Quem olhas no bronze, senão lhe chora,
Quanto já ao sentimento que adora,
Fará brando o metal a forma dura.
Quis que do teu cavalo a ferradura,
Pisar líquidas sendas, que da aurora,
Ao seu passo perfuma donde flora,
Ostenta varia e fértil formosura.
A dura vida com mão lisonjeira,
Ti deu Florência artífice engenhoso,
E reinas nas almas e nas esferas.
O bronze que ti imita és tão virtuoso,
Oh quanto do gládio da glória fora
Sim os anos lhe imitaras numeroso!
QUEVEDO Y VILLEGAS - TRAD. ERIC PONTY

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