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domingo, março 09, 2025

(DIZER PARA DORMIR) - RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

Quero cantar para alguém,
sentar e estar com alguém.
Quero embalar e cantar para ti
e acompanhá-lo até o sono e depois dele.
Quero ser a única pessoa na casa,
que sabe: a noite estava fria.
E quero ouvir dentro e fora
Em ti, no mundo, na floresta.
Os relógios chamam uns aos outros, tocando,
e tu olhas para o fundo do tempo.
E lá embaixo, outro homem estranho caminha
e perturba um cachorro estranho.
O silêncio ecoa atrás deles. Eu tenho grandes
meus olhos para ti;
Eles o seguram gentil e o deixam ir,
quando uma coisa se move no escuro.

RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

ERIC PONTY POETA TRADUTOR LIBRETTISTA

O hábito da perfeição - GERARD MANLEY HOPKINS - TRAD. ERIC PONTY

ELEITO Silêncio, cante para mim
E bata em meu ouvido turbulento,
Leve-me a pastagens tranquilas e seja
A música que me interessa ouvir.
Não moldem nada, lábios; sejam adoráveis e mudos: 5


É o fechamento, o toque de recolher enviado
De lá, de onde vêm todas as rendições
Que só o torna eloquente.
Sejam conchados, olhos, com dupla escuridão
E descubram a luz incriada: 10


Esse tumulto que você comenta
Enrola, mantém e provoca a simples visão.
O paladar, a cabana da saborosa luxúria,
Não deseja ser lavado com vinho:
A lata deve ser tão doce, a crosta 15
Tão fresca que vem em jejuns divinos!


Narinas, seu hálito descuidado que gasta
No agitar e guardar do orgulho,
Que sabor terão os incensários
Ao longo do lado do santuário! 20


Ó mãos de prímula, ó pés
Que querem o rendimento da relva macia,
Mas vocês caminharão na rua dourada
E desalojarão e abrigarão o Senhor.

TRAD. ERIC PONTY

ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

UMA IMAGEM PARA St. Dorothea - GERARD MANLEY HOPKINS - TRAD.ERIC PONTY

Eu trago uma cesta forrada de grama;
Sou tão leve, sou tão da belezas,
Que os homens devem se maravilhar quando eu passo
E a cesta que carrego comigo,
Onde, em uma folhinha verde recém desenhada 5

Flores doces eu levo, - doces para amargos.
Lírios eu lhe mostro, lírios nenhum,
Nenhum que nos jardins de César sopra.
E um marmelo na mão, nenhum
Está posto em teus ramos abaixo; 10

Não está posto, porque teus botões não nascem;
Não primavera, porque o mundo está invernando.
Mas esses foram descobertos no Leste e no Sul
Onde o inverno é o clima olvidado. -
A gota de orvalho na boca da larkspur 15

Não deveria então ser apagada?
Em charcos estrelados, eles tiraram
Essas gotas: quais seriam elas? Estrelas ou orvalho?
Teria ela em mãos um marmelo? Mas olhai:
É antes a lua que mede. 20

Eis que os céus se enlaçam com formas leitosas!
Essa era tua fileira de larkspur. - Tão cedo?
Espargiu tão célere, doce alma? - Nós vemos
Nem frutas, nem flores, nem Dorothy

GERARD MANLEY HOPKINS - TRAD.ERIC PONTY

ERIC PONTY POETA TRADUTOR LIBRETTISTA

sábado, março 08, 2025

PARA UM BEBÊ -- ALEKSANDR PÚCHKIN - TRAD. ERIC PONTY

 


OUVIR O ECO: - ERIC PONTY

SE TIVESSEM MANDADO UMA PALAVRA,
OCA DE NADA, NEM MESMO EXPLICANDO,
EU TERIA COM FICANDO QUE ESPERANDO,
ERA A TERNA ILUSÃO PASSAR QUE FOSSEM.

QUE IMPORTARIA À SOMBRA DA PRIMAVERA,
SE ERAS O FADO DA FLOR DESABROCHA,
SE TIVESSEM MANDADO UMA PALAVRA,
EU TERIA FICADO ATÉ AGORA AGUARDA.

NÃO MANDOU-ME NADA DISSESTES, FUI
SEM SABER QUE O DIZEM VIDA QUE ERA,
QUE BUSCANDO-SE O MUNDO OLVIDA HORA.

E POR FIM O DESTINO IRÔNICO FAZ,
HOJE, FEZ-ME À SOMBRA AO TEU OLHAR À SOMBRA,
OUVIR O ECO: AGUARDA! TARDE SE FOI.

ERIC PONTY

ERIC PONTY POETA TRADUTOR LIBRETTISTA

PASSAM POR SOFRER - ERIC PONTY

FUI-ME. QUIS TE QUERER ABANDONADA,
ÀS MEMÓRIAS DA GENTE NOS PRENDEU,
TRAGO COMIGO NA ALMA TORTURADA,
SOMBRA ATROZ CIUMENTAMENTE TÃO MINHA.

FUI-ME, DA FUGAZ CRUEL, DESNORTEADA,
QUANDO SUPUS QUE NOSSO ATO FALECEU,
FUGA DÉBIL, SE AINDA ÉS MINHA AMADA,
SE CONTÍNUO INTEIRAMENTE SÓ.

NÃO, NÃO LIBERTO DESSE AMOR NEFASTO,
TAL DESSA ANGÚSTIA, DESSA ALMA DESSE
CARPIR QUE AUMENTA QUANTO MAIS NEFASTA.

E AGORA CONCLUÍ, TRAZENDO DE MEUS PASSOS,
QUE PASSAM POR SOFRER ANTES PASSAR
COMO SEMPRE ARDIA NOS TEUS LAÇOS.

ERIC PONTY

ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA

sexta-feira, março 07, 2025

O LOUVADOR - ERIC PONTY


QUERO-TE MUI, MUITO NOSSO LOUVOR
É GAZELA O SEI, MAS EU NÃO LHE TEÇO,
DA INCERTEZA EM QUE LOUVO NÃO ME OLVIDO,
SÓ DA PERMANÊNCIA DEVO DISPOR.

NÃO PASSO DE UM OUSADO LOUVADOR,
RENASCIDO DA POBREZA ME TEÇO,
QUE DA RIQUEZA VERSOS NÃO TEM CONTA,
- É O FADO DE UM POETA QUE É SONHADOR.

DIVIDIR MEU LOUVOR, POIS, NÃO QUERO,
DIZENDO AMANHÃ VIR MALDIZER,
ESTE AMOR QUE É O FADO QUE MAIS VENERO.

ME OLVIDAS, ME OLVIDAS AMBOS DOS SONHOS,
PARA O TEU BEM DEVERIA ME OLVIDAR,
JÁ QUE NÃO TENHO TE LOUVAR FELIZ!

II

QUERO-TE MUI, MUITO NOSSO SENHOR
ÉS O MESTRE O SEI, MAS EU NÃO DISPENSO,
SENDO INCERTEZA EM LOUVOR NÃO ME OLVIDO,
DESSA PERMANÊNCIA DEVO DISPOR.

NÃO PEÇO DE UM LOUVADO LOUVADOR,
QUE RENASCIDO POBREZA ME PEÇO,
DESSA RIQUEZA VERSOS NÃO TEM CONTA,
- É O FADO DE UM POETA QUE É LENHADOR.

REPARTIR MEU SENHOR, POIS, NÃO QUERO,
FALADO AMANHÃ VIR MALDIZER,
ESTE AMOR QUE É O FUROR QUE MAIS VENERO.

ME ESQUECES, ME ESQUECES AMBAS DAS SANHAS
PARA O TEU BEM DEVERIA ME DESLEMBRAR,
JÁ QUE NÃO TENHO ONDE LOUVAR SENHA!

ERIC PONTY

ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

DO LIVRO DAS HORAS - RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

 


DIA DE OUTONO - RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

 


sábado, fevereiro 22, 2025

PETRARCA - ERIC PONTY

P/ Débora MalucelliE Andersen Viana

Ouve nestes versos dispersos o som dos suspiros
com os quais alimentei meu coração em meus primários
dias de juventude errante, quando, em parte,
eu não era o homem que sou hoje na sobriedade.


Quando em parte eu não era o homem que sou hoje;
por todas as maneiras pelas quais eu choro e falo –
dentre esperas vãs, quais entre amarguras vãos –
em qualquer pessoa que conheça o amor por meio ,


que eu possa achar dó e perdão. Mas agora vejo qual
me tornei a conversa por tanto tempo das pessoas ao redor
(isso muitas vezes me faz sentir tão cheio de embaraço), 


e de minhas presunções vem o fruto da vergonha,
e minha contrição, e a clara consciência de que a alegria.
Mundana é apenas um sonho passageiro.

(Eric Ponty)


(Eric Ponty)
ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

sexta-feira, fevereiro 07, 2025

PARA LESBIA - LORD BYRON - TRAD. ERIC PONTY -

 P/ Don Juan de Byron E Suely Campos Franco


Lésbia! Desde que me afastei de você,
Nossas almas não brilham de afeto;
Você diz que fui eu, e não você, que mudei,

Eu lhe diria por que, mas ainda não sei.
Sua testa polida não foi afetada por nenhuma preocupação;
E, Lesbia! não somos muito mais velhos,
Desde que, tremendo, primeiro perdi meu coração,

Ou disse ao meu amor, com esperança cada vez mais ousada.
Dezesseis anos era então nossa idade máxima,
Dois anos se passaram, amor!
E agora novos pensamentos envolvem nossas mentes,

Pelo menos eu me sinto disposto a me afastar, amor!
Sou eu o único culpado,
Eu, que sou culpado da traição do amor;
Já que seu doce peito ainda é o mesmo,

O capricho deve ser minha única razão.
Não desconfio, amor, de sua verdade,
Com dúvidas invejosas meu peito não se agita;
Quente foi a paixão de minha juventude,

Nem um traço de engano sombrio ela deixa.
Não, não, minha chama não era fingida,
Pois eu o amava muito sinceramente;
E - embora nosso sonho tenha finalmente terminado –

Meu peito ainda o estima muito.
Não mais nos encontraremos em seus jardins;
A ausência me tornou propenso a vaguear;
Mas corações mais velhos e firmes que o nosso
Encontraram monotonia no amor.

A suave floração de sua face é imaculada,
Novas belezas ainda estão brilhando diariamente,
Seu olhar para a conquista está preparado,
A forja do relâmpago resistente do amor.

Armado assim, para fazer sangrar seus seios,
Muitos se aglomerarão para suspirar como eu, amor!
Mais constantes eles podem se mostrar, de fato;
Mais longe, infelizmente, eles nunca poderão estar, amor!

 LORD BYRON - TRAD. ERIC PONTY

ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

domingo, fevereiro 02, 2025

APOLLO ANTIGO - RAINER MARIA RILKE - TRAD. Eric Ponty

 

P/ Nilo Silva Lima E PARA Débora Malucelli

Feito às vezes advém entre galhos ainda sem folhas
uma manhã já parece ser
primavera consumada; assim, nada em tua cabeça
poderia impedir que o esplendor de todos os poemas


de nos atingir com força quase letal;
pois ainda não há sombra em teu olhar,
tuas têmporas ainda estão muito frias para o louro,
e só mais tarde, dos arcos de teus supercílios


o jardim de rosas se erguerá em longas hastes,
das quais as pétalas, liberadas, uma a uma
cairão sobre o tremor de tua boca,


que agora ainda está quieta, nunca usada, e brilhando
e apenas bebendo algo com teu sorriso
feito se a música estivesse sendo infundida nele.


RAINER MARIA RILKE - TRAD. Eric Ponty

ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

ORPHEUS. EURYDICE. HERMES - RAINER MARIA RILKE TRAD. ERIC PONTY

 

Essa era a estranha mina das almas.
Como silencioso minério de prata, elas vagavam
por suas veias escuras. Entre as raízes
brotava o sangue que chega aos homens,
e parecia duro como pórfiro na escuridão.
Nada mais era vermelho.

As rochas estavam lá
e florestas irreais. Pontes que atravessavam vazios
e aquele enorme lago cinza, cego e imóvel
que pairava sobre seu leito distante
como um céu chuvoso sobre uma paisagem.
E entre os prados, suaves e cheios de paciência,
a faixa pálida de um único caminho,
como uma longa palidez sendo branqueada.

E subiram por esse único caminho.

À frente, o homem esguio com o manto azul,
que, mudo e impaciente, olhava para a frente.
Seu passo devorava o caminho em grandes bocados
sem parar para mastigar; suas mãos pendiam pesadas
e cerradas para fora das dobras que caíam
e não tinham mais consciência da lira leve
que havia se enroscado em sua mão esquerda
como gavinhas de rosas em um ramo de oliveira.

E seus sentidos estavam como que divididos:
enquanto sua visão corria à frente como um cão,
dava meia-volta, voltava e então ficava
longe e esperando na próxima curva do caminho,-
sua audição, como um odor, ficava para trás.
Às vezes lhe parecia que ela chegava
que ele parecia ter chegado até os passos dos outros dois
que o seguiriam durante toda a subida.
Em outras ocasiões, era apenas o eco de sua própria escalada
e o vento de seu manto que ele ouvia atrás de si.
Mas ele disse a si mesmo que eles estavam chegando,
disse isso em voz alta e ouviu as palavras se apagarem.
Eles estavam chegando, só que caminhavam
com uma leveza assustadora. Se ele pudesse
se virar uma vez (embora qualquer olhar para trás
seria a morte para todo o empreendimento,
tão próximo da conclusão), ele teria que vê-los,
aqueles dois pés leves, que seguiam silenciosamente:

O deus das viagens e das mensagens distantes,
olhos brilhando sob o capuz do viajante,
o cajado fino estendido diante de seu corpo,
e em seus tornozelos um bater de asas;
e confiada à sua mão esquerda: ela.

Aquele tão amado que de uma única lira
surgiram mais lamentos do que nunca
das mulheres que se lamentavam;
que do lamento surgiu um mundo, no qual
tudo tinha uma segunda vida: floresta e vale
estrada e vilarejo, campo, rebanho e riacho;
e que em torno desse mundo de lamentos, assim como
em torno da outra terra, um sol se voltou
e um céu silencioso cheio de estrelas,
um céu de lamento com estrelas devastadas:
Este é tão amado

Mas agora ela caminhava sob as mãos daquele deus,
seus passos, limitados por longos lençóis sinuosos,
suaves, incertos e sem impaciência.
Ela estava em si mesma, como uma mulher perto do surgimento,
e não pensava no homem que caminhava à frente,
e nem no caminho que levava à vida.
Ela estava em si mesma. E o fato de ter morrido
a preencheu como uma abundância.
Como uma fruta madura com doçura e noite
ela estava repleta de sua grande morte,
que era tão nova que ela não entendia nada.
Ela estava em uma nova virgindade
e intocável; seu sexo havia se fechado
como uma jovem flor ao cair da tarde,
e suas mãos haviam sido tão desmamadas
do matrimônio, que até mesmo o toque
toque infinitamente suave e orientador do deus da luz
a machucava como se fosse uma liberdade muito grande.

Ela não era mais a esposa loira
que ecoava com frequência nas canções do poeta,
não era mais o perfume e a ilha da vasta cama,
e não era mais propriedade de um homem.

Ela já estava solta como um longo cabelo

e entregue como a chuva que cai
e distribuída como um suprimento ilimitado.
Ela já era raiz.

E quando, sem aviso prévio
o deus a parou e com dor em sua voz
pronunciou as palavras: Ele se virou..,
ela não entendeu e respondeu suavemente: Quem?

Mas ali, à distância, escuro contra a
a saída brilhante, estava alguém cujas características
não podiam ser lidas. Ele parou e viu
como naquela faixa do caminho do prado
com um olhar triste, o deus das mensagens
se virou silenciosamente para seguir a forma
que já estava retornando por aquele mesmo caminho,
seus passos, limitados pelos longos lençóis,
suaves, incertos e sem impaciência.

 RAINER MARIA RILKE TRAD. ERIC PONTY

ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

sábado, fevereiro 01, 2025

CORRESPONDÊNCIA - CHARLES BAUDELAIRE - TRAD. Eric Ponty

A natureza, um templo no qual os pórticos
estão ardendo, às vezes dá palestras confusas.
Os bosques figurativos pelos quais o homem caminha
olham de volta para ele com olhos compreensivos.


Tons, sons e perfumes desconcertam os sentidos,
 assim feito ecos distantes que se fundem
em uma síntese profunda e nebulosa
vasta como a luz do dia e a penumbra da noite.


Há perfumes frescos como a pele de um bebê,
doces sons de um oboé e verdes como a grama,
enquanto outros são corruptos, imperativos.


Sendo-lhe capazes de infinitas extensões,
feitos âmbar gris, almíscar, incenso, Benjamin,
que cantam o êxtase da alma e dos sentidos.


CHARLES BAUDELAIRE - TRAD. Eric Ponty

ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

sexta-feira, janeiro 31, 2025

P/ CLAUDECIR DE OLIVERA ROCHA - Friedrich Hölderlin - Trad. Eric Ponty

Mas o amor se apega
A um. Desta vez
A canção veio muito fundo
Do meu coração,
Deixe-me consertar o erro
Cantando outros.
Eu nunca alcanço a medida
que desejo. Mas um deus sabe
Quando o melhor que desejo se torna realidade.
Pois, como o Mestre
Que vagou pela terra,
Uma águia cativa,
(E muitos que o viram
Assustaram-se,
Enquanto o Pai fazia
Seu máximo para realizar
Seu melhor entre os homens,
E o Filho estava sombrio
De tristeza até subir
Para o céu na brisa da morte),
Como ele, heróis? as almas são cativas.
Poetas, também, homens de espírito mortal,
Devem se manter no mundo.

Friedrich Hölderlin - Trad. Eric Ponty

ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

domingo, janeiro 26, 2025

NÃO HÁ RELIGIÃO NATURAL: O ARGUMENTO - WILLIAM BLAKE - TRAD. ERIC PONTY

O homem não tem noção de aptidão moral
a não ser pela educação.Naturalmente,
ele é apenas um órgão natural sujeito ao senso

I
O homem não pode perceber naturalmente,
a não ser por meio de seus órgãos naturais ou corporais

II
O homem, por seu poder de raciocínio,
só pode comparar e julgar o que já percebeu.

III

 A partir de uma percepção de apenas 3
sentidos ou 3 elementos,
 ninguém poderia deduzir um quarto ou quinto.

IV
Ninguém poderia ter outros pensamentos
além dos naturais ou orgânicos se não
tivesse outras percepções além das orgânicas.

V

Os desejos do homem são limitados
por suas percepções. Ninguém pode
desejar o que não percebeu.

VI
Os desejos e as percepções
-do homem não ensinados por
qualquer coisa além dos órgãos dos
sentido, devem ser limitados
aos objetos dos sentidos.

WILLIAM BLAKE - TRAD. ERIC PONTY

ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

PARA AS MUSAS - WILLIAM BLAKE - TRAD. Eric Ponty

P/ Débora Malucelli

SEJA na fronte sombria de Ida
Ou nos aposentos do Oriente,
Os aposentos do Sol, que hoje
Da antiga melodia cessaram; 

Se no céu vagais formosos
Ou nos cantos verdes da terra,
Ou nas regiões azuis do ar,
Onde os ventos melodiosos nasceram; 


Se nas rochas cristalinas vagais,
Sob o seio do mar com ondas de cristais
Vagando em muitos bosques de corais,
 Nove justos, cedendo a Poesia; 


Como deixastes o antigo amor
 Que os bardos de outrora desfrutavam em vós!
 As cordas lânguidas mal se movem,
O som é obrigado, as notas são poucas!


WILLIAM BLAKE - TRAD. Eric Ponty

ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA