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segunda-feira, fevereiro 23, 2026

PARA MINHA ELEITA DO DESCONHECIDO - ERIC PONTY

Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Irrompa infindamente
Do meu lábio amante, alto, numa explosão,
Mental, duma só vez este degredo ardente,
Assim tal qual um vagido, assim tal qual um clarão!

Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Ô Verbo tão imanente
Que fez Chama! Ô doce e terrível confissão!
Ô médica me indica atroz da cura da morfina,
A cor que vem do Azul varrendo a Noite em frente,

Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Que senhora irradia,
Desta chama idéal que anda a queimar, à toa,
Silêncio! Traços meus... parai vossa Harmonia!

Presente voz deste Amor que me enleva e me aterra!
Do meu poema à minha Alma, indômita, revoa,
Tal qual um raio de sol que prende o Céu à Terra!

 
II
 
Para as morfinas de dores gelados
São ânsias e os socorros vão partindo,
Fúnebre azul, siderais convidados
De margens alvas a amplidão vestindo...

Num fúnebre de cânticos plantados
As ferinas, as citaras ferindo,
Passam, das margens nos troféus herdados,
São asas doiro finamente vão abrindo...

Dos etéreos turíbulos de igrejas
Claro incenso aromal, límpido seja,
Ondas nevoentas regiões levantam...

São as ânsias e os fúnebres infinitos
Vão com doiro anjo formulando mitos
Da Eternidade que erguem flores cantam...
 
III 
Morfina almas, sacra irmã gloriosa,
morfina irradiação do Sofrimento,
Quando surgirás no Deslumbramento,
Tão perto em mim, no pascer dor radiosa?!

Tu que és a foz da Mansão em coisa,
Pascer do estimado Encantamento,
Do signo astral do radioso Pensamento
Zelando eternamente a dor chorosa,

Morfina almas, meu rezar amigo,
Véu celeste, sacrossanto que digo,
Da morte e constelada vastidão,

Entre os teus laços de eternal fúcsia,
Pascendo e rezando em foz de delícia,
Do pascer te alçarei na Eternidade?!
IV
 

Tal qual serpente enorme, então natureza
Enroscava-se minha alma tão fria abatida:
Que se assobiava azul do céu tal qual vida,
Na morfina onde há sombra, o ar úmido e tristeza.

Enquanto gelo tal qual um ferro agudo buído,
Adestrava-me a sombra, sonho inquieto e aceso,
Arranjava um jazido, uma chama, página lido,
Na intimidade ideal de um jazido inglês.

Eis que próximo a mim, surge, irrompe, fulgura,
Tal qual fugida a um quadro, uma alva figura,
Tal qual só que Portinari sabia pintar.

Tal qual fronte gentil punha apenas de fora...
O meu corpo voava arrebatando a aurora,
Um furacão de azul levava-a pelo ar.

Eric Tirado Viegas (Ponty)



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