Outro Monselet Piallard
Versos destinados ao seu retrato.
Versos destinados ao seu retrato.
Chamam-me então de gatinho;
Pequenas senhoras modernas,
Junto com as vossas doçuras
A força de um jovem paxá.
Candura da abóbada azul
Está concentrada em meu olhar;
Se querem ver-me desolado,
Leitoras, mordam-me na bunda!
Nouveau Parnasse salyrique du XIXe siècle, 2e édit. (Bruxelles, 1881). Ce portrait est ainsi intitulé, dans ce recueil, parce qu’il y succède à trois autres pièces sur Monselet.
Soneto
Quando dos teus olhos se tornam sensuais,
Os teus olhos negros vivas pantera enlevada,
Na tua carne gorda, tão quente e saborosa.
Eu dou beijos furiosos com toda tua força.
Sou tomado rotina escura e misteriosa
Que outrora transportou dessa lânguida Grécia,
Quando ela contemplou, terra três vezes feliz,
A união sagrada de homens com esses deuses.
Então, em meu peito ardente, acho que seguro firme
Um terrível ídolo de sangue inalterado,
Pra quem longos soluços moribundos são doces.
E eu sinto, em meio a desses espasmos frenéticos,
A envenenar-se atroz velhos faquires hindus,
Os êxtases eternos do fanático Brahms.
Les frères Lionnet, souvenirs et anecdotes, Paris, 1888.
Sur l’album de Madame Emile Chevalet.
No meio da multidão, vagando, tão confuso,
Guardando preciosas lembranças de outrora,
Buscam o eco de tuas vozes perturbadas.
Tristes quais a noite, duas pombas perdidas
Chamando duma à outra nessa floresta.
Eu vivo, tecido em teu buquê é arquitetura:
Então ele é a beleza, porque eu sou a natureza;
Se a natureza sempre embeleza a beleza,
Eu elogio suas flores... Estou mui lisonjeado.
Guardando preciosas lembranças de outrora,
Buscam o eco de tuas vozes perturbadas.
Tristes quais a noite, duas pombas perdidas
Chamando duma à outra nessa floresta.
Eu vivo, tecido em teu buquê é arquitetura:
Então ele é a beleza, porque eu sou a natureza;
Se a natureza sempre embeleza a beleza,
Eu elogio suas flores... Estou mui lisonjeado.
Collection Gustave Kahn. Ce quatrain est écrit de la main de Baudelaire au bas d’un billet à lui évidemment adressé, et non signé, dont voici le texte : Mardi 3 novembre. « Vous m’avez envoyé des vers sans papillon, permettez-moi de vous offrir des fleurs sans vers, et pour me prouver que mon goût a su comprendre le vôtre, mettez-les ce soir à votre boutonnière. « Car toujours la nature embellit la beauté. »
Charles Baudelaire - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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