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sábado, julho 08, 2023

À APARIÇÃO DE MOEMA - VI - CODA DA EPIFANIA - ERIC PONTY

I

O caranguejo-sol canta, em rivalidade,
Entre esferas-irmãs, a tua antiga ronda;
O Teu caminho predestinado por meio,
Criação conclui com o passo som do trovão.
Os anjos da visão soberba retiram poder, 
Em cuja medida ninguém poderá dizer;
As obras elevadas, não compreendidas,
São tão brilhantes como no primeiro dia.

II

E célere, e ligeiro para além do imaginável,
És deste esplendor da Terra está girar,
O brilho do Éden do dia ainda a aliviar
Desta terrível profundidade da Noite;
Marés oceanos em espuma estão a quebrar,
Contra as bases profundas das rochas alastradas,
Em ambos, a raça esférica participando,
Eterna e veloz, são rodopiadas pra a frente!

III

E tempestades rivais na ádvena estão a surgir,
Do mar para a terra, da terra para o mar,
Numa cadeia de ação profunda forjando,
Em torno de tudo, jaz em energia irada.
Há chamas de desolação, ardentes, rugir,
Fazendo-se antes do estrondo do trovão!

IV
Uma vez que jazeis incompreendido,
Não é estar visão dá poder aos anjos,
Todas as Tuas obras, sublimes e esplêndidas,
São quais acesos como na hora da Criação.
ERIC PONTY
ERIC PONTY

À APARIÇÃO DE MOEMA - V - ERIC PONTY

Já que tu, Senhora, te aproximaste de novo,
Perguntais, temos estado, e somos tão gentis,
E como gostavas de nos ver aqui, Musa,
Também me vês, como se eu fosse um servo,
Não posso falar tão nobre como o vosso bastão,
Embora por este círculo aqui eu deva ser carpido:
O meu páthos faria com que te risses,
se o riso não fosse um hábito que desaprendeste.
De sóis e mundos nada sei dizer; além de nós,
Só vejo como os homens vivem desanimados.
Pequeno deus do mundo nunca mudará de rumo,
E é tão caprichoso como no primeiro dos dias.
A vida dela pode ser um pouco mais divertida,
Se não lhe tivesses dado aquela centelha do sol do céu;
Ela chama-lhe razão e usa-a, resoluto
Para ser mais bruto do que qualquer outro luto,
Parece-me, se não vos importardes, 
Vossa Graça, qual cigarra da raça de pernas longas,
Que sempre voa e, voando, salta, qual moça,
E na relva canta a mesma velha cantiga;
Se ao menos tivesse relva onde pudesse repousar,
O seu espírito é um fenómeno que o leva longe,
Em meio que sabe quão tola é a sua busca:
Do céu exige a estrela mais bela, graça, Senhora,
Sendo terra todas as alegrias que lhe parecerem boas;
E tudo o que está perto e tudo o que está longe
Não pode acalmar a calma que está no teu peito!
ERIC PONTY
ERIC PONTY

À APARIÇÃO DE MOEMA - IV - ERIC PONTY

 I

O sol entoar, em antigo torneio,
Com esferas irmãs, um ar rival;
E a sua viagem predestinada,
Remata com som estrondoso.
Em tua visão, ninguém a pode envolver,
Dá força aos anjos; o contíguo,
De obras, insondável esplêndidas,
É glorioso como no primeiro dia.

II

Insondável veloz, cuja trompa,
A pompa da Terra gira em voo,
Como o brilho do Éden é sucedido
Numa noite profunda e assustadora,
Em torrentes influentes espuma o oceano
Contra os rochedos com um rugido.
Em abalo esférico sempre ligeiro,
Tanto a rocha como o mar são frouxos.

III

E tempestades rivais rugem e devastam
Do mar, e da terra, de terra a mar,
E, furiosos, formam cadeias de selvagens,
Uma energia profunda destrutiva.
Há uma devastação intermitente,
Para limpar o caminho do trovão;
Mas, Senhor, a impressão em teu arauto,
É pela suavidade do vosso teu dia.

IV

A visão, ninguém a pode compreender,
Dá força aos anjos; em teu conjunto,
De obras, insondável de esplêndidas,
Sendo glorioso como no primeiro dia.
ERIC PONTY
ERIC PONTY

À APARIÇÃO DE MOEMA - lll - ERIC PONTY

Longe a festa, no quarto entre vãs luzes,
Senta-se este fiel Amor e treme de pavor,
E se os chamados se tornarem supino vivos,
E quebrarem a paz do leito nupcial?
Um brilho místico e sagrado douro,
Flui das tuas pálidas chamas de ouro;
Para vós, um turbilhão de incenso
Preparando muitos prazeres múltiplos.

Como teu coração palpitou quão um relógio,
Afastou os convidados ruidosos;
A qualquer momento, os lábios, 
Para os quais se estão a vaguear,
Nada dirá, nada para contestará.
Apressai-vos com ela para o templo,
Lá para consumar a vossa felicidade;
Qual guardião ergueu o teu flambeou,
Calmo e pequeno tal como um bico.
ERIC PONTY
ERIC PONTY

À APARIÇÃO DE MOEMA ll - ERIC PONTY

Qual é o princípio saudável?
que vida humana demonstrou,
pessoas gostam de um som repleto –
De tom vibrante e arredondado!

Abaixo tudo o que cruza a corrida!
Tão sombria e silente - o pior!
Pecado lírico! Em segundo lugar!
De viver - sempre primeira soar!

Deixem o gongo de cobre da vida,
Há ruminar a alma! Moema querida,
Poetas com a sua luta interior lida,
Que tão compostos, estão inteiros.
ERIC PONTY
ERIC PONTY

sexta-feira, julho 07, 2023

À APARIÇÃO DE MOEMA - ERIC PONTY

A todas almas cativas e todos corações dóceis,
De cuja vista possa chegar à palavra presente,
Para que me transmitam os seus pensamentos,
Cortesia em nome do Amor, que é o seu Senhor!

Agora, dessas horas, quase um terço já tinha passado,
A que horas é que cada estrela surge mais intenso,
Quando de repente o Amor brilhou diante de mim,
Não é lembrança da sua natureza assusta-me;

Alegre para mim parecia o Amor, e ele guardava,
Meu coração nas tuas mãos, enquanto no teu braço,
Ele segurou a minha dama, coberta e a dormir.

Depois, acordando-a, ela com coração em chamas,
Será modéstia a alimentou com medo de algum mal,
Vi-a partir dali em lágrima oculta pelas luzes!
ERIC PONTY
ERIC PONTY

Líricos, Sagrados e Seculares - David Fuller – TRAD. ERIC PONTY

 Aqueles que compuseram, escreveram, cantaram, dançaram ou leram poemas estróficos curtos entre os séculos XII e XV não teriam pensado neles como letras de música - termo usado pela primeira vez no final do século XVI. Para os seus primeiros intérpretes ou leitores, estes poemas serviam muitas vezes uma função prática e não a função expressiva que associamos à lírica, de Wyatt a Heaney - uma função prática, desde ajudar a companhia num banquete a divertir-se até levar um pecador a arrepender-se. Os poemas estróficos não eram "letras de música". Nem o secular e o sagrado estavam nitidamente separados. As festas celebravam frequentes numa festa religiosa; um pecador podia pecar de amor. E, de um modo mais geral, o mundo era criação de Deus; não existia um reino inteiro secular: a celebração dos prazeres terrenos ou a lamentação do sofrimento terreno incorporavam em geral na sua alegria ou tristeza perante as condições de vida algum aspeto religioso. O sentimento religioso era frequentemente associado a um sentimento que poderia ser considerado secular, e vice-versa: o amor tinha um aspeto religioso, porque o amor humano e o amor divino eram vistos como tendo, em última análise, uma relação (de continuidade ou de contradição), ou porque certos tipos de amor, ou o amor em certos contextos, eram pecaminosos. As categorias modernas óbvias para estes poemas podem, portanto, ser enganadores.

Mas não só. Mesmo os poemas que não foram escritos (como muitos foram) para serem cantados exploram a música das palavras em padrões de rima, assonância e aliteração. Num contexto de convenções de tema, sentimento e expressão, a música verbal de um poema pode muitas vezes ser o aspeto da composição que deu ao poeta mais liberdade de criatividade ou de arte, e por isso uma fonte significativa de prazer para o leitor; e a associação com a dança - e através da música e da dança com uma das raízes da poesia: o ritmo - significa muitas vezes que os padrões formais e métricos têm um valor expressivo significativo, ou são simplesmente belos em si mesmos. Do mesmo modo, embora as poderosas convenções de sentimento no amor e na religião quer dizer que Jesus pode ser tratado, como um amante, como "meu doce leman [amado]", e a devoção ao amado pode ser expressa com um fervor quase religioso, os poemas dirigidos a Cristo ou à Virgem, e os poemas de um amor "suave, doce e lascivo", formam grupos distintos. Há que reconhecer algumas qualificações; mas as categorias modernas - lírico, sagrado, secular - apontam também para qualidades reais.

As letras medievais são preservadas em fontes de tipos muito diferentes. Algumas são coleções elaboradas, das quais a mais grandiosa é o manuscrito de Vernon, iluminado no final do século XIV, e a mais importante pelas suas letras de amor, o manuscrito de Harley, do início do século XIV. Algumas coleções são de compiladores versados, alguns dos quais eram também escritores e tradutores. A maioria dos poemas é anónima. Alguns estão em antologias aparente feitas para leitura privada, por vezes com notação musical, por vezes em miscelâneas de outros tipos de escrita, como sermões, mas muitos estão simplesmente escritos nas margens ou nos interstícios de manuscritos de diversos tipos Estes contextos de preservação pouco ou nada dizem sobre os contextos de composição e utilização - o autor, o público original ou as circunstâncias em que e para as quais um poema foi escrito, embora o contexto comum franciscano das letras religiosas tenha sido considerado como indicando uma ligação com a pregação. De resto, é difícil tirar conclusões a partir de fontes em si tão heterogéneas, sobretudo quando as provas que oferecem são tão parciais; em especial no caso da poesia secular, uma grande parte, provável a maior parte, deve ter-se perdido. O que é claro a partir das fontes é que as letras de música serviam uma série de funções, desde a devoção privada e o ensino religioso público até às ocasiões de entretenimento e folia que incluíam a performance E enquanto os poemas riscados à margem implicam um simples prazer espontâneo, as coleções de grandes manuscritos indicam culturas aristocráticas cultivadas em que a poesia - especial a poesia religiosa - era altamente e resoluta valorizada. Ou seja, as letras de música eram para todo o tipo de gosto poético e para todas as ordens sociais: a gama ia de Bob Dylan a Geoffrey Hill, e do mais efémero encarte de CD à mais exclusiva limitada edição.

Algumas letras que eram simples para os leitores contemporâneos ou para aqueles que as ouviam ser lidas ou cantadas continuam simples para os leitores modernos. Muitas não o são. Um dos prazeres das letras é o seu uso de uma linguagem que era marcada (quer aureolada quer coloquial) nos dialetos em que foram compostas ou escritas; mas muitas vezes a sua linguagem tem elementos que não passaram para o inglês moderno, pelo que o que outrora era pujante coloquial se tornou abstruso - o seu sentido, e ainda mais o seu sabor, difícil de apreender. Tal como acontece com a leitura de poesia numa língua estrangeira, o leitor que consegue sentir o movimento da sintaxe e ouvir as relações estruturais das palavras compreenderá muito. Na leitura de poesia, é um erro fundamental pensar em tudo o que diz respeito ao significado como dependente do conteúdo semântico e, ao concentrar-se nisso, perder os significados inerentes à estruturação. A abertura de uma letra de Harley, à oração de um penitente idoso, apresenta algumas dificuldades típicas.

David Fuller – TRAD. ERIC PONTY

ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

quarta-feira, julho 05, 2023

ELEGIA 1 - Louise Labé – Trad. ERIC PONTY

Quando Amor, dos homens e Deus conquistaram,
Fizermos meu coração ardente com tua chama,
Que ardendo em fúria cruel com o teu cinzel mármore,
Meu sangue, ossos, meu espírito e a coragem:
Não tinha o poder de prantear minha dor e angústia.
Sendo Febos, amigo dos Loureiros pra teu panteão,
Não me deixaram escrever tais versos quais são que são:
Mas agora que tua fúria divina, Febos fez
Enchendo-me de ardor o meu peito audaz,
Em teu canto faz-me, não os trovões supinos,
Dos quais as guerras tão cruéis de Júpiter,
Marte, o Universo, está em tumulto quando quer,
Sendo Ele deu-me a lira, cujos versos,
Gostava de falar sobre o amor lésbico:
E a este golpe gritarei da minha altura,
Ó doce arquiteto, suavizai a minha voz,
O que por vezes pode dividir e amargurar,
Nos descrever tantos problemas e dores,
Há de tantas desgraças desses infortúnios.
Encharcando ardor, outrora o meu coração terno,
Sendo que foi esturricado até às cinzas do corcel,
Já tenho uma memória lamentável dos véus,
Estarei a chorar quando chegar lá aos céus,
Acho que estou a sentir o cheiro dos alarmes,
Que primeiro do Amor, eu vejo charme armas!
Louise Labé – Trad. ERIC PONTY
ERIC PONTY - POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

Soneto I - Garcilaso de la Veja – Trad: ERIC PONTY

Quando paro para contemplar o meu estado,
E vendo os passos por onde me trouxeram
De acordo com o sítio onde me perdi, 
acho que podia ter chegado a um mal maior;

mas quando me esqueci do caminho, 
para tanto mal não sei donde vim;
Sei que estou acabada, e quanto mais 
me sinto acabado comigo, mais me preocupo.

Vou acabar, entreguei-me sem arte àquele 
que saberá perder-me e acabar comigo;
Se o fizer, e até saberá como do fazer;

Que a minha vontade pode matar-me, 
Vontade dele, que não está tanto do meu lado,
se ele pode, o que é que vai fazer senão fazê-lo?

Garcilaso de la Veja – Trad:ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

terça-feira, julho 04, 2023

UM POEMA DE S.T.Coleridge. - TRAD: ERIC PONTY

 P/ Isabela e Júlia

A uma infeliz mulher que o autor conheceu nos tempos da sua inocência.

1797

Folha de murta que, mal fechada,
De uma pintura no raio radiante,
Sujadas pelo teu piso comum.
Longe do teu vapor protetor!

Quando a perdiz sobre o feixe,
Zumbido ao longo do vale amarelo,
Triste eu te vi, folha desatenta!
Adoro a aliança do vendaval.

Fizeste-o de ânimo leve, coisa insensata!
Agitam-se e vibram ao som dos seus suspiros,
Enquanto o bajulador, em sua asa,
A cortejar e sussurrar pra que te levantes.

Alegrem do teu tronco materno,
Se dançásseis e vos elevásseis,
Em breve, nesta caminhada sem abrigo
Sujeita pra o sumiço, decompor e finar-se.
 S.T.Coleridge. - TRAD: ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

A PANTERA - RAINER Maria RILKE - TRAD: ERIC PONTY

 


O seu olhar contra o brilho das grades
ficou tão cansado que já não aguenta mais.
Para ele, pareceu poder haver mil grades
Sendo atrás dessas mil grades nenhum mundo.

A suavidade do passo flexível e o ritmo robusto,
no mais pequeno de todos círculos se transforma,
mover-se quão dança de força à volta dum centro
no qual uma vontade poderosa está atordoada.

Só às vezes está cortina do aluno desliza
para alto, sem ruído -. Uma imagem entra então,
passou pela quietude tensa desses membros
e no coração deixou-se de ser então.

A sua visão, das barras que passam sempre,
ficou tão cansada que não consegue segurar
E qualquer outra coisa. Pareceu-lhe que há
mil grades; e atrás das grades, nenhum mundo.

Enquanto anda em círculos unidos, uma e outra vez,
Em movimento dos seus passos poderosos e suaves,
são como uma dança ritual à volta dum centro
em que uma vontade poderosa está parada.

Só às vezes, na cortina dos alunos
erguer, em silêncio... Uma imagem entra em
desceu por meio dos músculos tensos e presos,
ao mergulhar no coração e desapareceu.
RAINER Maria RILKE - TRAD: ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

segunda-feira, julho 03, 2023

PARA PRIMAVERA - WILLIAM BLAKE - TRAD. ERIC PONTY

P/ CLÁUDIO LEITÃO

Ó Tu de madeixas orvalhadas, que olhas para baixo
Pelas janelas claras da manhã, volta-te,
Teus olhos de anjo sobre a nossa ilha ocidental,
Que em pleno coro saúda a tua justaposição, ó primavera!

Os montes contam uns aos outros, e os vales ouvem
Todos os nossos olhos desejosos estão regressados,
Até aos teus brilhantes pavilhões: saíram 
E que os teus santos pés visitem o nosso clima!

Vem sobre as colinas do oriente, e deixa que os nossos ventos
Beijem as tuas vestes perfumadas; deixem-nos provarem,
 O teu sopro matutino e vespertino; espalhou as tuas pérolas
Sobre a nossa terra enamorada que por ti chora.

Enfeita-a com os teus dedos formosos; derrama 
Os teus beijos suaves no seu seio; e põe
A tua coroa de ouro sobre a tua cabeça enfraquecida,
Cujas modestas tranças estão presas a ti!

WILLIAM BLAKE -  TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

Denn wir sind nur die Schaie und das Blatt - RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

 P/ MARIA ANGELA REZENDE 

Porque somos apenas a casca e a folha.

A grande morte, que cada um de nós carrega dentro de si,

é o fruto.

Tudo o envolve.

RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

domingo, julho 02, 2023

0 Herr, sib jedem seinen eisnen Tod - RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

P/ DR.A HOSANA SACRAMENTO 

Deus, dá-nos a cada um a nossa própria morte,
o morrer que se segue
da vida de cada um de nós:

Forma como amávamos,
os sentidos que criámos,
a nossa obrigação.
RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

Ou Berg, der blieb da die Gebirge h.amen - RAINER MARIA RILKE - TRAD: ERIC PONTY

PARA ELIANA TOLETINDO
Tu, montanha, aqui desde o início das montanhas,
encostas onde não se constrói nada, picos 
que ninguém tem considerado
neves eternas cheias de estrelas,
vales floridos

Já me movo dentro de ti?
Estou dentro da pedra que ali há lima e pão,
como um metal que não tenha sido extraído?
A tua dureza envolve-me por toda a parte.

Ou será o medo
Estou preso em? O medo que aperta
das cidades briosas
em que me sufoco.
RAINER MARIA RILKE - TRAD: ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

Vielieicht, Jag ich durch schwere Berge gehe - RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

 Para Doutor José Antônio Oliveira 

Parece que faço o meu caminho,
por meio da rocha maciça
como um veio de minério,
só, enclausurado.

Estou tão dentro dele
Não vejo a passagem nem a distância:
tudo está perto,
e tudo se aproxima de mim
se transformou em pedra.

Como ainda não sei o suficiente sobre a dor,
Esta escuridão terrível torna-me pequeno.
Se fores tu, no entanto--------

Preme com força, invade-me
para que eu conheça o peso da tua mão,
e tu, a plenitude do meu grito.

RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

sábado, julho 01, 2023

Ich lebe mein Leben in wachsenden Ringen - RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

P/ DR.A ANDRÉA CUNHA
Vivo a minha vida em círculos cada vez maiores,
que se estendem pelo mundo.
Posso não terminar este último.
mas eu entrego-me a isso.

Eu no meio à volta de Deus, à volta da torre primordial,
Ando às voltas há milhares de anos
e continuo sem saber: sou um falcão,
duma tempestade, ou uma grande canção?

RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

sexta-feira, junho 30, 2023

Da neigt sich die Stunde und ri.ihrt mich na - Rainer Maria Rilke - Trad. Eric Ponty

À Ninita Dornelles com amizades

A hora está a bater muito perto de mim,
tão nítido e claro,
que todos os meus sentidos se enchem delas.
Agora sinto-o: há um poder em mim,
para agarrar e dar forma ao meu mundo.

Sei que nunca nada foi correto,
sem que eu a visse.
Todo o devir necessitou de mim.
O meu olhar amadurece coisas
e vêm na minha direção, para se toparem e serem achados.

Rainer Maria Rilke - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

quinta-feira, junho 29, 2023

DOIS SONETTOS - ERIC PONTY

I

No horizonte me quer, esta saudade? Noturno
Fazia casal voar no ar denso do sono,
Já um sol esmaecido tombar no fluxo sonho
Mal apontava vilazinha em frigido abandono.

Íamos os dois sozinhos no sonho- uma lembrança
E os cabelos da amada ao léu envolta por passarinhos
E eis que ela adormecer num enternecimento
Murmurou: - Que foi na terra o seu melhor momento.

Com uma voz doce e sonora com vibrações amenas
Um sorriso discreto ela deu como uma reposta
Beijei suas faces e suas mãos brancas devotamente.

-Ah! Primeiras flores como são elas perfumadas,
E com bruto sussurro com um murmuro charmoso
Primeiro sim que saiu de seus lábios diáfanos.
  
II

Que me deseja que me quer saudade? A idade
Fazia o amante sonhar, no ar agradável do sonho
Já uma lua sem luminosidade tombar áureo ninho
Mal dava vilazinha em frigida igualdade.

Partia em nuvens pombas – dormindo – o pensamento
E o êxtase ao léu, acariciando sabor do tempo
E eis que ela, delirar num adormecimento
Dizia- Momento contigo foi-me maior abandono.

Sua voz angelical de entonações sonoras
Para único sorriso como uma reposta azul
Suas mãos diáfanas tão devotas e alvas.

- Ah! Primeiros botões eles são perfumados
E que languidez com múrmuro charmoso
Ao beijar sua tez branca, como um devoto.
ERIC PONTY-POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

quarta-feira, junho 28, 2023

TARDE NO BOULEVARD PASTEUR - Michel Houellebecq - Trad. Eric Ponty

Ainda consigo ver os olhos azuis dos turistas alemães
Discutindo a sociedade durante as suas cervejas.
Os seus atenciosos E assim, talvez um pouco nervosos,
Que usurparam o ar fresco; encheram várias mesas.

Alguns amigos químicos conversavam à minha esquerda:
Sobre novas perspectivas em síntese orgânica!
A química faz-nos felizes, a poesia faz-nos tristes,
Teríamos de chegar a uma única ciência.

Estrutura molecular, filosofia do eu
E o destino absurdo dos últimos arquitetos;
A sociedade apodrece, decompõe-se em seitas;
Cantemos aleluia pelo regresso do rei!

Michel Houellebecq -TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY -POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA