Aurora
Quando, na luz ardente deste metal.
A procissão das santas Marias avança.
Usar teus diademas quais de joias.
Vibrando suave em pedestais alvos:
Para afamar teus peitos perfurados por facas,
Na calçada está repleta de guirlandas de flores
que exalam o perfume de teus caules murchos
às Virgens estão de pé, briosas de teus mantos.
- Assim eu semeava sob passos da Mulher
As rosas de minha vida e os lírios de minha alma:
Na flora moça e nova de vinte anos a fazer.
Mas a Rainha, do alvorecer e da glória ardente.
Passou pela música asseada da primavera,
Sem respirar o perfume de minha alma pisada!
Partida
Teus olhos úmidos e azuis celestiais,
Onde dormem um abismo místico.
Tem a lendária e longa duna suave do Adriático.
Teu céu lânguido a jazer é tão puro.
Tuas ondas suaves são de tão vagas
Que eu acho que vejo no azul oceano,
Mirtilos florescendo nas ondas.
Sinto que tua borda amarga
Está cheia de sóis de fadas
E feitas de climas quiméricos.
E em teu mar profundo de azul,
Minha alma, onde o orgulho expira.
Balança como um belo navio.
Decepção
OS CONVIDADOS, de garfo em punho,
Foram roubados de teus litros,
Assados, tortas, ostras,
E geleia de marmelo.
Gilles, oculto em um canto,
Fazendo caras jocosas.
Convidados, com garfos em punho,
Viram-se os litros serem roubados.
Para se enfatizar a decepção,
São Insetos com elytra azul
Atingem as janelas cor-de-rosa,
E tua abelha atenta de bem longe
Quais convocados, com garfo em punho!
PETITE CHAPELLE
A CAMILLE LEMONNIER
Tua glória evoca em mim aqueles navios tempestuosos
Briosos colonizadores com gestos magnéticos
Impelidos pelo infinito das virgens do Atlântico
Aos arquipélagos sapés de lendárias terras distantes.
Eles zarparam naquelas noites magníficas,
Quando o céu ardente de vermelhidão profética
Nos derramaram tuas riquezas místicas
Nos peitos dilatados dos briosos marinheiros.
E os homens do porto, deixados nas praias,
Notavam os mastros afundando quais sonhos,
No brilho do horizonte corado tingido azul;
E teus cérebros escuros, no final de tua idade,
Ainda se lembravam da esplêndida miragem
Daqueles grandes navios negros ao sol.
PARA EDMOND PICARD
OS TRIBUNAIS
As pessoas já viram homens enérgicos,
Com disfarces imperiais e cheias de vontade,
Falando alto em tua força e majestade
Para despertar do sono as raças letárgicas.
Lançando sílabas mágicas aos ventos do céu,
Tuas palavras, vibrando amargas com caridade,
Cheias de vingança contra o ideal insultado,
Com espadas temíveis e bocais trágicos.
A multidão se lembrou de teus nomes místicos,
E às vezes os lançam em ecos gloriosos
Na aclamação de uma vitória ardente.
O mármore lendário onde vive tua memória
Ergue-se do limiar deslumbrante da história,
E teu gesto indignado lhe abarcar o futuro.
MUNDO DOS MULIEBRIS
A OСTAVE PIRMEZ
Poetas, vós nunca falastes de tuas mães:
A memória se desvaneceu em teu além,
Quando uma única palavra de luz seria aceitável
Para roubar a noite de tuas sombras efêmeras.
E, no entanto, é delas, não de templos amargos,
Que vós recebestes a tua multidão;
E tão perto de tuas almas o carregaram
Que tirastes delas a precisão de quimeras.
O odor espiritual e suave de teus seios,
Os ares que elas cantavam no cravo
Impregnou tua carne com melancolia delas.
Vós respirais em teus olhos exaustos,
Nesta vibração de teus lábios pálidos,
O gosto da tristeza e a sede de beijos.
OS COMEDORES DE TERRA
PARA GEORGES EEKHOUD
Numa época de léliards e cabeças abertas,
Quando Flandres, ao convidado de trágicos campanários,
Afogava soberbamente príncipes e reis
Neste rio de sangue dos épicos rubros;
Antes de correr para os amplos armamentos,
E para se salvar dos terrores supremos,
Os flamengos abraçaram, sob o gesto da cruz,
Esta terra à qual dedicam tuas espadas.
- Ó meu robusto poeta! Ó peito cheio de caído!
Silente afundado em teu trabalho,
Guardando o peito flamengo duma massa adúltera,
Nunca reli teus livros sem ver,
Em qual espelho cruel e majestoso,
O beijo heroico desses comedores de terra.
Albert GIRAUD - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
Nenhum comentário:
Postar um comentário