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quarta-feira, dezembro 07, 2022

A LUA ROXA - Robert Art - LIBRETO ACHADO - TRAD E ADAPT - ERIC PONTY

(Em cena os cantores devem estar vestidos com roupas comuns, porém entre alguns cantores devem criar a impressão que são funcionários públicos, empresários, artistas. Na cena todos devem caminhar como se estivesse, numa rua, agir naturalmente para dar a impressão de um dia comum.)

Coro:
Entre praças e avenidas todos caminham,
numa nova amanha de claras esperanças
todos nós caminhamos homens e funcionários.
Nosso caminhar é para o futuro; É um salto para o devir,
Em nossos lares escutamos nosso Tango, ouvimos nosso blues.
Nossas casas por fora representam nosso interior, alegremente;
observamos pares amorosos a se beijarem nas praças,
e nos bancos homens fazem seus negócios,
selando destinos;
enfim é um dia como qualquer outro,
uma manhã como qualquer outra,
Daqui podemos ouvir cada passo dado em qualquer lar,
observamos qualquer coisa, que se passa e entreolha;
nos nossos olhares. Como podemos ser tão felizes!

( Um casal apaixonado )

Ele:
Seu olhar é um brilhante no meio do caos,
que me olha para bem, dentro do meu olho,
Um doce olhar de primavera.

Ela:
Seu olhar é uma manha de pombas
que pulsa em meu pulso num só tom
Como posso eu ser tão feliz?

( Um funcionário fecha contrato com um outro. )

Funcionário:
Meu banco que desbanca qualquer outro banco,
senhor ganhou rendimentos financeiros; poderá
descansar como qualquer outro poupador; não é qualquer
banco que se banca tal milagre.
Só em meu banco o senhor garantirá um livre investimento
Sem qualquer empecilho financeiro.

Cliente:
Sei que fiz um grande negocio, e não é para qualquer banco, Não e em qualquer praça que se faz negócio assim, Estou satisfeito de negociar com um gerente de respeito.

Camelô:
Trago comigo uma grande novidade vinda do oriente,
um pó que faz emagrecer cinco quilos numa semana,
quem vai querer um pó tão bom assim; É só pedir!

Coro:
Hoje é uma manha sem igual,
como podem ter feito tal dia assim,
flores e rosas se espalham. pelos canteiros primaveris,
sol está tão festivo; ontem foi um dia de lua cheia,
hoje de um belo amanhecer;
Como podem ter surgido maravilhas como estas,
são esplêndidas como estas.
Um dia assim, vai ficar ainda
na história; como somos felizes;
não há razões para estarmos tristes!
(Na cena aos poucos deve aparecer a lua. Antes disto acontecer à cena deve ir avermelhando-se. Aos poucos as pessoas devem ir parando lentamente. A cena deve criar a tensão. Os cantores/atores devem permanecer neutros. Tudo o que acontecer deve acontecer com naturalidade. 0 regente do coro em cena deve deixar sua partitura cair ao chão e aí ha um silencio total, este sai de cena. 0 coro deve fazer uma algaravia desconexa e ritmada. )

Músico:
0 que ocorreu num dia tão normal,
que dia é este que a lua avermelha-se?
Lua no cosmo cintila feliz perseguida por estrelas.
Meu coração valsava uma valsa,
e por um triz quase perdi o amanhecer.

Bailarina:
Lua no horizonte cintilava,
somente a brilhar no cosmo a se iluminar;
Como flutua no mar cósmico e ilumina
em nosso horizonte.
Eis que agora golpeada triste sina
de um satélite lunar avermelha-se.

(Em cena os cantores/atores devem correr para todos Os lados sem direção em meio a confusa cena. Um transeunte pára e vir-se-á para a plateia.)

Transeunte:
Entre praças e avenidas que todos caminhavam,
não houve tempo ainda para um amanhecer
neste absoluto tempo de treva e luz,
absoluta ordem que nos norteia,
tempo e caos, forma-se um par.

Todos valsam esta valsa sem suaves
melodias melódicas, uma melodia tensa,
que pulam em notas sem cadência,
um estranho tempo isto sim:
Tempo de confusão e morte,
algariva e de caos.

No céu cintila a lua avermelhada,
apunhalada pelos seres vis...
No céu se perpetua num grave
som de melodia, vermelha agora
é a sua tonalidade,
de vermelha dor...

Choram poetas e amantes
diante do assassinato, belo satélite
que flutua na imensidão do cosmo nua,
chovem as gotas vermelhas da aureola.

É um tempo estranho que estranhas formas,
homens transformam-se em animais e homens,
homens-animais no meio da algaravia,
são seus tons plurais que vermelha
em seu seio sacia avermelhada lua
que aqui jaz.

(Black-out vai caindo aos poucos.)

ROBERT ART - ERIC PONTY

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