Incompatibilité
Lá no alto, lá no alto, longe da estrada segura,
Quintas, vales, mui além dessas colinas,
Além das florestas, que desses tapetes verdes,
Longe finais relvados pisados por rebanhos,
Deparamos um lago escuro inserido ao abismo
Que formam alguns picos desolado e esfriados;
A água, noite e dia, dorme ali em repouso sublime,
E nunca interrompe a tua calma tempestuosa.
Neste deserto sombrio, com ouvidos incertos
Às vezes, ouvem-se ruídos fracos e adiados,
E ecos mais mortos do que o sino distante
Duma vaca pastar nas encostas dos vales.
Nestes cerros onde o ar destrói todos sinais,
Essas geleiras faiscantes acesas no sol,
Nestas rochas altivas onde espreita a vertigem,
Neste lago onde a noite ajuíza o teu tom corado,
Sob meus pés, sobre a meu crânio e por toda a parte,
O silêncio que nos faz querer já fugir,
O silêncio do eterno e da montanha imensa,
Porque o ar está hirto e tudo parece sonhar.
Parece que o céu, nesta solidão do azul,
Contempla-se na onda, e que aquele cerro, ali,
Ouçam, reclusos, com tua atitude séria,
Um mistério divino que o homem não compreende.
E quando por acaso dum enxame errante
Escurece em teu voo o lago silencioso,
Pinta que se vê o vestido ou a sombra diáfana.
Dum peito que viaja e passa pelos céus.
Lá no alto, lá no alto, longe da estrada segura,
Quintas, vales, mui além dessas colinas,
Além das florestas, que desses tapetes verdes,
Longe finais relvados pisados por rebanhos,
Deparamos um lago escuro inserido ao abismo
Que formam alguns picos desolado e esfriados;
A água, noite e dia, dorme ali em repouso sublime,
E nunca interrompe a tua calma tempestuosa.
Neste deserto sombrio, com ouvidos incertos
Às vezes, ouvem-se ruídos fracos e adiados,
E ecos mais mortos do que o sino distante
Duma vaca pastar nas encostas dos vales.
Nestes cerros onde o ar destrói todos sinais,
Essas geleiras faiscantes acesas no sol,
Nestas rochas altivas onde espreita a vertigem,
Neste lago onde a noite ajuíza o teu tom corado,
Sob meus pés, sobre a meu crânio e por toda a parte,
O silêncio que nos faz querer já fugir,
O silêncio do eterno e da montanha imensa,
Porque o ar está hirto e tudo parece sonhar.
Parece que o céu, nesta solidão do azul,
Contempla-se na onda, e que aquele cerro, ali,
Ouçam, reclusos, com tua atitude séria,
Um mistério divino que o homem não compreende.
E quando por acaso dum enxame errante
Escurece em teu voo o lago silencioso,
Pinta que se vê o vestido ou a sombra diáfana.
Dum peito que viaja e passa pelos céus.
[1837-1838. ]
À M. Antony Bruno
Vós tem, companheiro cujo peito é poeta,
Passando por alguma aldeia toda enfeitada, toda rubra,
Quando o céu e a terra têm dum ar festivo,
Um domingo aceso por um sol jaz alegre;
Quando sino igreja abre a tocar, cantar bem alto,
E mantém a aldeia esperta desde de manhã,
Quando todos se preparam para entoar o ofício,
Partem, jovens e velhos, em fones pimpados;
Então, montar no fundo da tua alma mundana,
Tons de órgão jaz moribundo e sinos distantes
Não lhe carpiram anseio, apesar de si mesmo?
Devoção pelos campos, alegre e sincera,
Não lhe trouxe ela, triste e doce noção,
Lembra-se que antiga gostava dos domingos?
Vós tem, companheiro cujo peito é poeta,
Passando por alguma aldeia toda enfeitada, toda rubra,
Quando o céu e a terra têm dum ar festivo,
Um domingo aceso por um sol jaz alegre;
Quando sino igreja abre a tocar, cantar bem alto,
E mantém a aldeia esperta desde de manhã,
Quando todos se preparam para entoar o ofício,
Partem, jovens e velhos, em fones pimpados;
Então, montar no fundo da tua alma mundana,
Tons de órgão jaz moribundo e sinos distantes
Não lhe carpiram anseio, apesar de si mesmo?
Devoção pelos campos, alegre e sincera,
Não lhe trouxe ela, triste e doce noção,
Lembra-se que antiga gostava dos domingos?
[1840.]
Charles Baudelaire - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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