PARA MINHA ELEITA DO DESCONHECIDO
3
Foi nesse mesmo dia em que o sol se urgia,
com pena de teu criador, diminuiu teu brilho,
que fui capturado, com minha guarda distraída,
pois teus olhos intensos, minha consorte, me prenderam.
Não parecia ser o momento para eu planejar defesa
Contra o golpe do Amor; segui minha passagem
seguro, desprevenido; assim, naquele dia
de tristeza geral, todos os meus males pôr-se.
O Amor me encontrou sem armadura para a luta,
Meus olhos uma estrada aberta para o coração,
olhos que agora são uma válvula para as fúcsias fluírem:
No entanto, ele não exerceu um papel honroso
ao me ferir com tua flecha em tal estado;
ele viu armado e não ousou erguer teu arco.
7
O sono, as camas macias e preguiçosas e a gula
baniram a virtude do mundo dos homens,
de modo que nosso natural, rasa por tais hábitos,
está quase exilada de tua passagem correta;
E toda luz bondosa que do céu molda a vida humana
É tão desperdiçada que qualquer um que se esforce
Por trazer novos fluxos de Helicon
é apontado como algum prodígio estranho.
Quem se importa com a murta cá, quem com a louro?
“Nua e pobre então percorre, Filosofia”,
grita a caravana, tomada em lucros miseráveis.
Terás poucos compartes na outra passagem;
por isso, ainda mais, ó alma gentil, eu imploro,
não ceda tua nobre obra para esses olhares.
12
Se minha vida puder resistir à dor amarga
e à luta, minha senhora, por tempo regular para ver,
à medida que os anos passam, e, exercem teu império,
a luz em teus olhos intensos começar a diminuir,
E os cabelos dourados abrumarem com fios prateados,
e as vestes verdes e guirlandas serem guardadas,
e aquele tom extinto que, mesmo na miséria,
ainda me faz hesitar e temer reclamar:
Então é certo Amor enfim me dará tuas forças
Sendo da coragem para revelar meu sofrimento
e contar contigo sobre teus anos, dias e horas:
E se da velhice negar meus doces desejos,
isso não impedirá minha tristeza de receber
pelo menos o consolo de suspiros tardios.
16
Ele se move, um velho pálido e de cabelos grisalhos,
de teu doce lar onde os anos se passaram,
e da pequena família em consternação
que vê que teu querido pai irá embora;
Membros velhos a se moverem além disso,
arrastando-os pelo meio de teu dia que expira,
se esforçando da melhor maneira possível,
de quê raso pelos anos e pela passagem;
Sacudido pelo teu desejo, chegar a Roma
para então contemplar a imagem daquela
que espera ver ao mesmo tempo no céu.
Assim, infeliz, minha senhora, às vezes vagueio,
buscando em outros rostos apenas tu,
alguma afinidade com a única forma certa que amo.
33
A estrela do amor já brilhava forte no Leste,
E no céu do norte, àquela que desperta a inveja de Juno
era encantadora com os raios radiantes que emitia,
dessa estrela do amor já brilhava forte no meu peito.
Da velha, descalça e seminua, havia se alçado para fiar
E, para que o fogo não se apagasse nessa hora,
revolvia as cinzas, e se aproximava a hora
que o alvorecer chama os amantes a chorar de teu descanso:
quando ela, minha esperança, já quase se esfalfada,
chegou ao meu peito, não pela porta habitual
que o sono mantinha unida e a tristeza havia molhado,
como estava desigual, ai de mim, do que era antes!
E parecia dizer: “Por que tua coragem lhe enfraquece?
Ver esses olhos ainda não lhes é negado”.
FRANCESCO PETRARCA- TRAD. ERIC PONTY
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