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sexta-feira, janeiro 30, 2026

[CONTEMPLAÇÃO DO SYMBOLO OLVIDADO]POR [ERIC PONTY]


            Há defensores, na área da poesia, de uma coisa chamada "transcriação", processo que, alega-se, superaria os percalços do velho ato de traduzir. Tudo se resumiria, no caso, a priorizar a forma, relegando o sentido a um segundo plano. Aceita a tese, caberia ao transcriador recriar integralmente o poema. 

É uma escolha, claro, e, como tal, discutível.  

       Eric Ponty não se alinha entre os transcriadores. Prefere simplesmente filiar-se ao grupo dos tradutores. E, assim como Renan recomendava escrever apenas sobre aquilo de que gostamos, Ponty só traduz os poetas de sua preferência. Paul Valéry é um deles. E se não é obrigatório, é recomendável haver afinidade entre o tradutor e a obra. E essa comunhão estética entre o tradutor e o traduzido, deixadas as possíveis diferenças de lado, está patente nos poemas aqui recolhidos.

     Ainda caminhando na senda mallarmaica, o autor de Le cimetière marin desbastou sua poesia de toda forma de sentimentalismo, rejeição comparável a seu repúdio à egolatria romântica. Mas essa poesia, a de Valéry, carrega uma musicalidade ausente (ou pouco relevante) em Mallarmé e expressivamente atuante em Rimbaud e Verlaine. Aliás, é deste último o apelo: de la musique avant toute chose...

     E é esta música que o tradutor Eric Ponty capta.

João da Penha - Escritor e jornalista, traduziu os poetas russos Sierguei Iessiênin, Alieksandr Blok, Marina Tsviêtáieva e Anna Armátova


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