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domingo, outubro 02, 2022

César - soneto - Paul Valéry - TRAD. ERIC PONTY

César, César calma, o pé sobre Todo em tudo,
Punhos duros na barba, e o olho escuro cheio,
De águias e batalhas de pôr-do-sol contempladas,
O seu coração incha, e sente-se Deus Causa.

O lago em vão pulsa e lambeu o seu leito rosa,
Em vão de ouro precioso brilha o trigo novo;
Endureça nos nós do seu corpo reunido,
Ordem, que deve afinal dividir sua boca unida.

O vasto mundo, além do imenso horizonte,
Império aguarda o brilho, decreto, a marca,
Isso irá transformar a noite numa alva furiosa.

Feliz na onda, e embalado pelo acaso,
Pescador insensível que flutua e canta, ignora,
Que o brilho está a reunir-se no centro de César.
 Paul Valéry - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

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