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quarta-feira, dezembro 14, 2022

Einstein on the beach - Philip Glass - ANOTAÇÕES Á MARGEM DA ÓPERA - ERIC PONTY

A ópera minimalista de Philip Glass, Einstein on the Beach, estreou em 1976, em sua natureza peculiar, tanto na música como na ação no palco, forneceu forragem para um número de revisões, descrições e comentários. Por exemplo, no ano seguinte ao da estreia, David Cunningham publicou um artigo descrevendo os elementos temáticos em termos dos elementos identificáveis presentes em toda a ópera, tais como a estrutura do treinamento, do julgamento e o campo, assim como descrever as ações dos artistas deles mesmos.


Einstein não tem um enredo nem personagens nomeados. O plano continua sem interrupção por quase cinco horas, e o público são membros são bem-vindos para ir e vir como bem quiserem.

Como K. Robert Schwarz escreveu, "Como não haveria desenvolvimento de caráter nem narrativa convencional, Einstein seria dada forma por meio de sua música contínua e de imagens visuais recorrentes.

Estas imagens foram concebidas para refletir, muitas vezes num sentido metafórico, a vida de Albert Einstein ao trabalhar sem contar sua história de vida literal.

Por exemplo, o trem que aparece em duas cenas sendo destinada a representar a teoria da relatividade, no sentido de que o trem e das relações entre os trens que passam são frequentemente usadas dentro de equações matemáticas que ao explicar e usar esta teoria. Este trem acaba se tornando um edifício, representando postulação desta teoria como uma lei natural, de modo que ela se transformou em algo fixo ou não móveis. Mais importante para o vidro do que apresentar imagens específicas com concreto de significados sendo uma sensação de "visão poética" de Einstein. 

As imagens mostradas nesta ópera podem ser ligadas à vida de Einstein, mas atribuir significados específicos a cada símbolo não é o foco principal do trabalho. Glass resume esta perspectiva, escrevendo: "O ponto sobre Einstein não era claramente o que "significava", mas que era significativo como em geral é experimentado pelas pessoas que o viram.

“Knee Plays” aparecem antes e depois de cada sendo seu nome reflete sua função, já que o "joelho" se refere à função de união do joelho humano, conectando duas partes da perna. Apesar desta função, “Knee Plays” estão longe de ser simplesmente interlúdios. 

Em vez disso, estas cenas de união servem para adicionar o efeito dramático da ópera como um todo, através de sua interação com os ouvintes anteriores das harmonias e introdução de suas próprias ideias harmônicas.

Cunningham oferece comentários sobre a música em si, embora a análise ele fornece é muito vago, evitando especificar nomes de chaves ou notas. Sobre a música que o acompanha uma barra descendente de luz na ópera, vista pela primeira vez em "Locomotiva", que ele escreve, "Parece ser uma escala com algumas das notas deixadas de fora e o restante estendido para preencher do espaço. Em seguida, notas são lentamente trazidas e tiradas... 

Aqui parece haver muito mais atenção que pode ter sido pago ao material básico e o procedimento exato pelo qual ele é tratado". Cunningham está correto que o foco musical é a transformação das estruturas básicas por meio de processos rítmicos, no entanto, sua falta de especificidade representa a tendência de escrita sobre Einstein em termos de análise musical, que é em grande parte não específica em termos de harmonia.
Ópera, em primeiro lugar descrevendo as características únicas do trabalho no palco, e depois progredindo para uma descrição da música. "Existem os familiares linhas de oito notas hiperativas que se expandem e contraem por meio de um processo aditivo, mas também há seções mais calmas e incandescentes, como por exemplo quando do refrão canta ritualisticamente os números e sílabas de solfejo.
Esta ideia de peso rítmico proporcionando peso harmônico é um desenvolvimento importante no estilo do Glass. Apesar das características inovadoras de Glass da voz composicional que são tão bem exemplificadas em Einstein, há muito pouco da análise da música desta ópera, embora tal análise exista em descrições de eventos musicais menores dentro da obra.

ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

terça-feira, dezembro 13, 2022

Andre Breton - POEMAS - TRAD. ERIC PONTY

André Breton (Tinchebray (Orne), 19 de fevereiro de 1896 — Paris, 28 de setembro de 1966) foi um escritor francês, poeta e teórico do surrealismo.

De origem modesta, iniciou sem entusiasmo estudos em Medicina sob pressão da família. Mobilizado para o exército na qualidade de enfermeiro para a cidade de Nantes em 1916, travou ali conhecimento com Jacques Vaché, filho espiritual de Alfred Jarry, um jovem sarcástico e niilista que viveu a vida como se de uma obra de arte se tratasse e que morreu aos 24 anos em circunstâncias bastante suspeitas (a tese do suicídio é controversa). Jacques Vaché, que não mais deixou do que cartas de guerra, teve uma enorme influência no espírito criativo de Breton: enfraquecendo a influência de Paul Valéry e, deste modo, determinando tanto a sua concepção de "Poète" (Le Pohète segundo Vaché) como a de humor e de arte.

Em 1919, Breton funda com Louis Aragon e Philippe Soupault a revista Littérature e entra também em contato com Tristan Tzara, fundador do Dadaismo.

Em Les Champs magnétiques (escrito em colaboração com Soupault), coloca em prática o princípio da escrita automática. Breton publica o Primeiro Manifesto Surrealista, em 1924.

Um grupo se constitui em torno de Breton: Philippe Soupault, Louis Aragon, Paul Éluard, René Crevel, Michel Leiris, Robert Desnos, Benjamin Péret. No afã de juntar a ideia de « Mudar a vida » de Rimbaud e a de « Transformar o mundo » de Marx, Breton adere ao Partido Comunista em 1927, do qual fora excluído em 1933.
Viveu sobretudo da venda de quadros em sua galeria de arte. Sob seu impulso, o surrealismo torna-se um movimento europeu que abrange todos os domínios da arte e coloca profundamente em questão o entendimento humano e o olhar dirigido às coisas ou acontecimentos. Inquieto por causa do governo de Vichy, Breton se refugia em 1941 nos Estados Unidos da América e retorna a Paris em 1946, onde permaneceu até sua morte a animar um segundo grupo surrealista, sob a forma de exposições ou de revistas (La Brèche, 1961-1965).

Há antiga rua da liberdade

O grande industrial preto apresenta uma toalha na pele de Iguana branca
Em articulados de ventos carregado com flores
Num carro fúnebre da crioula luz
De avestruz aéreo desproporcional
Feito de água todos os reflexos da savana
Dicas de vaga-lumes de energia que me atravessam por findo
à noite tropical ajusta todos sons militares num intervalo
Sempre vasos dum estilo modulam calmo perfume no fluxo de lava
Eu faço uma lâmpada do velho
São Pedro que ainda funciona
Da vida intermitente é o crepitar de um colibri verde
E me cedeu o teu mercado oceânico murmúrio
Da bancada
Que embora boa luminosa
Uma
Vamos nos esconder meus amigos
Nos cumprimentos do século passado
Especialmente denunciarem as raças inimigas alegadas
Para que minha fome se espalha na árvore de mil enxertos
Nesta tensão do alto-falante só
Segura há muito tempo para me reabilitar
Aqui das fontes de
Wallace atordoado que vinha dar uma aparência mitológica
Para esmero nada, mas sua rainha marcha acontecendo no outro lado
Sua garganta do crepúsculo clara de rosas do
Senegal
De sua jovem mão tocando junto dos portões do palácio.
Fort-de-France, maio 1941.
Do Sonho

Mas a luz regressa
Do prazer de fumar
O azul-aranha de fadas cinzas e pontos rubros
Nunca está alegre com as suas casas
Mozart
A ferida cicatriza tudo se esforçou para ser grato e falo na sua cara transforma a imagem da sombra do fundo do mar convocado de pérolas
As pálpebras dos lábios farejam o dia
Na arena que está vazia
Um dos pássaros está voando
Tem sido cuidadoso para não olvidar a palha e arame
Dificilmente se é bom de um enxame de patim
A mão da seta
Uma estrela perdida estrelas em nada além de uma noite de pele.
Números e constelações em amor com uma mulher

A glóbulos de vida têm toda a sorte e para que sejam amontoados para si mesmo como muitas vezes como a queda de chuva na folha e o vidro, de acordo com as parcelas não anteriormente decididas que a falta que ele mantém o segredo e isto faz em muito sentido que indicam os raios do sol. 

É como as pérolas destas pequenas caixas redondas de infância de brinquedos porque existe já não vê que não deixa enquanto o preço de uma longa paciência não tínhamos pontuado até a última célula na boca um sorriso.

A cabeça de Ogmios encimado dos javalis sempre tocará também claro pela trovoada: para nunca ela nos oferecer um rosto atingido pelo mesmo canto como dos céus. No centro, a beleza original, obscura das vogais, servido um comando improvisado do supremo em números.


POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

Emily Dickinson - 3 - POEMAS - TRAD. ERIC PONTY

Emily Dickinson viveu uma vida principalmente introvertida e reclusa com sua próspera família em Amherst, Massachusetts. Depois de estudar na Academia Amherst por sete anos, ela passou um curto período no Seminário Feminino Mount Holyoke, antes de retornar à casa de sua família, conhecida como Homestead. Pensada como uma excêntrica pelos habitantes locais, ela ficou conhecida por seu grande gosto por roupas brancas e por sua relutância em cumprimentar os convidados. Nos últimos anos, ela muitas vezes não estava disposta a sair de seu quarto; portanto, muitas de suas amizades eram conduzidas por correspondência.

Os poemas alterados significativamente pelos editores para se adequar às regras poéticas convencionais da época.  Após sua morte, a irmã mais nova de Dickinson, Lavinia, descobriu uma coleção de quase 1800 poemas.   Reconhecendo seu valor, Lavinia ficou obcecada em vê-los publicados. Ela recorreu primeiro à esposa de seu irmão e depois a Mabel Loomis Todd, a amante de seu irmão, para obter assistência. Uma disputa se seguiu, com os manuscritos divididos entre as casas Todd e Dickinson, atrasando a publicação completa da poesia de Dickinson por mais de meio século.


I.
VIDA.

I.
SUCESSO.
O sucesso é contado mais doce
Por aqueles que não conseguem.
Para entender um néctar
Exige muita necessidade.

Não é um de todos os anfitriões púrpuras
De quem levou a bandeira para o dia
Pode dizer a definição,
Tão claro, da vitória,

Como ela, derrotada, moribunda,
Em cujo ouvido proibido,
As distantes cepas do triunfo
Pausa, agonizar sendo limpa!

II.

Nossa parte da noite a aturar,
Nossa cota de manhã,
Nosso vazio em êxtase para preencher,
Nosso branco em desdém.



ROUGE ET NOIR

Alma, queres jogar de novo?
Por tal perigo
Centenas perderam, de fato,
Mas dez ganharam um tudo.

Cédula dos anjos sem ar
Do anel para registrá-lo;
Diabinhos em ávido protesto,
Do sorteio pela minha alma.

Emily Dickinson - TRAD. ERIC PONTY

POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

Sonnets from the Portuguese - Elizabeth Barrett Browning - TRAD. ERIC PONTY

 

O POETA-TRADUTOR

De vez em quando aparece alguém que me diz: “Por que você não escreve conto, novela, romance?”. Costumo responder: A vida me levou a me especializar na poesia e, para isso, li muita crítica e comecei a gostar da crítica. Não sobrou mais tempo para nada. Sou o Poeta-Crítico, como escreveu Alceu Amoroso Lima, num belo ensaio publicado em O Jornal do Brasil (22.06.78). Mas não tem faltado também quem me cobra: “Por que você não faz tradução? É coisa da moda. Veja o Haroldo de Campos”. Respondo sempre: Já tentei traduzir Apollinaire, não gostei dos poemas que traduzi: prefiro lê-los no original. Para o livro Defesa da poesia, no prelo, fiz pequenas traduções, mas, como se dizia em Goiás: Fiz para o gasto. Nunca fui tocado por aquele enthusiasmós de que fala Demócrito e que encontro na grande atividade intelectual de alguns amigos, que leio e admiro.  

É o caso de ÉRIC PONTY (1968), o Poeta-Tradutor que reside em São João del Rei, e que, para o seu pseudônimo literário, soube combinar o nome próprio, tirado de algum ancestral escandinavo com o sobrenome de um dos fílósofos da fenomenologia, Merleau-Ponty que, no livro inacabado Le visible et l’invisible (1964), tenta escapar da visão tradicional de sujeito-objeto para mostrar que “o visível se dobra sempre no invisível”, paradoxo que lhe permitia evitar só um tipo de subjetividade. Apesar da possível herança francesa, penso eu que a pronúncia do sobrenome do Éric é mesmo Pônty (paroxítona) e não Pontý, à maneira francesa. Pelo menos eu o trato assim, e nunca me corrigiram.

Esse exercício incansável o leva a estar continuamente às voltas com problemas de métrica, tentando dar ao texto em português o sentido retórico do poema estrangeiro, assunto na imensa maioria das vezes “esquecido” pelos tradutores de poesia que só pensam transpor a forma do conteúdo.  Gente tida como importante, mas que não “ligam” para o ritmo do poema na língua original, como já demonstrei certa vez em O Jornal do Brasil ou em O Globo, já não me lembro bem. 

Não é certamente o caso do poeta-tradutor (e músico) de São João del Rei que se esforça para recompor em português a harmonia rítmica dos Sonnets from the Portuguese, publicados em 1850, com quarenta e quatro poemas, ao contrário da primeira edição, de 1847, Sonnets of E.B.B., com quarenta e três. No soneto XLIII, a poetisa da Inglaterra, que terminou os seus dias na Itália, expressa no mais sublime lirismo a plenitude do sentimento amoroso pelo seu marido poeta. Leia-se os sonetos da série original, na tradução de Eric Ponty: 
Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2016.

* Professor Titular Emérito da PUC do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de Goiás. Professor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará e da PUC de Goiás. Foi professor de literatura nos seguintes países: Uruguai (Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro), Portugal (Universidade Clássica de Lisboa), França (Universidade de Rennes e de Nantes), Estados Unidos (Universidade de Chicago) e Espanha (Universidade de Salamanca).  Conferencista em várias universidades, nacionais e estrangeiras. /  É poeta e crítico, Prêmio “Machado de Assis” da Academia Brasileira de Letras; e Prêmio “Juca Pato” (Intelectual do Ano) da União Brasileira dos Escritores de São Paulo. Seus Poemas se encontram reunidos em Hora aberta (Editora Vozes, 2003, 5ª edição). Entre seus livros de ensaios e de crítica se destacam Drummond: A estilística da repetição (4ª. ed.) e Vanguarda europeia e modernismo brasileiro (20ª ed.). /  


Á presente tradução respeitou o contexto dos sonetos da Portuguesa (Sonnets from the Portuguese) onde foram consultadas três edições. Nós optamos pela versão da Complete Works of Elizabeth Barrett Browning (Delphi Classics). Sonnets from the Portuguese publicados em 1850 onde todos versos aparecem em maiúscula  em decassílabos com rima, mas nós deferimos da rima do original para o verso branco como ela fez em Aurora Leigh para não apagar às brilhantes metáforas de Elizabeth Barrett Browning que estavam no conjunto original seguindo um passo diferente dos outros tradutores que traduziram em decassílabos com rima, mas às metáforas originais foram apagadas ficando somente uma linha de trechos da poesia, coisa que não fazia jus à memória e grandiosidade destes sonetos.

Traduzir à sintaxe de Elizabeth Barrett em português é impossível. Ela compôs os Sonetos da Portuguesa em decassílabos, mas ao vertê-los para nossa língua, pedir-se-iam muitas metáforas que são o estilo pessoal da Poeta. O Tradutor optou pela recriação desta sintaxe só se valendo de transposições ou reescritas quando a literalidade se choca com a índole de nosso idioma, e vale à pena lembrar que a Poeta era fã de Luiz Vaz de Camões duma tradução em francês dele.

A recriação é como se à Poeta estivesse escrevendo em português. Isso nos fez usar o metro em dodecassílabo que recuperou estas metáforas preciosas, pois o inglês e monolítico, e haviam versos que em português que transpostos chegavam há 17 silabas métricas, que não poderiam ser apagados de seu jardim poético, por isso a opção de um metro maior que dessa conta dessas metáforas destas silabas métricas. 

 Éric Ponty 2016   
I

Falei uma vez como Téocrito havia nos atraído,
De seus meigos anos, caro e mirado dos anos,
Cada um deles duma airosa mão me aparece
haver um dom dos mortais, quais velhos ou jovens.

E, como eu sopesei que na Tua anosa língua,
Vi, à visão gradual em meio destes meus prantos
Meigo, dos tristes anos, magoados dos anos,
Pessoas minha azada vida, voltas tinham culta.

Logo tinha me cuidado, uma alma em mim
Soluçando, mística à forma eu fiz movê-la
Por trás de mim e ao meu cabelo se avocou.

Voz disse-me com mestria, enquanto eu lutava –
"Acho cá quem detém-te?" - "A morte", diz. Mas, não há
Suave prata em reposta- "Não há morte, mas o amor."

II

Mas tão-só os três em todos Deus que deste universo
Ouvimos termo tu disseste: - ele próprio, ao Teu lado
Falar-te-ia, e a mim escutaria! E me rebateu
Dum de nós... É o que era Deus... Era do opróbrio.

Tão lustres sobre minhas pálpebras punidas,
Meus olhos vertei-a, - se eu tivesse morrido,
Da morte os pesos, postos ali, teriam sidos
Menos há absoluta exclusão. "Não", que é pior.

De Deus do que todos os outros, ó meu amigo!
Homens não podiam ir vida sensual da discussão,
Nem mares nos mudem, nem cheias nos dobrem;

Nossas mãos raiem todas serras ou será apenas:
Céus sejam esmagados dentre nós no final,
São débitos, mas votem mais veloz destino.

III

Ao oposto, nós, ao oposto, Ó principesco imo!
Ao oposto dos nossos usos, de nossos acasos.
Nossos provendo dois anjos olham-se admirados
Em uma doutra, são, por molde, bater-se contra.

As tuas asas passagem. Tu, te oraras, da arte
Dum hóspede de rainhas nos rituais sociais,
São códigos duma centena dos olhos vivos
Prantos podem ser meus, há tua parte à visão.

Deste mestre músico. De que tu tens de que não
Guina à partir do piso das luzes em mim,
Pobre, exausto, errante cantor, tu cantares lado.

No escuro, do encostado ramo dum cipreste?
Missa crismal estás em tua nuca, - meu, orvalho, -
Morte deve arraigar-se nível donde acordaram. 

IV

Tu tens tua aptidão de alguns palácios falidos,
Mais airoso poeta de altos poemas! Onde 
Dançarinos irão rescindir às bases, cuidadas
Verão dos teus mais grávidos lábios maiores. 

Sabes tu ergueres à casa do belho muito pobre,
Na mão de teus? Poderás tu pensar em teres,
Tua música faças daqui ser duma noção
Em dobras doiro à perfeição à minha porta?

Olhe alto e olhe do pivotante partido dos
Morcegos e corujinhas aninham no teto!
Um grilo morrendo contra o teu bandolim.

Silente clamando nenhum eco em meu juízo,
Em desolação! Não há duma voz de que dentro
Gemendo ... como tu saibas cantares ... só, só.

V

Erguido meu coração azarado de solene,
Duma Electra que duma sepulcral Urna,
Olhando em teus olhos, já eu já me quedei
As cinzas destes teus pés. Eis que ei de me ver.

Amplo monte lutos leigos oculto em mim,
São destruição vermelha hão de se exaltares,
Meio gris medial. Se do teu pé desprezado,
Podias pisar fora ao teu crepúsculo total.

Ele pode ser bom quiçá. Mas se em vez disso,
Tu esperavas além mim ao vento quererás soprar-me,
Pó cinzas ao alto…. Os louros de tua cabeça.

Ó meu amado, não irás me abrigar assim,
Nenhum de todas ustões devereis arder
Velo cá abaixo. Erga-se outra voz então. Parta.

VI

Vá por mim. Porém, sinto que irei acudir-me,
Doravante da tua sombra. Jamais deste mais
Sozinha sobre o limite desta minha porta
É a vida particular, da qual eu só governo.

Usos de minha alma, nem erguerei à mão,
São quietudes do sol era como fosse de antes,
Sem da compaixão da qual vós me calardes –
Teu toque na palma da tua mão. Foi maior terra.

Morte tem parte em nós, deixas teu peito ao meu,
Ungidos ao baterem duas vezes. O que faço
E o que eu enleio te incluir, como se dum vinho.

Que têm sabor próprias uvas. Quando eu orar,
Deus pôr mim, Tu escutarás o nome da tua
Verás dentro meus olhos prantos de nós dois.

Elizabeth Barrett Browning - TRAD. ERIC PONTY

POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

AMADO NERVO - POEMAS - TRAD. ERIC PONTY

 Se é bom

Se é bom, saberá todas coisas
Sem livros, não terá para teu espírito
Nada ilógico, nada de injusto, nada
Negro, na vastidão do universo

O problema insolúvel dos fins
E as causas primeiras
Que há fatigado a Filosofia
Será para ti diáfano e modesto.

O mundo adquirirá para sua mente
Uma divina transparência, um claro
Sentido, e tudo em ti será envolto
Em uma imensa paz.

Deus te livre Poeta


Deus te livre Poeta
De verte-te na rua o teu irmão
Na mais pequena gota de amargura
Deus te livre Poeta
De interceptar seguir com sua mão
A luz que sol ilumina há uma criatura.

Deus te livre Poeta
De escrever uma estrofe que entristeça
De turbar com tua carranca
E tua lógica triste
A lógica divina de uma ilusão
De obstruir seu caminho, a vereda
Que recorra a mais humilde planta
De fragmentar a pobre folha
De entorpecer nem com o mais suave
Dos pesos, o ímpeto de uma ave
O de um belo ideal que se levanta.

Tem para teu júbilo o santo
Sorriso acolhedor que o prova
Por uma nota nova
Em toda voz que canta
E resta por menos
Um mínimo ferrão a cada prova
Que torture os maus e os bons.

A mágoa vencida

Mágoa pois não me podes
Pagar a Deus, que resta de sua eficácia!
Aonde está sua direção!

                                          Fogem as horas,
E entre as suas asas leva cada uma
Certa porção de tua energia negra.

Oh mágoa, tu também és escrava
Do tempo, tua potência
Se vai com os instantes disseminados
Por enquanto que Deus no meu interior age
Mais e mais aumentaste a medida
Que mais vou te amando!

Se tu me falaste que vem

Se tu me dissesses: vem o deixo todo
Não moverá sequer o olhar
Para olhar a mulher amada...
Mas diga forte, de tal modo

Que tua voz como um toque de chamada
Vibre até na tua mais intima recordação
Do ser. Levante a alma do lodo
E fere o coração como uma espada.
  
Se tu me dissesses: vem o deixo todo
Chegarei ao seu santuário quase velho
E ao fulgor da luz crepuscular:

- Hei de compensar-te me atrasando
Difundindo-me, Ó Cristo, como um nardo
De perfume sutil, ante teu altar. 

AMADO NERVO - TRAD. ERIC PONTY

POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY



segunda-feira, dezembro 12, 2022

SONETTOS DE SHAKESPEARE - FAÇA VOCÊ MESMO - VII - TRAD. ERIC PONTY

 


VII

Percorra! Quando a luz suave renasce,
E está tua pluma espreita desse Leste,
Todos os olhos prestam homenagem,
Sendo à sagrada majestade da estrela.

E quando, já na meia-idade, ela chega,
Robusta e ainda jovem, de pico etéreo,
Esses os olhos não cessam de adorá-lo,
De que então seguem sua jornada áurea.

Mas quando ela se retira lentamente,
Em tua carruagem cansada, qual um velho,
Que os olhos que costumavam honrá-lo.

E então parar de segui-lo em tua viagem,
Vós que estais neste ápice dessa estrada,
Sem filhos vós fenecerá sem ser notado.

SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

CORREPONDÊNCIAS - CHARLES BAUDELAIRE - TRAD. ERIC PONTY

 PARA DR.PROFESSOR CLAÚDIO LEITÃO


A natura é um templo onde dos pilares vivos,
Às vezes, dá e traz voz de palavras confusas;
O homem passar por florestas de símbolos,
Que olham para ele com olhos entendedores.

Quais ecos longos que se misturam na distância,
Que em duma unidade profunda e tenebrosa,
Vastos qual a sombra da noite e qual a luz do dia,
Que se correspondem perfumes, sons e cores.

Há perfumes tão frios quanto a carne de infantes,
E tão doces feito oboés, verde qual das sebes,
De outros são corruptos e ricos e triunfantes.

Tais com poderes de extensão para infinito,
Quais o âmbar e incenso, almíscar, benjoim,
Que cantam o êxtase da alma e dos sentidos.

CHARLES BAUDELAIRE - TRAD. ERIC PONTY

POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

ESTUDO POÉTICO DO POETA JUNTO DA JANELA - ERIC PONTY

 

I
Quando imagino meus breves dias,

Aos mui que ao tirano Amor me atreve,
E em meu cabelo antecipar a neve,
Mais que os anos, as tristezas minhas.

Vejo que são suas falsas alegrias
Veneno no cristal da razão bebe,
Por quem o apetite voraz se atreve
Vestido de mil doces fantasias.

Que ervas do olvido há dado gosto,
Da razão, que, sem fazer seu artificio
Quer contrarrazão satisfazer-te?

Mas consolar-lhe pode meu desgosto,
Que es desejo do remédio indicio,
Remédio de amor querer encher-lhe!

II

Ó minha musa, apaixonada por palácios,
Tu, quando é janeiro lança seus ventos,
No tédio negro das noites de neve, busque
toras meias queimadas a aquecer os pés roxos?

Seus ombros manchados, eles ficarão quentes
Raios lua deslizam no vidro da nossa janela?
Sabendo que a bolsa e o paladar estão secos,
Tu vais colher ouro dos cofres azuis dos bosques?

Tu deves, a ganhar seu escasso pão da noite
qual menino de altar tédio balançar incensários, 
vocais a os deuses nunca presentes Te Deums,

Agora, morrer de fome, deite seus encantos à venda,
Teu mergulho em choros pelos olhos de ninguém,
Para trazer diversão para à multidão vulgar.

III

Como o que escuta, a musa e conselheiro,
Está, porque não tinha olhado ao largo,
Naquele ar névoa e tenso nevoeiro,
Jamais de lá degrau primeiro de aquém.

E eu vi que ele cobria em novo aparte,
Mas tarda chegar está espera, amarga,
Pensa em ser sem esperanças lá punido,
Palavras de distante entendimento.

Dos raios que ministrou, como ajuda,
Qual vivo que estou mesmo finado,
Sob o fuzil, reduplicada a flor.

Flamas que em terrestre arder prosseguia,
Flocos de chamas como que traziam,
E muitos já jaziam pelas janelas!

IV

Aprovem bem o bem que um de vós fala,
E ainda mais, que cada homem é abarbado,
sejais desonrado de todo o vosso louvor;
Pois nesse lugar o seu valor é o descanso,

Próprio homem não o pode contar:
Mas que vero elogio ao vosso estado,
Pensa que falando ousado, eu digo ainda,
Dos prazeres que ainda chegam tardia.

Dizer que de amar e não ser amado,
Sendo boneco que mais sofre de amor,
Mantos dizem quanto mais há de Maio,

Por isso, humilde, rezo pra que não sejais,
Um homem cuja vida é viver desonrado,
Quer seja vero, quer não, isso mostra-me sábio.
ERIC PONTY

POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

domingo, dezembro 11, 2022

LAUDE - LACOPONE - TRAD. ERIC PONTY

Das queixas de Bondade,
Que do afeto não amava
A justiça seja apelada
Para essa ideia razão!

A Bondade à congrega,
com todas as criaturas,
Sim, é muita hesitação:
Que o infrator seja pego,
Grande vingança é feita,
Pois ofendeu tua amada,
na tua falsa deslealdade.

A justiça em nosso país,
Desta afeição tomada,
E a toda tua família,
Na prisão que o prendeu,
Pois deve ser condenado,
Que desta "niuria" feita,
Traição fora uma carta,
Que não podia contrariar.

O carinho pensou ensaiar,
Este lhe enviou pessoas,
Porque tinha liberdade,
Já cá conheço à Razão;
Bem tem compaixão disso,
Suculência que não morre,
De graça lhes dá uma lesca!

A Bondade se comporta,
Deste amor tão furtivo,
Pois com ele, se derrotar,
Este mundo tão sombrio:
Deste corpo lussuriano,
Retornar para a forja;
Perder tudo porão todo,
Que Isso o fez se deitar.

A bondade da afeição,
Do sabor do sentimento;
Intelecto, está na fronte,
Ao sair em tão completo,
Afeto viv'en tormento,
Do "Agente” que reclama,
Esse tempo dá-lhe poder,
Corruptos desejam fazer.

O intelecto porque gostou,
Neste sabor da Sapïenza,
Da tua grande complacência;
Com olhares da Inteligência,
Não quero ouvir mais nada,
Se está não está divertida.

Afeto não concorda conosco,
Pois ele quer ver mais!
Meu estômago está fenecendo,
Quer chegar às tomadas,
De tão fervoroso apetite,
E eu sentirei, que fugiu,
Desta plagne sem consular.

Intelecto diz: "Cale a boca!
Não me dê mais da molesta,
Sendo que pela glória que veio,
Então, o coberto é tão giro:
Não me incomode nesta festa,
Deve então estar contente,
Contentar para teu talento,
Apagarei a minha questão».

Não se agonie, se me vir,
Benefícios que se criam;
Sendo que para eles eu sei,
Desse Divino estado ósseo;
Não irá querer ir vê-los,
Mas é preciso namorar,
De todo esse meu fatigar».

LACOPONE - TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

sábado, dezembro 10, 2022

Marinheiro da Terra - Sonho do Marinheiro - Rafael Alberti - TRAD. ERIC PONTY

Eu, o marinheiro no meu ribeiro,
Posado sobre um cano e doce dum rio
Que de seu braço houve um mar Andaluzia,

Sonho em ser almirante de navio,
A partir do lombo dos mares
Ao sol ardente e da lua fria.

Ô elos do Sul! Ô às polares
Ilhas Nortenhas! Brancas primaveras,
Na nua e hirta sobre os glaciais,

O Corpo de roca e alma de videira!
Do estio tropical, roxo, abrasado,
Embaixo do plumeiro azul Palmeira!

Meu sonho, pelo mar condecorado,
Já sobre seu batel, firme, seguro,
De uma verde sereia enamorada,

Concha d’água ali em seu seno escuro.
Arroja-me as ondas, marinheiro:
— Sereiazinha do mar, eu te conjuro!

O Sal da tua gruta, que adorar-te quero,
O Sal de tua gruta, virgem campesina,
Ao plantar-me no peito do teu luzeiro.

Já está flutuando corpo da aurora
Na bandeja azul do oceano
E a cara do céu se colore.

De carmim. Deixa o vidro de tua mão
Desolo na alba urna de minha frente,
A Alga de nácar, cantadora em vão.

Embaixo vergel azul da corrente.
Gélidos depositários submarinos,
Com o anjo barqueiro de relente.

E a lua d´ agua por padrinhos!
O mar, a terra, o ar, minha sereia,
Enrolado atado aos teus cabelos finos.

E verdes de tua álgida melena.
Minhas galhardertes brancas atingem bico,
Ô marinheiro! Ante a aurora cheia!

E na rudeza pelo o mar teu caracol!

Rafael Alberti - TRAD. ERIC PONTY

POETA ERIC PONTY

sexta-feira, dezembro 09, 2022

SONETTOS DE SHAKESPEARE - FAÇA VOCÊ MESMO - SONETTO VI

 


VI

N
ão deixe que inverno rigoroso apague,
Se vós não destilastes, do teu verão:
Está adoçar um vaso; que olhe onde,
Acrescentar tua bolsa e não a enterrar.

Tal uso não é de mal interpretado,
Pois encher de alegria aqueles que pagam,
Vós se beneficia desta criança,
Dum igual a vós, ou dez se possível.

Vós serás dez vezes mais feliz cá,
Ao ver-se refletido em dez outros,
Morte não poderá chegar até vós.

Pois se eles vivem, vós também vives,
Mas não desfrute teu legado só,
Ou dos vermes herdarão teu encanto!
SHAKESPEARE - TRAD. ERIC PONTY

50 POEMAS ESCOLHIDOS PELO AUTOR - ERIC PONTY - A VENDA NO SEBO PONTO LITERÁRIO DE SJDR

 

TUMBA DE IVO BARROSO (Elegia) - ERIC PONTY

 


I

Clara tumba teu corpo sobre o vale,
E olvida a foz escura das flores,
De terra primitiva, da migalha,
O pão do que é findo e ainda ressoa.

O que se foi (não custou a cinza e treva,
Que os idos passam para ouvir dos vivos,
Mais finda está que toda essa harmonia,
De vozes e colcheias fazem translucidas.

Mais morto está porque olvida esse limbo,
Ausente tempo, mas nas era audível,
No teu esquecido jaz a partitura.

Se para alaúde e folha escrita nuvens,
Que passam sem alívio no escuro,
Do bronze de sinos, música em tons.

II

O que se foi (à tona, lei de juiz),
Ardor que nunca foi na superfície,
Ao crível do martírio, mas na dor,
Que flor que destila sua patina.

Quando oculta sob a foz das frinchas,
Alerta pela morte de outras idas,
Nas pálpebras fundidas do existido,
Espessa formação de linhos tão ígneos.

De te saberes restos de um infante,
Que anoiteceu teu lado num jardim,
Entre solstícios de ecos partidos.

Bronzes quebradiços, vida e vinda,
Onde agora és linfa dessa alquimia, flamas,
Dum sol de solstícios teus ritos.

III

Deixa tumba tombar teu corpo útero,
Húmus, os vermes – disseram sepulcro,
Para logo, o mesmo, erguer-se a sombra,
Talvez Orfeu lhe toque a Lira olvido.

Ao pó serás, cá, porque estavas vivo,
Onde alteram antes e após do fundo,
Passagem que retorna Orfeu ergue-se,
Onde o tempo não cala e já resvala.

Nem como esposa lírica lhe encanta,
Nem nesta tumba nem em parte alguma,
Cá que somente o foi quanto defunto.

Que reserva irá equilibrar Teu saldo?
Não tem bom aspecto retém substância,
Do tempo inexorável transfigura.

ERIC PONTY
P.S: ANIVERSÁRIO DIA 25 DE DEZEMBRO

quarta-feira, dezembro 07, 2022

CANTATA DE NATAL DE ALEXANDRE SCHUBERT

 


Theory of the Lyric de Jonathan Culler - DICA DE LEITURA - TRAD ERIC PONTY - PROMOCIONAL

 

LENDO Theory of the Lyric de Jonathan Culler vi uma nova visão no campo que propõe: Os teóricos recentes argumentaram que as obras são feitas a partir de outras obras: tornadas possíveis pelas obras anteriores que elas retomam, repetem, contestam, transformam. Está noção às vezes é conhecida pelo nome imaginoso de "intertextualidade". Uma obra existe em meio a outros textos, por meio de suas relações com eles. Ler algo feito literatura é considerá-lo feito um evento linguístico que tem significado em relação a outros discursos: por exemplo, feito um poema que joga com as possibilidades criadas por poemas anteriores ou feito um romance que encena e critica a retórica política de seu tempo. Agora, feito ler um poema feito literatura é relacioná-lo a outros poemas, com parar e contrastar o modo feito ele faz sentido com os modos feito os outros fazem sentido, é possível ler os poemas feitos sendo, em algum nível, sobre a própria poesia.
A linguagem resiste aos enquadramentos que impomos. Qualquer conjunto de textos que pudesse realizar tudo isso seria realmente muito especial. 0 que é a literatura que se pensava que pudesse realizar tudo isso? Uma coisa que é crucial numa estrutura especial de exemplaridade em ação na literatura feita.
A estrutura das obras literárias é tal que é mais fácil considerar que nos contam sobre a "condição humana" em geral do que mencionar que categorias mais restritas elas descrevem ou iluminam. A literatura é um instrumento ideológico: um conjunto de histórias que seduzem os leitores para que aceitem os arranjos hierárquicos da sociedade? Se as histórias aceitam sem discussão que as mulheres devem encontrar sua felicidade, se é que vão encontrá-la, no casamento; se aceitam as divisões de classe feito naturais e exploram a ideia que trabalham para legitimar arranjos históricos contingentes. Ou a literatura é o lugar onde a ideologia é exposta, revelada feito algo que pode ser arguido? A literatura representa, por exemplo, de uma maneira potencial intensa e tocante, do arco estreito de opções históricos oferecidos às mulheres e, ao tornar isso visível, alça a possibilidade de não se aceitar isso sem discussão. Ambas as asserções são inteiras plausíveis: que a literatura é o veículo de ideologia e que a literatura é um instrumento para sua anulação. Aqui novamente encontramos uma complexa oscilação entre as "propriedades" potenciais da literatura e a atenção que realça essas propriedades.
 A literatura é o ruído da cultura assim feito sua informação. E uma força entrópica assim feito um capital cultural. E uma escrita que exige uma leitura e envolve os leitores nos problemas de sentido. A literatura é uma instituição paradoxal porque criar literatura é escrever de acordo com fórmulas existentes - produzir algo que parece um soneto ou que segue as convenções do romance - mas é também zombar dessas convenções, ir além delas. A literatura é uma instituição que vive de expor e criticar seus próprios limites, de testar o que acontecerá se escrevermos de modo díspar.
Estamos lidando com o que poderia ser descrito feito propriedades das obras literárias, traços que as marcam feitura da literatura, mas também com o que poderia ser visto feito os resultados de um tipo particular de atenção, uma função que atribuímos à linguagem ao considerá-la literatura. Parece que nenhuma das duas perspectivas consegue englobar a outra de modo a tornar-se uma perspectiva abrangente. As qualidades da literatura não podem ser reduzidas as propriedades objetivas ou a consequências de maneiras de enquadrar está linguagem.
A poesia lírica tem uma longa história no Ocidente, mas estatuto um universal incerto; grande conde comparatista Earl Miner conclui, "Lírica é o género de base para a poética ou pressupostos literários sistemáticos das culturas em todo o mundo. Só a poética ocidental se difere. Mesmo as grandes civilizações que não demonstraram a necessidade de desenvolver uma poética sistemática (islâmico, por exemplo) têm comprovadamente baseado as suas ideias de literatura em pressupostos líricos". E acrescenta: "A primeira coisa a ser dita dos sistemas poéticos líricos é que não são miméticos ".
Poder-se-ia argumentar que é para razões bastante contingentes - o fato de Aristóteles ter escrito um tratado sobre poesia mimética, a poesia como imitação de ação, e não sobre as outras formas poéticas que eram centrais para a cultura grega - essa teoria literária ocidental.
negligenciou a lírica e, até à era romântica, tratou-a como uma coleção variada de formas menores, apesar do nosso floreio da lírica na antiguidade Roma, a Idade Média, e o Renascimento. Lírico foi finalmente feito em três géneros fundamentais durante o período romântico, quando uma concepção mais vigorosa e altamente desenvolvida do sujeito individual a tornou possível conceber a lírica como mímica: uma imitação da experiência do assunto.
Hegel dá a expressão mais completa à teoria romântica da lírica, cuja característica distintiva é a centralidade da subjetividade da tomada de consciência de si própria por meio da experiência e da reflexão. O poeta lírico absorve em si mesmo o mundo exterior e carimba-o com consciência, e a unidade do poema é proporcionada por esta subjetividade.
Esta concepção da lírica, como repreensão da experiência subjetiva, embora ampla divulgada e influenciada, já não tem grande moeda no mundo académico. Foi substituída por uma variante que trata a lírica não como mimesis da experiência do poeta, mas como uma repreensão sensação da ação de um locutor fictício: neste relato, a lírica é falada por uma persona, cuja situação e motivação se precisa de reconstruir. Isto tornou-se o modelo dominante na pedagogia da lírica no mundo, se não em qualquer outro lugar. Os estudantes são questionados, quando confrontados com um poema, para perceber quem está a falar, em que circunstâncias, a que e para traçar o drama de atitudes que este poema apresa.
Lírica foi em tempos central para a experiência da literatura e para a literária da educação, mas tem sido eclipsada pelo romance, talvez em parte porque falta-nos uma teoria adequada da lírica. Mesmo na era da alta teoria, apesar do interesse na análise linguística da linguagem poética, os relatos teóricos da lírica tendem a ser negativos, concebidos para contrastar com os verdadeiros objetos de interesse teórico.
O ímpeto imediato deste projeto é, portanto, crítico: investigar inadequações dos modelos atuais e explorar alternativas, examinando possibilidades inerentes à tradição lírica ocidental. Os modelos atuais falsificam a longa tradição da letra e encorajar os estudantes a pensar na letra em formas que negligenciam algumas das características centrais da poesia lírica, ambas presentes, e, do passado. Uma vez que o objetivo é um relato mais preciso e capcioso do lírico, não tento um amplo levantamento das teorias da lírica, mas engajo-me com apenas aqueles que parecem particular influenciais ou que prometem contribuir para um modelo melhor. Estes últimos vão desde concepções antigas de lírica como uma forma de discurso epidético (a retórica do elogio ou da culpa, centrada em que deve ser valorizado) às propostas modernas para considerar lírico como "pensamento escrito": escrever pensamentos para os leitores articularem. Uma questão subjacente é qual seria o critério para uma teoria adequada da lírica como Hegel dá a expressão mais completa à teoria romântica da lírica, cuja característica distintiva é a centralidade da subjetividade da tomada de consciência de si própria por meio da experiência e da reflexão vindo por exemplo, a Lírica que lírico absorve em si mesmo do mundo exterior e carimba-o com consciência, e a unidade do poema é proporcionada por esta subjetividade numa isotopia lírica.
O ímpeto imediato deste projeto é, portanto, crítico: investigar inadequações dos modelos atuais e explorar alternativas, examinando possibilidades inerentes à tradição lírica ocidental dando voz a Lírica do passado e desfazer-se de modelos já gastos pela poética do século XX, retomando as quatro formas basilares de Pound, ou seja, explorar investigar inadequações dos modelos atuais e explorar alternativas, absorver em si mesmo o mundo exterior e carimba-o com consciência, e a unidade do poema é proporcionada por esta subjetividade, sendo que isto se dá por quatro regras investigadas por Pound, que recapitulando estas regras que são: Técnica. - Acreditar na técnica como o teste da sinceridade de um homem; na lei, quando é verificável; no espezinhamento de cada convenção que impeça ou obscureça a consignação da lei, ou a interpretação precisa do impulso, dando o ultimando da interpretação precisa do impulso ao se aliar a forma, - que há um conteúdo 'fluido' e um conteúdo 'sólido', de alguns poemas podem ter forma como uma árvore tem forma, outros feitos qual água derramada para um vaso. Que as formas mais simétricas têm certas utilizações. De que um vasto número de sujeitos não pode ser preciso, e por isso não pode ser devido oferecido de forma igual, e sendo comtemplar, que o símbolo adequado e perfeito é o objeto natural, que se um homem é usar símbolos', deve utilizá-los de tal forma que a sua função simbólica não se omite; para que um sentido, e a qualidade poética desta passagem, não se perca para aqueles que não compreendem o símbolo como tal, para quem, por exemplo, um falcão é um falcão, acrescendo no ritmo. - acreditando num 'ritmo absoluto', um ritmo, ou seja, em poesia que corresponde exata à emoção ou à sombra da emoção a ser expressa num ritmo de um homem deve ser interpretativo, será, por conseguinte, no final, a sua própria, falsificável expressão, não fácil, ou, falsificável expressão que há um conteúdo 'fluido' e um conteúdo 'sólido', de alguns poemas podem ter forma como uma árvore tem forma, outros feitos qual água derramada para um vaso.

O livro  Theory of the Lyric de Jonathan Culler não está traduzido para o português, na Amazon sai por 250,00 comigo por e-mail sai na graça.

A LUA ROXA - Robert Art - LIBRETO ACHADO - TRAD E ADAPT - ERIC PONTY

(Em cena os cantores devem estar vestidos com roupas comuns, porém entre alguns cantores devem criar a impressão que são funcionários públicos, empresários, artistas. Na cena todos devem caminhar como se estivesse, numa rua, agir naturalmente para dar a impressão de um dia comum.)

Coro:
Entre praças e avenidas todos caminham,
numa nova amanha de claras esperanças
todos nós caminhamos homens e funcionários.
Nosso caminhar é para o futuro; É um salto para o devir,
Em nossos lares escutamos nosso Tango, ouvimos nosso blues.
Nossas casas por fora representam nosso interior, alegremente;
observamos pares amorosos a se beijarem nas praças,
e nos bancos homens fazem seus negócios,
selando destinos;
enfim é um dia como qualquer outro,
uma manhã como qualquer outra,
Daqui podemos ouvir cada passo dado em qualquer lar,
observamos qualquer coisa, que se passa e entreolha;
nos nossos olhares. Como podemos ser tão felizes!

( Um casal apaixonado )

Ele:
Seu olhar é um brilhante no meio do caos,
que me olha para bem, dentro do meu olho,
Um doce olhar de primavera.

Ela:
Seu olhar é uma manha de pombas
que pulsa em meu pulso num só tom
Como posso eu ser tão feliz?

( Um funcionário fecha contrato com um outro. )

Funcionário:
Meu banco que desbanca qualquer outro banco,
senhor ganhou rendimentos financeiros; poderá
descansar como qualquer outro poupador; não é qualquer
banco que se banca tal milagre.
Só em meu banco o senhor garantirá um livre investimento
Sem qualquer empecilho financeiro.

Cliente:
Sei que fiz um grande negocio, e não é para qualquer banco, Não e em qualquer praça que se faz negócio assim, Estou satisfeito de negociar com um gerente de respeito.

Camelô:
Trago comigo uma grande novidade vinda do oriente,
um pó que faz emagrecer cinco quilos numa semana,
quem vai querer um pó tão bom assim; É só pedir!

Coro:
Hoje é uma manha sem igual,
como podem ter feito tal dia assim,
flores e rosas se espalham. pelos canteiros primaveris,
sol está tão festivo; ontem foi um dia de lua cheia,
hoje de um belo amanhecer;
Como podem ter surgido maravilhas como estas,
são esplêndidas como estas.
Um dia assim, vai ficar ainda
na história; como somos felizes;
não há razões para estarmos tristes!
(Na cena aos poucos deve aparecer a lua. Antes disto acontecer à cena deve ir avermelhando-se. Aos poucos as pessoas devem ir parando lentamente. A cena deve criar a tensão. Os cantores/atores devem permanecer neutros. Tudo o que acontecer deve acontecer com naturalidade. 0 regente do coro em cena deve deixar sua partitura cair ao chão e aí ha um silencio total, este sai de cena. 0 coro deve fazer uma algaravia desconexa e ritmada. )

Músico:
0 que ocorreu num dia tão normal,
que dia é este que a lua avermelha-se?
Lua no cosmo cintila feliz perseguida por estrelas.
Meu coração valsava uma valsa,
e por um triz quase perdi o amanhecer.

Bailarina:
Lua no horizonte cintilava,
somente a brilhar no cosmo a se iluminar;
Como flutua no mar cósmico e ilumina
em nosso horizonte.
Eis que agora golpeada triste sina
de um satélite lunar avermelha-se.

(Em cena os cantores/atores devem correr para todos Os lados sem direção em meio a confusa cena. Um transeunte pára e vir-se-á para a plateia.)

Transeunte:
Entre praças e avenidas que todos caminhavam,
não houve tempo ainda para um amanhecer
neste absoluto tempo de treva e luz,
absoluta ordem que nos norteia,
tempo e caos, forma-se um par.

Todos valsam esta valsa sem suaves
melodias melódicas, uma melodia tensa,
que pulam em notas sem cadência,
um estranho tempo isto sim:
Tempo de confusão e morte,
algariva e de caos.

No céu cintila a lua avermelhada,
apunhalada pelos seres vis...
No céu se perpetua num grave
som de melodia, vermelha agora
é a sua tonalidade,
de vermelha dor...

Choram poetas e amantes
diante do assassinato, belo satélite
que flutua na imensidão do cosmo nua,
chovem as gotas vermelhas da aureola.

É um tempo estranho que estranhas formas,
homens transformam-se em animais e homens,
homens-animais no meio da algaravia,
são seus tons plurais que vermelha
em seu seio sacia avermelhada lua
que aqui jaz.

(Black-out vai caindo aos poucos.)

ROBERT ART - ERIC PONTY

terça-feira, dezembro 06, 2022

MAGRITTE E A BORBOLETA BRANCA - POEMA EM PROSA - ERIC PONTY

O PINTOR PODERIA ENGANAR-SE, ACREDITANDO QUE É BELEZA ESTÁ NOS SEUS QUADROS, COMO AS MULHERES SE ENGANAM QUANDO PARA TODAS ELAS OLHAM, PORQUE NA VERDADE OLHAM BASTANTE. SEI QUE NÃO SE TRATA DE BELEZA E SIM DE OUTRA COISA, SIM OUTRA COISA.

PARECER AQUILO QUE QUER PARECER, SENDO UMA CANÇÃO, BONITINHA, BONITINHA, POR EXEMPLO, PARA UM QUADRO QUE ESTÁ A SER PINTANDO, ISSO É SOMENTE, TUDO O QUE QUEREM QUE POSSO SER É NOVA.

PARA NOVA, O ÚNICO CÚMPLICE ERA PINCEL. SE DIZ PINCEL, ENCANTADOR COMO TODOS AQUELES QUE DIZIAM DE NUM QUADRO ÉBRIO


TALVEZ SOUBESSE DA EXISTÊNCIA DE UMA BORBOLETA BRANCA. TIVESSE EMPREGADO NATIVOS CONHECIMENTOS QUE SABIA DA PINTURA E COM CERTEZA FAZIA ESBOÇOS. NÃO DEVERIA IGNORAR A DOR DA BORBOLETA. DEVIAM TER A MESMO MATIZ, OS DOIS, NUMA MANHÃ DE ONTEM. NAQUELA NOITE, TERIA VISTO A DOR DA BORBOLETA? E, VENDO, TERIA A CONSOLADO? UMA BORBOLETA BRANCA, PODERIA LHE FALTAR COM O ENCANTO, PODERIA ESSE TIPO DE DOR DO QUAL ERA VÍTIMA? QUEM SABE? TALVEZ A BORBOLETA BRANCA ESTIVESSE ENGANADA, TALVEZ TIVESSE SENTIDO A MESMA DOR RETRATA, SEM UM MOVIMENTO, O RESTANTE DA NOITE. E DEPOIS VEIO A MANHÃ E O AMOR, DEPOIS DAS LÁGRIMAS.


DESDE HÁ MUITO, MUITO TEMPO OCORRIDO, VAREI-LHE UMA CONFIDÊNCIA, ANDAMOS A DEBATER-NOS COM O LUAR. É MUITO RARO QUE A LUZ, SUAVE, ELA NOS PAREÇA CONTENTE. E NEM É COISA QUE SE DURE. DI-LO O SEU JEITO DE LUAR, ALIÁS, UM JEITO A POBRE (NÃO FORA SUA AMARGURA).

DEVERIA-LHE EXPLICAR-TE AGORA O CASO DOS BRILHOS DO LUAR. INCRIVILMENTE COMPLICADO, E A LUA... POR FAVOR, CONFIA EM MIM. ALGUMA VEZ QUERIA ENGANAR-TE? O LUAR NÃO PASSA DUMA SIMPLES ILUSÃO. NÃO PASSA MEDO. EXISTE, JURO QUE EXISTE; ESTAMOS CONTASTEMENTE A VÊ-LO.

QUEM? NÓS, CLARO, NÓS ESTAMOS A VÊ-LO. CHEGA DE MUITO TEMPO A METER-SE CONOSCO E ASSUSTAR-NOS. QUANDO VIERES HÁS-DE VÊ-LO, TAMBÉM TU, E FICARAS MUITO ESPANTADO. “OLHA SÓ”, DIRÁS POR QUE LUA ASSOMBRA.

HAVEMOS UM DIA DE VÊ-LA JUNTOS. JULGO QUE DEIXAREI DE TER RECEIO. OU ACHAS, DIZ-ME LÁ TU, QUE ISSO NUNCA VAI NOS ACONTECER?



ANOS DEPOIS, DEPOIS DE TANTOS DESENENGANOS, DE PINTURAS SOLTAS AO RELENTO, ELE FOI VER O LUAR COM A MUSA. PINTO-A NUM QUADRO. SOU EU DISSE-LHE. A MUSA RECONHECEU. O PINTOR DISSE: QUERIA APENAS OUVIR SEU SUSSURRO. MUSA DISSE: SOU EU. BOM DIA. SUA VOZ COMEÇOU A SUSSURRAR DE REPENTE. E, COM ESSE SUSSURRO, SUBITAMENTE REENCONTROU-SE NO SEU MATIZ.

ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

A RUA — DUM OCRE ORIENTAL - ERIC PONTY


A RUA — DUM OCRE ORIENTAL
EM SEU ATELIE SOBRIO DE RENDA,
ETERNAL E NU — ONDA BANAL,
NA FATURA PARVA NOITE FATAL.

PINTOR PINTA SEU RUMO, FUNDO,
E COM TEMOR, OLHAR, MUNDO
A RUA — OCRE ORIENTAL FENDA
EM SEU ATELIE SOBRIO DE RENDA,

TROVEJA CHEIO DA PAISAGEM,
JULGOU PERDER SENSO, ESVANECEU MARGEM
E CAIR: SE ILUMINA EM LOUVOR IDEAL,
EM SEU DESVELO SENTIR FRIO MORTAL
DA RUA - DUM OCRE ORIENTAL.

ERIC PONTY

PALPITE DAS 3 - ERIC PONTY


É QUE EM TAIS MOMENTOS
TINHAM DEIXADOS TORMENTOS
NO TEU SONHAR
DEPOIS PERDEU A LICENÇA
PORQUE A ILUSÃO TAMBÉM CESSA
DE ILUDIR A RAZÃO.

TEM SEMPRE UMA HORA QUE A VISÃO TRAIR
POIS VOU CURTIR MINHA ILUSÃO, MAS
VOU DEIXAR A LUZ QUE ME ILUMINAR
SE ALGUM DIA A BELEZA IR FALAR,
QUISER ENTRAR NA MINHA RAZÃO!

É UM ASENTO POR PERTO
PORQUE ESTIVERES CERTO
QUE TU VAIS IGNORAR LAMENTOS!

ERIC PONTY

PINTOR — MINHA EFÍGIE! - ERIC PONTY

PINTOR! MINHA EFÍGIE
QUE SE DESPEDAÇOU!
TEU RISCO TE FEZ ASTRO:
ME DEIXOU — ME DEIXOU!

DO ALTO ESCALASTE
TEM TEU CONTORNO.
PINTOR! MINHA EFÍGIE
QUE SE DESPEDAÇOU!

Ó! POR ISSO INVOCO,
MESTRE DAS SANHAS,

Ô PIVÔ DAS TARDES,
SENHOR DAS RUAS,
PINTOR — MINHA EFÍGIE!

ERIC PONTY