Posado sobre um cano e doce dum rio
Que de seu braço houve um mar Andaluzia,
Sonho em ser almirante de navio,
A partir do lombo dos mares
Ao sol ardente e da lua fria.
Ô elos do Sul! Ô às polares
Ilhas Nortenhas! Brancas primaveras,
Na nua e hirta sobre os glaciais,
O Corpo de roca e alma de videira!
Do estio tropical, roxo, abrasado,
Embaixo do plumeiro azul Palmeira!
Meu sonho, pelo mar condecorado,
Já sobre seu batel, firme, seguro,
De uma verde sereia enamorada,
Concha d’água ali em seu seno escuro.
Arroja-me as ondas, marinheiro:
— Sereiazinha do mar, eu te conjuro!
O Sal da tua gruta, que adorar-te quero,
O Sal de tua gruta, virgem campesina,
Ao plantar-me no peito do teu luzeiro.
Já está flutuando corpo da aurora
Na bandeja azul do oceano
E a cara do céu se colore.
De carmim. Deixa o vidro de tua mão
Desolo na alba urna de minha frente,
A Alga de nácar, cantadora em vão.
Embaixo vergel azul da corrente.
Gélidos depositários submarinos,
Com o anjo barqueiro de relente.
E a lua d´ agua por padrinhos!
O mar, a terra, o ar, minha sereia,
Enrolado atado aos teus cabelos finos.
E verdes de tua álgida melena.
Minhas galhardertes brancas atingem bico,
Ô marinheiro! Ante a aurora cheia!
E na rudeza pelo o mar teu caracol!
Rafael Alberti - TRAD. ERIC PONTY

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