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quarta-feira, outubro 05, 2022

ANNE - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY

Anne que se misturou com folha pálida e sai,
De cabelos dormidos sobre olhos mal acesos,
Apontam para os seus braços distantes coxear,
Nesta pele incolor do ventre tão exposto.

Oca inchada a garganta lenta com sombra,
Da qual uma memória a premer sua própria carne,
Duma boca partida cheia desta água ardente,
Enrolada o imenso sabor e reflexo dos mares.

Enfim sem pistas e livre para estar fresca,
Dorme-dorme deserto com tufos de cor,
Flutuar na sua cama pálida e com lábio seco,
Lançou um sopro amargo de flor na escuridão.

E no linho onde a aurora apática se dobra,
Queda, com braço de gelo tocar com carmim,
Uma mão inteira vencida e a perder o prazer,
Dos dedos desamarrados do humano ao ar.

Acaso! Pra sempre, durante sono sem homens,
Puros dos lampejos tristes dos seus abraços,
Ela deixa as uvas e as maçãs rolarem vontade,
Poderoso, pendente nas armações dos ossos.

Que riram, no seu âmbar chamando uvas,
No número dourado em movimentos ricos,
Do vigor provocado e de gestos estranhos,
Do que amantes inventam pra matar o amor.
PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

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