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sexta-feira, dezembro 23, 2022

TEMPLO AZUL E OUTRA VIA LÁCTEA – SELEÇÃO E TRAD. ERIC PONTY

IN MEMORIAM IVO BARROSO
Sonetto, se Meuccio lhe for mostrado,
Saúdem-no tão depressa como vê em,
Segues correndo e ajoelhando-se aos pés,
De maneira ao ser bem muito tratado.

E quando estiver com ele um pouco,
Assim se erguerás, e, tu não atrasaras,
Depois à tua embaixada proceder,
Mas deixemo-lo primeiro de lado;

E diz: "Meuccio, aquela que te ama muito,
Tuas mais queridas alegrias, ela envia-vos,
Para estar cumprido com tua boa coragem".

Mas deixe-me levar pro inicial presente,
Ao teu irmão, e que ele assim ordenado,
Que fique com ele e cá nunca regresses.

XXV Dante Alighieri  Rime – TRAD. ERIC PONTY
Um deus pode fazer. Mas diga, vai, como
Homem pode seguir por meio lira estreita?
Mente é montada. Onde duas artérias gemem
Cruzadas, não há nenhum templo para Apolo.

Cantando, quão nos ensina, não está ansiando,
Nem atrair algo conquistado no final.
Cantar é Ser. Para um deus, é quase um nada.
Mas quando existimos? E quando ele rói

Terra e as estrelas nosso ser? Homem jovem,
Seu amor não é, mesmo se é sua boca
É aberta pela sua voz - Ela que aprenda!

A olvidar sua canção ardente. Finda. Logo.
Vero canto é um tipo díspar de hálito.
Alento ao nada. Um sopro ao deus. Um vento.
SONETOS PARA ORFEU - RAINER MARIA RILKE
Epígrafe para um Livro Condenado
Caro Leitor calmo e bucólico,
Homem justo, sóbrio e ingénuo,
Desprezar este livro, saturnina,
De Orgíaca e de melancólica,
Se não fizeste a tua retórica,
Com Satã, aquele reitor artístico,
Desprezá-lo, não se apanharia a nada,
Ou então, acha-me histérico;
Mas se, sem ser entranhado,
Olhar pode mergulhar no abismo,
Leia-me, para aprender a amar-me,
Duma Alma inquiridora que sofre,
E continua à busca do paraíso,
Tende piedade de mim!... 
Ou então, eu vos amaldiçoo!

Charles Baudelaire – Trad. Eric Ponty
NEVERMORE
Recordação, Recordação buscar ao outono,
Por um céu impreciso fazia voar o tordo,
Contudo que o sol lançava monótonos dardos,
Sobre os bosques de ouro onde silvam cervos.

Ela e eu caminhávamos tão só entre os sonhos,
Aos ventos sentirás cabelos ir aos ventos,
Voltando para mim com olhos caminhávamos,
Qual será o teu dia mais plano? Então pergunto.

Sua voz sonora e doce trimble fresco angélico,
Meu sorriso discreto foi uma resposta ágil,
Logo cheio de unção, beijei então tua mão.

As fragrâncias denunciam floração inicial,
E como se propaga murmúrio adorável,
Primeiro brotar nesses lábios amamos!

PAUL VERLAINE - TRAD. ERIC PONTY

UMA MORTE NO DIA DE PÁSCOA

Sol forte três-marias podem regozijar-se,
Erguem-se, falem verdades, então diziam os velhos,
Dançar corações de amantes recém-casados:
Luz mais viva do que nunca banhava os céus.

Partindo pra todo sempre longe olhos homens,
Coroas que ontem à noite formam cabeça viva,
Brilhou só cá, embora imortal, sobre dos mortos:
Arte zomba da Morte, é Canção que nunca morre.

Asas vivas, doces de traça sejam forradas,
Esperar vê, após de todas as deserções das idas,
Mais alto do Nada, a névoa do hálito humano.

Foi alma mais radiante em todo este mundo,
Requerida regenerar ressurreição,
Foste semelhança da sombra da morte.

April 1882. ALGERNON CHARLES SWINBURNE – TRAD. ERIC PONTY


A MOÇA DE CADIZ

Oh nunca mais me fales Moça de Cádiz,
Climas do norte e senhoras britânicas;
Não tem sido este teu destino amar,
Como eu, a bela Moça de Cádiz presas
Embora o olhar não seja azul do mar,
Nem tão pouco justa a tranca, quais moças inglesas,
Até mira do seu próprio matiz significativo,
Que olhar azulado lânguido bater crivo!
Prometeu quando do céu que lhes roubou,
Ardores por meio dessas pestanas de seda,
Nos olhares mais sombrios parecia ter fenda,
Dentre olhos não conseguem ocultar lampejos:
E tal feito ao longo do teu peito roubou,
Em curso aberto os teus troncos de corvo,
Juraria em cada mecha de fecho pode sentir povo,
E crespa para lhes dar carícias no pescoço.

LORD BYRON - TRAD. ERIC PONTY

The Book of Repulsive Women
Desde a Quinta Avenida
ALGUM DIA abaixo de alguns duros,
Estrela caprichosa,
Espalhar um pouco a sua luz
Mais do que longe,
Conhecemos-te pela mulher
Que você é.

Pois embora alguém tenha levado, atirou-a
Fora do espaço,
Com as pernas meio estranguladas
Na sua renda,
Daria o mundo à loucura
No seu rosto.

Víamos o seu corpo na relva
Com olhos pálidos e frios
Esforçar-nos-íamos para tocar nesses lang'rous
Comprimento das coxas,
E ouça a sua curta afiada moderna
Choros babilónicos.

Não iria. Senti-lo-íamos
Bobina com medo
Inclinado sobre o fértil
Campos a deixar passar
Como pediu um segredo amargo
Pelo ouvido

Vemos os seus braços crescer húmidos
Ao calor;
Vemos a sua química húmida a mentir,
Pulsação no ritmo
Dos excessos de coração que sobram
Aos vossos pés.

Vejo-o flácido com saliência,
Cabelos para beber,
Humidade de algumas vaguezas,
Debaixo do lábio,
A sua saliva suave, soltar
Com orgia, pingar.

DJUANA BARNES

Dr. Swift: A Vida Feliz de um País de PARSON

PARSON, estas coisas em tua posse,
São melhores que a bênção do bispo:
Uma esposa que faz conserva; num corcel,
transportar o dobro quando há precisão;
Loja de Outubro, e a melhor Virginia,
Tythe porco, e guiné mortuário;
Gazetas enviadas de graça e acessíveis,
Pelo qual o teu patrono agradece semanal;
Uma grande Concordância, há muito unida;
Sermões a Carlos o Primeiro, quando príncipe;
Uma Crónica da Antiguidade,
Um Chrysostom para amainar a tua orquestra,
Poliglota - três partes - o meu texto,
No entanto - para meu próximo;
Eis aqui a Septuaginta - e Paulo,
Resumindo o todo - o fim de tudo.
Daquele que os tem pode passar a vida,
Beba com o 'Escudeiro, e beije a tua esposa;
Aos domingos pregar, e comer a tua fartura,
E ligeiro às sextas-feiras - se ele quiser;
Toast Church and Queen, explicar as notícias,
Fale com Churchwardens sobre bancos,
Rezem de coração por algum novo presente,
E abanarem a cabeça do Doutor S — t.
ALEXANDRE POPE


OCIDENTAL

Para além do pântano e do cume da montanha,
- Comandante, não olhes agora pra o ocidente –
Que o sol se põe e absorver à aspiração,
E afinou o meu coração a elegias de desgraça.
Do ar e dos terrestres as borras do dia,
A nuvem alongada e o pinheiro simples,
Caro sentinela está é linha de chegada,
Não perguntar causa que eu mar pra novos dados,
Alcançar esses fossos dessa noite em diante,
Que filho da mulher virar a sobrancelha,
Vendo imagens ocidentais de quarenta países,
Que ensinou meus choros em notas mais tristes,
E, qual da beira do céu, filho de a mulher olhar,
Com tais ventos alísios chamas propagadas,
Pensa em pensamentos eternos, e suspira,
Sendo o mundo, para descansar ou vaguear,
Com mudanças no exótico e aplaudir em casa,
Sendo alaúde negligenciado e a Musa lírica,
Serão brigas e lutas, conversas e histórias,
Então companhia é carne de vaca e cerveja,
Mas se eu estiver à frente do céu da noite,
Se fará silêncio sobre o olhar ocidental,
Sendo este o meu camarada, passo a passo,
Desses pátios tão silenciosos ao meu lado,
À vossa memória perdida, ao vosso amor?
- Camarada, não olhes agora pra o ocidente –
É vós tendes coração fora desse teu peito;
Leve os teus pensamentos e afunde-os longe,
Nas léguas para além da barra do pôr-do-sol,
Oh rapaz, temo que tu sejas oceano,
De onde eles pescaram para nós os dois,
Que dali, de onde ambos estávamos montanha,
Tu e eu afogar-nos-emos mais outra vez,
Contudo não envie na tua alma antes de mim,
E mergulhar a partir dessa margem atraente,
Para não deixar ainda o nadador sair,
Que dessa tua roupa sobre as areias da véspera,
Supino veloz para o fio desesperançado,
Então nós viajamos, para o luto afundado,
Nivelar as manchas de desvanecimento,
Talvez por outros rapazes em marcha à noite,
Sê amplo é mundo, pra descansar ou deambar,
Sendo seja cedo para voltar para casa:
Plante então calcanhar na terra e fique de pé,
E vamos esquecer a nossa terra natal,
Quando tu e eu estamos divididos no ar,
Durante mui tempo seremos ali estranhos;
Ao ser amigos de carne e osso são os melhores,
- Comandante, não olhes agora pra o ocidente –

A.-E.-Housman- TRAD. ERIC PONTY

Exílio

As minhas mãos não lhe tocam no deleite destas mãos, --
Não, - nem os meus lábios libertaram o riso desde 'adeus',
E com o dia, a distância expande-se do mesmo jeito,
Sem voz entre nós, como uma vieira não guardada;
No entanto, o amor perdurar, apesar faminto e só.
As asas da pomba apanham ao meu coração todas as noites
Com uma gentileza crescente, e da pedra azul
Em conjunto no anel tido, no entanto, usado mais vivo.

Hart Carne - TRAD. ERIC PONTY

Se como eu sou tão covarde e tão vil

Se como eu sou tão covarde e tão vil,
Mulher, posso carregar chamas tão altas,
Não deveria ter pelo menos um pouco,
Para o retratar ao mundo e ao estilo?

S'Amor con novo, insolito fóccile,
Onde não me podia virar, criou-me,
Porque não pode não com jogo usado,
Tornar a dor e a pena iguais em mim?

Se por força da natura não puder,
Pelo menos por milagre, que mui vezes,
ganha, fura e quebra todas as medidas.

E como isto não posso dizer-me tanto,
Tento bem pela minha grande fortuna,
Sinto meu peito impresso num novo estilo.
Gaspara Stampa - TRAD. ERIC PONTY
QUARTOS DE GERTUDE STEIN

Agir para que não haja utilização num centro. Uma ação ampla não é uma largura. O preparativo é dado aos que se preparam. Não comem quem alude prata ou doce. Há de haver um emprego.
Um centro inteiro e uma fronteira fazem do revestimento uma forma de roupa. Isto, e, não é por isso que há uma voz é o que resta de uma oferta. Haveria de ser sem renda.
Para começar a colocação, não há vagão. Não há mudança de roupa mais leve. É foi feito. E depois a expansão, que não estava a realizar o que era necessário de pé e, no entanto, o tempo não foi tão difícil, uma vez que não estavam todos no lugar. Não tiveram qualquer mudança. Não foram respeitados. Eram isso, eles fizeram-no tanto na matéria e isto demostrou que esse acordo não era condensado. Foi aí espalhado. Qualquer alteração estava nas extremidades do centro. Volume era pesado. Não houve alterações.
Ao queimar e por trás e levantar uma pedra passageira e levantar mais do que uma gaveta. O exemplo de haver mais é um exemplo de mais. A sombra é não brilho no modo como há uma linha negra. A verdade chegou. Há uma perturbação. Confiar no rapaz de um padeiro significava que haveria muito trocar e de qualquer forma o que é a utilização de uma cobertura para uma porta. Existe uma utilização, são duplos.
Se o centro tiver o lugar, então há distribuição. Isso é natural. Há uma contradição e, naturalmente, o regresso a este lugar é natural para ambos os lados do centro. Isso pode ser visto a partir da descrição.
O autor de tudo o que está lá dentro atrás da porta e que está a entrar de manhã. Explicar o escurecimento e a expectativa de relação é tudo uma peça. Estufa é maior. Era de uma forma que não tornava o público maior se o assume-se a abertura porque não haveria de haver ajoelhamento. Qualquer força que seja conferido a um espetáculo de esfregar o chão. Isto é tão agradável e doce e no entanto vem a mudança, vem o tempo de pressionar mais ar. Isto não
significam o mesmo que o desaparecimento.
Um leãozinho persistente e uma cadeira chinesa, todos os queijos bonitos que é pedra, tudo isso e uma escolha, uma escolha de um mata-borrão. Se for difícil fazê-lo de uma maneira não há lugar de problemas semelhantes. Nenhum. O todo é posto num acordo. No final do qual há uma sugestão, uma sugestão de que pode haver uma brancura diferente de uma parede. Isto foi do pensamento.
Uma página para um canto significa que a vergonha não é maior quando a mesa está mais tempo. Um copo é de qualquer altura, é mais alto, é mais simples e se fosse posto, não haveria qualquer dúvida.
Algo que é uma ereção é o que se mantém de pé, alimenta e silencia uma lata que está a preencher. Isto não faz nenhum desvio, que é dizer o que pode, por favor exaltação, aquilo que é cozinhado.
Um brilho é aquele que, quando coberto, muda a permissão. Um recinto mistura-se com o mesmo, o que quer dizer que há mistura. Uma mistura é aquela que não tem ratos e isto não é por causa de um chão, é por causa de nada, é não numa visão.
Um fato é que quando o local foi substituído ficou tudo o que foi armazenado sendo que tudo foi retido que não iria satisfazer mais do que outro. A questão que isto, é possível sugerir mais para substituir essa coisa. Esta questão é que esta negação perfeita faça com que o tempo mude a toda a hora.
A irmã não era um senhor. Isto foi uma surpresa. Foi. A conclusão veio quando não houve acordo. Todo o tempo houve uma pergunta houve de uma decisão. Substituir um conhecido casual por um vulgar sendo a filha não faz um filho.
Aconteceu de uma forma que o tempo foi perfeito e houve um crescimento de um tempo inteiro de divisão para que onde antes não houvesse engano, não foi agora um erro. Por exemplo, antes, quando havia uma separação que estava à espera, agora quando haverá há separação há a divisão entre a intenção e a partida. Isto não fez mais mistura do que a que haveria se não tinha havido tais alterações.

GERTUDE STEIN - ERIC PONTY


O presente trabalho de seleção e tradução de poetas de línguas e nacionalidades diversas, levado a cabo pelo poeta e tradutor Eric Ponty, amplia o horizonte da poesia brasileira e da poesia de língua portuguesa em diversos sentidos. Em primeiro lugar, embora alguns dos poetas traduzidos sejam conhecidos do público, parte destes poemas nunca fora traduzida ao português ou encontra-se há muito fora de circulação.
 
É o caso de Paul Èluard, Petrarca, Shakespeare, John Keats, Ezra Pound, Soror Juana Inés de la Cruz, George Seferis e Paul Verlaine. Os poemas selecionados por Ponty se somam ao repertório de traduções destes poetas realizadas por Onestaldo de Pennafort, Péricles Eugenio da Silva Ramos, Jamil Almansur Haddad, Guilherme de Almeida, Josely Vianna Baptista, José Paulo Paes, Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Dirceu Villa, entre outros poetas-tradutores, antigos e atuais. Desse modo, este trabalho de Ponty contribui não apenas para a formação de um cânone nacional da poesia de língua portuguesa, mas para a formação de um cânone transnacional de poesia em língua portuguesa. 

POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

quinta-feira, dezembro 22, 2022

HOMENAGEM NATALÍCIA PARA IVO BARROSO NO SEU ANIVERSÁRIO - ERIC PONTY

Ivo do Nascimento Barrosos nasceu na cidade de Ervália, Minas Gerais, no dia 25 de dezembro de 1929. Aos 16 anos, ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde viveu durante toda a vida. 

Formado em Direito e em Línguas e Literaturas Neolatinas, Ivo trabalhou em algumas editoras e jornais importantes do Brasil, como o Jornal do Brasil e o Estado de S. Paulo. O poeta foi responsável pela publicação de mais de 30 traduções de grandes autores, entre eles Shakespeare, Edgar Allan Poe e Jane Austen. 

Seus livros de versos, Nau dos Náufragos (1982) e Visitações de Alcipe (1991), foram ambos editados em Portugal. No Brasil, ele publicou A Caça Virtual e outros poemas (2001, finalista do prêmio Jabuti de poesia daquele ano). 

Ivo também organizou os livros Poesia e Prosa, de Charles Baudelaire (Nova Aguilar, 1995) e À Margem das Traduções, de Agenor Soares de Moura (Arx Editora, 2003). 

O poeta, escritor e tradutor Ivo Barroso morreu aos 91 anos, no dia 05 de outubro do ano passado. Ele estava internado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, na Zona Sul do Rio. O hospital não confirmou a causa da morte ou deu mais detalhes sobre os problemas de saúde que levaram Ivo àquela unidade de saúde.

Um dos maiores tradutores brasileiros, Ivo Barroso foi responsável por traduzir autores como Shakespeare, Edgar Allan Poe e Jane Austen, como dito acima. 

Este ano fez um ano de sua morte. E este blog lhe rende homenagem com uma postagem muito especial, com traduções inéditas dedicadas à sua memória, o que será postado em 23 de dezembro,   sendo que esses estão prontos e ganharam o título de TEMPLO AZUL E OUTRA VIA LÁCTEA.   

Para mim, que há quinze anos, como dizia o mesmo, talvez fosse o único mineiro a ligar de Minas para o seu aniversário, Ivo Barroso dizia que me dava o seu ombro amigo, e, acrescentava que eu tinha um faro de cachorro especial para literatura, tanto que me intimou, se tivesse uma editora, a fazer parte de sua equipe, dizendo ainda que me convidou e gravou minha poesia na Voz do Poeta, além de fazer uma edição muito especial da minha poesia reunida. 

É, pois, com imensa dor e saudade que este blog lhe presta essa homenagem natalícia.

P/ CARLA ZL
PARA PESSOAS DO TERÇO
II
Nove vezes, desde meu nascimento, o céu da luz tinha se voltado quase para o mesmo ponto em sua própria giração, quando a gloriosa Senhora de minha mente, que foi chamada Beatrice por muitos que não sabiam o que chamá-la, apareceu pela primeira vez diante dos meus olhos.
Ela já estava nesta vida há tanto tempo que em seu curso do céu estrelado havia se movido em direção à região do leste uma das doze partes de um grau; de modo que, por volta do início de seu nono ano, ela me apareceu, e eu perto do final do meu nono ano a vi. Ela apareceu para mim vestida com uma cor muito nobre, uma modesta e que se torna carmesim, e era jovem e adornada com a sabedoria que se adaptava à sua idade. Em naquele instante, digo verdadeiro que o espírito da vida, que habita no mais secreto da câmara do coração, começou a tremer com tanta violência que surgiu temeroso nos mínimos pulsos, e, tremendo, disse estas palavras: Ecce deus fortior me, qui veniens dominabitur mihi.
Naquele instante, o espírito da alma, que habita na câmara alta para que todos os espíritos dos sentidos carregam suas percepções, começaram a maravilhar-se e, falando especialmente para o espírito da visão, disse estas palavras: Apparuit jam beatitudo vestra.

A toda alma cativa e alma gentil,
Cuja vista pode vir verbo atual,
Que elas me transmitam tuas ideias,
Cortesia em nome do Amor, é teu Senhor.

Cá, dessas horas, quase um terço foi,
A horas cada dita nasce mais acesa,
Quando, acaso, Amor diante em mim brilhou,
Lembrança de cuja natura me assusta.

Alegre pra mim igual amor, e nutria,
Minha alma dentro tua mão, enquanto em braço,
Brandiu minha dona, cobriu-a e dormia.

Então acordar, com está alma brilhante,
Comer humilde com medo de algum dano,
Lá o coração vi partir em lágrimas.
DANTE - A VIDA NOVA - TRAD. ERIC PONTY


Para Doutor Rodrigo Petrônio

II

Determinados se vingar graciosamente,
E punir num dia mil erros, em vão que errados,
Secretamente, que do Amor retomou teu arco,
Sendo propôs a hora e o local certos pra a greve.

Minha força se concentrou em meu coração,
E ali e aos meus olhos ergueu tua defesa,
Quando caiu sobre ele, sendo golpe mortal,
Onde todas outras flechas tinham sido embotadas;

E assim, desnorteado com este primeiro assalto,
Não teve do vigor ou a oportunidade,
Para pegar em armas na hora de lutar,

Ou até mesmo pra me levar arguto retorno,
Que montanha alta e dura que me salva do abate,
Do qual ele gostaria, mas não pode ajudar.
FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY

ERIC PONTY

quarta-feira, dezembro 21, 2022

SONNETO COM DEDICÁTORIA PARA CARLA ZL - ERIC PONTY

 


Este poema colhido odor jasmim,
Que eu trazia no estio, no inverno,
Poderiam, no bruno quarto interno,
Sem sol ou chuva ter crescido assim.

Em nome desta flor que toma as ideias,
Que de igual modo cá desabrocharam,
Coração decorrido, e acompanharam,
Dias frios ou quentes. Estão cheios.

De luzes travas, cardos vozes lamentos,
De que te compito. Juntas também vão,
Prosas silvestres. Dá-lhes tratamento!

Bom como eu dou aos poemas que me dão,
Que a flor persista ao teu olhar atento.
Das raízes, te lembra, eu sou Lenheiro.

ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

SONNETOS DE SHAKESPEARE - VIII - FAÇA VOCÊ MESMO - TRAD. ERIC PONTY

 


Se você és música, está triste em ouvi-la?
Se és doçura és doce na alegria és alegre,
Por quê você ama o que você tomar?
Sendo é ter prazer no ignominioso?

Se você não está feliz em ouvir o par,
De notas que harmonizem e somem,
É porque o repreendem com voz suave:
Este resultado não és só para você.

Cordas, quão você sabe, estão dispostas,
Por pares suaves são pressionar mesmas,
Enquanto nos cantam num só acorde.

Se parecem pai, filho e mãe amada,
E tua canção, sem letra e com estilo,
Cantar: "Você, solista, não é ninguém".

SHAKESPEARE -  TRAD. ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

BOSSA PARA CARLA ZL - ERIC PONTY



ESTE OLHAR TEU OLHARES DE DEUSA,
QUANDO ACHAM OS MEUS OLHOS CAUSA
FALA MAIS DE MIM COISAS QUE NUNCA DIRIA
NÃO POSSO CRER JAMAIS QUE TU UM DIA!

É JEITÃO TÃO AFETUOSA ILUSÃO
AO PENSAR-TE EM VÃO NOS OLHOS MEUS
SE GOSTARES ASSIM SEREI ENFIM DEUS
FEITO COMO EU NO OLHAR TEU!

É MUITO MAIS QUE ENCANTO ILUSÃO EM TI
QUANDO ME FUI AO ESTADO DE PRANTO
QUEM TE PINTOU EM FORMA AVIÃO
EM FORMA DE CORAÇÃO FEZ ORAÇÃO!

QUANDO ME DESFIZ DA ILUSÃO EM TI
PUNGE O CORAÇÃO QUE FALOU
EM SONHÁ-LA DEMAIS QUE POUSOU!

AH! SE TU PUDESSES CRER NAS PALAVRAS
DO QUE QUERO DIZER-LHE EM TI TÃO RARAS...
ERIC PONTY

POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY


PETRARCA NO INFERNO - PERSONAE - ERIC PONTY


Na quadra que restaura os meus suspiros,
pela meiga lembrança desse eterno
que foi início a tão extensas agonias,

Do Rês, ao gênio, corno e outro abrasava
e em frigidez à soída da morada 
já a donzela de Títono cruzava.

Assenta Amor, desprezos, pranto, a era 
no espesso sítio donde que em alarmo  
põe completo a sua carga ao seu espírito.

Ali, entre os cobres, já abatido em choro, 
notei, coberto sopor, amplo brilho,  
e adentro, conciso vaivém lidar tanto,

num vitorioso sumo exterior pus 
quão há quem o seu veículo triunfal  
em Campidoglio há maior honra rege.

Eu que em teor não mofo aspecto tal 
no período malvado em que me encovo,  
aéreo apego, cheia altivez moléstia,

à veste à presença tão civil vera 
notei, cansados brotos arrebato, 
que só na ciência agrado me confirmo:

quatro cavalos, mais que a geada em cândido; 
sobre veículo ardor um jovem urdo  
e setas na mão, dardos na sua falda;

e sem recear, sem mói e sem broquel; 
porém só ombros e braços tendo em mais 
matizes mil, de resto era despido;

ao cinto, incontáveis destes fatais,
uns unidos em duelo, outros lesados, 
distintos mortos por raios mortais;

Progredi ansioso, fruto dos ouvidos, 
de tão que perto fui daqueles dum 
por seu jeito da vida desmembrados.

E então peguei a notar por acaso um 
distinguir quatro-paus ali pudera 
czar que jamais ao pranto dá jejum

Nem um que distingui; qualquer lá era 
que aceitasse, logo trocara bem 
extinção ou por xadrez atroz e fera.

Aquém infeliz distintos mim surgem 
uma alma ao embate e pela alcunha 
me flama expõe: - «Ansiando é que trazem»

«Aprecia-me?», falei eu, pois abismou-me, 
- «E quão, se eu não lhe distingo a ti?» 
E ele: «Jazo portanto, deformou-me

atração das grilhetas e o ar cá 
tolda-te às vistas; mas teu vero próximo 
estou toscano quão tu surgi-me»

A Tua arenga e o arrazoar remoto 
saíam-me quem à face me escondia; 
e ao ar franco se acertou comigo.

e principiou: «Há bem que eu refletia 
olhá-lo entre nós, que imaturos anos 
tua existência esse agouro de ti dava.»

«E é bem exato, mas receei danos 
desgosto querer, peguei lado à coisa;  
mas sorvo esfarrapado n´alma e os panos.»

Portanto eu disse; e ele, sem grosseira, 
Falei-lhe, rindo ao que eu lhe redarguia: 
-ó filio, que tal flama tens ligada!»

Não no atingi então, porém já notava,
Teu discurso tão duro em minha nuca, 
nem mais vivo mármore se notava;

E indaguei-lhe então, de afoita e destra 
ao frescor à reflexão e a fala traz: 
«Por fineza, expõe-me, ser gente desta?»

«Por ti em precária era o compreenderás» 
me contrapôs, «e um deles hás de ente: 
tal ardil, e não alcanças, se te banca;

e mais trocarás pelo seu ditame 
que esse liame de que eu te penso tem de 
junto é base insurrectas desatarem.

Porém contentar-te teu anseio 
moço, exporei de nós máximo enleio 
portanto nos corte vida e alvedrio.

É este há quem o orbe clama na dor: 
agro o que vês também notarás perto 
porque for teu quanto é nosso senhor.

ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

terça-feira, dezembro 20, 2022

BOSSA SEGUNDO À PAIXÃO - ERIC PONTY

 


ESTES OLHARES TEUS OLHOS PUROS,
QUANDO ACHAM O CÉU EM MURRO,
DIZENDO MAIS DE MIM COISAS CALMAS,
NÃO POSSO CRER JAMAIS NA TUA PALMA!

É FEIÇÃO TÃO DOCE ESCURIDÃO,
AO PENSAR-TE EM MULHER DESVÃO
SE NÃO GOSTARES ASSIM SERÁ O FIM,
COMO EU NO OLHAR TEU ENFIM!

É MUITO MAIS QUE ATRAÇÃO
QUANDO ME VOU NESTA RAZÃO
QUEM ME PINTOU ESTA ILUSÃO
EM FORMATO DE CORAÇÃO!

QUANDO ME FIZ EM TI AS DORES
RÓI O CORAÇÃO QUE FALOU FLORES
EM SONHÁ-LA DEMAIS! SENDO JAMAIS!

AH! SE TU PUDESSES CRER EM SER EM TI,
DO QUE QUERO DIZER-LHE OLHAR EM TI...
ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

segunda-feira, dezembro 19, 2022

BOSSA DAS OITO PARA CARLA ZL - ERIC PONTY

NÃO, NÃO PODES MAIS MINHA TENSÃO,
TRATAR, PORTANTO, CONSOLADO
RADICADO HÁ UMA DIMENSÃO
QUE SÓ ME DÁ SOLIDÃO.

NÃO, NÃO VIDE HISTÓRIA SEMPRE EM MIM
SENDO UMA AVENIDA DESEMPARADA
A DERRAMAR NOSTALGIA EM MIM
DOR EM MIM...NÃO É NADA!

AH, RUDE ILUSÃO, SAI DO SEU JEITO
RADIANTE VASTIDÃO
QUE PINTOU DENTRO DO MEU CORAÇÃO.
ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

AURORA - PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY



Desta confusão sombria
Que serviam do sono 
dissipando uma rosa 
tão aparente do solar. 
Da minha alma eu avanço 
Muito aladas de confiança: 
É está primeira oração! 
De areias quase esquerdas
Tomarem passos admiráveis
No passo à minha razão. 

Oi! Quem ainda a matou, 
Com vossos sorrisos gêmeos, 
similitudes amigas que reluzem 
dentre palavras vagar entre abelhas, 
Eu vou ter vós por cesto, 
E sobre o impactante nível 
Da minha escala dourada, 
Minha prudência esvaiu 
Já o pé branco concebeu.

Que aurora sobre a garupa
Quem começar lhe aljava! 
Já se estende pelos grupos 
Tais que parecia dormir. 
Um brilhar, outros bocejos; 
E em dum pente de escala 
Do fato seus dedos vagos, 
Devaneio ainda próximo,  
Desta indolente união
Com premissas de tua voz.

O quê! É mal exaltaram! 
O que você, noite fez, 
mestras do imo, ideias, 
Funcionária do tédio? - 
Sempre sábios, eles dizem, 
Nas presenças de imortais, 
Que jamais traiu seu teto! 
Nós estamos tão distantes, 
Mas as aranhas secretas 
Na vossa escuridão!

Não será vossa alegria 
Ébria! Alma ver resultante 
Destas Cem mil sedas sóis 
Em seus tecidos coagiram?
Olhar para o que fizemos: 
Temos sobre os teus abismos 
Atidos aos filhos bárbaros, 
E tomado do humor nu 
Em tela perece estremecer regime...

Teu tecido espiritual, 
A Brisa está procurando 
minha floresta sensual 
Oráculos da canção. 
Para ser! Ouvido comum! 
Todo o cerne está abrigado 
O extremo do desejo... 
Ela escuta-se que treme 
E às vezes meu lábio pinta 
vibrando para abusar. 

Aqui minhas vinhas frondosas, 
Dos berços de minhas chances! 
As imagens são abundantes 
Com igual dos meus olhares... 
Qualquer folha expõe a mim 
Nasceu dum nascente efeito 
Se eu beber franzino bruto...
Tudo mim é polpa, amêndoa, 
Do cálice exige de mim 
Que eu almeje que o seu fruto.

Não receio dos espinhos! 
Despertar é bom, mesmo muito! 
Predadoras ideais 
Não ansiamos que se ter fé: 
Não é de encanto um mundo 
De tão ferida profunda 
Quem não estiver na raptora 
Qual duma ferida fértil, 
E o seu próprio sangue abona 
Ao ser o sensato sem dono.

Meu enfoque é transparência 
Desse bacio invisível 
Onde nada minha espera 
A água conduz pelo centro. 
Topo reduz tempo vago 
E esta mareta arrepanha colar 
Sem se torna análogo...
Ela sob onda banal 
Profundidade infinita, 
E balançar, então, o toe. 

PAUL VALÉRY - TRAD. ERIC PONTY 

POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

O GATO E O DIABO - JAMES JOYCE - (Conto infantil) - TRAD. ERIC PONTY

                 Meu caro Stevie,  Enviei-lhe um gato pequeno cheio de doces há poucos dias, mas talvez você não saiba a história sobre o gato de Beaugency.

            Beaugency é uma cidade velha minúscula na margem do Loire, o rio o mais longo de França. É também um rio muito largo, para a França pelo menos. Em Beaugency é tão grande que, se você quiser abarcar de um banco para o outro, você teria que tomar pelo menos mil passos. Há muito tempo, os habitantes de Beaugency, quando queriam atravessá-lo, tinham que ir em um barco, pois não havia nenhuma ponte. E eles não podiam fazer um para si ou pagar a ninguém para fazer um. Então, o que eles deveriam fazer?

          O diabo, que está sempre lendo os jornais, ouviu falar de seu infeliz estado, então ele se vestiu e veio chamar o senhor prefeito de Beaugency, que se chamava Monsieur Alfred Byrne. Este senhor prefeito adorava muito de vestir-se também. Ele usava um manto escarlate e sempre tinha uma grande corrente de ouro em volta da garganta, mesmo quando ele estava dormindo na cama com os joelhos na boca.

          O diabo contou ao senhor prefeito o que havia lido no jornal e disse que poderia fazer uma ponte para o povo de Beaugency para que pudessem atravessar o rio quantas vezes quisessem. Ele disse que poderia fazer uma ponte tão boa como sempre foi feito, e fazê-lo em uma única noite.

          O senhor prefeito perguntou-lhe quanto dinheiro ele queria para fazer uma ponte assim. Nada de dinheiro, disse o diabo, tudo o que peço é que a primeira pessoa que atravesse a ponte pertença a mim. Bem, disse o senhor prefeito.

 A noite caiu, todas as pessoas em Beaugency foram para a cama e dormiram. Chegou a manhã. E quando põem suas cabeças fora de suas janelas gritaram: O Loire, que ponte fina! Pois viram uma ponte de pedra forte e fina lançada sobre o largo rio.

         Todas as pessoas correram até a cabeceira da ponte e olharam para ele. Havia o diabo, parado do outro lado da ponte, esperando a primeira pessoa que o cruzasse. Mas ninguém ousou atravessá-lo por medo do diabo. Então ouviu-se o som de corneta - isso era um sinal para o silêncio das pessoas - e o senhor prefeito, Alfred Byrne, apareceu em seu grande manto escarlate e usando sua pesada corrente de ouro em volta do pescoço. Ele tinha um balde de água em uma mão e debaixo do braço - o outro braço - ele carregava um gato.
        O diabo parou de dançar quando o viu do outro lado da ponte e colocou seu longo espelho. Todas as pessoas sussurraram um para o outro e o gato olhou para o senhor prefeito porque na cidade de Beaugency era permitido que um gato olhasse para um prefeito. Quando ele estava cansado de olhar para o senhor prefeito (porque até um gato se cansa de olhar para um prefeito) ele começou a caçoar com a pesada corrente dourada do senhor prefeito.

Quando o senhor prefeito chegou à cabeceira da ponte, cada homem prendeu a respiração e cada mulher segurou sua língua. O senhor prefeito colocou o gato na ponte e, ligeiro como um pensamento, respingo! Ele esvaziou todo o balde de água sobre ele.

       O gato que estava agora entre o diabo e o balde de água fez a sua mente tão ligeiramente e correu com as orelhas para trás pelo meio da ponte e nos braços do diabo.

O diabo estava tão zangado quanto o próprio diabo. Messieurs les Balgentiens, gritou através da ponte, vous n 'etes pas de belles gens du tout!( não vós sois essas pessoas belas de tudo) Você não sabe as conversas.

       E ele disse ao gato: Viens ici, mon petit chat! Tu como peur, mon petit chou-chat! Viens aqui, le diable t 'emporte! (Venha aqui, meu pequeno conversar! Você como medo, meu pequeno de couve-chat) E ele foi com o gato.

       E desde aquela época as pessoas daquela cidade são chamadas de conversadores de conserva fiada de Beaugency.

       Mas a ponte ainda está lá e há meninos andando e andando e caçoando com ele.

       Espero que você tenha gostado desta história.
 Nonno

P.S. O diabo fala na maior parte uma língua de seu próprio chamou sinotagarela a si mesmo enquanto vai longitudinalmente, mas quando está muito irritado pode falar o francês muito mal ou muito bem, embora alguns que o ouviram, dizem que tem um forte acento de Dublin.

* Vocês de Beaugency. A partir deste momento você será chamado de pessoas com a alma de um gato! (Francês corrompido).
** Venha aqui, minha gatinha. Não tenha medo de mim, meu gato gatinho. Você está com frio, minha gatinha? Venha, venha, o diabo vai te levar para o inferno, ok? Lá vamos sentir quente em breve. (Francês corrompido).

JAMES JOYCE - TRAD. ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

CANTIGA DE NINAR CARLA ZL - ERIC PONTY

  P/ ALEXANDRE SCHUBERT



ESTE OLHAR TEU ESCURO
QUANDO SE ACHA PURO
FALA MAIS DE MIM QUE AVES
NÃO POSSO LHE CRER MAIS!

TÃO CARINHOSA ILUSÃO
AO PENSAR-TE EM VÃO NAVES,
SE GOSTARES ASSIM DE MIM,
QUAL EU NO OLHAR PURO TEU!

É MAIS QUE FASCÍNIO ILUSÃO
QUANDO ME FUI NA RAZÃO
QUEM ME PINTOU PARTIU
EM CORES DE CORAÇÃO!

QUANDO ME FIZ EM TI POR TRIZ
RÓI O CORAÇÃO QUE MAGOU 
EM SONHÁ-LA QUE MAIS!

AH! SE TU PUDESSES CRER JAMAIS,
DO QUE QUERO DIZER-LHE EM TI...
ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY


domingo, dezembro 18, 2022

NA PERSONA DE GREGÓRIO DE MATTOS E GUERRA - ERIC PONTY

 P/ Carla ZL

Descreve o que era na realidade a cidade da Bahia de mais enredada por menos confusa.

A cada canto um grande conselheiro
Que nos quer governar a cabana, e vinha,
Nem sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Cada porta um frequentado olheiro pus,
Que a vida do vizinho, e da vizinha,
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Pra levar à Praça Sê, ao Terreiro Jesus.

Muitos Mulatos desavergonhados,
Trazidos pelos pés dos homens nobres,
Postam nas palmas toda a picardia.

Estupendas usuras nos mercados,
Todos, os que não furtam, muito pobres,
E eis cá essa cidade da Bahia.

À cidade e alguns pícaros, que viveram nela.

Quem cá quiser viver, seja um Gatão,
Infeste toda a terra, invada os mares,
Seja um Chegai, ou um Gaspar Soares,
Por si o Tribunal da Relação.

Sobejar-lhe-á na mesa Vinho, e pão,
Sigam exemplos dou prá sua excelência,
Vida passará sem ter pesar ciência,
Assim como os não tem Pedro de Unhão,

Quem cá se quer meter a ser sisudo
Nunca lhe falta um Gil, que o persiga,
É mais aperreado que um cornudo.

Furte, coma, beba, e tenha amiga,
Porque o nome d`El-Rei dá para tudo
A todos, que El-Rei trazem na barriga.

ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

sábado, dezembro 17, 2022

MIRAGEM DE PALLAS - ERIC PONTY

 P/ Carla ZL

Qual Pallas palmilhasse densamente
Passagem de Carla de tão amorosa, 
Qual no olhar tardio da cena rouca.

Se misturasse ao tom de seus encantos 
Que era pausado e surdo; manhãs pairassem 
No céu de zimbro, e suas cores brancas.

lentamente se abrem diluindo
Da escuridão maior, vinda das gentes
e de meu próprio ter desenganado

A Miragem da Carla se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de a ter olhado me carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir luz que fosse tão impura
nem um clarão maior que o aceitável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do aspecto,
e pela mente exausta de mentar.

toda uma realidade que transcende
a própria efígie sua debuxada
na face do mistério, nos abismos.

Abriu-se em alma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
Há quem de os ter olhado os já pudera.

e nem desejaria recobrá-los,
se desvão e para sempre repetimos
mesmos sem rotineiros ristes périplos,

convidando-os a todos, numa sorte,
a se aplicarem sobre o rosto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim disse, senhora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a façanha,

Há outro alguém, diuturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca demonstrou,
mesmo afetando dar-se ou se adendo,
e cada momento mais se retraindo.

olha, ressalta, ausculta: essa pureza
sobrante a toda fábula, sapiência
altiva e formidável, mas hermética, 

Graça fatal explicação da vida,
esse traço primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo,

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
Abre então teu preceito a agasalhá-la.”

As mais soberbas mentes e edifícios,
que nas oficinas se colabora,
o que atestado foi e logo se atinge.

instância superior ao pensamento,
os recursos que erra tão dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos 

e tudo que define o ser campestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às santas bocas se embeber.

nesse tom rancoroso dos mistérios,
dá volta a Pallas e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas vaidades altas mais que todos
monumentos erguidos à vaidade: 

memória dessas deusas, e o solene
sentimento de sorte, que floresce
na face da existência mais gloriosa.

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

Da esperança mais mínima — esse anseio
de ver desvanecida a relva espessa
que entre raios do sol ainda se filtra;

como defuntas graças convocadas
presto e fremente não se produzissem
Sendo de novo tingir a neutra Carla.

que vou pelas passagens demonstrando,
e como se outro ter, não mais daquele
habitante de mim há tantos anos, 

passasse a comandar minha vontade
que, já de si solúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes,

em si mesmas repletas e fechadas;
como se um tom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando solver a coisa oferta
que se abria gratuita a meu empenho.

O clarão mais estrito já pousara
sobre a passagem Carla, tão amorosa,
e a Miragem da Pallas, repelida.

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que jazera,
passei vagaroso, de olhares densos. 

ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-ENSAISTA ERIC PONTY

Prelúdio 21 - Música do Presente - Centro Cultural Justiça Federal 17/12/2022

VARIAÇÕES EM MUSIC CHAMBER - ERIC PONTY

Sábado tem Prelúdio 21 no CCJF! Com obras para canto e violão/guitarra interpretadas pelo Duo Adour! Será às 15:00, com entrada franca! Quem não puder estar presencialmente poderá assistir ao vivo pelo canal do Youtube do CCJF
Prelúdio 21 - Música do Presente - Centro Cultural Justiça Federal
 

quinta-feira, dezembro 15, 2022

ELEGIAS DE KARINE - DE DEVOÇÃO E DE OLVIDAR - ERIC PONTY




 

I

Tu és tudo, minha, oh tu cume!
Tu estás no lar, e na guerra,
Nos véus, nos rastros, na terra,
No Lugar, no noturno, no dia!
Oh bruxa ventre mulher Nume,
Que minha palma declara adora,
Do véu sacro da virgem de lume,
Que se abrasa, e vigora a razão!
Tu és o perfeito perfume,
E do esmalte rubro das flores,
Vós sóis os licores fulgores,
Os céus firmam harmonia.

ll

Qual um paio clarão! Tu és a alegria, 
D’uma alma charmosa, E a cor lutuosa, 
A dor d’agonia, que escapa do peito, 
De quem vai direito à terra se baixar. 
Tu és qual deserto o tom lamentoso, 
E o eco choroso das vagas deste luar. 
Tu és a inocência, Sorriso da infância, 
Arcaico a prudência, marco o vigor, 
Herói sem demência, amor constância!

III

Breves instantes após corrido dia,
Se incômodos, plenas, de cansaço,
Inda o traço a sentir quebrado e manso,
Posso a ti me esfregar alegria.

Desta varanda aberta ao meio dia,
Do clarão em cheio a clarear terraço,
Vejo-te vir, escuto leve passo,
Na transcendência azul do meio dia.

Chegas. Opúsculo teu vivifica.
Mas é já tarde! Tão veloz flutuas,
Tornando chama à etérea imensidade.

E na pressa transcrevo apenas fica,
Sobre alvo véu, - rastro faces tuas –
Sombra dum pensamento, uma vaidade.

IV

Baixa em mim, calma angélica e impoluta!
Trazendo ermo sol da Primavera,
A fonte que a foz seca refrigera,
A pluma de romã carvalho, e a dor e a luta...

Muda essa ruela, constelada esfera,
Pena, em que hálito, solitária gruta!
Afronta meu seio! Ei-lo a toar... Avulta
Essa razão ansiosa, que te espera!

Chega tal qual em meu delírio insano,
A calma te sonha, glorifica e sente,
Gêmea, não: ser terrestre e sobre-humano!

Contudo acaso assim não és, retêm-te!
Não chegas! Aborde-a nesse ocre engano!
Deixa-a apartar-te na mão eternamente!

V

Oh que das flores amanhece o dia!
Porque entre flores nos madruga a Aurora,
Trazendo em laços esse Sol, que agora
Faça ser dar-se Sol da academia.

E vós da sorte estrela, a todos guia
Vende com flores tantas protetoras
Destas flores, pois sendo melhor afloras,
Sem vela, e sem vós mal parecia.

Ô Fêmea gentil, divos, resplendores,
Pavio a pavio lograis, que raiz mais bela,
Dos verdes vos dá mais superiores.

Oh quanto brilhareis! Que dais nela,
Soube recopilar com tais primores
Entre flores o Sol, Aurora e Estrela.

VI

Ausentou-se Prezada, e ocultou,
Raiz com que nas redes assistiu,
Tudo em relvas na ausência confundiu,
Porque gemido todo sol tragou.

Dizem Louvor de medo a retirou,
Tão afã, que a si própria se feriu,
Porque da imagem, que narcisa viu,
Só filha persuadir-se, que cegou.

Por retê-la na relva de olho mau,
Na região de Vênus a escondeu,
Ou em laivo, de que sabe a vau.

Quem sabe por arrobo assim céu,
Ou tesão embarcado numa nau,
Ou atada a um Pinheiro prometeu!

VII

Os ruídos surgem exalaram pompas, 
Passam na mensagem, surdinas trompas, 
Qual Minerva longo céu aposte logros! 
pascer, do sempre mármore do agro! 

Após ser do apesar, fulgidas Tebas, 
resguarda avantesma crê catacumbas,
Audácia pura fim ateando a bruma 
No inaudível do céu mausoléu duma.

Discreta fronte véu pastorear! 
Mitra apreciar essa luz que repousa, 
ópera gasta eterna ecoa-se à lousa. 

Ó templo anima abunda despejar! 
Aceder ouros climas vão acercava
friezas das minas, quisto nos transcreva.

VIII

Palma suave leito enrugado,
Em que as estrelas adormecidas,
Haviam deixado pingentes
Ao subir rumo ao céu!

Tal era esse leito
Descansadas se reencontram
Claras e incandescentes
Entre os astros amigos
Em seu impulso sempiterno?

Ó leitos de minhas mãos,
Abandonados e frios,
Ligeiros de pesos ausentes
Destes astros brônzeos.

IX

Rupestre penúltima palavra,
Dirás que será nossa miséria
Porém entre a consciência mãe
A última será de formosura!

Pois tentamos resumir
Todos esforços de desejos
Que nenhum gosto amargo
Poderia conter.

X

Se cantamos a um deus,
Esse deus nos responde com silêncio.
Nenhum de nós avança
Senão existia aquele deus silencioso.

Este diálogo imperceptível
Que nos faz tremer no íntimo
Se volta com a herança dum anjo
Sem ser nosso.

XI

Ele que tem razão do centauro,
Que saltos cruzam as estações,
Do mundo recém-nascido
Ao que anseie com força.

Está tão só o hermafrodita
Tão completo em sua morada.
Por todos lados buscamos
Metade perdida dos semideuses.

XII

Ó belo corno inclinado,
Desde onde? Ficava a nossa espera
Tu, que não passa mais que pendente
Em forma de caliça, transforma-te!

Flores, flores, flores,
Que ao cair lhe fazem o leito
As margaridas redondas
De tantos frutos maduros!

E todo esse fim,
Nos ataca e balança
Para castigar a insuficiência
Da plenitude de nosso coração.

Ó corno demasiado amplo,
Que milagre te operaste!
Ó corno da caça, que tocas
Coisas ao sopro do céu.

XIII

Assim como uma copa veneziana
Sabe ao nascer neste gris
E da claridade incerta
Da que prenderá.

Assim tuas ternas mãos,
Haviam sonhando
Ser uma lenta balança
De nossos pretórios instantes.

XIV

Doce pastor que sobrevive
Ternamente em suas funções
Levando sobre o ombro
Uma trouxa de ovelha.
Doce pastor que sobrevive
No amarelado marfim
Ao seu papel de pastor.
Teu rebanho abolido
Dura tanto como tu
Nesta lenta melancolia
De seu serviçal figura
Que resume no infinito
A trégua de ativas defesas!

XV

Eu indago Amarílis, tu infeliz,
agravar aos deuses deem maçãs,
atrelar sobre Albas tão nativas
Tityrus partiu a casa pinhos confins
Tityrus, o vero maio, vera água,
Aqui ficaram atraídos a ti!

Logo que nos raspar a mão da sorte,
ou seja, nesta serra, ou noutra terra,
Nossos laços terão, farão a corte
De esgotar os dois a mesma terra.
Na calpa, cingida de ciprestes,
Predirão dos vocábulos os louvores:
“Quem ansiar ser ditoso nos amores,
Adote dos moldes nos deram destes.”
Perdões, Karine bela,
Perdões à má fortuna!

Alvedrio que ainda tardio, não alçou
olhos sobre mim em minha fadiga,
Do feitio minhas barbas põem-se
branquear-se corto com tesouras.
Mas ela ainda lance os seus olhos 
sobre mim, chega-se após longo tempo!

Apesar muitos leitores aceitem
dos meus mais alvos versos 
destorcidos cidades inférteis, jamais
minha mão veio à Vila Rica em cobre.

XVI

Quando ficar velha, hirta à lareira, 
vendo fronte fios do círio de crepúsculo, 
vai-se olvidar-me versos dadivosos, 
Ronsard fez com louvor igual destreza.

Não será mais qualquer donzela, 
ao fim labor adentrar no sono, 
ouvirá ecoar sibila versos 
louvaram-te dum dia em teu nome imortal.

Sob a terra, à Alba sombra etérea
jazerei ausente! E junto à lareira,
idosa, soluçará meu amor
na briosa simpatia.

Viva, se me escuta, não espere o amanhã: 
hoje angarie as rosas sutis dessa vida.

XVII

Eu, Karine, não sou algum barqueiro, 
que viver resguardar alheio prazo;
De tosco fardo, confissões grosseiras,
Dos rios pelos e dos sóis jazem amado. 
Tenho próprio missal e nele insisto; 
dão-me versos, efígies, culto, leite; 
de brancos carneirinhos tiro tíbia, 
E mais às finas lãs, de que me avisto. 
Perdões, Karine bela,
Perdões à má fortuna!

Eu vi-lhe meu aspecto numa fronte:
são fatos inda não está contado; 
São louvores que habitam este monte 
veneram a força de meu estado.
Com tal certeza bulo a margenzinha
Que invídia até tem a própria cistite
Ao som puro convênio à foz campestre; 
nem verso letra que não seja minha, 
Perdões, Karine bela,
Perdões à má fortuna!

Mas tendo tantos dores da ventura, 
Só afeto lhes flor, pastora pura,
Logo que me abateu me apanha
Que esperas do que lenho ser penhora.
É boa, minha Karine, é boa ser dona
De um estranho, que furte monte e arado; 
mas já, linda pastora, o teu passado
Acode mais dum gado e fulge mais trono. 
Perdões, Karine bela,
Perdões à má fortuna!

A tua visão alastrar-se foz divina,
Há quem a foz do Sol em vão em treva; 
Rosa-da-china ou rosa suave e expira
Te ganga as faces, que são cor da aragem!

As tuas penugens são uns lírios d’ouro;
Teu gentil corpo fragrâncias apavora. 
Ah! Não, não fez o véu, linda pastora, 
Para auréola de Amor igual fisco!
Perdões, Karine bela,
Perdões à má fortuna!

Alterar viveiro muito conquanto
do fio, sobre o palco levantado;
Revogue, apronte a surto homicida,
Sem trocar uma rês, o nédio fardo.
Já posto bens, Karine, não sucinto
Nem me pega a paixão, que o mundo devasta; 
para durar feliz, Karine, chega
Que os olhos mexas, e me dês sorriso. 
Perdões, Karine bela,
Perdões à má fortuna!

Irás a entreter-se na metáfora,
Aguentada, Karine, no meu abraço;
Aqui sossegarei a ardente testa, 
repousando leve sopor jaz teu laço; 
enquanto a pugna atira os louvores, 
E acoplados veem à surdina, 
esvairei teus cabelos de menina, 
na estirpe escreverei os teus condores. 
Perdões, Karine bela,
Perdões à má fortuna!

XVIII

Vasto esplêndido céu justo do mundo, 
amplo repouso! Céu elevar-se fundo,
meu pomposo! Edifício a pascer palma, 
soberbo apura mil dos templos, alma!

Estação da morada anseia furto,
qual flama pena aprumo no vão surto,
tudo protege olhar vazio do vulto,
Noz cinge Altíssimo do ser ao culto.

Cintilação pastar-se tão serena,
despojado refém se ouve sua amena,
pena vazada bronze anexo cena.

Ô Proeza atração que transtorna a fera,
fez seu tom vero brônzeo rente ao fundo. 
Qual do eco o sino prato fastio era.

XIX

Nos seixos é nome
obteve mais dela
há surpresa altivez
resume renome
tez costume ela!
qual laço quebrado
pinta gosto rês.

São seixos têm honra
de quem dança dorso
ser despir que fala
tanger luminosa
rubra melindrosa
aboca segura
lucro tanta alvura!

Antes que profundo
ainda olhar fundo
cativando assim
de pele Sahara
templo rosa inunda
transpuser aos seixos
fez sorte zombar.

XX
Acercar-se um dia Amor a tornar rende, 
retrograda este ímpio do penhor,
que receia, e, que não querem, o prende, 
desta alegria penar par louvor.

Se atrair chama minha que se renda,
Fé, e o enorme e infindo se despe amor, 
vossa certeza, vosso vício pendam, 
compungir tarde donde alguém se prenda.

E eu estou lhe atraindo este alvedrio, 
caso viver o lacre sevo pio,
é provisório brando à noiva idade.

E desejo pensar reto céu escolta,
vendo quiçá do anjo homem crueldade, 
ter vossa do meu ser vendeta volta!

Quisera eu meigo amada Karine rês, 
olvidar-se de mim senhora três,
desejo plácido ave aflora à tez,
sutil advém voltar amores vez.

XXI

Exausto vida ponho máscara Alba, 
floresta cinge flores pias de adoba, 
sôfregos pedem vão perdão da alcoba, 
sonha-lha mais que fogo clama arriba!

Pássaros, credos, sós, sem voo saga, 
extasiados seres dragam à vaga,
reunidos lajens funda efígie rara.

Só coração se pasce campo vágado,
eis aqui perto aguagem quieto arado, 
este quis o céu reto te faz o planado.

ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY

quarta-feira, dezembro 14, 2022

NOVENA DA BOA MORTE - MEU PAI - ERIC PONTY



Que me quer, que a mim pai esta saudade me arde,
Fazia o coro cantar, no ar música egrégios,
Já um dó sem valor, há ruir no áureo altar
Mal aclarava o toque em frígida da chave.

Íamos sós os dois – saudade – o pensamento
E os devê-los ao céu, flutuando ao sabor léu.
E eis que ele a me fitar, num enternecimento,
Filho: - qual foi, no versar teu Auro momento?

Com a voz patriarcal de vibrações amenas,
Em furtiva resposta eu disse apenas,
E toquei suas mãos nuvem, devotamente.

Da primeira emissão... como fui abençoado,
E que encantado tom, que sibila atraente,
Tem o diáfano som dos lábios seduzidos.

ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA ERIC PONTY