Não tenho como amante uma leoa ilustre.
A escória da minha alma empresta todo teu brilho.
Insensível aos olhares do orbe zombeteiro,
A tua beleza só floresceu no meu íntimo triste.
Para ter sapatos, ela vendeu a tua alma,
Mas o bom Deus riria se, perto dessa infame,
Eu cortava tartufo e imitava a tua altura,
Eu, que vendo meu anexins e quero ser autor.
Falha mui mais grave é que ela usa peruca.
Todos belos velos pretos desviar tua nuca alva,
O que não impede os beijos apaixonados,
Chova sobre a testa mais calva dum leproso.
Ela está a piscar olhos, causa olhar alheio,
São sombreia cílios negros mais longos dum anjo,
São tais todos olhos, pelos quais nós somos réus,
Não valem nada pra mim olhos judeus e olheiras.
Ela tem só vinte anos; garganta, já baixa,
Pendurado em cada lado, qual uma cabaça,
No entanto, perder todas noites sobre o teu corpo,
Qual um recém-nascido, eu a chupo e lhe mordo.
E ainda mui vezes não tenha nem mesmo moeda pra dar
Para esfregar a carne e ungir todos os ombros,
Eu lambo-a em silêncio, e, com mais fervor,
Madalena em chamas dois pés do Salvador.
A pobre criatura, ofegante de prazer,
Com soluços roucos e do peito inchado,
E eu adivinho, pelo som do teu hálito brutal,
Que ela muitas vezes comeu o pão do hospital.
Os bons olhos inquietos, durante a noite cruel,
Creem ver outros dois olhos fundo do beco,
Pois, têm cavar supino peito a todos beiravam,
Ela tem medo do escuro e crê em fantasmas.
O que faz com que ela use mais dos livros
velho sábio, aleitado eterno sobre teus tomos,
E tem mui menos medo fome e dos tormentos
Que o advento dos teus amantes falecidos.
Se a acharem, inexplicável vestida,
Moscar-se, na esquina de uma rua perdida,
E com cabeça e olhos baixos, qual pombo ferido,
Perder pelos riachos com um salto solto,
Srs., não digam palavrões nem obscenidades.
No rosto pintado dessa pobre impura
Que a deusa Fome, numa noite de inverno,
Obrigada a levantar as saias ao ar livre.
Vida boêmia é tudo pra mim, é a minha falta,
Minha pérola, minha joia, rainha, duquesa,
Aquela me embalou no teu colo vencedor,
E com tuas duas mãos aqueceu o meu peito.
A escória da minha alma empresta todo teu brilho.
Insensível aos olhares do orbe zombeteiro,
A tua beleza só floresceu no meu íntimo triste.
Para ter sapatos, ela vendeu a tua alma,
Mas o bom Deus riria se, perto dessa infame,
Eu cortava tartufo e imitava a tua altura,
Eu, que vendo meu anexins e quero ser autor.
Falha mui mais grave é que ela usa peruca.
Todos belos velos pretos desviar tua nuca alva,
O que não impede os beijos apaixonados,
Chova sobre a testa mais calva dum leproso.
Ela está a piscar olhos, causa olhar alheio,
São sombreia cílios negros mais longos dum anjo,
São tais todos olhos, pelos quais nós somos réus,
Não valem nada pra mim olhos judeus e olheiras.
Ela tem só vinte anos; garganta, já baixa,
Pendurado em cada lado, qual uma cabaça,
No entanto, perder todas noites sobre o teu corpo,
Qual um recém-nascido, eu a chupo e lhe mordo.
E ainda mui vezes não tenha nem mesmo moeda pra dar
Para esfregar a carne e ungir todos os ombros,
Eu lambo-a em silêncio, e, com mais fervor,
Madalena em chamas dois pés do Salvador.
A pobre criatura, ofegante de prazer,
Com soluços roucos e do peito inchado,
E eu adivinho, pelo som do teu hálito brutal,
Que ela muitas vezes comeu o pão do hospital.
Os bons olhos inquietos, durante a noite cruel,
Creem ver outros dois olhos fundo do beco,
Pois, têm cavar supino peito a todos beiravam,
Ela tem medo do escuro e crê em fantasmas.
O que faz com que ela use mais dos livros
velho sábio, aleitado eterno sobre teus tomos,
E tem mui menos medo fome e dos tormentos
Que o advento dos teus amantes falecidos.
Se a acharem, inexplicável vestida,
Moscar-se, na esquina de uma rua perdida,
E com cabeça e olhos baixos, qual pombo ferido,
Perder pelos riachos com um salto solto,
Srs., não digam palavrões nem obscenidades.
No rosto pintado dessa pobre impura
Que a deusa Fome, numa noite de inverno,
Obrigada a levantar as saias ao ar livre.
Vida boêmia é tudo pra mim, é a minha falta,
Minha pérola, minha joia, rainha, duquesa,
Aquela me embalou no teu colo vencedor,
E com tuas duas mãos aqueceu o meu peito.
Charles Baudelaire - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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