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sábado, julho 08, 2023

À APARIÇÃO DE MOEMA - V - ERIC PONTY

Já que tu, Senhora, te aproximaste de novo,
Perguntais, temos estado, e somos tão gentis,
E como gostavas de nos ver aqui, Musa,
Também me vês, como se eu fosse um servo,
Não posso falar tão nobre como o vosso bastão,
Embora por este círculo aqui eu deva ser carpido:
O meu páthos faria com que te risses,
se o riso não fosse um hábito que desaprendeste.
De sóis e mundos nada sei dizer; além de nós,
Só vejo como os homens vivem desanimados.
Pequeno deus do mundo nunca mudará de rumo,
E é tão caprichoso como no primeiro dos dias.
A vida dela pode ser um pouco mais divertida,
Se não lhe tivesses dado aquela centelha do sol do céu;
Ela chama-lhe razão e usa-a, resoluto
Para ser mais bruto do que qualquer outro luto,
Parece-me, se não vos importardes, 
Vossa Graça, qual cigarra da raça de pernas longas,
Que sempre voa e, voando, salta, qual moça,
E na relva canta a mesma velha cantiga;
Se ao menos tivesse relva onde pudesse repousar,
O seu espírito é um fenómeno que o leva longe,
Em meio que sabe quão tola é a sua busca:
Do céu exige a estrela mais bela, graça, Senhora,
Sendo terra todas as alegrias que lhe parecerem boas;
E tudo o que está perto e tudo o que está longe
Não pode acalmar a calma que está no teu peito!
ERIC PONTY
ERIC PONTY

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