Pesquisar este blog

sexta-feira, setembro 30, 2022

CARTA DE IVAN JUNQUEIRA PARA ERIC PONTY


Caro Ivan Junqueira,
Guardei-o por fórum íntimo esta delicadeza ao refazer os dois livros, achei mais interessante descarta-los, lembranças onde estiver para o meu pai, e, nosso Ivo Barroso.
ABERTURA DE POMPAS DE ABRIL

Amo-te, ó touro chuvoso; e um efeito,
Se infunde vigor e paz na minha alma,
Ou tão solene quanto um monumento,
Olhar para os campos livres e férteis!

Curto e de muito largo, ou por um pouco,
Anexins virados mundos melhores,
Pois vestido com um esplendor épico,
Corre ao longo dum ribeiro pela praia;

Ou fazer a vénia contente ao jugo,
Da narina larga húmida e preta,
Te incita e te pica, e tu com o lento.

Do olhar glaucos da campa dentro austero,
Doçura reflete ampla e silenciosa,
Da divindade do silêncio verde.

1

As doces rimas que falam quais pássaros,
Da dama gentil que nos honra os outros,
Virá até si mesmo, se ainda não veio,
Dum que dirá: 'Este não é o nosso frade.

Peço-vos que não o escuteis sermões,
Pra aquele senhor que enamora mulheres,
Pois na tua sentença não lhes habita,
Qual será amigo é desta verdade!

E se fosse pelas alvas palavras,
Causado a vir ao embate da sua mulher,
Não pare, mas chegue ter voz com ela.

Dizer: "Nossa Senhora, a nossa vinda,
De recomendar alguém que se entristeça,
Dizer: Onde está desejo tal meu olho?

3

Lembrar-se-á que a ravina manhosa,
Donde os cheiros latejantes subiram,
De vez em quando dum pássaro em vestes,
Qual d’água e lentidão: fator de inverno.

Recordará todos os dons desta terra:
Da fragrância irascível, chama dourada,
Das ervas daninhas, mato, raízes loucas,
Sortilégios em espinhos qual de espadas.

Recordará o bouquet que lhe trouxe,
Ramo de sombra e água com silêncio,
Ramo trazido uma pedra qual espuma.

Qual da vez foi qual nunca dantes sempre:
Vamos aonde nada se fez nos aguardam,
Achamos louro do que estão tua espera.
ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY 

ACHEI MINHA CARTA STELLA LEONARDOS INÉDITA

 


"Vós que movais do terceiro céu" - ERIC PONTY


Minhas palavras são pra o mundo,
Tu que nasceste quando eu padecia,
Pra dizer pela mulher em quem erraste,
"Vós que movais do terceiro céu",

Ir ter com ele, que tu conheça,
Chamar para que ouça os problemas;
Dizer-lhe: "Somos seus, mais e nunca,
Mais do que somos, não nos verá".

Não fique com nada, pois não há Amor,
Mas morder torno em vestido de tristeza
Iguais até que as suas irmãs antigas.

Quando se acha uma mulher de valor,
Atira-te aos seus pés humildemente,
dizendo: "A vós devemos fazer honra".
ERIC PONTY

POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

quarta-feira, setembro 28, 2022

BALADA DE DANTE EM RIMES - TRAD. ERIC PONTY

 PARA MARIA ÂNGELA E O DEPUTADO AÊCIO NEVES

Morte rude, de piedade inimiga,
de mãe antiga de dor,
julgamento inconstitucional oneroso,
Depois deste matera ao coração dolente,
De onde me penso,
De vós blasmar da língua está cansada.
E se por graça te fizesse dum mendigo,
Convencer-me a dizer,
A tua queda de tartaruga douro,
mas de forma crucial,
Daquele, por amor, é perito pela primeira vez,
Do que está na mulher pra ser apreciado direito:
na juventude de bosques e florestas,
Destruído tem a graça amorosa,
Já não quer discernir qual é a mulher,
que pelas suas propriedades peritas,
Quem não mereceu saúde,
Nunca esperar ter a tua empresa.

DANTE - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

Gaspara Stampa - Rime - SEXTO - TRAD. ERIC PONTY

PARA KARINE
Quando meu senhorio foi o primeiro,
Todos os planetas no céu, todas estrelas,
Dar-lhe graças, estas graças dessas graças,
Para que só fosse perfeito entre nós.

Saturno dá-lhe altura do intelecto,
Júpiter, buscador de coisas dignas;
Marte com tornou todos outros homens;
Febo encheu o teu peito de estilo e sentido.

Vener deu-lhe beleza para graça,
Do verbo do mercúrio; mas a lua,
Congelou-o mais do que desejava;

Destas muitas de raras graças cada,
Inflamou-me com minha chama clara,
E para o esfriar continuava a ser desse...
TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

terça-feira, setembro 27, 2022

Segundo Soneto da Vida Nova - TRAD. ERIC PONTY

Chora, amantes, então que o Amor chora,
De ouvir a causa que esteja ele invoca,
Amor ouve as mulheres chamar à pena,
Visita amarga dor pra os olhos à frente,
Porque a Morte rude em coração suave,
Ele fez o seu uso cruel distante de  mim,
estragar que no mundo é pra ser louvado,
Em mulher gentil acima de honra,
Ouvir o quanto Amor nos horrorizou,
Que eu o vi lamentar em vera forma,
Sobre a imagem do vingador morto;
E olhava frequente em direção ao céu,
Onde a alma gentil já se achava culta,
Que era numa mulher com tal vulto!
TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY


I CANTO DE VIDA NOVA DE DANTE - TRAD. ERIC PONTY

PARA KARINE 

A cada alma vestida, ao coração gentil,
Em cuja esteja presença venho palavra,
No que rescindir ao teu semblante,
Na saúde no teu senhor, isto é, o Amor,
As horas já estavam quase no fim,
Do tempo em que uma estrela está a brilhar,
Quando o Amor me surgiu dum instante,
cuja essência de membrana me dá horror.
Allegro minha sombra Amor temendo
meu coração na minha mão, livre repousa,
e nos meus braços tinha como benta,
madonna complexa numa cortina a dormir.
Depois despertou-a, deste coração ardente,
Sendo ela temer no humilde pascea:
À Teu contorno vi-o chorar entre à gente,
Porque traz na algibeira um punhal pra me matar.

 TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

segunda-feira, setembro 26, 2022

Torquato Tasso - Rime d_occasione - Soneto 2 - Trad. Eric Ponty

Mentre l’autore viveva sotto la protezione dell’eccellentissimo signor duca d’Urbino compose questo sonetto in lode di que’ paesi e di quella corte, ridotto in ogni tempo de gli uomini letterati ed ove il Bembo in particolare soleva spesso ripararsi.

Nestas colinas, nestas mesmas margens,
Donde o Duce Mauro se encontrava,
Grande cisne cantou que em Adria nasceu,
E que cá entre nós mortais vive eterna;

Quantas vezes aqui, ó divas sagradas,
veio trazer-lhe e o quanto lhe agradou,
O doce som do outro, o de fora de água,
Mui vezes ninfas tímidas gravavam nuas!

Foi neste mesmo ninho, de onde fugi,
Contra a ira do céu, pra ele se abrigar:
Recanto mais digno de fiúza está cá entre nós?

Mas quão corajosa solta cá a minha língua?
Este ar eu adoço, canto tão claro qual sol,
Tão direito, não são furos de voz rouca.

Torquato Tasso - - Trad. Eric Ponty
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

PRIMEIRO SONETO ABRE O LIVRO RIMES DE OBRIGAÇÃO - TORQUATO TASSO - TRAD. ERIC PONTY

Desideroso di gloria si propone di abbandonare la poesia lirica per attendere ad un poema

Esta humilde cítara, na qual eu,
Do cântico amoroso dos trabalhos,
Como homem cujo peito nada implica
E alma pasta com doce ocioso todos;

Que então da Procri do caso difícil,
Pra ressoar por meio bosque amigável,
Seguindo passos e os vestígios antigos,
Daqueles, após Morte, do mundo honra.

A vós, Musas, eu consagro, a vós pendo:
A si, que me deu pela inicial vez quando,
Se todo meu peito tivesse mudado andar.

Agora um novo desejo de glória,
Peso muito mais denso a suportar,
Peso para o qual se esvai te sempre!
TORQUATO TASSO - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

domingo, setembro 25, 2022

QUESTIONÁRIO DE MARCEL PROUST - RESPONDITO POR ERIC PONTY

POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

Qual considera ser a virtude mais sobrestimada?
A fealdade para com os amigos, e, paciência deles. 
Em que ocasiões mente?
Quando acho necessário.
O que menos gosta na sua aparência?
A falta de visão do olho esquerdo.
Que pessoa viva mais despreza?
aquelas que não cumprem o necessário.
Qual a característica que mais aprecia em homens?
A inteligência
Qual a característica que mais aprecia em mulheres?
As de boas aparências que apreciem as mesmas coisas que eu.
Que palavras ou frases usa excessivamente?
Me desculpe-me o equívoco, espero que não se repita.
O quê ou quem é o maior amor da sua vida?
A possível de se chegar com afinidades iguais.
Onde e quando foi mais feliz?
Quando meu pai estava vivo no lançamento dos Cinquenta poemas escolhidos pelo autor na ABL.
Que talento mais gostaria de ter?
Há de compositor de música erudita.
Se pudesse mudar uma característica em si, o que seria?
O de curar a vista esquerda.
Qual considera ser a sua maior conquista?
O próximo para fazer que vou fazer...
Se morresse e voltasse, que pessoa ou coisa seria?
Quiçá um gavião ou de um livro.
O que mais valoriza nos seus amigos?
A sinceridade e a ombridade de me corrigir diante dos fatos acontecidos.
Quem são os seus artistas favoritos?
Philip Glass.
Quem é o seu herói da ficção?
O Cavaleiro inexistente
Com que figura história mais se identifica?
Dom Pedro II
Quem são os seus heróis da vida real?
Jean Luc Gordard dentre outros.
Quais são os seus nomes favoritos?
O meu.
Do quê é que menos gosta?
De não cumprir minha palavra dada.
Qual é a sua aversão de estimação?
Assim alcunhada Poesia Marginal.
Qual é o seu maior arrependimento?
De confiar em pessoas das quais não deveria enfiaram um punhal pelas costas.
Como gostaria de morrer?
Dormindo.
Qual é o seu lema de vida?
Viver a vida qual ela é.
Qual considera ser o seu maior infortúnio?
Estar passando por um processo literário mesmo ter comprido todas as regras.
Como gostaria de ser?
Vivendo...
Qual é a sua asneira favorita?
São tantas que me equívoco diante da vida.
Onde gostaria mais de viver?
Numa casinha em Tiradentes.
Qual é o bem mais valioso que tem?
A cultura que trago comigo, e, minha mãe, meu cachorro Willy.
Qual é a sua ocupação favorita?
De conhecer produtos culturais.
Qual é a sua característica mais assinalável?
O desleixo que tenho comigo.
Se Deus existisse, o que gostaria que ele lhe dissesse?
Desta vida valeu meu Deus. Não me inventa outra.


2 SONETOS DOS CEM SONETOS DE AMOR - PABLO NERUDA - Trad. ERIC PONTY

 MANHÃ

II

Amor, quantas maneiras dum beijo,
Que solidão andante para a tua empresa!
Ainda os trens sós jazem a rolar à chuva.
Maio ainda não amanheceu em Taltal.

Mas tu e eu, meu amor, estamos juntos,
juntos desde que roupas até às raízes,
juntos de Outono, de água, de ancas,
até que sejamos só nós, só eu juntos.

Pensar custou tantas pedras que rio impregnou,
Desembocando a boca da água de Boroa,
pensar que arredios por trens e nações.

Tu e eu se nós tivemos de nos amar,
Toda gente confusa, com homens e moças,
com terra que implanta e educa os cravos.

Lembrar-se-á que a ravina manhosa,
Donde os cheiros latejantes subiram,
De vez em quando um pássaro vestido,
Com água e lentidão: fato de inverno.

Recordará todos os dons desta terra:
Da fragrância irascível, lama dourada,
Ervas daninhas do mato, raízes loucas,
Sortilégios em espinhos como espadas.

Recordará o bouquet que lhe trouxe,
Ramo de sombra e água com silêncio,
Ramo como uma pedra com espuma.

Daquela vez foi qual nunca antes e sempre:
Vamos aonde nada se fez nos aguarda,
Achamos tudo do que está tua espera.

PABLO NERUDA - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

DOIS SONETOS DE DANTE - TRAD. ERIC PONTY

 PARA MARIA ÂNGELA DE ARAÚJO RESENDE

- Vós, mulheres, que ato lamentável mostrais,
Quem é esta mulher que pensa tão ventosa?
Seria ela que está no meu coração compungir-se?
Deh, se ela for você, não me oculte demais;

Ao aspecto de Ben decompôs, semblante,
E a tua figura pareceu-me tão tediosa,
que na minha opinião não representa,
aquele que faz outros parecerem felizes.

- Se a nossa mulher não puder saber,
Tão atacado, não me pareceu ampla coisa,
pois do mesmo nos aconteceu ao sabê-lo.

Mas, se vires o ato suave, fica silente,
Dos teus olhos, ele sabê-lo-á então:
não choreis mais, já estais todos desfeitos.
Duas mulheres no topo da minha cabeça,
chegarem à razão sobre que seja amor,
cuja dor tem cortesia esteja valor nele,
prudência e honestidade na empresa;

Do outro tem beleza e vago encanto,
Adornar a bondade faz a tua honra:
E eu, mercê deste meu doce senhor,
É que estou aos pés do teu senhorio.

Beleza e Virtude falam ao intelecto,
E questionam qual um coração pode ficar,
Dentre duas mulheres com amor perfeito.

Está fonte da fala gentil lhe respondeu,
Que se pode amar a beleza por prazer,
Pode amar tua virtude para me operar.

DANTE -TRAD- ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

sábado, setembro 24, 2022

DIVINA COMEDIA - CANTO I - TRAD. ERIC PONTY

Para Maria Ângela de Resende, Cláudio Leitão, Guilherme de Resende eternos

Metade do caminho desta vida,
Me encontrava em uma selva escura,
Com a senda direita já perdida,

Ah, pois dizer qual era é coisa dura,
A selva selvagem, áspera e forte
Que em o pensar renova apura!

É tão amarga que algo mais é morte,
Mas por tratar do bem que ali achei, 
Direi de quanto ali me deu na sorte.

Repetir não sabia como entrei na via,
Ela, pois, me vencia sonho o mesmo dia
Em que o veraz caminho abandonei.

Mas atrás chegar ao cerro que subia
Ali onde aquele vale terminava
Com pavor a minha alma confundia,

Ao olhar que cumpre, vi que me estava
Vestida das extensões do planeta,
Que boa passagem todos assinalava.

Ficando a apreensão um pouco quieta
Que de meu coração dolorido
Em o lago durou a noite que me inquieta.

E como aquele que com alento ardido,
Do oceano saído a ribeira dum rio,
Olhar a água que quase lhe há perdido,

Minha alma, que fugitiva então era,
Voltou-se a contemplar de novo o passo
Que não atravessa nada sem que morra.

Atrás repousar pouco corpo cansado,
Meu caminho segue por um tal deserto,
Mais abaixo sempre o pé que não dá passo.

E, apenas o caminho me ouve aberto,
Um leopardo leviano ali surgiu,
De pé manchado todo recoberto;

Parado em frente minha, frente me dava,
Cortando desse modo meu caminho,
E eu, para volver, já me retornava.

Era ao tempo primeiro matutino
E se eleva ao sol com suas as estrelas
Que estiveram com o quando o divino,

Amor movia daquelas coisas belas,
E esperar bem podia, e com razão,
Ao que a fera esbravejava visse

Agora da aurora e a doce estação;
Mas não sem temor me produzisse
A efígie, que vi então, que dum leão.

Me pareceu ele contra mim viesse,
Alta a testa e com remotos olhos,
Que dar ares de que o ar lhe temesse,

E uma loba, que em todas suas garras
Guardar semelhava em sua brancura
E há muitos buscou duelo emboscada,

Me chegou de inquietude com a bravura
Vinha reluzir em qual sua perspectiva
E perdi minh´esperança desta altura.

E, como a aquele que goza na jornada
Dá ganância e, quando chegado dia
De perder, chora tua alma contristada,

Assim besta, que havia me vencia,
Me esforçava sem trégua, lentamente,
Ao lugar em que ao sol não se brilhava.

Então me deslizava ao pedinte,
Já me olhava sendo descoberto
Há quem por mudo porque silencia.

Quando ao contemplei no grande deserto,
«Tenha piedade —eu lhe gritei— de minha,
Já sejas sombra ou sejas homem certo! ».

Respondia-me: «Homem não, que homem já fui,
E por pais lombardos sendo gerado,
Dá mantuana pátria. Eu nasci qual filho,

Sobre Júlio, ao que tarde, e hei morado
Na Roma regida pelo nobre Augusto,
A que a falsas deidades hei adorado.

Poeta fui, cantei então ao justo homem
Filho de Aquiles, que de Troia vindo
Quando o soberbo leão ficou robusto.

Mas por que moves em teu amargo signo,
Por que não vai ao monte benigno
Que de todos os gozem sendo caminho? ».

Es tu aquele Virgílio e desta fonte
De quem brota caudal da eloquência?
Lhe respondi com vergonhosa frente—.

Dos poetas a honorável e ciência,
Vaga-me ao largo estudo e grão amor
Com que busquei em teu livro sapiência.

Olhava teu mesmo mestre, teu meu autor:
És tu somente aquele do que hei tomado
Do belo estilo que me dirá honradez.

Olhando besta havia atrás me deparado,
Sábio famoso, e arrojando-me seu ultraje;
Por ela penso e venhas me hão observado. »

«Te convêm empreender distinta viagem
—Me respondeu me olhando que chorava—
Para deixar enfim este lugar selvagem:

Que esta, por a que gritas, besta brava
Não cedeu a nada ao passo por sua via
E com a vida de que planeja revoga;

Sendo sua natureza tão ímpia no trato,
Nunca sacia sua consciência odiosa
E, detrás comer, tendo fome, todavia.

Com muitos animais que se desposa,
E muitos mais serão até ao momento
Em que de Lebre morta espantosa.

Não serão terra e ouro seu alimento,
Senão amor e sapiência reunida;
Tenderá entre mago, mago nascimento.

Verá Itália tuas forças ressurgidas
Por quem, virgem, Camila falou morte,
E Euríalo, Turno e Niso, em feridas.

Dum povo e doutro lhe recheará sorte,
Que fará de dar com ela no Inferno,
De que a inveja primeira que a diverte,

De onde, por teu bem, penso e discerno
Que me sigas e eu lhe serei teu guia,
E hei de levar-te até ao lugar eterno,

Onde ouvirás espantosa gritaria,
Verás almas tão antigas dolorosas:
Que segunda morte chorar a porfia,

Verás gentes também que são grandiosas
Nas chamas, que esperam conviver
Dum dia com suas almas venturosas,

Das quais, se aspiras a ascender,
Mais que a minha existe uma alma pura:
Com ela, a irei-me eu, te verei ir;

Aquele imperador que aí na altura,
Posto que fui rebelde a sua doutrina,
Que eu não cheguei a sua urbe busca,

Ao todo desde ali regi e domina,
Ali estão sua cidade e sua alta sede;
Feliz daquele há quem ali destina! ».

Dizendo eu: «Poeta, pois eu sou pode
Aquele Deus tu nunca terás perito,
Deste mal livre, e de outro maior, fique;

Leva-me onde agora hei prometido,
E as portas de Pedro vejas um dia
E a os de ânimo triste e afligido».

Ao eco andar, e eu detrás lhe seguia.

POETA,TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY


Alma eleita, que no mundo louco - LUDOVICO ARIOSTO – TRAD. ERIC PONTY

Alma eleita, que no mundo louco,
E cheias de erros tão sábia Aqueles
De lindos membros tão brancos,
Segure, bem desenho sublime cumpra,
Do Rei dos Dados e Estrelas dos fados
Quem tão graciosa vos adornou fronte,
Para cada mulher mui suave,
E fácil de se curvar tais vícios ímpios,
Podia ter exemplos lúcidos da tua parte,
Que, entre delícias reais da idade verde,
Que a isto de todos são males eivados,
Da união pode ser firme e ainda unida!
 LUDOVICO ARIOSTO – TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY


sexta-feira, setembro 23, 2022

Dante da Maiano a diversi rimatori- TRAD. ERIC PONTY

 Dante da Maiano a diversi rimatori

Provisão, homem sensato, pra esta visão,
E, por dó, tira-se dum vero julgamento,
Profiro: uma mulher bem parente,
Dos quais o meu coração está mui falho,

Fez-me uma grinalda como presente,
Verde, frondoso, com um bom amparo:
Que posteriormente, dei então por mim,
Camisa de costas, pra o meu semblante.

Então, meu, eu libertei-me da condição,
que preside amenamente ao seu abraço:
Não contendido, mas riu-se da beleza.

Assim, sorrindo, beijei-a muito: Prazer,
De mais não digo, pois ele fez-me jurar.
Morta, que é minha mãe, esteve com ela.

 Dante da Maiano - TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

quarta-feira, setembro 21, 2022

MENINO RETIRANTE VAI AO CIRCO DE BRODOWSKI - PINTURA - CÂNDIDO PORTINARI - POESIA ERIC PONTY

Este livro que é considerado uma joia por pessoas como o falecido imortal Ivan Junqueira, e, está biblioteca Mário de Andrade continua inédito nas escolas sanjoanenses, sendo que um dos poemas é letra da Música Erudita sendo muito bem recebido na Alemanha. Quando os jovens leitores terão acesso nas escolas sanjoanenses.

O que é poesia para Eric Ponty?
A poesia se faz com linguagem. E daí a linguagem? Desde que Sísifo roubou a linguagem dos deuses e trespassou aos homens esse foi um rito sagrado.  A poesia é a fundação do ser pela palavra. O poeta nomeia os deuses e nomeia todas as coisas naquilo que elas são.
Mas o que fica, o que os poetas o fundam. Com essa sentença se ilumina nossa pergunta sobre a essência de poesia. A poesia é a fundação por meio da palavra e na palavra. O que se funda deste modo? A palavra por meio da poesia nesta lição básica já está em Dante Alighiere em sua Divina Comédia.  O permanente. 
Mas pode o permanente ser fundando assim. Pode segundo o professor de poesia George Steiner, recém-morto na Inglaterra nos ensina: Enquanto um texto sobrevive, em algum lugar desta terra, ainda que em silêncio ininterrupto é sempre capaz de ressuscitar. Walter Benjamin o ensinava. Como demostrei em minha monografia de pedagogia.
Ele já não é sempre já disponível a mão? Não. O leitor, pedagogo e estudante tem o que buscar. Precisamente o permanente deve ser fixado por quem o lê ou recita ou vai lendo na internet ou escuta num cordel. 
A poesia ou a linguagem deve estar em oposição ao arrebatamento: o simples deve ser extraído da confusão, (Ler corretamente um texto como nos ensina Paulo Freire).  A que medida deve ser oferecida ao desmedido (a conclusão que o leitor, pedagogo e estudante chega do próprio texto). O que sustenta e domina o ente (aquele que interpreta o texto) em sua totalidade (o que fica redito do texto) deve ser manifesto pelo meio do que ele leu do próprio texto. O ser (o texto) deve ser franqueado (compreendido), para que o ente apareça (a conclusão do leitor). Para que apareça, porém, é “confiado aos cuidados e ao serviço dos poetas” (a linguagem dos poetas) a poesia para que devolvam o sagrado que Sísifo roubou dos deuses. Por isto a poesia que se faz pelo meio da linguagem que é sagrada.

No nosso caso do Cândido Portinari, peguei o primeiro quadro, e talvez de minha leitura intima com Jorge de Lima, que escreveu, O Grande Circo Místico, no lugar de Circo Místico eu coloquei, Circo de Brodowski.

Repito aqui: A poesia ou a linguagem deve estar em oposição ao arrebatamento: o simples deve ser extraído da confusão, (Ler corretamente um texto como nos ensina Paulo Freire).  A que medida deve ser oferecida ao desmedido (a conclusão que o leitor, pedagogo e estudante chega do próprio texto). O que sustenta e domina o ente (aquele que interpreta o texto) em sua totalidade deve ser manifesto por meio do que ele leu do próprio texto. Cada um faz a leitura que quiser da minha poesia com Cândido Portinari.

 Todo tradutor é um traidor”, segundo um provérbio italiano. Este provérbio poderia ser uma “verdade” a ser afirmada?
A pergunta é por demais complexa. Estou tentando isto explicar esta questão de uma experiência através de Francisca de Querência que é minha leitura de dois cantos de Dante Alighiere em sua Divina Comédia, que está disponível para todo mundo no meu blog. . Se conseguir isto estou muito agradecido pedagogicamente, pois cabe a cada professor utilizar o material que dispõe em mãos de maneira didática. Às conclusões será de cada um que ler o material no blog meu. Aliás Dante tem tudo a ver com polissemia, basta acompanharem o que está lá.   

Para você qual é o papel da escola, do educador, na formação leitora da criança e do jovem? Como se forma o pensamento leitor?
Segundo Cristiane Madanêlo de Oliveira em A escolha dos livros infantis, afere ser tarefa bastante difícil selecionar num universo amplo de publicações, um livro infantil de boa qualidade, uma vez que o mercado editorial descobriu nas crianças um grande filão de dinheiro e decidiu investir maciçamente nessa área. Para nós é preciso primeiro aferir qual o papel da leitura antes de se pensar em escrituras literárias ou não. Walter Benjamin (1985, p. 236), em Livros infantis antigos e esquecidos, referindo-se à coleção de livros infantis do renomado filósofo alemão colecionador Karl Hobrecker, adverte-nos que esse tipo de reunião — o de livros infantis — só pode ser desejado por quem se cultivou fiel à alegria de degustar quando criança, ao se ater a esses livros. A Profª Eni Pulcinelli Orlandi (1988) denomina esse fator com muita propriedade de que que toda leitura constrói sua história.
Para Orlandi, o processo de significação é desencadeado pela interação estabelecida pela leitura ao buscarmos estabelecer-lhe à forma de inclusão, pondo como componentes essas condições de produção da leitura, as histórias das leituras alcançadas pelo texto e do seu leitor dentro da historicidade e contexto que essa leitura da escritura ocorre. O leitor está circunscrito a fazer sua história de leitura dentro do espaço que o circunscreve na sua ação da compreensão do enunciado da escritura a que ele se propõe a ater-se. Segundo Cristiane Madanêlo de Oliveira A escolha dos livros infantis, ao aferir o resultado de alguns casos desses livros, não foi dos melhores, pois criou-se o critério equivocado de superestimar a importância do formato, tamanho, cor ou volume, em detrimento do conteúdo em si.
E Madanêlo de Oliveira nos acresce que o livro, infantil ou não, advém do conjunto de fatores de igual valor: texto, ilustração, constituição física do livro ao fazer-se desse livro sucesso ou um fracasso nas mãos do leitor iniciante ou não. E para nós essa questão da qualidade da leitura deve acontecer pela mediação na sala de aula entre o educador e o educando, pois esses são agentes tanto desse sucesso (polissemia) quanto desse fracasso se condicionado o papel do leitor.

Há algum método para se fazer a literatura? sobretudo o fazer poético?

Enquanto era jovem aspirante e fazia poesia com verso dito como livre, os meus dois tios por parte de mãe, que eram parnasianos falavam que estava perdendo tempo à toa. 
Pois bem me enchi daquilo que se chama verso livre, pois Paul Valéry estava ecoando dentro de mim como ecoa, fui aprender métrica a minha maneira, veja neste soneto Torquarto Tasso:
 
Que Fortuna ganhe estiver abaixo, busto,
Do peso, de tanto apurado ao cair em final,
Ganharem, do meu descanso, do bem e mal,
Troféu profano está no teu templo suspenso.

Ela, que fez dos mil brilhos altos impérios,
Vil e igual às arenas mais baixas demais,
Do meu mal cá vangloria e das minhas tristezas,
Conta, e chama-me pela tua ira que ofendida.

Qual o papel do escritor na sociedade?

O meu até agora é de ser ignorado como sujeito na sociedade sanjoanense, pois aqui estou à margem, pois não a frequento os meios literários por falta de convites. As moças solteiras nem tem me olhado me deixando à margem da sociedade. Como apreendi há não ser invasor com a história do ouvinte, fico na minha na esperança de que tudo esteja na paz! 

É muito comum termos curiosidade sobre o fator do “tempo”. Quanto tempo foi preciso para a realização total desta obra?

No começo eu não tinha uma predefinição do que seria o livro, o que Poeta e crítico e imortal da Academia de Letras, Ivan Junqueira chamou de “joia” que o Poeta e professor emérito da PUC(Rio) Gilberto Mendonça Telles, “uns dos mais sérios livros de poesia infanto juvenil” um trabalho que não considero como uma coisa tão séria e severa, mas agora com à opinião do Doutor e Professor, filho de Cândido Portinari que disse: Caro Eric, o seu livro é esplendido. Muito obrigado! Um abraço fraterno!
Eu ia no site do Portinari, e pegava o que eu queria, e fazia o poema da mesma forma que fiz com Oscar Araripe. Pegava o quadro e fazia meu poema. Quando eu terminei à minha leitura eu estruturei conforme minha inspiração, e, leitura para que formassem parte um conjunto. 
No nosso caso do Cândido Portinari, peguei o primeiro quadro, e talvez de minha leitura intima com Jorge de Lima, que escreveu, O Grande Circo Místico, no lugar de Circo Místico eu coloquei, Circo de Brodowski.

Repito aqui: A poesia ou a linguagem deve estar em oposição ao arrebatamento: o simples deve ser extraído da confusão, (Ler corretamente um texto como nos ensina Paulo Freire).  A que medida deve ser oferecida ao desmedido (a conclusão que o leitor, pedagogo e estudante chega do próprio texto). O que sustenta e domina o ente (aquele que interpreta o texto) em sua totalidade deve ser manifesto por meio do que ele leu do próprio texto. Cada um faz a leitura que quiser da minha poesia com Cândido Portinari.

Não um poema mais sanjoanense do que esse. Estou mais interessado no passado de São João del-Rei, que do presente, do qual eu vivo, pois estou nela, enquanto, cidadão então se cria um problema dialético entre morar nela e cantar ela. Só sei se vou ser enterrado no cemitério de Nossa Senhora das Mercês, e, os meus ossos ficaram juntos com meu pai no Cemitério do Rosário.

As traduções impressionam não apenas pela profundidade e variedade dos autores escolhidos, mas também pela diversidade de línguas que você é capaz de traduzir; quantos idiomas você fala?

Segundo o Poeta e imortal Ivan Junqueira me disse ao telefone: Você é poeta, tudo o que você faz gera poesia, então já saímos ganhando com àquilo que você produz.

Eu traduzo autores que apenas que eu tenho interesse de conhecer, pois não traduzo profissionalmente, traduzo pelo prazer de conhecer sem maiores considerações.

Agradeço se me acham profundo, mas tento captar o melhor possível dessas vozes quando eu as leio em outras línguas delas quando me evocam uma tentação, que faz que eu aproxime delas.

Para traduzir uso dicionários vários que eu tenho aqui, além dos dicionários virtuais onde vou cantando palavras, e formando significados sem maiores pretensões como tradutor.

Não sou formado especificamente em nenhuma língua, apenas, meto à cara quando outras línguas como estas quando me evocam uma tentação, que fazem que eu aproxime para compreendê-las. 

No momento estou mais preocupado em arranjar uma moça solteira que possamos a trocar ideias e pensamentos similares.

Qual o papel da leitura antes de pensarmos nas escrituras literárias?

Para Nazareth Soares Fonseca em Interação leitor/de texto na sala de aula (1985), esse é um ponto que lhe pareceu ser relevante, ao perceber o desinteresse dos alunos por quase tudo aquilo realizado na escola decorrente do desacerto entre o aluno ideal (polissêmico), pensado pelos programas e atividades escolares, e o real, concretamente matriculado na escola e pertencente a um contexto definido.

Nazareth Fonseca observa que, quando o professor examina essa situação e procura adequar-se às exigências do programa à realidade vivida dos alunos e suas consequências, estas lhes parecem menos desastrosas. Fonseca inquieta-se com o mascaramento das convivências entre professor/aluno na realidade escolar de como frequentemente essas relações são construídas, por fatores que se refletem principalmente no prazer pela leitura, que ceifará essas delicadas raízes antevistas por Benjamin.

Poder ler, para Fonseca, na realidade do país, é privilégio de poucos, visto como são incluídas as condições castradoras do acesso à leitura no plano social e como as técnicas de leitura são aplicadas na escola, que terminam, com frequência, transformando aquilo que deveria ser um ato de prazer em obrigação insossa. Vejamos, por exemplo este segundo soneto de Torquarto Tasso em Rimas de amor:

Era da minha idade em feliz Abril,
Por vagidade a alma jovem, anil,
Já à procura de beleza que lhe atrai,
Do prazer ao prazer, coração gentil;

Quando me surgiu uma mulher mui igual,
Com tua voz um anjo cândido, e, suave,
Asas não surgiram já, mas quase eleitas,
Jeitos ao dá-los ao meu gracioso estilo.

Miracol novo! Ela aos meus versos e a mim,
Rodearam o teu nome das penas altas;
E um pra o outro foste voar pra provar!

Esta era daquela cuja luz fez suave,
Chorar só e cantar beneficia-me,
Primeiro ardor espalha doce olvido.

Sobre os seus professores seja UFSJ ou do Uniptan contribuíram para sua formação?

Os professores de Letras, destaco Guilherme de Araújo que me ensinou a ser investigativo sobre aquilo que se estava correspondendo ou Maria Ângela Araújo que tem uma tese sobre Manoel de Barros, e, está aberta ao diálogo, mas foi Cláudio Leitão que me fez a cabeça para Charles Baudelaire que na época não conhecia.

Os professores de Letras, que me marcaram destaco Guilherme de Araújo que me ensinou a ser investigativo sobre aquilo que se estava correspondendo ou Maria Ângela Araújo que tem uma tese sobre Manoel de Barros, e, está aberta ao diálogo, mas foi Cláudio Leitão que me fez a cabeça para Charles Baudelaire que na época não conhecia. Aquela aula de Cláudio Leitão foi fundamental na minha formação sobre Baudelaire, foi uma aula inesquecível, assim como as aulas de formação em cinema destaco Guilherme de Araújo, quanto ou Maria Ângela Araújo, destaco as aulas de Murilo Rubião entre outras.

POETA, TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

RIMAS DE AMOR DE TORQUATO TASSO - TRAD. ERIC PONTY

 

Questo primo sonetto è quasi proposizione de l’opera: nel quale il poetadice di meritar lode d’essersi pentito tosto del suo vaneggiare, ed esorta gli amanti col suo esempio che ritolgano ad Amore la signoria

Exatas peles destas alegrias, fervor,
Donde chorei e cantei várias canções,
Que poderia apanhar som das armas,
E de heróis às glórias, e amores castos;

E se não fosse dos mais obstinados coros,
Nos meus afetos vãos, dos quais me queixo,
Já não devia, por mais mulheres louvado,
Contrição, onde a inteireza então honrada;

Cá com este meu exemplo, amantes astutos,
Ler minhas delícias do meu desejo ir em vão,
Minha contenção do Amor das almas. Senhor,

Desde que outros sigam célere planos ardentes,
E pensar, por vezes, que coração é acercar-se,
Doçura sê levar desejo, e, amor no seio.

TORQUATO TASSO - TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY

segunda-feira, setembro 19, 2022

A Musa Venal - Duas Versões Charles Baudelaire _ Trad. Eric Ponty


Ó minha musa, apaixonada por palácios,
Tu, quando é janeiro lança teus ventos,
No tédio negro das noites de neve, busque
toras meio queimadas a aquecer os pés roxos?

Teus ombros manchados, ficarão tão quentes
Raios lua deslizam no vidro da nossa janela?
Sabendo que a bolsa e o paladar estão secos,
Tu vais colher ouro dos cofres azuis dos bosques?

Tu deves, a ganhar teu escasso pão da noite,
qual menino de altar tédio balançar incensários, 
vocais a os deuses nunca presentes Te Deums,

Agora, morrer de fome, deite seus encantos à venda,
Teu mergulho em choros pelos olhos de ninguém,
Para trazer diversão para a multidão vulgar.


Ó musa do meu coração amante de palácios,
Tu terás, quando janeiro soltar seu Bóreas,
Durante os problemas negros das noites de neve,
Uma marca a aquecer seus dois pés roxos?

Raios da lua pelo meio das venezianas esquentam?
Teus ombros trêmulos, marcados de frio?
Com a bolsa e o paladar secos, tu deves correr
Com cofres azuis a recolher o teu ouro?

Veja como tu deves preparar teu pão da noite:
Tu tocas o coral, não poupes o incenso,
E cante Te Deum, embora tu estejas aflita, em dúvida;
Ou, uma acrobata faminta, mostre teus encantos,
risada mergulha em choros invisíveis e acepções
Para dividir lados desta multidão insensível.
Charles Baudelaire _ Trad. Eric Ponty 2* versão

POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY 

GASPARA STAMPA - DOIS SONETOS - TRAD. ERIC PONTY

 

Compreendo, este meu senhor, celestial,
O teu rosto encantador é qual sol,
Olhos, estrelas, e o som das palavras,
É harmonia, que faz o senhor de Delos,
Tempestades, chuva, trovão e gelos,
são teus ultrajes, quando está irado;
Bondade e a serenidade é quando,
Pra tornar benigno o véu da tua ira,
Sendo primavera e o florescimento,
Quando faz medrar a minha esperança,
Prometendo manter-me neste estado.
Inverno horrível é então, quando mudado,
Ameaça mudar pensamentos e o lugar,
Tirou-me as minhas mais ricas honras.


Um intelecto angelical e divino,
Verdadeira natureza e de valor,
Desejo vago de fama, e, de honra,
Discurso sábio, grave e peregrino,
um sangue ilustre, a reis altos fecham,
fortuna para uns poucos mais ao menos,
Era na tua própria e duma certa flor,
Dum ato honesto, manso e estópido,
Rosto mais claro e brilhante do que o sol,
Donde beleza e graça Amor riserra,
Nunca mais se viu ou ouviu falar,
Foram correntes já me tinham ligado,
Faz-me uma guerra doce e honrosa.
Que agrada a Amor que eles tais sempre!
GASPARA STAMPA - TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY


Em que satisfaz com receio à retorica do canto - Sóror Juana Inés de la Cruz - Trad. Eric Ponty

Em que satisfaz com receio à retorica do canto

Esta tarde, meu bem, quando te falava,
Feito em teu rosto de tuas ações via,
Que com palavras não te persuadia,
Que o coração me vezes desejava;

E Amor, que meus intentos ajudava,
Venceu o impossível parecia,
Pois entre o canto, que dor se vertia,
Meu coração desfeito destilava.

Baste já de rigores, meu bem, baste,
Não te atormentem mais dos céus tiranos,
Nem vil receio tua calma contraste;

Com sombras néscias, com indícios vãos,
Pois já em líquido humor viste e tocaste
Meu coração defeito dentre tuas mãos.
Sóror Juana Inés de la Cruz - Trad. Eric Ponty
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY