«Antes que o Constitutionnel imprima a famosa tragédia de Safo na sua Bibliothèque choisie, entregamos à avidez dos nossos leitores alguns fragmentos desta obra notável, onde brilham o esplendor e o vigor da escola moderna, unidos (sic) às graças coquetas e encantadoras de Marivaux e Crébillon filho.
Aqui estão alguns versos destacados de uma cena de amor entre Fauno e a famosa lesbiana.
Sim, Faão, eu mui amo-te; e, eu quando te percorro,
Estou a perder a sensação, que na força e a voz.
Sofro no dia inteiro pela que tua ausência,
Mal que não se checa à alegria da vossa presença;
De atitude que, ao apropinquar-se vossa à noite,
A causa da minha alegria e do meu desespero,
A minha alma compensa-os, que sob tuas laurzeiras
Sufoca o elecampane e as ansiedades sombrias.
Aqui estão alguns versos destacados de uma cena de amor entre Fauno e a famosa lesbiana.
Sim, Faão, eu mui amo-te; e, eu quando te percorro,
Estou a perder a sensação, que na força e a voz.
Sofro no dia inteiro pela que tua ausência,
Mal que não se checa à alegria da vossa presença;
De atitude que, ao apropinquar-se vossa à noite,
A causa da minha alegria e do meu desespero,
A minha alma compensa-os, que sob tuas laurzeiras
Sufoca o elecampane e as ansiedades sombrias.
Agora, Faão, o tímido pastor, assusta-se com essa paixão que, no entanto, está pronto para partilhar.
Bela mulher, entre os girosos prestes medrar,
Respirei o calor do nosso amanhecer morno.
Fazer cócegas na altivez dum pastor tal mim,
Teu amor não deixa de me causar algum receio.
À parte a reserva, talvez demasiado romântica, deste último alexandrino, não se pode ignorar uma grande firmeza de toque e uma sobriedade de forma que lembram felizmente a fatura de Lucrécia. Mas, continua Faão,
E feito que nas tuas canções apaixonadas
Exala um forte perfume tuberosas ricas,
Eu temo — eu, de cujo peito ainda é novo.
De não poder escoltar teu sublime voo;
Eu abro mão, dessa pobre d´alma adolescente,
Ao fogo deste amor terrível e ameaçador.
Agora é a vez de Sapho expressar, com palavras eloquentes, as suas dúvidas e preocupações:
Para gostar de zagais, é breve ser pastora?
Por ter respirado a atmosfera traiçoeira
Das tuas tristes urbes, Lesbos corruptora,
Débito, então, ceder aos favores de Anteros?
E agora que sou duma conquista tão indigna
Que deste jovem pastor, doce e alvo qual um cisne?
Bela mulher, entre os girosos prestes medrar,
Respirei o calor do nosso amanhecer morno.
Fazer cócegas na altivez dum pastor tal mim,
Teu amor não deixa de me causar algum receio.
À parte a reserva, talvez demasiado romântica, deste último alexandrino, não se pode ignorar uma grande firmeza de toque e uma sobriedade de forma que lembram felizmente a fatura de Lucrécia. Mas, continua Faão,
E feito que nas tuas canções apaixonadas
Exala um forte perfume tuberosas ricas,
Eu temo — eu, de cujo peito ainda é novo.
De não poder escoltar teu sublime voo;
Eu abro mão, dessa pobre d´alma adolescente,
Ao fogo deste amor terrível e ameaçador.
Agora é a vez de Sapho expressar, com palavras eloquentes, as suas dúvidas e preocupações:
Para gostar de zagais, é breve ser pastora?
Por ter respirado a atmosfera traiçoeira
Das tuas tristes urbes, Lesbos corruptora,
Débito, então, ceder aos favores de Anteros?
E agora que sou duma conquista tão indigna
Que deste jovem pastor, doce e alvo qual um cisne?
O autor certamente nos perdoará estas breves citações, que não prejudicam o interesse que a sua obra inspira e que são suficientemente interessantes para atrair a atenção e a simpatia do público.
[1845.]
Charles Baudelaire - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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