EU TE ACEITO
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sexta-feira, janeiro 30, 2026
[CONTEMPLAÇÃO DO SYMBOLO OLVIDADO]POR [ERIC PONTY]
É uma escolha, claro, e, como tal, discutível.
Eric Ponty não se alinha entre os transcriadores. Prefere simplesmente filiar-se ao grupo dos tradutores. E, assim como Renan recomendava escrever apenas sobre aquilo de que gostamos, Ponty só traduz os poetas de sua preferência. Paul Valéry é um deles. E se não é obrigatório, é recomendável haver afinidade entre o tradutor e a obra. E essa comunhão estética entre o tradutor e o traduzido, deixadas as possíveis diferenças de lado, está patente nos poemas aqui recolhidos.
Ainda caminhando na senda mallarmaica, o autor de Le cimetière marin desbastou sua poesia de toda forma de sentimentalismo, rejeição comparável a seu repúdio à egolatria romântica. Mas essa poesia, a de Valéry, carrega uma musicalidade ausente (ou pouco relevante) em Mallarmé e expressivamente atuante em Rimbaud e Verlaine. Aliás, é deste último o apelo: de la musique avant toute chose...
E é esta música que o tradutor Eric Ponty capta.
João da Penha - Escritor e jornalista, traduziu os poetas russos Sierguei Iessiênin, Alieksandr Blok, Marina Tsviêtáieva e Anna Armátova
quinta-feira, janeiro 29, 2026
SONNETS ON ENGLISH DRAMATIC POETS - Algernon Charles Swinburne - Trad. Eric Ponty
SONNETS ON ENGLISH DRAMATIC POETS (1590-1650)
CHRISTOPHER MARLOWE
Coroado, cingido, vestido e calçado com luz e fogo,
Filho primogênito da manhã, estrela soberana!
Alma mais chegada da nossa estava mais afastada,
Mais distante no abismo do tempo, com tua lira.
Pendia mais alto sobre a veemência da aurora
Onde todos cantaram juntos, todos os que existem,
E todas as canções estreladas atrás de teu carro
Ressoaram em teia, todas nossas almas o aclamam, senhor.
"Se todas as penas que os poetas já tiveram
Mantido o anseio dos pensamentos de teus mestres,"
E qual com a pressa de carruagens em movimento.
O voo de todos os teus espíritos fosse impacto
Em direção a um grande fim, sua glória - não, não então,
Ainda não poderia ser assaz louvado pelos homens.
WILLIAM SHAKESPEARE
Nem que línguas dos homens e dos anjos, todas em uma
Falassem, poderias ser dito a palavra que poderia Te falar.
Córregos, ventos, bosques, flores, campos, montanhas,
sim, o mar, que poder há em todos para louvarem o sol?
Teu louvor é este, - ele não pode ser louvado por ninguém.
Homem, mulher, criança, louvam a Deus por ele; mas ele
Não exulta por ser adorado, mas por ser. Ele é;
Ele é; e, sendo, se considera tua obra bem-feita.
Toda a alegria, a glória, toda a tristeza, a força, todo o gozo,
São dele: sem ele, o dia seria noite na Terra.
O tempo não o admite, desde o era do tempo.
Todos alaúdes, harpas, todas violas, flautas, todas liras,
Ficam mudos diante de ti, antes Duma corda se suspenda.
Todas as estrelas são anjos, mas o sol é Deus.
BEN JONSON
De base ampla, de frente farta, multiforme,
Com muitos vales cobertos de hera e videiras,
Onde as fontes de todos os riachos correm vinho,
E muitos penhascos de frente para a tempestade,
A montanha onde os pés de tua musa se arrefeceram
Os gramados que se apraziam com tua dança divina
Ainda brilhas com fogo do qual soia brilhar
Das tochas que se acendem em torno da dança.
Nem menos, nas alturas dos jazigos cinzentos,
Videntes de grande pensar, com luzes do céu acesas no peito
Conversam: e o rebanho de coisas insignificantes.
Sabes, ou por açoite ardente ou por haste ardente
Quando a ira se ergueu e riu em tua fronte larga
Abrumando tua alma com sombras das asas do trovão.
UM ESTUDO DE MEMÓRIA
Se essa ainda é uma alma viva que aqui verse-as,
Semelhava mais intensa aumento de numerar fontes
E vestida pelo tempo e pela dor com coisas mais belas
A cada ano que ia, via cumprir-se um novo ano de armada,
A morte não pode ter mudado nada do que a tornou prezada;
Bondade meio humorística, alegria de olhos graves nas asas
Sensatez intensa, voz mais alegre do que cordas que tocais;
A mais esplêndida calma, coroada com um ânimo conquistador;
Sendo então um espírito inviolável que sorria e cantava
Por força da natureza e necessidade heroica
Mais doce e forte do que o sonho ou o feito mais imponente;
Uma canção que cintilava, uma luz de onde ressoava a música
Tão alto quanto as alturas mais ensolaradas do pensar mais gentil;
Tudo isso deveria ser, ou tudo o que ela era não seria nada.
Além do vento norte, havia a terra de outrora onde os homens
viviam alegres e sem culpa, vestidos e sustentados
Com as vestes intensas da alegria e com o doce pão do amor,
O rebanho mais branco do rebanho materno da Terra.
Ninguém poderia usar em seus sobrolhos registrados
Uma luz de fama mais bela do que a que cintila sua cabeça,
Cujo amor pelas crianças e pelos mortos
Todos os homens agradecem: eu vejo ao longe!
Uma valiosa mão morta que nos une, e uma luz
A mais bela e benigna da noite,
A noite do doce sono da morte, na qual pode haver.
Uma estrela para mostrar seu peito na visão coeva
Alguma ilha mais feliz no mar Elísio
Onde Rab possa lamber a mão de tua amada Marjorie.
terça-feira, janeiro 27, 2026
Pierrot Azul & Outros Poemas - Eric Ponty - Fernando Fábio Fiorese Furtado
Ao prefaciador de qualquer obra cumpre sempre a inglória tarefa de fazer o mapa de um território que nenhum papel acolhe ou respeita, de ser a voz reiterativa e unívoca de um coro que articula múltiplas entonações, sentidos e silêncios, de operar um texto condenado à marginalia, pois que o mínimo grafa das páginas subsequentes importa mais que as pistas que o prefácio pretenda desvelar. O trabalho tradutório do prefaciador está condenado a priori, pois raras vezes consegue surpreender o motor e a paixão que desdobram um livro em intermináveis leituras.
Prefaciar os poemas traduzidos por Eric Ponty e coligidos sob o título de Pierrot Azul & Outros Poemas implica antes de tudo reconhecer as diferenças entre dois modos de tradução. De um lado, a tradução técnica, de que o texto-prefácio é apenas um Ersatz mínimo, na medida em que tenciona assinalar as ideias principais da obra e reiterá-las de modo o mais literal possível; de outro, a tradução poética, na qual o adjetivo — derivado do grego poiesis, — prevalece sobre o substantivo para contaminá-lo com seus múltiplos sentidos: “criação, ação, fabricação, confecção, arte da poesia, faculdade poética, adoção”.
Fernando Fábio Fiorese Furtado
segunda-feira, janeiro 26, 2026
PARA MINHA ELEITA DO DESCONHECIDO - ERIC PONTY
11
Deixe o véu para o sol ou para a sombra,
Mulher, eu não a vi desde que aceitou em mim,
que afastou de meu coração qualquer outro desejo.
Enquanto eu levava os belos pensamentos ocultos.
Que deixaram minha mente morta de desejo,
vi adornar teu rosto com piedade;
mas depois que o Amor me fez perceber,
tirou os cabelos loiros então velados.
E o olhar amoroso recolhido em si.
O que mais eu desejava-me foi tirado,
se o véu me governa que pela minha morte.
E pelo calor e pelo gelo dá doce luz
Dos teus belos olhos ofuscar-se na lembrança,
Que carrego nos olhares dessas sombras.
12
Se minha vida, do amargo tormento,
pode tanto se proteger, e das aflições,
que eu vejo pela virtude dos últimos anos,
Mulher, que a luz dos teus belos olhos se abrande.
E os cabelos dourados se tornem prateados,
e deixem as guirlandas e os tecidos verdes,
e o rosto descolorido que, em meus danos,
Me torna temeroso e lento ao lamentar,
Ainda assim o Amor me dará tanta ousadia
que eu lhe revelarei dos meus martírios
onde foram os anos, e os dias, e as horas;
E se o tempo é contrário aos belos desejos,
Não será que pelo menos chegue ao meu redor
De algum socorro de suspiros tardios.
Francesco Petrarca - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
domingo, janeiro 25, 2026
A Clareza Do Enigma & Outros Sonetos - Eric Ponty
A mundanidade do mundo trouxe sempre à tona todo o fenômeno do forma fixa no mundo, sem, com isso, delimitar todos os seus eu líricos fatores constitutivos com a mesma clareza fenomenal do próprio fenômeno do mundo. A interpretação ontológica do mundo, que discutia as coisas intramundanas em questão, veio em primeiro lugar não apenas porque o A Clareza Do Enigma, na sua cotidianidade, está num mundo em geral e permanece um tema constante em relação a esse mundo, mas porque se relaciona com o mundo num modo predominante de forma fixa.
Primeiramente e na maior parte das vezes, o A Clareza Do Enigma é absorvido pelo eu lírico mundo. Este modo de forma fixa, estar absorvido no mundo e, portanto, estar- em que lhe está subjacente, determina essencialmente o fenômeno que agora iremos perseguir com a pergunta: Quem é que está no cotidiano do A Clareza Do Enigma?
Todas as estruturas da forma fixa do A Clareza Do Enigma, portanto também o fenômeno que responde a essa questão de quem, são modos da sua forma fixa. A sua propriedade ontológica é existencial. Assim, carecemos assentar a questão corretamente e delinear o artifício para trazer à tona um domínio fenomenal mais amplo da cotidianidade do A Clareza Do Enigma.
Ao investigar na direção do fenômeno que nos permite responder à questão do quem, somos levados às estruturas do A Clareza Do Enigma que são com à forma fixa no mundo: Neste tipo de forma fixa, o modo de forma fixa cotidiano de um eu lírico sou motivado, cuja explicação torna visível o que poderíamos chamar de "sujeito" do cotidiano, o deles.
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
sexta-feira, janeiro 23, 2026
quinta-feira, janeiro 22, 2026
PARA MINHA ELEITA DO DESCONHECIDO - ERIC PONTY
XLIII
Quão te amo? Deixe-me contar todos motivos
Amo-te na fundura no ancho na elevação
Minha alma consegue, quando se sente ausente
Aos fins Sermos do ideal da Remissão.
Te amo no parâmetro existido de cada dia
Mais tranquilos, ao sol dão luz destas velas
te amando tão franca, homens lidam à direita.
Amar-te apenas, amor, transformam louvores.
Eu te amo com paixão posta de todo jeito,
Minhas antigas dores, fé que há minha infância
Te amo com um amor parecia-lhe perder-.
Meus santos perdidos, - Eu amo-te com fôlego
risos, prantos, minha vida! - E, se Deus fez
te amando, mas ainda melhor após à morte.
EU TE ACEITO
terça-feira, janeiro 20, 2026
Meu Luto Por Mim & OUTROS SONETOS - ERIC PONTY
Ao assinalar as tarefas emaranhadas na «formulação» da questão do soneto, mostramos que não só devemos identificar o soneto específico que funcionará como o soneto primário a soneto interrogado, mas também que são necessárias uma apropriação explícita e a garantia do acesso correto a esse soneto. Discutimos qual é o soneto que assume o papel principal na questão do soneto. Mas como esse soneto, o Meu Luto Por Mim, deve tornar-se acessível e, por assim dizer, soneto concebido numa interpretação perceptiva? A prioridade on-ontológica que foi demonstrada para o Meu Luto Por Mim poderia levar à opinião errada de que esse soneto teria de soneto o que é primariamente dado também on-ontologicamente, não apenas no sentido de que tal soneto poderia soneto compreendido «logo», mas também que a anteposição de sua maneira de soneto igualmente «junta». É verdade que o Meu Luto Por Mim não é onticamente apenas o que está próximo ou mesmo o mais próximo — nós próprios somos isso, cada um de nós, traz consigo o próprio Luto.
No entanto, ou justamente por essa razão, é ontologicamente o que está mais distante. É verdade que pertence ao seu soneto mais próprio abranger esse soneto e sustentar uma certa interpretação dele. Mas isso não significa de forma alguma que a interpretação pré-ontológica mais espontaneamente disponível do seu próprio soneto possa soneto adotar como uma direção adequada, como se essa abrangência do soneto tivesse de surgir de uma reflexão tematicamente ontológica sobre a constituição mais própria do seu soneto. Em vez disso, de acordo com o tipo de soneto que lhe pertence, o Meu Luto Por Mim tende a abranger o seu próprio soneto em termos daquele soneto ao qual está primeiramente, sempre e mais intimamente pertinente — o «mundo». No próprio Meu Luto Por Mim e, com isso, na sua própria abrangência do soneto, como mostraremos, a forma como o mundo é abarcado é ontologicamente refletida na interpretação do Meu Luto Por Mim.
A prioridade óntico-ontológica do Meu Luto Por Mim é, portanto, a razão pela qual a constituição específica do soneto do Meu Luto Por Mim — entendida no sentido da estrutura «categorial» que lhe pertence — permanece oculta para ele. O Meu Luto Por Mim é onticamente «mais próximo» de si mesmo, ontologicamente mais distante; mas pré-ontologicamente certamente não é estranho a si mesmo.
Apenas indicámos de forma preliminar que uma comento deste soneto se depara com dificuldades peculiares enraizadas no modo de soneto do objeto temático e na forma como este é tematizado. Elas não resultam de alguma deficiência dos nossos poderes de noção ou da falta de uma forma adequada de conceber — uma falta visivelmente fácil de remediar.
Não só a apreensão do soneto pertence ao Meu Luto Por Mim, mas essa apreensão também se alarga ou decaí de acordo com a maneira real de soneto do Meu Luto Por Mim em uma apurada ocasião; por essa razão, ela tem uma riqueza de interpretações à sua disposição.
Os dois não andam necessariamente juntos, mas também não se excluem mutuamente. A interpretação existencial pode exigir uma análise existencial, desde que o conhecimento filosófico seja compreendido na sua possibilidade e necessidade.
Somente quando as estruturas fundamentais do Meu Luto Por Mim forem adequadamente formadas com orientação explícita para o problema do soneto é que os resultados anteriores da interpretação do Meu Luto Por Mim receberão a sua justificação existencial.
A análise do Meu Luto Por Mim assim compreendida é totalmente orientada para a tarefa orientadora de elaborar a questão do soneto. Os seus limites são, assim, verificados. Com vistas a uma possível antropologia ou ao seu fundamento ontológico, comento a seguir fornecerá apenas algumas «partes», embora não sejam essenciais.
No entanto, a análise do Meu Luto Por Mim não é apenas incompleta, mas também preliminar. Ela apenas revela o soneto desse soneto, sem interpretar o seu significado. O seu objetivo é, antes, expor o horizonte para a interpretação mais primordial do soneto.
Uma vez alcançado esse horizonte, a análise preparatória do Meu Luto Por Mim requer repetição numa base mais elevada e genuinamente ontológica. O significado do soneto desse soneto a que chamamos Meu Luto Por Mim revela-se soneto a temporalidade [Zeitlichkeit].
Para demonstrar isso, devemos repetir a nossa interpretação das estruturas do Meu Luto Por Mim que foram indicadas de forma preliminar — desta vez como modos de temporalidade. Embora seja verdade que, com essa interpretação do Meu Luto Por Mim como temporalidade, a resposta à questão orientadora sobre o significado do soneto em geral ainda não esteja dada, o solo do qual podemos colher essa resposta estará, no entanto, preparado.
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
segunda-feira, janeiro 19, 2026
POEMAS EROTICOS DA INDIA - TRAD. ERIC PONTY
PARA MINHA AMADA
1
A deusa Mridani
assume a postura katakamukha do arqueiro —
dobrando a corda do arco
para trás da orelha.
Unhas vermelhas
junto à orelha, um ramo de pétalas húmidas
e brilhantes.
E o seu olhar azul e ganancioso,
que se move veloz para os lados como uma vespa —
Que ele o proteja.
2
Sacudido, ele se agarrou
às mãos deles,
afastado, ele se agarrou
às barras de suas vestes,
rejeitado, ele se agarrou aos cabelos deles.
Quando caiu aos seus pés,
Se recusaram, agitados, a olhar.
Embora cedido, envolveu as meninas
de olhos azuis lacrimosos da cidadela de Tripura.
Não foi um amante pego traindo,
mas o fogo das flechas de Shiva —
Que ele queime suas imprudências.
3
Cachos frontais despenteados
brincos espalhados
gotas de suor manchando a sandália
pasta na face —
agora olhos se fecham enquanto montada em seu
companheiro ela termina.
Que o rosto desta senhora o proteja.
Vishnu, Shiva, Brahma,
os deuses
não significam mais Nada.
4
Com o lábio delicado mordido, ela
agita os dedos alarmada —
sopra um feroz
não ouse e suas
sobrancelhas se enrolam qual uma videira.
Quem rouba um beijo de uma
mulher orgulhosa que brilha os olhos
bebe amrita.
Os deuses — tolos —
pulsam o oceano por
Nada.
5
Tremendo com o amor acordado,
eles disparam,
depois se contraem em dois botões úmidos.
Por um momento, se olham descaradamente,
por um momento brilham com timidez indireta.
Querida garota, tão ingênua —
para quem você olha
qual se o feitiço febril alojado
em seu coração
tivesse corrido para teus olhos?
6
Por que chorar em silêncio,
limpando
as fúcsias de raiva com as unhas?
Quando excitado por fofocas baratas, esse acesso
fica totalmente fora de controle,
seu amante vai
se cansar e ficar sombrio e indiferente.
Então tuas fúcsias vão romper
ferozmente,
fora de mando.
TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
CANÇÃO DO TIMOR LESTE & OUTROS POEMAS & LIBRETOS - ERIC PONTY
Parabéns pela “Canção do Timor Leste”, toda perpassada de uma intensíssima e autêntica emoção, o que é difícil em poemas desse gênero.
Octavio Paz errou a qualificar como “menos valia” da sociedade a poesia que hoje se escreve, ou que sempre se escreveu. Ela é apenas “nenhuma valia”. (…)
Abraço carinhoso
Do seu Ivan Junqueira
sábado, janeiro 17, 2026
Imagens-Signos & Outros Poemas - Eric Ponty
https://clubedeautores.com.br/livro/imagens-signos-outros-poemas
Tal desdobramento linguístico mantém o fascínio que a poesia de Eric Ponty desencadeia ao associar a imagens com o sentido de homenagens dirigidas em última instância a pintores e poetas que recria ou traduz como Rilke ou Yeats.
O ato seco (...) de um grito, sombra de nós, memória do que somos e se desfaz nos gestos que findam (...) como o degredado em solo árido, - é sempre uma tentativa de captura do eco que se impõe diante de uma galeria de imagens-signos, que Eric Ponty homenageia, recorrendo ao espelho, fascinado diante do que vê.
Não admite a fuga, como o herói diante das réstias do dia.
Foed Castro Chamma – Poeta, escritor e tradutor. Transmutação da Pedra (Grande Prêmio de Poesia da 2*Bienal Nestlé de Literatura Brasileira) – Publicou O Poder da Palavra, em 1959; Labirinto em 1967; Ir a ti, em 1969. Em 1971, reuniu os três livros sob o título geral de Andarilho e a aurora para uma coedição com o convenio do MEC. Sons de Ferraria. Como tradutor: Mickiewicz Poemas (tradução) Epigramas Latinos Paráfrases e Navio Fantasma foram publicados em 1998.Bucólicas de Virgílio. Escreveu também Filosofia da Arte em 2000.
sexta-feira, janeiro 16, 2026
PARA MINHA ELEITA DESCONHECIDA - ERIC PONTY
Os ruídos nuvens exalaram pompas,
passam mensagem, surdinas das trompas,
do rosto longo céu que aposte logros!
pasce, do sempre mármore do agro!
Após ser do apenar, fulgidas Tebas,
protege avantesma crê catacumbas,
Audácia pura fim soprando bruma
do inaudível do véu mausoléu duma.
Discreta frente céu pastorear!
Mitra apreciar à luz que lhe repousa,
ópera casta eterna ecoa-se à lousa.
Ó templo anima abunda despejar!
Acede douros climas que dá treva,
friezas das minas, quisto nos transcreva.
Eu indago Amarílis, tu infeliz,
agravar aos deuses deem maçãs,
atrelar sobre Albas tão nativas
Tityrus partiu a casa pinhos confins
Tityrus, o vero maio, vera água,
Aqui ficaram atraídos a ti!
Logo que nos raspar a mão da sorte,
ou seja, nesta serra, ou noutra terra,
Nossos laços terão, farão a corte
De esgotar os dois a mesma terra.
Na calpa, cingida de ciprestes,
Predirão dos vocábulos os louvores:
“Quem ansiar ser ditoso nos amores,
Adote dos moldes nos deram destes.”
Perdões, ó minha eleita desconhecida bela,
Perdões à má fortuna!
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
quinta-feira, janeiro 15, 2026
Alfabetos Sem Noçao - Edward Lear - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
Livro-dos-Sem-Nocao - Edward Lear - Trad. Eric Ponty
https://clubedeautores.com.br//livro/livro-dos-sem-nocao
Parece que Lear escreveu-lhes em formato em tantas linhas como havia espaço sobre a imagem. Para as três primeiras edições mais são tantos tipos de estilo de declarações como, respectivamente, dois, cinco ou três linhas. Limeriques poemas humorísticos de cincos versos de Lear, a primeira e última linhas costumam terminar com a mesma palavra, em vez numa rima. Para a maior parte, eles são verdadeiramente absurdos e desprovidos de qualquer piada ou literais.
Também estão livres de linguagem obscena que é a forma de versos é agora é associado. O típico elemento temático é a presença de um tutor e crítica para "eles." Embora Lear faça sentido nos livros que eram populares durante sua vida, um rumor se tinha se espalhado que "Edward Lear" era apenas um pseudônimo e que o verdadeiro autor dos livros era o homem a quem Lear tinha consagrado, seu patrono o Conde de Derby. Os promotores destes rumores oferecidos como prova dos fatos que ambos os homens foram chamados Edward, e que "Lear" é um anagrama de "Earl".
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
quarta-feira, janeiro 14, 2026
Preposicoes-Para-Maranhao-Sobrinho - ERIC PONTY
https://clubedeautores.com.br/livro/preposicoes-para-maranhao-sobrinho
Muito será ganho para a estética quando conseguirmos envolver diretamente — em vez de apenas constatar — que a arte deve a sua evolução contínua à dualidade, assim como a propagação da espécie depende da dualidade dos sexos, dos seus conflitos constantes e dos atos periódicos de reconciliação. Emprestei os meus adjetivos Simbolismo Existencial e Preposição Metafórica, que somos levados a reconhecer a enorme divisão, tanto em termos de origens quanto de objetivos, entre as artes plásticas e a arte não visual da música inspirada por Preposição metafórica.
As duas tendências criativas desenvolveram-se lado a lado, geralmente em oposição feroz, cada uma com as suas provocações forçando a outra a uma produção mais enérgica, ambas perpetuando numa concordância discordante aquela agonia que o termo arte denomina fracamente: até que, por fim, pela taumaturgia de um ato de vontade helénico, o par aceitou o jugo do casamento e, nessa condição, gerou a tragédia ática, que exibe as propriedades salientes de ambos os pais.
Para compreender melhor essas duas tendências, comecemos por vê-las como os reinos artísticos separados do Simbolismo Existencial e da intoxicação metafórica, dois fenômenos fisiológicos que se relacionam entre si de Preposição Metafórica muito semelhante à metáfora existencial foi num Simbolismo Existencial, segundo Lucrécio, que os maravilhosos deuses e deusas se apresentaram pela primeira vez às mentes dos homens.
O grande Poeta Maranhão Sobrinho contemplou num Simbolismo Existencial os corpos encantadores de seres mais do que humanos e, da mesma Preposição Metafórica, se alguém tivesse perguntado aos poetas sobre o mistério da criação poética, eles também o teriam remetido aos Simbolismo Existencial se instruindo-o.
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
segunda-feira, janeiro 12, 2026
Taboa-Outros-Ensaios-Maranhao-Sobrinho - ERIC PONTY
https://clubedeautores.com.br/livro/taboa-outros-ensaios-maranhao-sobrinho
Discutimos qual é a metáfora que assume o papel principal na questão da metáfora. Mas como essa metáfora, o ТABOA de Maranhão Sobrinho, deve tornar-se acessível e, por assim dizer, metáfora concebido numa interpretação perceptiva? A prioridade on-ontológica que foi demonstrada para o ТABOA poderia levar à opinião errada de que essa metáfora teria de metáfora o que é primariamente dado também onicamente-ontologicamente, não apenas no sentido de que tal metáfora poderia metáfora compreendido «logo», mas também que a prioridade de sua maneira de metáfora igualmente «adjacente». É verdade que o ТABOA não é onticamente apenas o que está próximo ou mesmo o mais próximo — nós mesmos somos isso, cada um de nós. No entanto, ou precisamente por essa razão, é ontologicamente o que está mais distante. É verdade que pertence à sua metáfora mais própria ter uma compreensão dessa metáfora e sustentar uma certa interpretação dele. Mas isso não significa de forma alguma que a interpretação pré-ontológica mais facilmente disponível da sua própria metáfora possa metáfora adotada como uma orientação adequada, como se essa compreensão da metáfora tivesse de surgir de uma reflexão tematicamente ontológica sobre a constituição mais própria da sua metáfora.
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
Tela do Norte - Maranhão Sobrinho - critério ontológico - Eric Ponty
Tela do Norte
No estirão, percutindo os chifres, a boiada
monótona desliza; ondulando, a poeira,
em fulvas espirais, cobre toda a chapada
em cujo poente o sol põe uns tons de fogueira.
Baba de sede e muge a lava; triturada
sob as patas dos bois a relva toda cheira!
Boiando, corta o ar a mórbida toada
do guia que, de pé, palmilha á cabeceira...
Nos flancos da boiada, aos recurvos galões
das éguas, vão tocando as rezes fugitivas
os vaqueiros, com o sol nas pontas dos ferrões.
E do gado ao tropel com as asas derreadas,
quase riscando o chão, que o sol calcina, esquivas,
arrancam colheando as emas assustadas...
MARANHÃO SOBRINHO
As «estatuetas» têm metáfora vido há muito como critério ontológico — ou melhor, anticrítico — para distinguir ingenuamente as diferentes regiões das metáforas. As metáforas «Estatutárias» são separadas das metáforas «estatuetas». Estamos habituados a distinguir o significado «Tela do Norte» das proposições do curso «Tela do Norte» das afirmações proposicionais. Além disso, encontra-se uma «lacuna» entre a metáfora «Tela do Norte» e a metáfora eterna, e tenta-se colmatar essa lacuna.
«Tela do Norte» aqui significa tanto quanto estar «no estatuetas», uma definição bastante obscura, sem dúvida. O fato é que as estatuetas, no sentido de «estar nas estatuetas», metáfora como critério para separar as regiões da metáfora. Como é que o Estatuetas passa a ter está função ontológica distintiva e, mais ainda, com que direito é que algo como as estatuetas da metáfora precisamente como tal critério e, acima de tudo, se nesta aplicação ontológica ingênua do estatuetas se expressa a sua relevância ontológica puramente possível, não foi questionado nem investigado até agora. O «Estatuetas», especialmente no horizonte do entendimento comum, adquiriu por acaso essa função ontológica «óbvia» «por si mesmo», por assim dizer, e a manteve até hoje. Em contrapartida, devemos mostrar, com base na questão do significado da metáfora que metáfora trabalhada, que — e de que maneira — o leque central de problemas de toda a ontologia está enraizado no fenômeno do Estatuetas corretamente visto e corretamente explicado.
Se a metáfora deve metáfora concebido em termos de Estatuas e se os vários modos e derivados da metáfora, nas suas modificações e derivações, e de fato se tornam inteligíveis por meio do apreço do Estatuetas, então a própria metáfora — e não apenas as metáforas que estão «no Estatuas» — torna-se visível no seu caráter «Tela do Norte». Mas então «Tela do Norte» não pode mais significar apenas «estar na Estatuas».
«Tela do Norte» também são «Estatutárias» no que diz respeito à sua metáfora; isto não apenas por meio da privação quando comparados às metáforas «Estatutárias» que estão «no estatuetas», mas de uma forma positiva que, é claro, deve primeiro metáfora esclarecida. Como a expressão «Tela do Norte» pertence tanto ao uso pré-filosófico como filosófico, e como essa expressão metáfora usada num sentido diferente nas investigações seguintes, chamaremos à determinação original do significado da metáfora e dos seus caracteres e modos que decorrem do Estatuetas a sua determinação poética de Estatuetas.
Como a metáfora é, em cada caso, compreensível apenas em relação ao Estatuetas, a resposta à questão da metáfora não pode residir numa proposição isolada e cega. A resposta não é compreendida repetindo o que é afirmado preposicionado, especialmente quando é transmitida como um resultado flutuante, de modo que apenas tomamos conhecimento de um «ponto de vista» que talvez se desvie da forma como o assunto foi tratado anteriormente.
Se a resposta é «nova» ou não, isso não tem importância e permanece extrínseco. O que é positivo na resposta deve residir no fato de ela metáfora antiga o suficiente para nos permitir aprender a compreender as possibilidades preparadas pelos «antigos». Em conformidade com o seu sentido mais adequado, a resposta fornece uma diretriz para a investigação ontológica concreta, ou seja, uma diretriz para iniciar a sua investigação dentro do horizonte apresentado — e isso é tudo o que ela fornece. Se a resposta à questão da metáfora se torna, assim, a diretriz orientadora para a investigação, então ela só é suficientemente dada se o modo específico de metáfora da ontologia anterior — as adversidades do seu questionamento, as suas descobertas e os seus fracassos — se tornar visível como necessário ao próprio caráter poético.
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo - Maranhão Sobrinho - Algumas Reflexões - Eric Ponty
Por outro lado, se o Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo aproveitou a sua possibilidade inerente não só de tornar a sua existência transparente, mas também de investigar o significado da própria existencialidade, ou seja, de investigar temporariamente o significado do metáfora em geral; e se a compreensão da historicidade essencial do Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo se abriu nessa investigação, então é inevitável que a investigação do metáfora, que foi designada em relação à sua necessidade óntico-ontológica, seja ela própria caracterizada pela historicidade.
A elaboração da questão da metáfora deve, portanto, receber a sua diretriz para investigar a sua própria história a partir do sentido ontológico mais adequado da própria investigação, como histórica; isso significa tornar-se histórico de forma disciplinada, a fim de chegar à assimilação positiva do passado, para entrar em plena posse das suas possibilidades mais adequadas de investigação. A questão do significado da metáfora é levada a compreender-se como histórica, de acordo com a sua própria maneira de proceder, ou seja, como a explicação provisória do Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo na sua temporalidade e historicidade.
A interpretação preparatória das estruturas fundamentais do Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo no que diz respeito à sua maneira usual e média de metáfora — na qual ele também é, em primeiro lugar, histórico — deixará claro o seguinte: o Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo não só tem a inclinação para se envolver no mundo em que está e se interpretar em termos desse mundo pela sua luz refletida; ao mesmo tempo, o Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo também está envolvido numa tradição que ele compreende de forma mais ou menos explícita. Essa tradição priva o Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo de sua própria liderança no questionamento e na escolha. Isso é especialmente verdadeiro no que diz respeito à compreensão (e seu possível desenvolvimento) que está enraizada na metáfora mais própria do Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo — a compreensão ontológica.
A tradição que assim ganha domínio torna o que “transmite” tão pouco acessível que, inicialmente e em grande parte, acaba por encobri-lo. O que foi transmitido é entregue à obviedade; ela impede o acesso às «fontes» originais das quais as categorias e conceitos tradicionais foram, em parte, genuinamente extraídos. A tradição faz-nos até esquecer completamente essa proveniência. Na verdade, torna-nos totalmente incapazes de compreender que tal retorno é necessário. A tradição destrói a historicidade faz Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo a tal ponto que só se interessa pelas múltiplas formas de tipos possíveis, direções e pontos de vista da filosofia nas culturas mais remotas e estranhas, e com esse interesse tenta velar a sua própria falta de fundamento.
Consequentemente, apesar de todo o interesse histórico e zelo por uma interpretação filologicamente «objetiva», o Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo já não compreende as condições mais elementares que, por si só, tornam possível um retorno positivo ao passado — no sentido da sua apropriação produtiva. No início mostramos que a questão do significado da metáfora não só não estava resolvida, não só estava formulada de forma inadequada, mas, apesar de todo o interesse pela «metafísica», tinha sido mesmo olvidada. A ontologia grega e a sua história, que, por meio de muitas reviravoltas, ainda definem o caráter conceptual da filosofia atual, são prova do fato de que o Papeis Velhos ...roidos pela traça do Symbolo compreende a si mesmo e a metáfora em geral em termos do «mundo». Na medida em que certos domínios distintos da metáfora se tornam visíveis no decorrer desta história e, a partir de então, dominam principalmente o leque de problemas acabados de citar permanecem inquestionáveis no que diz respeito à metáfora e à estrutura da sua metáfora, o que indica uma negligência total da questão da metáfora. Mas o conteúdo categorial da ontologia tradicional é transferido para esses metafórico com formalizações correspondentes e restrições puramente negativas, ou então a dialética é chamada para ajudar com uma interpretação ontológica da substancialidade do sujeito. Se a questão da metáfora é alcançar clareza em relação à sua própria história, é necessário um afrouxamento da tradição esclerótica e uma dissolução das ocultações por ela produzidas. Entendemos essa tarefa como a desestruturação do conteúdo tradicional da ontologia antiga, que deve metáfora realizada de acordo com as diretrizes da questão da metáfora.
Essa desestruturação baseia-se nas experiências originais nas quais as primeiras e subsequentes determinações orientadoras da metáfora foram obtidas. Essa demonstração da proveniência dos conceitos ontológicos fundamentais, como a investigação que exibe a sua «certidão de nascimento», não tem nada a ver com uma relativização perniciosa dos pontos de vista ontológicos. A desestruturação também não tem o sentido negativo de nos livrarmos da tradição ontológica. Pelo contrário, ela deve demarcar as possibilidades positivas da tradição, e isso sempre significa fixar os seus limites.
Estes são dados factualmente com a formulação específica da questão e a demarcação prescrita do campo possível de investigação. Negativamente, a desestruturação nem sequer está relacionada com o passado: a sua crítica diz respeito ao «hoje» e à forma dominante como tratamos a história da ontologia, seja ela concebida como a história de opiniões, ideias ou problemas. No entanto, a desestruturação não pretende enterrar o passado na nulidade; tem uma intenção positiva. A sua função negativa permanece tácita e indireta.
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA




