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sexta-feira, outubro 07, 2022

TORQUARTO NETO - TRAD. ERIC PONTY

Descrive la bellezza de la sua donna e il principio del suo amore, il quale fu ne la sua prima giovinezza


Testa larga douro frisada viva,
Balançado, e dos lindos olhos o raio,
Para o solo florido deste Maio,
De Julho para os coros irrequietos.

Neste peito branco d´Amor veemente,
0 corvo brincou, e não ousou ultrajá-lo;
Desta aura do discurso cortês sábio,
No meio das rosas ouviu respiro.

Odor que forma celestial terra vi ir,
Tranquei as luzes e disse: "Ai, que tolice!
Olhar nela é ousado de contemplar"!
TORQUARTO NETO - TRAD. ERIC PONTY

POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY


Gaspara Stampa - SONETO VI - TRAD ERIC PONTY

 


Um intelecto angelical e divino,
Duma natureza e valor reais,
Um desejo vago de fama e honra,
Discurso sábio, sepulcral e andante.

Um sangue ilustre, a reis altos encostam,
Duma era na sua vera e própria flor,
Dum ato honesto, manso de estópico,
Rosto mais claro e vivo do que o Sol.

Donde a beleza e a graça Amor zelar,
Que nunca mais se viu ou ouviu falar,
Foram as correntes que já me uniram.

E faz-me doce e honrada desta guerra,
Estejam um amor e guerra ampara,
Afaga ao Amor que eles seguram sempre!
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY


PARA OS AMANTES DE POESIA - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY

 


Olhar de repente para o meu pensamento como pensamento é, não consigo sentir conforto em ter de suportar esse discurso interior, impessoal, sem fonte; essas formas transitórias; e essa série interminável de especulações falidas pelas suas próprias instalações, transformando num para o outro, sem alterar nada no seu curso.

"Incoerente sem parecer ser assim, já anulado em proporção à sua própria espontaneidade, pensado, pela sua própria natureza, está falta de estilo.

MAS não possuem todos os dias a aptidão de fixar a minha concentração em certas entidades carentes, nem de simular esses limites mentais que criariam uma impressão de início, plenitude e fim, no lugar do meu fluxo insuportável.

Um POEMA é uma ininterrupção durante a qual, leitor, sendo que eu inspiro de acordo com uma lei pré-estabelecida; o que eu colaboro é a minha respiração e a mecânica da minha voz; ou simplesmente a sua possível, que pode ser composto com o silêncio.
Para o ritmo divino: leitura, percurso para onde as palavras podem induzir. À medida que surgem, são anotadas. 

As suas sonoridades são harmonizadas. As suas formas de perturbação são reformuladas.

A Poesia em si, ao longo de linhas premeditadas, até à Primavera, esplendida é castamente agrupadas, em ressonância. Mesmo o que me surpreende é garantido; é ocultado previamente, e é um representado 
parte do Número.

RIDO ao ato fatal de escrever - e desde que o é sempre a ser medida fixo irremediável feita de minha memória. -Sinto toda a força de cada palavra, graças ao meu aprazado à sua espera. Este ritmo edificante, que eu recheio de cor, mantém-me livre de falsos sendo veros. Estou desconjuntado, sem dúvida, atormentado por nenhuma razão. Nada aleatório, mas um admirável golpe de sorte afirma-se e confirma-se. Sem luta, posso achar a língua para esta beleza; e, de qualquer forma é um artifício posso pensar um pensamento que é tudo certeza, milagroso da providência- cujos saltos são calculados, sem que haja falta de vontade anonimatos, e cujo movimento controla, cujo todo cumpre-me: um pensamento singular aperfeiçoado.
PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

OLVIDO - HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY


 

Olvido é como uma canção,
Que, livre de batimento e grau, vagueia.
Olvido é um pássaro cujas asas são compostas,
Que espalhado e inerte,
Qual pássaro que costeia vento sem ânimo.

Olvido é a chuva à noite,
Ou uma casa velha num bosque! - ou uma criança.
Olvido é alvo.

Alvo como uma árvore maldita,
E podendo atordoar a sibila em profecia,
Ou enterrar os Deuses.
Olvido consigo lembrar-me de muito!

HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

quinta-feira, outubro 06, 2022

A PONTE - HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY


Quantas alvas, arrepio do seu descanso ondulado,
Das asas da gaivota devem mergulhá-lo e rodá-lo,
Rompendo anéis alvos de tumulto, erguendo alto,
Edificando sobre a baía acorrentada Liberdade.

Então, com curva inviolável, cede os nossos olhos,
Tão cordial como destas velas que se cruzam,
Algumas páginas de números a reter;
- Até que ascensores nos deixem cair do nosso dia...

Penso em cinemas, trenós panorâmicos,
Com multidões dobradas em direção a alguns:
Nunca revelou, mas apressou-se a fazê-lo antes,
Predito aos outros olhares no mesmo ecrã;

E Tu, do outro lado do porto, de ritmo prateado,
Como se o sol tivesse dado um passo de ti, mas quebrado,
Alguns movimentos nunca foram gastos nos teus passos,
Tacitamente, a tua liberdade continua em ti!

De algum metropolitano, célula ou sótão,
Luz de colchão abrevia para os teus parapeitos,
Afeto breve, abonamento de camisa de balão,
Duma adivinha cai da caravana sem fala.

Down Wall, desde viga até às fugas do meio-dia na rua,
Dum dente rasgado neste céu de acetileno;
Durante toda a tarde as torres da torre conduzam,
Os teus cabos ainda respiram o Atlântico Norte.

E do obscuro como o paraíso dos judeus,
A Tua guerdão --- Acalma-te, dá-te,
Do anonimato, tempo não pode acrescer:
Vibrante indulto e perdão para o que mostra.

Da harpa e altar, da fúria fundida,
(Poderia simples alinhar as tuas cordas do desígnio!)
Do fantástico fronteira do penhor do profeta,
Da oração do pária, e do grito do amante,

Mais uma vez, os semáforos que te escumam,
Idioma não partido, suspiro casto de estrelas,
Pisando na tua passagem - condensar a eternidade:
E vimos a noite erguida nos teus braços.

Sob a tua sombra, junto aos cais, esperei;
Apenas na escuridão a tua sombra é clara.
Parcelas ardentes da urbe foram todas rompidas,
Da neve já submerge um ano de ferro –

O Sem dormir como o rio debaixo de ti,
Abobadando mar, torrão sonhos das pradarias,
Até nós, o mais baixo, qualquer era, varrer, descer,
E dessas curvas empresta um mito a Deus.

HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

quarta-feira, outubro 05, 2022

LITANIA AO MAR - HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY

 


Não deve usurpar nem nunca confiar para além,
Spry do seu corpo para lhe acariciar,
Líquen supino fiel de um peito muito largo,
Pois o fundo do mar é cruel.

-E, no entanto, grande piscar dos olhos do além,
De inundações sem margens, de sotavento liberto,
Samite sheeted é processada onde,
A sua vasta barriga undinal dobrou-se para a lua,
Rindo das inflexões de rapto do nosso amor;

Pegue este Mar, cujo diapasão está se ajoelhar,
Em pergaminhos de frases de prata nevadas,
Do ceptro terror de cujas sessões se rendeu,
Do grau que a sua conduta se moveu bem ou mal,
Todos menos as tortas das mãos dos amantes.
HART CRANE - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

ANNE - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY

Anne que se misturou com folha pálida e sai,
De cabelos dormidos sobre olhos mal acesos,
Apontam para os seus braços distantes coxear,
Nesta pele incolor do ventre tão exposto.

Oca inchada a garganta lenta com sombra,
Da qual uma memória a premer sua própria carne,
Duma boca partida cheia desta água ardente,
Enrolada o imenso sabor e reflexo dos mares.

Enfim sem pistas e livre para estar fresca,
Dorme-dorme deserto com tufos de cor,
Flutuar na sua cama pálida e com lábio seco,
Lançou um sopro amargo de flor na escuridão.

E no linho onde a aurora apática se dobra,
Queda, com braço de gelo tocar com carmim,
Uma mão inteira vencida e a perder o prazer,
Dos dedos desamarrados do humano ao ar.

Acaso! Pra sempre, durante sono sem homens,
Puros dos lampejos tristes dos seus abraços,
Ela deixa as uvas e as maçãs rolarem vontade,
Poderoso, pendente nas armações dos ossos.

Que riram, no seu âmbar chamando uvas,
No número dourado em movimentos ricos,
Do vigor provocado e de gestos estranhos,
Do que amantes inventam pra matar o amor.
PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

A NATADORA - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY

Frutos de banhos de polpa em uma bacia,
(Azul nos jardins trémulos) ausentes d´água,
De isolar reviravolta dos poderes cascos,
Brilhou a cabeça douro cortar no pescoço.

Termine a beleza com a rosa e o alfinete!
Desde próprio espelho onde joias embebem,
Bizarras flamas cujo bouquet duro se dobra,
Ouvido deixado às palavras nuas ondas suaves.

Um vago braço inundado no Nada límpido,
Pra uma sombra de flor ser colhida em vão,
Sinuosos, dormem por meio delícias vazias,

Se outro, curvado puro sob o belo céu,
Entre imensos cabelos que humedecem,
Fisgou em ouro simples, um voo ébrio de insetos.
PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

Mesmo Encanto - Paul Valéry - TRAD. Eric Ponty

A fina lua derramou um brilho sagrado,
Como duma saia de tecido prata clara,
Sobre blocos de mármo onde anda e pensa,
Algumas pérolas virgens e gaze de pérolas.

Pra os cisnes sedosos que escumam canas,
De cascos de penas semi-luminosos,
A sua mão apoia e dispensa uma rosa nevada,
De cujas pétalas brancas rodeiam as águas.

Deserto delicioso, solidão desmaiada,
Quando turbilhão da água junto à lua amada.
Sempre a contar dos seus ecos de cristal.

Coração pode sofrer inexorável feitiço,
Da noite brilhante ao firmamento fatal,
Sem disparar grito puro de si própria arma?

Paul Valéry - TRAD. Eric Ponty
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

DOUTOR PROF. GUILHERME JORGE DE RESENDE - ERIC PONTY - UFSJ

Capítulo XI – 1. A mulher prudente edifica a sua casa; a insipiente destruíra ainda com as suas mãos a que já feita. – O Livro dos Provérbios

Falar do caráter intelectual do Doutor e professor Guilherme Jorge  de Resende é um pleonasmo. Há uma certa nostalgia daquelas aulas de cinema e jornalismo, ainda agora da partida de Jean Luc Godard nos torna mais vazios diante dos fatos. Como pequena homenagem lhe ofereço um poema da minha lavra que é um poema: Encantos traduzido do Paul Valéry. Viva o cinema e o jornalismo. Saudades daquelas aulas, que razoam até hoje.

A fina lua derrama um brilho sagrado,
Duma saia toda em tecido prateado intenso,
Sobre bases de mármore onde a Sombra,
Isto segue-se a um jogo de gaze de pérolas.

Para cisnes sedosos que escumam canas,
Dos cascos de penas onde a Sombra, ébria,
Ela deixou duma pequena rosa nevada...

É viver? .... Deserto de volúpia desmaiada,
Onde ritmo fraco da água lamé fenece,
Usando fronteira secreta ecos de cristais.

Carne confusa das rosas macias abre,
Tremer, com grito diamante mortal,
Ata toda imensa fábula em fio.
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY


terça-feira, outubro 04, 2022

A FIADORA - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY

Lilia..., neque tient
Sentada, a fiadora no azul da cruz,
Onde jardim melodioso se devora;
Velha roda volvente girou tornou-a.

Cansada, após de ter bebida azul,
Cabelo, aos dedos tão fraco evasivo,
Ela pensa, seus pequenos laços.

Um arbusto e ar limpo ganham a vida,
Que, suspenso no dia, salpica deliciosa,
Da sua perda de flores, jardim do ocioso.

Caule, onde descansa vento errante,
Curva vã salvação da sua graça estrela,
Dedicando a sua rosa à velha roca.

Mas dorme-dorme roda uma lã avulsa;
Misteriosa as próprias sombras frágeis,
Com dedos longos e dormidos, fiados.

Sonho desenrola-se com preguiça,
Angélica, e sempre, com doce fuso,
O cabelo ondular está à carícia...

Por detrás de tantas flores, o azul,
Da folhagem e da cintura ligeira:
Todo o céu verde está a fenecer.

 PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

A SUAVE AGONIA - Paul Valéry - TRAD. ERIC PONTY

 


Por que é olhos estão tão grandes esta noite?
E, nestas flamas mortas deste sol dos quais,
Vós que ides morrer, do que quereis ver?

Porquê estes puros beijos dados à noite?
Porque é que com a tua mão pálida sê ergue,
Lentamente, sorrisos já muitos secretos

Tais como flores vagamente ofertadas,
Das virgens com olhares sacros noturno,
Quem no ar passou todas suas coroas?...

Vós, que vereis em doutro lugar a Manhã,
Deste meu caro agonizante, admirar,
Dentre destas ternas brumas de mirra!...
TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY


Sobre a água - Paul Valéry - TRAD. ERIC PONTY

Fugir! num rio tão calmo e ainda alento,
Marfim mistura em prata duma canoa frágil,
Que água desliza como um sonho, - vago e alvo,
Fugir! Com ela, foge hora sob seu guarda-chuva!

Debaixo folhas escovam-se ricos lírios d´água,
No transcorrer dum sonho, com suave lentidão,
E beber terno olvido nestes perfumes dispersos,
Assoprar pelo vento suave - como um escravo!...

Depois - calma e a alívio e das rondas mágicas,
E fazendo das pérolas que caem dos remos,
Daquela fina pétala que rodopia e afine!...

Depois, olhar nos meus à busca do cristal real,
Da tua cara pálida aos dos beijos difíceis,
Onde passam rubores suaves - Desta noite!...
 Paul Valéry - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

segunda-feira, outubro 03, 2022

LEMBRANÇA DE ADEUS DE JEAN LUC GODARD - ERIC PONTY

 

FINIS


ABELHA
Λ Francis de Miomandre
O quê, tão bom, tão mortal,
Deixe-se levar, abelha loura,
Tenho, no meu cesto tenro,
Dum sonho feito renda.

Colhe do peito a bela cabaça,
Em quem o Amor morre ou desce,
Que um pouco de mim é rude,
Viena tem carne couro e rebelde!

Estou a carecer mui dum tormento,
Dum mal vivo e bem definhado,
Melhor do tormento do dormir!

Por isso, minha opinião, luzir,
Com pequeno alerta dourado,
Sem quem Amor finda ou dorme!

PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY

POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

Naissance de Venus - Paul Valéry - TRAD. ERIC PONTY

Da sua mãe profunda, ainda fria e já vaporosa,
Eis, no limiar da tempestade, na carne,
Que vómito amargo ao sol junto ao mar,
Sê entregar-se dos diamantes do tumulto.

O seu sorriso forma-se, e segue no braço alvo,
Isso pleiteia a leste qual dum ombro ferido,
De Thumide Thetis a pedra pura arfar,
E a sua trança arrepia-se para os lados.

Burgo fresco, que o teu curso ágil regou e foge,
Rumor de desmoronamento, sede, e o fácil
Sable bebia dos beijos dos seus saltos pueris;

Mas com os mil olhares, pérfidos ou vagos,
O seu olhar móvel mover-se com os raios,
Água do riso, e da dança infiel das ondas.
 TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

Orphee - SONETO - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY

Eu...componho em espírito, sob a murta, Orfeu,
Do Admirável!.... Fogo, puros circos descendem,
Transformar montanha agreste num trópico augusto,
Do qual um deus exala o ato berro sonoro.

Sê o deus cantar, ele quebra o sítio dum Deus,
O sol vê o horror do movimento das pedras;
Queixa inaudita exige do deslumbramento,
Paredes douradas harmoniosas dum santuário.

Ele cantar, sentado à beira do belo céu, Orphee!
Rocha caminha, e cai; e cada custo de pedra,
Sente-se um novo peso que, pra o azul ilude!

Dum Templo meio nu, a noite banhou ascensão,
E ele mesmo é montado e confiado em douro,
À alma imensa do grande hino nesta lira!

PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

domingo, outubro 02, 2022

César - soneto - Paul Valéry - TRAD. ERIC PONTY

César, César calma, o pé sobre Todo em tudo,
Punhos duros na barba, e o olho escuro cheio,
De águias e batalhas de pôr-do-sol contempladas,
O seu coração incha, e sente-se Deus Causa.

O lago em vão pulsa e lambeu o seu leito rosa,
Em vão de ouro precioso brilha o trigo novo;
Endureça nos nós do seu corpo reunido,
Ordem, que deve afinal dividir sua boca unida.

O vasto mundo, além do imenso horizonte,
Império aguarda o brilho, decreto, a marca,
Isso irá transformar a noite numa alva furiosa.

Feliz na onda, e embalado pelo acaso,
Pescador insensível que flutua e canta, ignora,
Que o brilho está a reunir-se no centro de César.
 Paul Valéry - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

SONETO DE FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY


O que a infinita providência e arte,
mostrada no admirável magistério,
Quem criou afinal aquele outro hemisfério,
E mais Júpiter do que Marte, morte

Vindo a terra para iluminar cartas,
Já há muitos anos escondia a verdade,
Tirou Giovanni da rede e Piero,
E no Reino dos Céus fizeram parte.

Por ter nascido em Roma, não agradeceu,
Para a Judeia tão acima de cada estado.
Humilhar exaltar sempre o agradou;

E cá de uma pequena aldeia, sol deu,
Tal forma que a natura e o lugar,
Donde nasceu mulher tão belo mundo
FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

Hélène - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY

 


Azur! sou eu... surjo das grutas da Morte,
Ouvir a onda a quebrar ao nível do som,
E volto a lhe ver as galés ao alvorecer,
Ressuscitar das sombras com remos dourados.

Minhas mãos solitárias chamam monarcas,
Cuja barba salgada divertiu meus dedos puros;
Estava a chorar. Cantaram os triunfos sombrios,
E golfos fogem nos esternos dos seus barcos.

Ouço as conchas profundas e das cornetas,
Militares dão ritmo ao voo destes remos;
Vozes claras dos remadores juntam das tumbas.

E Deuses, com sua proa heroica arrebatada,
No seu sorriso antigo, que espuma insulta,
Estiquem os braços indulgentes e esculpidos!

 TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

sábado, outubro 01, 2022

SATIRA - SONETO N1 - SALVADOR ROSA - TRAD. ERIC PONTY



Então porque ora sou chamado o Salvador,
Na crucificação chorar cada pessoa?
Mas é bem que, como raça malandra,
Não estar sem paixão glorificado.

Ele interroga-me todos dias mais 
Do que um Pilatos diante do trono,
Se de sátiros eu tenho a coroa;
Mais Pedro negar-me e abandona-me.

Vejo mais do que um Judas ao meu lado,
Jurando tropa de judeus traiçoeiros,
Que eu, tendo retirado santuário.

Faço a peita da divindade outras pessoas;
Mas desta vez, indo para contrário,
Melhor, do meu Pindus será o Calvário.

SALVADOR ROSA - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY