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sexta-feira, setembro 30, 2022

CARTA DE IVAN JUNQUEIRA PARA ERIC PONTY


Caro Ivan Junqueira,
Guardei-o por fórum íntimo esta delicadeza ao refazer os dois livros, achei mais interessante descarta-los, lembranças onde estiver para o meu pai, e, nosso Ivo Barroso.
ABERTURA DE POMPAS DE ABRIL

Amo-te, ó touro chuvoso; e um efeito,
Se infunde vigor e paz na minha alma,
Ou tão solene quanto um monumento,
Olhar para os campos livres e férteis!

Curto e de muito largo, ou por um pouco,
Anexins virados mundos melhores,
Pois vestido com um esplendor épico,
Corre ao longo dum ribeiro pela praia;

Ou fazer a vénia contente ao jugo,
Da narina larga húmida e preta,
Te incita e te pica, e tu com o lento.

Do olhar glaucos da campa dentro austero,
Doçura reflete ampla e silenciosa,
Da divindade do silêncio verde.

1

As doces rimas que falam quais pássaros,
Da dama gentil que nos honra os outros,
Virá até si mesmo, se ainda não veio,
Dum que dirá: 'Este não é o nosso frade.

Peço-vos que não o escuteis sermões,
Pra aquele senhor que enamora mulheres,
Pois na tua sentença não lhes habita,
Qual será amigo é desta verdade!

E se fosse pelas alvas palavras,
Causado a vir ao embate da sua mulher,
Não pare, mas chegue ter voz com ela.

Dizer: "Nossa Senhora, a nossa vinda,
De recomendar alguém que se entristeça,
Dizer: Onde está desejo tal meu olho?

3

Lembrar-se-á que a ravina manhosa,
Donde os cheiros latejantes subiram,
De vez em quando dum pássaro em vestes,
Qual d’água e lentidão: fator de inverno.

Recordará todos os dons desta terra:
Da fragrância irascível, chama dourada,
Das ervas daninhas, mato, raízes loucas,
Sortilégios em espinhos qual de espadas.

Recordará o bouquet que lhe trouxe,
Ramo de sombra e água com silêncio,
Ramo trazido uma pedra qual espuma.

Qual da vez foi qual nunca dantes sempre:
Vamos aonde nada se fez nos aguardam,
Achamos louro do que estão tua espera.
ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR,LIBRETISTA ERIC PONTY 

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