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quinta-feira, agosto 28, 2025

Parnasse de la Jeune Belgique - Trad. Eric Ponty

 LA NOSTALGIE D’APOLLON


 Príncipe no exílio, expulso da terra da clareza,
Maldito pelo destino a estar constante encarnado, 
eu brilho em cérebros resistentes à beleza
Tal qual um desejo vivo de graça e nobreza.

Eu era Dante, lambido pelo fogo subterrâneo,
Shakspeare com vasto peito cheio de cernes insurretos
E Beethoven tocando sua trompa de bronze; 
Entre as laranjeiras de Roma, eu era Gœthe.

Schiller e, depois, Henri Heine, o arqueiro; 
eu era Victor Hugo, de pé em sua rocha,
E cantei seus versos ao ritmo de minha asa.

Mas teu gênio sombrio é humano demais para mim
Tenho medo do homem possuído que serei amanhã
E ainda sinto falta dessa Grécia de minha mãe.

Albert Girald 

Emile Van Ctrenbergh


Soneto Mignard

 

Timidez do amor! Vergonha dum peito que revela!
Fico pálido, ruborizo quando passo por ti,
Não me atrevo a olhar, - mas sinto teus olhos
de teus olhos quais um beijo de uma estrela.

Olhas assim, sem pensar, ao acaso;
Mas, qual o mar, que em todas as tuas ondas
Abriga um sol também sob o sol das chamas,
Meu coração iluminado se enche com teu olhar!

Teu corpo flexível, enquanto anda, balança em ondas
Qual um balanço no ritmo suave das ondas,
E exala um perfume feito de alma e benjoim.

Busco em toda mulher atributo que se igual a ti,
E quando a vejo de repente, parece-me
Eu senti antes que tu tinhas vindo de longe.

Soneto de outrora


Em teus olhos claros riam manhãs azuis e frescas,
E Floréal era apenas tua primavera feminina:
O perfume da flor era o cheiro de tua alma;
Por meio de teu abril, senti Deus mais perto.

Tua carne, céu de alva, tinha pérolas cor-de-rosa:
Era um esplendor que deslumbrava o dia;
E a brisa sobre ti, em um beijo de amor,
Tremeu como o lábio invisível das coisas.

Por toda parte, uma bondade descia do sol;
Arvores brandiam, se jazessem ébrias com o acordar,
E borboletas cândidas nevavam na luz.

Tua estrada se penetrava em um horizonte dourado:
E tu não podias ver a tua sombra atrás,
Que se alongava, - qual o braço negro da morte.

Emile Van Arenbergh


Soneto de inverno


Margaridas geladas e samambaias geladas,
O maio alvo do inverno florescer nas telhas,
E, do alto das empenas, a gárgula e o guivre
Giram, fazendo caretas, babando cristais.

Quais certos furos negros de balas em um alvo,
As gralhas, em voos esparsos, enigmariam céu estanho;
E a neve, qual de um silente visível,
Caia sobre todo som, que ela já se apaga.

Então, quando a noite aumenta a paz mortal,
Ali, sob a névoa, qual sob uma mortalha,
As formas se desintegram pouco a pouco.

E então o sol, caindo do horizonte,
Parece, pálida e desvanecida, a coroa de prata
Que uma mão invisível bota em um túmulo.

Para a noite


Em tua alta coluna, ó poeta se estilita então,
Sendo vós que se enterrou vivo no céu;
E, qual vós, mergulhando no mistério eterno,
Lá em cima, Sirius pinta um peito douro pulsante.

Somente os fortes respiram em teu éter sutil;
E à noite, no ar apagar-se pelas cinzas,
Sentes um frio intenso se lavrando ao teu redor,
E pensas ver a poeira dos mortos se erguendo.

Em vão a imensidão o cobre com tua sombra;
Teu silêncio fala contigo, e na abóbada escura,
Pelo meio das fendas dos sóis, vês Deus brilhar.

Enquanto, sacudindo as estrelas em teus véus,
A noite, qual um pescador, emergindo do nadir,
Arrasta as redes negras, todas cobertas de estrelas.

 Emile Van Arenbergh

A Ninfa


Na primavera, ao meio-dia, a ninfa se revela;
Um tremor de luz solar que se envolve na água:
Sendo a tua nudez branca na piscina corada
Brilhar qual um diamante em uma estrela.

E teu corpo divino deslizar a cada enigma,
Onde as ondas verdes e espuma rendada,
Pérolas rosa prateada, acesas por um raio aceso,
Toda a teu aceso traje de ondas cai em teus pés.

Esta flor do nenufar, qual uma mão de neve,
Te proteges, ó ninfa, desse olhar do sátiro:
Tão-só o fado do amor a arruma com teu beijo dourado;

E à noite, quando a sombra gigante se estende sobre ela,
Vês a tua boca ruiva, escancarada no horizonte,
Deitando todo o teu sangue formoso em tua brancura.

Souvenir 

 Ó sempre-viçosa de abril! Primeiros encontros!
- Estavam esperando um pelo outro, ali, na velha ponte de pedra
Ruindo sob um ataque de grama selvagem e hera,
E se sentindo mui sozinhos, eles a chamavam de: - lar.

Às vezes, o ar, e igual a eles, vibrava com brisa suave;
Sonhando, observavam o rio se alongar
Tremendo ao sol com escamas de luz,
E os seixos eram acesos por um raio sob a onda...

Falavam baixinho, sem sequer se ouvir: 
Tudo o que diziam um ao outro era: - Eu te amo!
Era o chilrear do alvorecer em teus peitos.

E ele pensa, - agora que ela se foi, - outrora,
Que não terá mais amor, e que tua alma florida
Deixou essa tua fragrância no pé que a pisou.

Em frente ao mar

À nossa frente está o mar. Uma voz amorosa
Falamos um com o outro no rumor das ondas:
Para ouvir melhor, se mantém os olhos semicerrados,
E sente em meus braços uma angústia feliz.

A noite está caindo, e o pôr do sol é corado,
Igual a cortina carmesim, onde brilham as chamas,
Caindo dos céus, nessas ondas silentes,
salpicando-as com rubis de sol.

Espelhos azuis, brilhando sob tua pálpebra,
Vejo em teus olhos azuis a morte da luz,
E o orgulho escarlate do céu moribundo;

E, nesse reflexo ruivo, no fundo de teus olhos,
Vejo meu coração ferido impresso nele;
E, em um beijo, manchou-o com teu sangue. 

 Trad. Eric Ponty

 

      ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA

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