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sábado, janeiro 31, 2026

PARA OS MEUS 102622 LEITORES - ERIC PONTY

 Que alegre parece ser essa guirlanda, e que
bem moldada com flores, em teus cabelos dourados!
Um pouco à frente, cada flor (eu juraria)
compete para ser a primeira a beijar sua face luminosa.
Ó vestido feliz vinte e quatro horas, e agora,
que prende os seios e flui com elegância,
e renda feliz de ouro que semelha se importar
Apenas por aquelas amuras e por aquele regaço (eu juro)!

Veja, em teu peito, aquela fita é muito alegre,
Não por tua beleza ou tua borda dourada,
Mas por aquele descanso ali mesmo e por aquele jogo.
E aquele cinto fino – ó doce embate –
Diz para si mesmo: Aqui mesmo, ó, deixe-me envelhecer!
Entendes agora o que meus braços fariam.

Para Giovanni, aquele de Pistoia.

Alarguei um bócio, com essa tristeza,
Se eu tivesse, tal qual os gatos da Lombardia,
Bebida água suja em grande batelada, –
O que faz o estômago inchar até o queixo.
Barba até as estrelas e uma nuca que prendo
Nos ombros, peito de harpia – esse sou eu;
E, ainda pingando, o pincel, como podes ver,
Deixou meu rosto maculado por dentro e por fora.

Para dentro da barriga adentraram meus quadris,
E com o assento eu contraponho a corcunda
E, tal não consigo olhar, em vão eu vou.
Na frente, minha pele está esticada e quase se vira,
Mas atrás as rugas formam um monte,
E curvado eu ando igual um arco sírio.

É por isso que, curvado e manchado,
até mesmo meus pensamentos emergem da minha cabeça:
atirar com um arcabuz torto é ruim.

Defenda minha pintura morta,
Giovanni, e minha honra que se amaina:
este lugar é ruim; além disso, eu não sou pintor.

MICHELANGELO BUONARROTI - TRAD.ERIC PONTY

 

ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA

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