Eric Ponty & Ivan Junqueira
Requiem – Officium
O nó ardente ao mal, minha longa espera,
sombra e um laço contados, me vi unido,
a Morte soltou, e tal peso eu nunca senti,
Nem se acredito que morra de dor.
Não desejando Officium fosse aceito,
Pequeno laço me deixou estendido
E em nova oferta de outro fogo aceso,
para que assim não pudesse escapar.
Desejo não tivesse me lembrado,
preso no laço teria ardido logo,
tanto mais quanto sou lenha mais seca.
E mais uma vez, Morte me libertou
Sendo desfez o nó, e apagou do fogo:
contra o qual não vale astúcia e esforço.
O nó ardente ao mal, minha longa espera,
sombra e um laço contados, me vi unido,
a Morte soltou, e tal peso eu nunca senti,
Nem se acredito que morra de dor.
Não desejando Officium fosse aceito,
Pequeno laço me deixou estendido
E em nova oferta de outro fogo aceso,
para que assim não pudesse escapar.
Desejo não tivesse me lembrado,
preso no laço teria ardido logo,
tanto mais quanto sou lenha mais seca.
E mais uma vez, Morte me libertou
Sendo desfez o nó, e apagou do fogo:
contra o qual não vale astúcia e esforço.
Requiem - Kyrie Eleison
Senhor Deus, Misericórdia meu holocausto,
Para os terrestres Kyrie Eleison no mármore,
Ver nem onde sentisse só tão livre,
Nem tantas queixas dessa paixão ouvisse;
Nem vale que oferecesse mais lugares
onde, para chorar, eu me escondesse;
Nem imagino que em Deus tivesse o Amor
Ninhos tão suaves, nem em qualquer margem.
As águas, as brisas, galhos, as aves,
Dos peixes e as flores, e a grama, e, falam
Implorando que ela arda em chamas vãs.
Mas, que do céu me reclama, memória
Dessa morte amarga, implora eu evite
Azuis tramas mundanas, de vãs tranças.
Senhor Deus, Misericórdia meu holocausto,
Para os terrestres Kyrie Eleison no mármore,
Ver nem onde sentisse só tão livre,
Nem tantas queixas dessa paixão ouvisse;
Nem vale que oferecesse mais lugares
onde, para chorar, eu me escondesse;
Nem imagino que em Deus tivesse o Amor
Ninhos tão suaves, nem em qualquer margem.
As águas, as brisas, galhos, as aves,
Dos peixes e as flores, e a grama, e, falam
Implorando que ela arda em chamas vãs.
Mas, que do céu me reclama, memória
Dessa morte amarga, implora eu evite
Azuis tramas mundanas, de vãs tranças.
Requiem - Dies Irae
Mil vezes, aí, no meu amado refúgio,
fugindo de mim mesmo Dies Irae pessoas,
com meu choro banhei então dessas ervas
desse meu suspiro ardente quebrou o ar.
Mil vezes, tão desconfiado, me escondi,
entre sombras, procurando com mente
desse prazer que da Morte me tirou,
Aquele costumo chamar com frequência.
Ora na forma de Narciso ou de outra
que no fundo d´almas está morando
Sai para descansar em uma margem,
ora eu a vi, que pela grama que andando,
E, pisando flores como uma alma viva,
E em teu aspecto dó de mim lhe mostrando.
Mil vezes, aí, no meu amado refúgio,
fugindo de mim mesmo Dies Irae pessoas,
com meu choro banhei então dessas ervas
desse meu suspiro ardente quebrou o ar.
Mil vezes, tão desconfiado, me escondi,
entre sombras, procurando com mente
desse prazer que da Morte me tirou,
Aquele costumo chamar com frequência.
Ora na forma de Narciso ou de outra
que no fundo d´almas está morando
Sai para descansar em uma margem,
ora eu a vi, que pela grama que andando,
E, pisando flores como uma alma viva,
E em teu aspecto dó de mim lhe mostrando.
Requiem – Offertorium
Que Alma feliz que tanto a mim vieste,
Consolar minhas noites dolorosas,
com olhos que a Morte tornou mais vivas
do Offertorium que teu o olhar humano:
Agradeço-te porque ao meu peito ferido
permitiste curar-se com o teu olhar!
Assim, voltam a estar mesa presentes
as tuas belezas onde antes brilharam.
Onde te cantei pelos muitos anos,
agora, quão vês, estou lamentar:
não chorando por ti, por meus danos.
E consolo para minha ansiedade,
Te reconheço, quando voltas, vendo
teu andar, tua voz, teus olhos, e trajes.
Que Alma feliz que tanto a mim vieste,
Consolar minhas noites dolorosas,
com olhos que a Morte tornou mais vivas
do Offertorium que teu o olhar humano:
Agradeço-te porque ao meu peito ferido
permitiste curar-se com o teu olhar!
Assim, voltam a estar mesa presentes
as tuas belezas onde antes brilharam.
Onde te cantei pelos muitos anos,
agora, quão vês, estou lamentar:
não chorando por ti, por meus danos.
E consolo para minha ansiedade,
Te reconheço, quando voltas, vendo
teu andar, tua voz, teus olhos, e trajes.
Requiem – Sanctus
Sanctus, tu descoloraste o rosto sacro,
e desses olhos mais lindos apagou;
à alma que mais se inflamou então em virtude
tu soltaste desse nó mais gracioso.
Tu roubaste, repente meu glorioso
bem, e teu doce sotaque silenciou,
pelo que me lamento atormentado
Em tudo o que ouço e vejo então me é odioso.
Mas regressar consolar tanta dor,
para onde a Piedade conduz tua alma:
E outra ajuda minha alma nunca espera.
E se como ela fala, e ao falar brilha,
pudesse dizer, faria arder desse amor,
não direi de homem, coração de Sanctus.
Sanctus, tu descoloraste o rosto sacro,
e desses olhos mais lindos apagou;
à alma que mais se inflamou então em virtude
tu soltaste desse nó mais gracioso.
Tu roubaste, repente meu glorioso
bem, e teu doce sotaque silenciou,
pelo que me lamento atormentado
Em tudo o que ouço e vejo então me é odioso.
Mas regressar consolar tanta dor,
para onde a Piedade conduz tua alma:
E outra ajuda minha alma nunca espera.
E se como ela fala, e ao falar brilha,
pudesse dizer, faria arder desse amor,
não direi de homem, coração de Sanctus.
Requiem - Agnus Dei
Tão rápidos são o tempo e o pensamento
que me devolvem minha amada morta,
que nenhum remédio consegue me cura:
mas nenhum mal sinto enquanto a vejo.
Mas o Amor, de que em tua cruz me atormenta,
De então tremer quando a vê junto à porta
da alma que me mata, ainda tão de alerta,
É doce à vista e de acento tão suave.
Como Agnus Dei ao teu abrigo, altiva vem,
do coração sombrio e grave expulsando,
Fronte serena, o pensamento triste.
A alma, que teus olhos não suportam,
«Bendita a hora», diz imo suspirando,
«que abriste este caminho com tua luz!»
Tão rápidos são o tempo e o pensamento
que me devolvem minha amada morta,
que nenhum remédio consegue me cura:
mas nenhum mal sinto enquanto a vejo.
Mas o Amor, de que em tua cruz me atormenta,
De então tremer quando a vê junto à porta
da alma que me mata, ainda tão de alerta,
É doce à vista e de acento tão suave.
Como Agnus Dei ao teu abrigo, altiva vem,
do coração sombrio e grave expulsando,
Fronte serena, o pensamento triste.
A alma, que teus olhos não suportam,
«Bendita a hora», diz imo suspirando,
«que abriste este caminho com tua luz!»
Requiem - Lux Aeterna
Se aquela suavidade com suspiros,
Daquela ouço, for minha Lux Aeterna
– Que, embora agora esteja no céu,
que vive, sente e anda, ama e respira –
pudesse retratar, sei minha lira
comovesse tão zelosa e piedosa
regresse para mim, teme que na passagem
eu possa me perder, e cuida da minha alma.
Me ensina a seguir em frente; e eu, que entendo,
ditos com murmúrios baixos e piedosos,
Tuas súplicas e cândidas ternuras,
Devo cumprir tua lei; que é tua piedosa
Benigna palavra, se bem compreendo,
É capaz de enternecer pedras mármores.
Se aquela suavidade com suspiros,
Daquela ouço, for minha Lux Aeterna
– Que, embora agora esteja no céu,
que vive, sente e anda, ama e respira –
pudesse retratar, sei minha lira
comovesse tão zelosa e piedosa
regresse para mim, teme que na passagem
eu possa me perder, e cuida da minha alma.
Me ensina a seguir em frente; e eu, que entendo,
ditos com murmúrios baixos e piedosos,
Tuas súplicas e cândidas ternuras,
Devo cumprir tua lei; que é tua piedosa
Benigna palavra, se bem compreendo,
É capaz de enternecer pedras mármores.
Requiem – Lacrimosa
Ar de suspiros eu enchi, Lacrimosa,
Montanha para a doce planície,
onde nasceu aquela que tinha em mão,
Se meu coração em flor, e já maduro,
E quando, subindo ao céu, alma me deixou
de tal forma que, em teu abrigo distante,
procurando com meus olhos, sombras
ao meu lado não restou nenhum seco.
Não há pedras nestas montanhas serras,
nem nestes campos ramos ou folhagem,
nem flor nestes vales, nem folha ou erva,
nem brota gota de água destas fontes,
nem há fera nestas florestas tão feras,
que ignorem esta dor dessa tão amarga.
Ar de suspiros eu enchi, Lacrimosa,
Montanha para a doce planície,
onde nasceu aquela que tinha em mão,
Se meu coração em flor, e já maduro,
E quando, subindo ao céu, alma me deixou
de tal forma que, em teu abrigo distante,
procurando com meus olhos, sombras
ao meu lado não restou nenhum seco.
Não há pedras nestas montanhas serras,
nem nestes campos ramos ou folhagem,
nem flor nestes vales, nem folha ou erva,
nem brota gota de água destas fontes,
nem há fera nestas florestas tão feras,
que ignorem esta dor dessa tão amarga.
Requiem – Epitaphium
Como é o mundo! Agora acho ameno,
o que mais me irritava; e vejo que sinto,
que, para minha saúde, tive tormento,
Breve guerra para uma paz duradoura.
Ó esperança, ó desejo, tão variável,
Mais ainda pensamento Epitaphium!
Quão pior seria auferir aleluia
daquela alma que está em glória perene!
Mas crido cego, minha mente surda,
Desviaram tanto que, por força viva,
Me empreendi a corrida morte.
Abençoada aquela que pra ribeira
voltou meu curso, e meu desejo ardente
com elogios freou, pra que eu não feneça!
Como é o mundo! Agora acho ameno,
o que mais me irritava; e vejo que sinto,
que, para minha saúde, tive tormento,
Breve guerra para uma paz duradoura.
Ó esperança, ó desejo, tão variável,
Mais ainda pensamento Epitaphium!
Quão pior seria auferir aleluia
daquela alma que está em glória perene!
Mas crido cego, minha mente surda,
Desviaram tanto que, por força viva,
Me empreendi a corrida morte.
Abençoada aquela que pra ribeira
voltou meu curso, e meu desejo ardente
com elogios freou, pra que eu não feneça!
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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