Fez-me digno do seu cuidado eterno.
Doravante axiomas, espera e olhar,
Voltei pra ele, fora de qualquer medida,
Claro e suave como sol girar parece!
FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
SONETO 2 - FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
Para se vingar tão graciosamente,
Em punir em milhares de delitos,
Oculto Amor, o arco recomeçou,
Qual homem que espera por tempo.
Foi minha virtude pra coração,
Fazer aí e nos seus olhos defesas,
Quando do golpe mortal desceu risos,
Onde cada clarão soia brotar;
E perturbado no primeiro assalto,
Não tinham vigor nem espaço dar,
Poderia pegar armas imperioso.
Fiel ao laborioso e alto morro,
Retirando-me cuidado tormento,
Do qual ele gostaria hoje, contigo.
FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY
segunda-feira, outubro 10, 2022
SONETO N1 - FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
Vós que ouvis em rimas dispersos sons,
Dos suspiros em que me nutria peito,
Neste meu primeiro erro juvenil,
Quando era em parte outro homem do que sou.
D´ estilo vário em que choro e razão,
Entre esperas vãs e tristeza vã,
onde quem por prova significa amor,
Espero achar clemência, não perdão.
Mas bem, vejo agora como pra o povo,
Fui fábula durante mui tempo, tantas,
De mim próprio tenho vergonha á luz.
Minha vergonha divagante é a fruta,
Se arrepender, pra saber claramente,
Que o mundo gosta é de um sonho curto.
FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
domingo, outubro 09, 2022
Aria for Semiramis - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY
Assim que se ergue, ele vê com dum olho que dorme,
Sobre mármore absoluto, o tempo de palidez é pintado,
A hora sobre mim desceu e cresceu até ao ouro.
... "Exista! ... Seja você mesmo finalmente! diz a Dawn,
Ó grandeza alma, é tempo de formar um corpo!
Apressar a propuser um dia digno de rebentar,
Entre tantos outros fogos, os vossos tesouros imortais!
Já, contra a noite, a trombeta amargar luta,
Com um lábio vivo atacar o ar gelado;
Ouro puro, de volta em volta, rebenta si próprio,
Recordar todo espaço pra os esplendores do ido!
Voltem ao aspecto real! Saiam das vossas sombras,
E como o nadador, nesta plenitude do mar,
Calcanhar todo-poderoso expulsa-o das águas escuras,
Deixem monstros do seu sangue gerarem na sua cama!
Venho do Oriente para agradar os seus caprichos!
E venho para vos oferecer minha mais pura comida;
Que a sua chama se alimente do espaço e do vento!
Venha juntar-se ao brilhante do meu presságio"!
- Respondo! Saio desta minha profunda ausência!
O meu coração puxa-me mortos contra quais meu sono,
Estes versos grandes águia rebentar com o poder,
Leva-me para longe! ... Voo até ao sol!
Levo apenas uma rosa e fujo... A bela seta,
Para flanco!... Minha cabeça dá à luz multidão de passos.
Suba, O Semíramis, dona de uma espada,
Que de coração sem amor brota a única honra!
Seu olhar imperial tem sede do grande império,
A quem o seu ceptro duro faz sentir felicidade.
Atreve-te ao abismo!.... Passe última ponte de rosas!
Aproximo-me de si, por perigo! Mais orgulho zangado!
Estas formigas são minhas! Estas urbes são minhas coisas,
Estas passagens são atributos da minha autoridade!
O meu reino é uma vasta pele de uma besta!
Matei então o leão que usava esta pele;
Mas ainda do cheiro do fantasma feroz,
Flutua com morte, e guarda o meu rebanho!
Enfim, ofereço ao sol segredo dos meus encantos!
Nunca tinha dourado num limite tão gracioso!
PAUL VALÉRY- TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY
LOUVOR PARA UMA URNA - HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY
IN MEMORIAM: ERNEST NELSON
Era um rosto gentil e nórdico,Se misturou em tal disfarce de exílio,
Com olhos eternos de Pierrot,
E, de Gargântua, tais seus risos.
Tal pensamento, entregue a mim,
Da capa branca e travesseiro,
Vejo agora que foram heranças,
Cavaleiros delicados da tempestade.
Lua inclinada sobre a colina torta,
Duma vez deslocou-nos pra pressentimentos,
Do que os mortos guardam, vivendo serenos,
Sendo tais ajuizamentos da alma;
Empoleirado no átrio do crematório,
Com relógio insistente comentou,
Tocando também os nossos elogios,
Destas glórias tão próprias da época.
Ainda assim, tendo em mente buço dourado,
Não consigo ver essa sobrancelha partida,
E me perder o som seco das abelhas,
Esticamento de lúcido espaço.
Espalhe estes idiomas bem-intencionados,
Na fonte esfumaçada que se encheu,
Nesses subúrbios, onde se perderão,
Não são eles troféus do sol.
HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY
THE BROKEN TOWER - HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY
Enviar-me igual se eu tivesse caído no nó,
Dum dia caído - vaguear relvado catedral
Poço ao crucifixo, pés esfriam no degrau a partir do inferno.
Não seu nada ouviu, não viu desse corpo,
Das sombras na torre, cujos ombros vibram,
Dos Carillons antiphonal lançados antes,
Das estrelas pegas e encobertas no raio do sol?
Sinos, digo eu, sinos quebram a sua torre;
Balanço não sei onde. Suas línguas gravam,
Membrana por meio da medula, mui varia,
De espaços quebrados - E eu, seu escravo sexton!
Destas encíclicas ovais em desfiladeiros,
O nó supino com coro. Vozes em banco mortas!
Pagodas, campanários com revelilles outleapin,
Dos ecos em socalcos prostrados na planície! ---
E assim entrei neste mundo fragmentado,
Traçar companhia visionária do amor, a sua voz,
Um instante ao vento (não sei para onde atirou)
Mas não por mui tempo mantendo cada escolha desesperada.
Minha palavra derramei. Mas foi cognata, pontuada,
Desse tribunal monarca do ar,
Cuja coxa embroma terra, atinge a palavra cristal,
Em feridas futuras uma vez à esperança - fenda ao desespero?
Invasões íngremes do meu sangue deixaram-me,
Sem resposta (poderia o sangue segurar a torre tão alta,
Como se a questão fosse verdadeira?) - ou é ela,
Em cuja doce mortalidade abalam o poder latente?
E por meio de cujo pulso ouço, contando traços,
Minhas veias recordam e juntam, revivem e com certeza,
Angelus das guerras que do meu peito evoca:
O que tenho curado, de original e puro ---
E constrói, no interior, torre que não é de pedra,
(Não o paraíso da lata de pedra) -mas resvalar,
De seixos - asas visíveis do silêncio semeado,
Círculos azuis, alargar-se à medida que mergulham.
Matriz do coração, erguer pelo olho,
Que aprova o lago pacato e dilata uma torre ---
Deste cómodo e alto decoro do céu,
Expõe a sua terra, e ergue o amor no seu chuveiro.
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY
sábado, outubro 08, 2022
RIMAS - FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
Tão perturbado é o meu louco desejo,
Pra a seguir quem em voo é recusado,
E dos laços do Amor que leve e solto,
Voando antes do meu lento correr.
Voando antes do meu lento correr.
Que muito mais recordando o envio,
Na estrada segura, menos me ouve:
Também não vale a pena dar-lhe a volta,
Amor, pela natura, torna-o restivo.
E depois, quando pela força reúne,
Esquivo contínuo em senhorio dele,
Que me conduz transporta à morte:
Apenas vir ao loureiro onde está unido,
Este aflige mais do então que consola,
Fruta não madura, que às feridas de outros.
FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY
POSTSCRIPT - HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY
cá, mas mármore são urnas de mármore,
Embora fontes caiam em luz minguante, e a dor,
Brilhando nas bordas de fetos húmidos,
Não me atrevo a deixá-lo entrar outra vez.
Meu é mundo perdido, ainda não tenha completado,
Um jardim cinzento irreal com ramos ao sol,
E guinchos arrebentados, tristonhos e sem remendos,
E névoa mais constante do que os seus votos.
HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY
Ludovico Ariosto Rime Sonetti - Trad. Eric Ponty
Que possam ser iguais, das suas garras,
Da cabeça, do peito e destas penas,
Se a nitidez da luz ainda não estar lá,
Não reconhecer filhos da águia.
Apenas uma parte que não se igual,
Que não se pressionem os seus outros:
Magnânima natura, alto costume,
Digno dum amante sábio igual forma.
Para a sua mulher, o seu credo é,
Não deve, se ao seu prazer, seu desejo,
Se a todos desejos não se conformou.
Por conseguinte, não se deforme,
Pra que eu possa ser mais afável vós:
Pois ou nada ou tudo deve ser meu.
Trad. Eric Ponty
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY
Gaspara Stampa – Rime – VII - TRAD. ERIC PONTY
Quem quiser saber, mulher, meu senhor,
Visa um senhor de aspecto vago e doce,
Jovens em anos velhos em intelecto,
De imagem de glória e de que valor:
De cabelo louro, e de cor vívida,
Duma pessoa alta, de peito largo,
finalmente em cada obra sua perfeita,
Exceto um pouco (infeliz!) cruel no amor.
E quem depois me quiser conhecer,
Duma mulher de fato e na aparência,
De imagem da morte dos seus mártires.
Dum albergue então fé inabalável,
Um, que, por chorar, arder, suspirar,
Não torna o seu amante cruel bonito.
Gaspara Stampa – TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY
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