Ao assinalar as tarefas emaranhadas na «formulação» da questão do soneto, mostramos que não só devemos identificar o soneto específico que funcionará como o soneto primário a soneto interrogado, mas também que são necessárias uma apropriação explícita e a garantia do acesso correto a esse soneto. Discutimos qual é o soneto que assume o papel principal na questão do soneto. Mas como esse soneto, o Meu Luto Por Mim, deve tornar-se acessível e, por assim dizer, soneto concebido numa interpretação perceptiva? A prioridade on-ontológica que foi demonstrada para o Meu Luto Por Mim poderia levar à opinião errada de que esse soneto teria de soneto o que é primariamente dado também on-ontologicamente, não apenas no sentido de que tal soneto poderia soneto compreendido «logo», mas também que a anteposição de sua maneira de soneto igualmente «junta». É verdade que o Meu Luto Por Mim não é onticamente apenas o que está próximo ou mesmo o mais próximo — nós próprios somos isso, cada um de nós, traz consigo o próprio Luto.
No entanto, ou justamente por essa razão, é ontologicamente o que está mais distante. É verdade que pertence ao seu soneto mais próprio abranger esse soneto e sustentar uma certa interpretação dele. Mas isso não significa de forma alguma que a interpretação pré-ontológica mais espontaneamente disponível do seu próprio soneto possa soneto adotar como uma direção adequada, como se essa abrangência do soneto tivesse de surgir de uma reflexão tematicamente ontológica sobre a constituição mais própria do seu soneto. Em vez disso, de acordo com o tipo de soneto que lhe pertence, o Meu Luto Por Mim tende a abranger o seu próprio soneto em termos daquele soneto ao qual está primeiramente, sempre e mais intimamente pertinente — o «mundo». No próprio Meu Luto Por Mim e, com isso, na sua própria abrangência do soneto, como mostraremos, a forma como o mundo é abarcado é ontologicamente refletida na interpretação do Meu Luto Por Mim.
A prioridade óntico-ontológica do Meu Luto Por Mim é, portanto, a razão pela qual a constituição específica do soneto do Meu Luto Por Mim — entendida no sentido da estrutura «categorial» que lhe pertence — permanece oculta para ele. O Meu Luto Por Mim é onticamente «mais próximo» de si mesmo, ontologicamente mais distante; mas pré-ontologicamente certamente não é estranho a si mesmo.
Apenas indicámos de forma preliminar que uma comento deste soneto se depara com dificuldades peculiares enraizadas no modo de soneto do objeto temático e na forma como este é tematizado. Elas não resultam de alguma deficiência dos nossos poderes de noção ou da falta de uma forma adequada de conceber — uma falta visivelmente fácil de remediar.
Não só a apreensão do soneto pertence ao Meu Luto Por Mim, mas essa apreensão também se alarga ou decaí de acordo com a maneira real de soneto do Meu Luto Por Mim em uma apurada ocasião; por essa razão, ela tem uma riqueza de interpretações à sua disposição.
Os dois não andam necessariamente juntos, mas também não se excluem mutuamente. A interpretação existencial pode exigir uma análise existencial, desde que o conhecimento filosófico seja compreendido na sua possibilidade e necessidade.
Somente quando as estruturas fundamentais do Meu Luto Por Mim forem adequadamente formadas com orientação explícita para o problema do soneto é que os resultados anteriores da interpretação do Meu Luto Por Mim receberão a sua justificação existencial.
A análise do Meu Luto Por Mim assim compreendida é totalmente orientada para a tarefa orientadora de elaborar a questão do soneto. Os seus limites são, assim, verificados. Com vistas a uma possível antropologia ou ao seu fundamento ontológico, comento a seguir fornecerá apenas algumas «partes», embora não sejam essenciais.
No entanto, a análise do Meu Luto Por Mim não é apenas incompleta, mas também preliminar. Ela apenas revela o soneto desse soneto, sem interpretar o seu significado. O seu objetivo é, antes, expor o horizonte para a interpretação mais primordial do soneto.
Uma vez alcançado esse horizonte, a análise preparatória do Meu Luto Por Mim requer repetição numa base mais elevada e genuinamente ontológica. O significado do soneto desse soneto a que chamamos Meu Luto Por Mim revela-se soneto a temporalidade [Zeitlichkeit].
Para demonstrar isso, devemos repetir a nossa interpretação das estruturas do Meu Luto Por Mim que foram indicadas de forma preliminar — desta vez como modos de temporalidade. Embora seja verdade que, com essa interpretação do Meu Luto Por Mim como temporalidade, a resposta à questão orientadora sobre o significado do soneto em geral ainda não esteja dada, o solo do qual podemos colher essa resposta estará, no entanto, preparado.
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA