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quarta-feira, julho 05, 2023

ELEGIA 1 - Louise Labé – Trad. ERIC PONTY

Quando Amor, dos homens e Deus conquistaram,
Fizermos meu coração ardente com tua chama,
Que ardendo em fúria cruel com o teu cinzel mármore,
Meu sangue, ossos, meu espírito e a coragem:
Não tinha o poder de prantear minha dor e angústia.
Sendo Febos, amigo dos Loureiros pra teu panteão,
Não me deixaram escrever tais versos quais são que são:
Mas agora que tua fúria divina, Febos fez
Enchendo-me de ardor o meu peito audaz,
Em teu canto faz-me, não os trovões supinos,
Dos quais as guerras tão cruéis de Júpiter,
Marte, o Universo, está em tumulto quando quer,
Sendo Ele deu-me a lira, cujos versos,
Gostava de falar sobre o amor lésbico:
E a este golpe gritarei da minha altura,
Ó doce arquiteto, suavizai a minha voz,
O que por vezes pode dividir e amargurar,
Nos descrever tantos problemas e dores,
Há de tantas desgraças desses infortúnios.
Encharcando ardor, outrora o meu coração terno,
Sendo que foi esturricado até às cinzas do corcel,
Já tenho uma memória lamentável dos véus,
Estarei a chorar quando chegar lá aos céus,
Acho que estou a sentir o cheiro dos alarmes,
Que primeiro do Amor, eu vejo charme armas!
Louise Labé – Trad. ERIC PONTY
ERIC PONTY - POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

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