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domingo, outubro 30, 2022

Dante da Maiano e a feitura do soneto - Trad. Eric Ponty

O problema da relação entre ritmo e contador é um problema venerável:  Dentre os gregos já havia uma divisão entre o rhythmikoi e o metrikoi; o primeiro via o ritmo poético feito, e, relacionado com a música, uma arte temporal, e o segundo tratava-o como uma estrutura métrica. Mas o vasto corpo do trabalho sobre o movimento do verso centra-se no contador, e para a maior parte da história da letra, poemas foram escritos em relação a particular da métrica, e, das armações, padrões específicos de sílabas de tipos particulares. O sistema métrico tem sido um encontro contencioso, com sistemas diferentes de notação e concepções de metro e luta vigorosa entre os defensores de abordagens diferentes; e nos últimos tempos tem sido, em grande medida, capturada pelos linguistas, cuja métrica generativa estabelece a tarefa de regras que distinguiriam as linhas metricamente bem formadas daquelas que os leitores experientes considerariam não estar bem formados, o que é um objetivo difuso da análise rítmica, na medida em que as descrições atribuídas pelo aparelho generativo pode ser irrelevante para os efeitos rítmicos, sendo muito tentador para os críticos evitar completamente o tópico na suas  discussões de poesia. Uma característica marcante dos contadores poéticos é que a partir de uma vasta gama de características de línguas naturais, selecionam um número muito pequeno e ou orgânico num conjunto limitado de padrões bastante restritos que, utilizados numa vasta gama de casos, desde rimas infantis até aos poemas mais sofisticados, chegam, e, a têm uma potência especial. Os contadores selecionam a partir das características fonológicas da linguagem e segmentar o continuum sonoro em unidades que são uma relação de equivalência, com posições marcadas em cada unidade, preenchidas por alguns tipos de proeminência, normalmente chamada de ictus como demostrado por este soneto de Dante da Maiano,

Non canoscendo, amico, vostro nomo,
De onde se move quem fala comigo,
Sei bem que é a ciência dum grande homem,
Pra que de quantos, conheço ninguém tenha.

E, pois, pode-se conhecer bem um homem,
Casco, se ele tiver juízo, que bem parece,
Convença, então elogiar-se sem fazer,
A minha língua é forte do que fala.

Amigo (certas sondas, pra que a amada,
per amore aggio), sacci ben, chi ama,
Se não for amada, a maior boneca.

Pra tal tristeza ele mantém seu quarto,
Todos outros, chama-se chefe em cada um:
Resultou a coleção em dor que o amor deu.

Um contador é composto por padrões de estruturas contrastivas. Em geral, a linha poética é a principal unidade de metro, com um metro definindo uma linha como uma certa combinação de contrastes, geralmente duplo ou ternário, e linhas por vezes combinando em unidades métricas maiores, tais como casais ou estrofes, embora o foco seja a linha métrica levou a uma relativa negligência da unidade da estrofe, importante para a lírica.
TRADUÇÃO ERIC PONTY

POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

DANTE DA MAIANO E A VOZ DO METRO - TRADUÇÃO E ENSAIO - ERIC PONTY

O lírico não pretende ser uma representação dum evento, mas para ser ele, o próprio um evento, por isso é necessário conceder um relato lírico de primazia sobre o que acontece em e por meio da letra, os acontecimentos distintivos do discurso lírico, o que torna o ritmo e a repetição centrais.

Muito para além da ligação histórica da letra à recitação cantada e do uso moderno que se enfatiza a estreita ligação com o ritmo, chamando "letra" às palavras das canções, não é o ritmo acima de tudo que faz da lírica atraente, sedutora e memorável? Se a letra é uma linguagem aprazível, uma linguagem que dá prazer, os seus ritmos e padrões sonoros podem ser largamente responsáveis. Se a letra é memorável, a linguagem que pede para ser aprendida de cor e repetido, recitado - isto não é também por causa dos seus ritmos? Ritmo dá ao lírico uma qualidade somática que rompe em outras formas alargadas carecem - da experiência visceral do ritmo que o liga ao corpo e, muitas vezes de forma bastante duvidosa, aos ritmos de vários processos naturais - e assim contribui para um tipo de prazer difuso dos promovidos pelos romances e um sentido de alteridade sendo como se alguém estivesse a fazer uso da minha máquina para viver".

Embora o nosso corpo tenha os seus próprios ritmos, de respiração e de batimentos cardíacos, nossa competência rítmica a maioria das vezes responde ao ritmo como algo exterior que, no entanto, nos envolve, atrai-nos a bater no tempo com ele, pressentir um padrão, em ruídos, movimentos, ação no mundo. O ritmo é uma das principais forças através das quais os poemas nos assombram, apenas uma vez que os próprios poemas são assombrados por ritmos de outros poemas. A tenacidade com que os ritmos podem alojar-se na nossa memória, como a melodia de uma canção força, encoraja o pensamento de forças ocultas, como se os esforços potentes devessem ter causas misteriosas ausentes.

Se o ritmo é fundamental para o apelo da lírica, é largamente negligenciado por crítica, em parte porque a escansão tradicional dos pés apenas limitou acesso aos ritmos. "Como variar livremente o medidor iâmbico? Como contador trosquio livre? Como alternância entre o iâmbico e o troqueu"? São diferenças entre a letra e os padrões de prosódia do pé implicam que é rítmica altamente complexa e cheia de incertezas. Este é o ritmo de muitas canções e de verso popular e também momentos altamente ritmados de verso literário. Num divertido levantamento de outras introduções à poesia, se observa como frequente em discussões que podem quebrar ou tornar-se excessiva elaborado quando confrontado com poemas deste tipo, com um ritmo pronunciado que é fácil de apreender pelos leitores.

Este é o ritmo é o aspecto dominante do poema. Do que nós fazemos do poema quando aplicamos pressão interpretativa, colocá-lo em um ou outro contexto temático ou mítico ou histórico, a fim de obter um significado, passa a ser relevante, certamente, mas pode-se perguntar se estes esforços interpretativos não são, em certa medida, o produto de um desejo de justificar que o porão que sequências rítmicas tão estranhas, mas profundamente familiares, têm sobre nós.

Este é o ritmo é o aspecto dominante do poema. Do que nós fazemos o poema quando aplicamos pressão interpretativa, colocá-lo em um ou outro contexto temático ou mítico ou histórico, a fim de obter um significado, é relevante, certo, mas pode-se perguntar se estes esforços interpretativos não são, em certa medida, o produto de um desejo de justificar o porão que sequências rítmicas tão estranhas, mas profunda familiares, têm sobre nós.

Tais versos têm o poder de se fixar-se na memória mecânica independente de qualquer tentativa de os recordar, e em vez de nos considerarmos vítimas de alguma susceptibilidade jejuada ao ritmo independente do significado, vítimas da sua "temível simetria", dedicamo-nos a intrincadas explorações temáticas, que contam para nós como uma resposta ao poema, mas na realidade deixam o poder rítmico inexplicável, por exemplo como neste soneto de Dante da Maiano do qual partimos em uma ideia isotópica:

Non canoscendo, amico, vostro nomo,
De onde se move quem fala comigo,
Sei bem que é a ciência dum grande homem,
Pra de quantos, conheço ninguém tenha.

E, pois, pode-se conhecer bem um homem,
Casco, se ele tiver juízo, que bem parece,
Convença, então elogiar-se sem fazer,
A minha língua é forte do que fala.

Amigo (certas sondas, pra que a amada,
Per amore aggio), sacci ben, chi ama,
Se não for amada, a maior boneca.

Pra tal tristeza ele mantém no quarto,
Todos outros, chama-se chefe em cada um:
Resulta a coleção em dor que o amor dá.

A maior parte das discussões sobre o ritmo foca-se de fato no metro, e isso pode muito bem parecer ser o lugar a começar, uma vez que a característica mais saliente deste ritmo é vigorosa linha de quatro batimentos destas quadras. O problema da relação entre o ritmo e o metro é de longa data: entre os gregos já havia uma divisão entre o rhythmikoi e o metrikoi; do qual o primeiro via o ritmo poético como pertinente com a música, uma arte temporal, e esta última tratou-a feito uma estrutura de tipos de sílabas. Mas o vasto corpo do trabalho na linha de verso centra-se no contador, que há muito é visto como o base do ritmo, e durante a maior parte da história da lírica, foram escritos poemas em relação a molduras métricas específicas, padrões específicos de sílabas por que ritmo? De tipos particulares, em uma ideia isotópica. 

Em termos mais simples, a prosódia tradicional descreve os contadores ingleses, em termos tirado do grego, pelo tipo de pé dominante (iâmbico, troqueu, afásicos, dáctilo) e pelo número de pés por linha, mas o artefato do pé não corresponde a unidades de línguas modernas, e os analistas devem multiplicar as variações, em infinitas pequenas alterações, para captar o real padrão de tensões em verso acentual-silábico.

TRAD. ERIC PONTY
POETA,TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

sábado, outubro 29, 2022

Rime de Amor Torquato Tasso entre a poética e a hermenêutica - Trad. Eric Ponty

Aqui há uma distinção básica, demasiadas vezes negligenciada nos estudos literários, entre dois tipos de projetos: um, modelado em linguística, distorce significados como aquilo que tem de ser contabilizado e tenta resolver como elas são possíveis. A outra, pelo contrário, começa com formas e procura interpretá-los, para nos dizer o que realmente significam. Em estudos literários, isto é um contraste entre a poética e a hermenêutica.

 Poética começa com significados ou efeitos atestados e pergunta como são alcançados. (O que faz esta passagem de um romance parecer irónico? O que faz-nos simpatizar com este carácter particular? Por que é que o final deste poema ambíguo?) Hermenêutica, por outro lado, começa

com textos e pergunta o que significam, procurando descobrir novas e melhores interpretações. Os modelos Hermenêuticos provêm dos campos do direito e da religião, onde as pessoas procuram interpretar uma religião autorizada, legal ou sagrada, mas cabe o texto ao fim de decidir como agir. O modelo linguístico sugere que o estudo literário deve tomar o primeiro de poética, tentando compreender como as obras alcançam os efeitos, mas a tradição moderna da crítica tem tomado esmagadora na segunda, fazendo da interpretação de obras individuais seu pagamento de estudo literário. De fato, as obras de crítica literária combinam frequente com poética e hermenêutica, perguntando como se conseguem um determinado efeito ou por que um final parece certo (ambas as questões de poética), mas também perguntar o que uma linha particular e o que um poema nos diz sobre o humano de sua condição (hermenêutica). Mas os dois projetos são, em princípio, bastante distintos, com diferentes objetivos e diferentes tipos de provas. Tomando dos significados ou efeitos como ponto de partida (poética) é fundamental diferente de achar descobrir o significado (hermenêutica).

Se os estudos literários tomassem a linguística como modelo, a sua tarefa seria da Língua, significado e Interpretação de descrever a "competência literária" que os leitores de literatura adquirem. A poética que descreve a competência literária centrar-se-ia nas convenções que tornam possível a estrutura e do significado literário: quais são os códigos ou sistemas de convenção que permitem aos leitores identificar géneros literários, reconhecer parcelas, criar 'caracteres' a partir dos detalhes dispersos fornidos no texto, identificar temas em obras literárias, e progredir o tipo de interpretação simbólica que nos permite aferir o significado de poemas e histórias?

Esta analogia entre a poética e a linguística pode parecer enganadora, pois não há conhecemos no significado de uma obra literária como conhecemos o significado como esse soneto de Amor,
por Torquato Tasso traduzido em alexandrinos:

Exatas peles destas alegrias, fervor,
Donde me chorei e me cantei várias canções,
De que poderia apanhar som destas armas,
E de heróis às glórias, e amores destes castos;

E se não fosse dos mais obstinados coros,
Nos meus afetos vãos, destes quais me queixo,
Já não devia, por mais mulheres foi louvada,
Destas contrições, onde inteireza então honrada;

Aqui com este meu exemplo, amantes astutos,
Ler minhas delícias do meu desejo ir vão,
Minha contenção do Amor das almas. Senhor.

Que outros sigam célere planos ardentes,
Em pensar, por vezes, coração é acercar-se,
Doçura sê levar desejo, e, amor no seio.

Está é certamente uma das razões pelas quais os estudos literários em que dos tempos modernos favoreceram a hermenêutica em detrimento da poética (os outros na razão é que as pessoas geralmente estudam obras literárias não porque são interessados no funcionamento da literatura, mas porque pensam que estas obras têm coisas importantes para lhes dizer e querem saber o que são). Mas a poética não exige que se conheça o significado de uma obra; na sua tarefa foi de prestar contas de todos os efeitos que podemos atestar - por exemplo, que um final é mais bem sucedido do que outro, que esta combinação de imagens num poema faz sentido enquanto outro não faz. Além disso, uma parte crucial da poética é um relato de como os leitores se movimentam na interpretação de obras literárias - quais são as convenções que lhes permitem para dar sentido às obras como elas fazem. 

Mas a poética não exige que conheçamos o significado de uma obra; a sua tarefa é prestar contas de todos os efeitos que podemos atestar - por exemplo, que um final é mais bem sucedido do que outro, que desta combinação de imagens num poema faz sentido enquanto outro não faz. Além disso, uma parte crucial da poética é um relato de como os leitores se movimentam nas interpretações de obras literárias - quais são as convenções que lhes permitem para dar sentido às obras tais como elas fazem.

A poesia está relacionada com a retórica: a poesia é uma linguagem que torna abundante dessa utilização de figuras de fala e linguagem que pretendem ser poderosas persuasivas. E, desde que Platão excluiu os poetas da sua república ideal, quando a poesia tem sido atacada ou denegrida, tem sido tão enganosa ou retórica frívola que induz em erro os cidadãos lhes chamem de extravagante desejo.

Aristóteles afirmou o valor da poesia ao concentrar-se na imitação (mimesis) em vez de retórica. argumentou que a poesia proporciona uma arca de saída para a libertação de emoções intensas. E alegou que modelos de poesia a valioso exame de passar da ignorância ao conhecimento. (Assim, no momento chave do 'reconhecimento' em trágico, drama, o herói percebeu o seu erro e os espectadores percebem que “lá, mas pela graça de Deus vai I'). A Poética, como um relato dos recursos e estratégias da literatura, não é redutível a uma conta de figuras retóricas, mas a poética pode ser vista como parte de uma retórica alargada que estuda os recursos para os atos linguísticos de todos os tipos.
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

isotopia dum soneto 22 de Gaspara Stampa - Trad. Eric Ponty

Desde o início que estávamos determinados a imprimir o maior número de mulheres possível, mas depressa descobrimos que o número antes de 1500 é assaz pequeno de Safo que ao ergue-se quase como uma ilha para si própria. Os romanos não produzem ninguém, e, ainda a surpreendentemente grande literatura homoerótica da Idade Média é quase diretamente escrito por homens. É apenas em tempos recentes que a literatura lésbica floresce por completo. Quanto ao estilo, estávamos zelados na precisão, mas não queríamos um trabalho de ser pedante. Anotamos onde pensamos ser imprescindível, mas não tente duplicar o que pode ser achado em qualquer dicionário autorizado.

Quando Gary Kuris da Garland Publishing me perguntou se eu gostaria de editar uma antologia de verso gay e lésbica, respondi prontamente que o faria. É que me surpreendeu que, até hoje em dia, as antologias têm sido em grande parte feitas por pessoas que estavam mais velados numa coleção ampla e geral do que em demostrar qualquer altura. Desde o início, as primeiras coisas a pôr de quem foram essas fronteiras decidimos, após longas discussões, ater este trabalho à Europa, uma vez que literatura homoerótica do Japão, por exemplo, mereceu um livro próprio, que a Garland poderá emitir num futuro próximo. É por isso que a poesia árabe está restrita ao que foi produzido em Espanha - não no Médio Oriente. Encontramo-nos em também queria pôr limites temporais. Decidimos, portanto, começar com que as origens da literatura europeia, especificamente com Safo e outros gregos, e para completar com o auge da Renascença italiana.

Gostaria de agradecer aos meus colegas colaboradores, que trabalharam com velocidade e entusiasmo. Sentimos durante todo o tempo que estávamos a dar o nosso contributo, trazendo à luz muitas obras que há demasiado tempo tinham sido ocultas (muitas vezes de forma bastante deliberada). Se publicámos alguns poemas em que o afeto platónico e não erótico, sentimos que tínhamos de permitir o leitor para decidir, tal feito neste soneto 22 de Gaspara Stampa:

Virar por vezes olhos lastimosos,
Vossas belezas às minhas tristezas,
Pra tanta alteridade venha até si,
Tanto que coração lhe tocou à pena.

Verás feito; será um mártir pra mim,
Verás arrepios dos arrepios cheios,
Quem prestou ao meu dano, Amor detém,
Quando tinha isso na minha chefia.

Quando tinha isso minha chefia arco,
E talvez à pena do meu tormento,
Irá torcer, onde agora cavalga altivo;

Não se vê, como eu o sinto amor;
Pensivo eu menos, menos orgulhoso,
Recuarás, duma centena e cem vezes.

TRAD. ERIC PONTY

sexta-feira, outubro 28, 2022

ISOTOPIA NO POEMA 22 DA POETA SAFO - TRAD. ERIC PONTY

 A leitura de uma isotopia deve ser tão próxima da experiência de leitura do texto grego como possível. O leitor, contudo, só pode descobrir as probabilidades do texto grego por meio dos olhares do tradutor. Uma língua não pode ser copiada para outra língua intacta, como se por meio de papel de decalque. A poesia entra e sai do tradutor, filtrada pelo meio de um viés individual cuja visão que um tradutor é o mais ativo dos leitores, lendo, interpretando, e depois escrevendo esta interpretação para um novo texto de novos leitores feito essa isotopia do poema de Safo vinte dois: 

... trabalho ...

... [... cara ...

*

... brusco ...

... ... [se] não, inverno ...

... dor ...

. . . Exorto-vos [a cantar] de Gongyla
[Abanthis], e a tocar tua lira,
Enquanto desejo por ela uma vez mais
Agita-lhe tua atenção
Que são lindas. Vê-la o teu vestido
Entusiasmou-vos, e eu alegro-me
Porque a própria Afrodite
uma vez culpada ...
por isso rezo ...
Eu e meu desejo ...

Uma isotopia e o seu texto grego dependem um do outro para viver. Novas isotopias tornam-se indispensáveis porque percepções de textos e cultura, teoria literária e de isotopia, da linguagem e estilos de mudança poética ao longo do tempo. No passado, os tradutores tiveram uma tendência para adicionar ou subtrair frases, e por vezes empregaram textos pobres não firmes nas últimas descobertas ou nos mais exatos na bolsa de estudo. As suposições relativas à poesia antiga, e especialmente à poesia feminina, têm por vezes contribuíam para rendições desvirtuadas ou censuradas. Exemplos óbvios incluem isotopias que mudam os pronomes ou mesmo o sujeito de feminino para masculino. E algumas destas isotopias preenchem o fragmentar das lacunas com frases impróprias ou trivializastes.
 TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY 

_-Djuna Barnes -The-Book-of-Repulsive-Women Duma Isotopia - Eric Ponty

 

The Book of Repulsive Women é uma colecção de oito poemas e cinco desenhos de Djuna Barnes foi publicado pela primeira vez em 1915. Apesar de esta ter sido a primeira publicação de Barnes do que ela considerava ser a sua obra "séria", posteriormente odiou o livro e quis reprimir o fato de o ter escrito de todo. The Book of Repulsive Women foi republicado pelo Barão, apesar de "Barnes ter desaprovação, e tem sido republicada três vezes mais desde a sua morte. Ao contrário do que o título pode sugerir, The Book of Repulsive Women é uma obra intrigante; Barnes utilizou o visual e textual para funcionar como uma narrativa coesa e o livro como um todo envolve o leitor nas suas impressionantes imagens. Ao fundir poesia e ilustrações, Barnes tenta criar um novo espaço para o discurso feminino.

Como Jessica R. Feldman observa, devido aos diferentes entendimentos do modernismo e das suas origens, cada argumento sobre ele "pode assim ser visto como um argumento de homem-palha, uma vez que as suas suposições estão eminentemente abertas ao desafio" (2002: 6).

E tal como o trabalho de Feldman, na minha avaliação da particularidade do "modernismo afetivo" de Barnes assenta de certa forma na noção de 'alto modernismo': obras que datam de cerca de 1880-1945 que tomam "a visão longa e impessoal, afastando-se do vulgar e do esfarrapado, do vulgarmente emotivo. Mas também quero insistir que o trabalho de Barnes não é um modernismo alternativo, mas sim uma parte do modernismo, e que a leitura do seu trabalho fez com que o modelo de textualidade modernista seja ainda mais matizado. Enquanto identifico certas características recorrentes do modernismo canónico que são um desafiado pelo trabalho de Barnes, pois não quero sugerir que o "modernismo não é um termo assaz capcioso para incluir o corpus Barnes.

E tal como o trabalho de Feldman, na minha avaliação da particularidade do "modernismo afetivo" de Barnes assenta de certa forma na noção de 'alto modernismo': obras que datam de cerca de 1880-1945 que tomam "a visão longa e impessoal, afastando-se do vulgar e do esfarrapado, do vulgarmente emotivo. Mas também quero insistir que o trabalho de Barnes não é um modernismo alternativo, mas sim uma parte do modernismo, e que a leitura do seu trabalho fez com que o modelo de textualidade modernista seja ainda mais matizado. Enquanto identifico certas características recorrentes do modernismo canónico que são um desafiado pelo trabalho de Barnes, pois não quero sugerir que o "modernismo não é um termo assaz capcioso para incluir o corpus Barnes.

5ª Avenida para Cima

SOMEDAY por debaixo de algumas duras,
Estrela capriciosa...
Espalhar um pouco da sua luz
Mais do que longe,
Conhecê-lo-emos pela mulher,
Que está.
Pois apesar alguém tenha levado, atirou-o ao chão
Fora do espaço,
Com as pernas meio estranguladas
Nas suas rendas,
Daria o mundo à loucura
Neste rosto.

Veríamos o seu corpo na erva
Com os olhos frios e pálidos
Esforçar-nos-íamos para tocar nesses langrous
A extensão das coxas
E ouça em sua curta afiada moderna
De choros babilónicos.

Não iria. Senti-lo-íamos
Bobina neste medo
Inclinando-se sobre a fértil
De campos para deixar de lado
De como pediu um segredo amargo
Pela orelha.

Vemos os seus braços crescer húmidas
Com o calor;
Vemos a sua química húmida mentir
Pulsar na batida
Dos excessos de coração sobrarem
Aos seus pés.

Vejo-o flácido com saliência
Cabelos para beber
Humidade de algumas vaguezas
Debaixo dos lábios,
A sua saliva macia, solta
Com orgia, gotejar.

Assim que não tivéssemos chamado isto
A Mulher que você...
Ao inclinar-se sobre a da sua mãe
Baço que desenhou
Os músicos enganam-se.

Mergulhar grandemente para cair
Sobre o seu rosto
Bebé-fêmeas nuas
Em situação de queixa,
Com o ventre saliente
No espaço.


Como Jessica R. Feldman observa, devido aos diferentes entendimentos do modernismo e das suas origens, cada argumento sobre ele "pode assim ser visto como um argumento de homem-palha, uma vez que as suas suposições estão de modo eminente abertas ao desafio" (2002: 6) como neste poema:

-Em Geral-
QUE pano de altar, que trapo de valor,
Não tem preço?
Que virada de carta, que truque de jogo
Sem preço?
E ainda apreciamos um pouco
Muito mais do que Cristo.


POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

quinta-feira, outubro 27, 2022

ISOTOPIA PARA BALADA DE FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY

Esse seu modo habitual de ver os fatos eu só pondero imparcial no grau em que também creio que Leitor-Crítico não tem a menor dolo pelo nosso distanciamento. Mas eu também não tenho a menor dolo. Se pudesse levá-lo a conhecer isso, então seria admissível, não uma nova existência — para tanto nós dois estamos velhos demais nesse barco — mas sem imprecisão uma espécie de paz; não a cessação, mas certamente um abrandamento das suas intermináveis recriminações. Curioso Leitor-Crítico tem alguma percepção daquilo que eu quero falar. Assim, por exemplo, me disse há pouco tempo com essas traduções. Ora, no que me diz deferência, nunca oscilei da sua afeição, mas medito imperfeita esta advertência. Leitor-Crítico não sabe fingir, é verdade, mas querer afirmar só por esse pretexto que os outros fingem, é ou mera mania de ter razão e não se aventa mais, ou então — como de ocorrência acho — o aparecimento em vigília de que os casos entre nós não vão bem, e, de que Leitor-Crítico tem a ver com isso, porém sem dolo. Se verdadeiramente reflete assim, então estamos de ajuste, e, para tal aparecimento lhe demostro uma tradução de Francesco Petrarca que é mais ao menos assim o dê vinte dois:

Para qualquer animal viva à terra,
Ao menos que alguns que odeiem o sol,
Tempo de trabalho é tão longo ao dia;
Mas quando o céu acendeu as estrelas sal,
Regressam casa, e que espreitam no ermo,
Deitar pelo menos até ao amanhecer.

E eu, desde o belo amanhecer,
Sacudir a sombra em torno da terra,
Acordar os animais em cada mata,
Nunca triguei os suspiros com sol;
Depois, quando vejo estrelas em chamas,
Vou chorando e desejando o dia.
Quando à noite expulsou o dia livre,

E da nossa escuridão faz nascer,
Olhar penosa pra as cruéis estrelas,
Quem me fez desta terra sensível!

A ideia de, no entanto, escrever como trauma sobre a isotopia, leva-nos para além das questões do Leitor-crítico que leva à vida para nos ajudar a compreendê-lo melhor. Especificar estilo, a estrutura de abrangência tardia que caracteriza a resposta ao trauma oferecia uma forma convincente de pensar sobre as reiterações performativas desta história literária que têm sido geralmente descritas como paródias, pastiches ou sátiras.

Mas também quero insistir que o trabalho de Leitor-crítico não é um modernismo alternativo, mas sim uma parte do modernismo, e que a leitura do seu trabalho fez com que o modelo de textualidade seja ainda mais matizado. Enquanto identifico certas características recorrentes do modernismo canónico que são desafiadores pelo trabalho de Leitor-crítico, não quero sugerir que o modernismo não é um termo suficientemente capcioso para incluir no corpus Leitor-crítico por esta Balada de Francesco Petrarca que foi mais ao menos lhe expus.
TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

Almanaque das Mulheres - Djuana Barnes - Trad. Eric Ponty

 

Se sendo duma "alternativa" à simples autobiografia lésbica é a roman à clef, o romance que pode ou não ser "correto", que se baseia em acontecimentos na vida dessa autora. E pode não estar claro se a mascarada é esta artística, lúdica ou camuflada, particularmente devido à impossibilidade de declarar tais verdades dos desejos e experiências de cada uma. 

Um exemplo bom exemplo modernista é um texto quase inescrutável de Djuna Barnes Ladies Almanack (1928), sobre o qual ISABEL FRANC explica-nos, num prefácio intitulado, "A Paris era A Mulher de Ladies Almanack:

Ladies Almanack, sendo o seu título completo Ladies Almanack: mostrando os seus Sinais e as suas Marés; as suas Luas e as suas Mudanças; as Estações como está com elas; os seus Eclipses e Equinócios; bem como um Registo completo de Distempers diurnos e noturnos, escrito & ilustrado por uma senhora da moda, foi escrito por Djuna Barnes em 1928. Este roman à clef cataloga as intrigas amorosas da rede lésbica de Barnes centrada no salão da Natalie Clifford Barney em Paris. Escrito como um pastiche de restauro de sagacidade, o volume esbelto é ilustrado pelas xilogravuras inspiradas em Elizabethan de Barnes. Natalie Barney aparece como Dame Evangeline Musset, "que estava no seu coração uma Grande Cruz Vermelha para a Perseguição, o Alívio e a Distração, de Moças como dessas suas Partes Travessas, e nas suas Partes Prematuras, e em tudo o que essas Partes mais sofreram, lamentam Cruelmente".  "[A] Pioneira e uma Ameaça" na sua juventude, Dame Musset atingiu "uma cinquenta espirituosa e sábia"; resgatou mulheres em perigo, dispensa sabedoria, e na sua morte é elevada à santidade. Também aparecem pseudonímicamente Élisabeth de Gramont, Romaine Brooks, Dolly Wilde, Radclyffe Hall e a sua consorte Una, Lady Troubridge, Janet Flanner e Solita Solano, e Mina Loy.

A linguagem obscura, nas piadas internas e a equívoco têm mantido os críticos a discutir se é uma sátira afável ou um ataque agro, mas a própria Barney adorou o livro e relê-lo ao longo sua vida.

A Paris era Mulher

No ano 1921 Djuna Barnes viajou como correspondente para Paris com uma missão de retratar à comunidade de expatriados e de expatriadas norte americanas e terminou afinal sendo uma delas.

Desta época se houve escrito muito pouca coisa, porém em poucas ocasiões essas intelectuais e as artistas protagonistas desse momento haviam passado de ser algo demais que uma sombra. De feitio, nem se demostraram até para que outras mulheres reconhecessem esse testemunho deixado por suas antecessoras de la Rive Gauche e vieram dizer sobre elas. Biografias, ensaios, ficções, biográficas e autobiográficas irromperam nas estantes das tais livrarias a partir da metade desse Século XX. Algumas de notáveis exemplos, das quais muitas nos encontramos, sendo sem dúvida: As Mulheres de la Rive Gauche, de Shari Benstock (esse livro impossível de achar). A importância de Chamar-se Dolly Wilde, de Joan Schenkar, a biografia de Natalie Barney, de Suzanne Rodríguez, o Da Paixão segundo Renée Vivien, de Maria Mercè Marçal, senão uma das melhores recriações em ficção recreações, nessa ficção, dessa encantadora, cruel e ambígua sociedade dessa época.

Se naquele período histórico «A Paris era mulher», afirmamos com toda sua razão documental de uma Greta Schiller. Tais escritoras, editoras, livreiras, fotógrafas, pintoras e Jornalistas que se escabecearam na margem esquerda do Rio Sena se converteram em mecenas dos principais movimentos literários e artísticos dessa exuberante ocasião que se vivia e de cujos rendimentos, todavia nós gozamos algumas dentre outras. Porém, muitas delas se tornaram por demais pioneiras do outing lésbico. Sendo há mais destacada, sem dúvida nenhuma, Natalie Clifford Barney, uma Amazona, la salonnière reconhecida fundadora da Académie des Femmes.

Em seu salão de la rue Jacob se celebravam todos os viernes tertúlias literárias, picantes representações teatrais de obras escritas por ela mesma ou por alguma de suas amigas em tais atrevidas performances muito acompanhadas de chás, de vinhos e de champagnes desses da melhor qualidade e de suculentos manjares dentre os quais nos caberia destacar os famosos sanduiches de pepino que preparava Berthe Cleyrergue, cozinheira e assistente pessoal de Barney.

No centro desse jardim se encontrava o assim chamado «Templo da Amizade» onde havia um lugar para espetáculos. Conta Suzanne Rodríguez, em sua biografia de la salonnière, que «em uma certa ocasião contratou a conhecida Mata Hari para que passeasse nua por tais jardins de sua mansão montada num cavalo branco prendido com arnês pintado de esmalte azul turquesa.

Nesse salão se manteve durante mais de sessenta anos, porém se não foi dentre as tais décadas de 1920 e 1930 quando viveu no período de seu maior auge. 

No salão de Barney era o único em Paris (sendo o mais importante na Europa) consagrado para encontro de mulheres dedicadas na arte e na criação, para desfrutar de suas habilidades, fazerem centro de debates e de exposições, representarem em suas obras, gozarem dos prazeres duma vida social e terem tais animados embates sexuais.
ISABEL FRANC-TRAD. ERIC PONTY
Ladies Almanack, sendo o seu título completo Ladies Almanack: mostrando os seus Sinais e as suas Marés; as suas Luas e as suas Mudanças; as Estações como está com elas; os seus Eclipses e Equinócios; bem como um Registo completo de Distempers diurnos e noturnos, escrito & ilustrado por uma senhora da moda, foi escrito por Djuna Barnes em 1928. Este roman à clef cataloga as intrigas amorosas da rede lésbica de Barnes centrada no salão da Natalie Clifford Barney em Paris. Escrito como um pastiche de restauro de sagacidade, o volume esbelto é ilustrado pelas xilogravuras inspiradas em Elizabethan de Barnes. Natalie Barney aparece como Dame Evangeline Musset, "que estava no seu coração uma Grande Cruz Vermelha para a Perseguição, o Alívio e a Distração, de Moças como dessas suas Partes Travessas, e nas suas Partes Prematuras, e em tudo o que essas Partes mais sofreram, lamentam Cruelmente".  "[A] Pioneira e uma Ameaça" na sua juventude, Dame Musset atingiu "uma cinquenta espirituosa e sábia"; resgatou mulheres em perigo, dispensa sabedoria, e na sua morte é elevada à santidade. Também aparecem pseudonímicamente Élisabeth de Gramont, Romaine Brooks, Dolly Wilde, Radclyffe Hall e a sua consorte Una, Lady Troubridge, Janet Flanner e Solita Solano, e Mina Loy.

A linguagem obscura, nas piadas internas e a equívoco têm mantido os críticos a discutir se é uma sátira afável ou um ataque agro, mas a própria Barney adorou o livro e relê-lo ao longo sua vida.


Esta é a História da mais bela e delicada Mulher que alguma vez humedeceu uma Cama. O seu nome era Evangeline Musset e tinha sido consolada com uma Cruz Vermelha Enorme pela Dedicação, Alívio e decorada com uma Cruz Vermelha Enorme para a Dedicação, Alívio e Distração que ela deu como distração que ela deu às Raparigas nas suas partes retaguardas, na Foreparts e em qualquer uma dessas partes que tão cruelmente as fazem sofrer. Quer seja uma Comichão na Palma da Mão, ou uma Picada ardente em qualquer dos seus Membros, tais Doenças dos seus membros, tais Miladies costumam afligi-las na Primavera. E também naqueles períodos inclementes em que têm prazer em materiais quentes, tais como peles ou tapetes orientais espessos (concebidos, poder-se-ia dizer, para lhes dar Tapetes orientais (concebidos, poder-se-ia dizer, para os adquirir de tal língua, tanto nas assombrações como nas rédeas, de modo a que seja mesmo intolerável para eles); e insuportável); ou quando sentem a necessidade de suavizar as nádegas sentando-se em fogões quentes. As crónicas dizem que uma delas, ao fazê-lo, se levantou de um salto e uma delas saltou a exclamar: "Eu vou fazê-lo!

-Que mundo é este para uma rapariga, mesmo que ela seja de natureza dócil e serena de Julgamento, e a salvo de más intenções, pois os instintos levam-na a tais instintos levam-na a uma tal agitação extrema, que ela correu de um lado para o outro em busca de para em busca de alguma Substância ou Pomada para aliviar o seu Desconforto.

Não há um Filósofo, de qualquer Classe, que tenha descoberto, entre os delicados descobriu, entre as ervas delicadas do seu Jardim, uma que pode ajudar a satisfazer, e, ajudar a satisfazer as nossas modestas partes? Porque, desde os dias em que nós mulheres éramos Matéria.

Quando nós mulheres éramos indiferenciadas Matéria até à atualidade, quando já somos personagens Imperiais da Raça humana divina, não tem havido nada que possa adquirir nada que possa trazer alívio a essa nossa Zona - e a outras zonas igualmente susceptíveis à inflamação - que tem em outras áreas igualmente susceptíveis à inflamação, exceto o dom que cada Mulher possui as crónicas dizem que uma delas, ao fazê-lo, saltou para os seus pés e exclamou que ela saltou para os seus pés e exclamou:

-Que mundo é este para uma rapariga, mesmo que ela seja de natureza dócil e serena de e serena de Julgamento, e a salvo de más intenções, pois os instintos levam-na a tais dos instintos levam-na a uma tal agitação extrema, que ela correu de um lado para o outro em busca de alguma Substância ou Pomada para aliviar o seu Desconforto.

Quando nós mulheres éramos indiferenciadas Matéria até à atualidade, quando agora somos Personagens Imperiais da Raça humana divina, não tem havido nada que possa adquirir que nada que possa trazer alívio a essa nossa Zona - e a outras zonas mais susceptíveis à inflamação – tem de outras áreas mais susceptíveis à inflamação, exceto o dom que cada Mulher possui de Evangeline Musset, uma senhora de alta linhagem, foi arquitetada para este fim.

De alta linhagem, que no início da década de 1880 tinha desistido do transporte familiar com o prazer que sempre deu à sua mãe e ao seu pai em Desfrutar do deleite retorcido de andar a cavalo; tal como um camponês faz quando vai buscar o seu agricultor quando vai colher a Colheita. E, com tanto movimento e de galopante, ela tornou-se cada vez menos feminina.

 "Embora nunca", disse ela, "fez aquele Mistério Grego conhecido como a Aparição dos Testículos! Na aparência dos Testículos, com tudo o que isso implica"!

Diz-se que tal conjuntura aconteceu, no entanto, a uma Prostituta Bizantina do Período Troiano, mais para a sua Surpresa, de fato, do que para o seu Encanto, que tais do que para seu deleite. Aceitemos, de qualquer forma, que este milagre, transmitido ao longo dos séculos ainda é possível. A esperança é a última coisa a ser perdida.

Tem sido frequente observado que as mulheres possuem o Alemão do Romantismo tão bem desenvolvido e tão cheio de Romantismo tão bem desenvolvido e tão cheio de Sensibilidade que, ao atingir uma certa idade, livram-se do espanador, da prole e do cônjuge e, num curto espaço de tempo, podem ser vistas com cônjuge e, em pouco tempo, podem ser vistas reclinadas, sem força, sobre Pilares de Pathos, 

(.........)
Nos dias em que escrevo, a Evangelina tornou-se uma pessoa espirituosa e erudita de 50 e tal anos que, embora pequena em estatura e nada espirituosa e erudita de 50 e tal anos que, embora pequena em estatura e nada graciosa, é a mais caçada. A sua popularidade tornou-se tão generalizada, tais graças ao seu dom de educar com as mãos, e ela é tão bem conhecida e estimada tão conhecida e estimada pelos escorregões da sua língua, que por fim entrou no Salão de Salões da Fama, onde jaz, ao lado de uma Estátua de Vénus, tão sossegada como a própria estátua, como a própria estátua; ou dobra-se sobre uma urna chorosa com uma pequena esponjeira na mão para esponja na sua mão para secar as lamúrias de todos os Necessitadas do seu Tempo.

Assim começa este Almanaque que todas as Senhoras devem levar consigo tais quais como o Sacerdote seu Breviário, como o Cozinheiro suas Determinações, como o Doutor seus Medicamentos, como Jesus, e, aos seus mandamentos, a Noiva os seus Medos, e o Leão os seus Rugidos!

SETEMBRO POSSUI
 30 DIAS
AS LUAS E SUAS MARES
Sendo do Próprio feitiço de ser Mulher depender de tanto do azar, sendo tanto complexo e tão doloroso que o situar em um Momento determinado da História equivale ao desprezo em relação ao momento seguinte.

Na Juventude segue o que foi atrativo, dessas extremidades tão içadas, pureza nos Olhos, muito doce por atrás e por adiante; altivo ou baixo, rubro ou moreno, seguido muito sempre. Agradável de contemplar. Porém, passado um Tempo, que não chegando nem aos doces anos, se inclinam, se amplia e se deforma. Se essas suas Ossaturas estão muito importunas, sendo sua carne se acalma, sua Língua regressa amarga o só funciona com tal doçura quando se acha diante de mel proibitivo.

Seu pensamento está corrompido por uma existência sendo sua base de dinheiro e duma adulação. A Vida lhe há duma maneira ensinado o que é esta Vida. Se hão feitas de Amigas dela e sendo dessa vida, e não havendo passado tempo suficiente tombado no Ventre do altivo – porque passou metade de sua vida tombado. Só se contemplando a Abobada Celeste. Não havendo sido feita para nadar nesse celestial; sendo um Peixe de Terra, nada além dessa Terra fundamentada. 

Sem, contudo, de tão pobre Condição nada lhes impediu de lhes causar Dor em outras dessa sua mesma pobre Condição. Todas estão perdidas numa mesma Rede sendo todas terminam transformadas em indignos Resíduos. A Ossatura pélvica de Santa Teresa não bocejava com mais Honestidade que duma Messalina porque na Porta por houve que não existir passado algum Homem sendo tão inexistente desse Espaço que ventava por todos àqueles que queriam por ele lhes passarem.

Quando te virás nessas Ossaturas de iguais tivessem muito ou muito pouco contato Carnal e de tão pouco serviu para lhes chorar por essa Carne que havia ao que não existe, pois quando fosses dessa Ossatura, os olhares tampouco estarão.

Se Bem se fica sabendo que nesse Jazigo não há nenhum pé que se possa mover, nem havendo de tais Mãos tão lascivas nesses Jazigos. Esse assim desde fez muito tempo, de modo que, para que serve lamentar-se? Foste desonesta hoje, nesse alvorecer ao nada lhe virá lhe interessar já.

Mas, se em nosso Coração debata o que se fiz de forma muito apressada e sem prevenir que algo sucederia nesse O Útero e sem querer saber que lhe ocorreria com esse algo quando chegara há dez semanas nessa Terra.

Essa Mulher passou por três Estados, porém somente se lhe reconhece dum que lhes sendo desse segundo: se neste se lhe admite existência. Se tratando duma enfermidade mental, duma infido sumário? Porque existiu dois identificadores que não se resultam num fator dum cálculo desse que lhe serás duma sequela Final.

Se nas Invejas dum Homem havia sua Mulher lhe havendo irreflexão dum erro de Cálculo, quanto mais inútil seja para que uma Mulher se desmaie, se fira, se enfureça e se apiede por uma outra Mulher?  Se um homem pode enraiverzer -se porque existe essa pequena Diferença que sempre lhes será algo de alheio, porém uma Mulher ao se rasgar essas Vestimentas por alguém com essas Vestimentas tão iguais as das suas, por ser dum Mistério que se perdesse em sua dimensão nesse ato de Mistério.

Se desse Fogo se propagou com mais paixão do houve aqui, nesse Jardim de Vênus. Sem haver que arder inclusive com uma chama de mais lasciva lhes sendo ainda mais tempestuosa que nesse mesmíssimo Reino dessa dita Natureza; e sendo do mesmo dia em nele que se atenda para um Homem da Corda da que se havia enforcado por culpa dessa infidelidade de sua Mulher, do qual podemos encontrar essas duas Jovenzinhas balançando-se nesse Mesmo Feixe e por qual essa mesma Mulher.

Não chamaram, sendo de tal Costume nas Famílias, quais dessa Traição às converteram em mulheres mundanas, que aos chegarem Cornos e que as mantêm qual há um filho de natura bastardo, pois, tal controvérsia sendo do mais do que impossível dentre elas. No que isto tenha sido desde tempos imemoriais dessa sua maior Espinha cravada reparem quais sendo dum vaidoso tal sofrimento deste Homem, que se admire por onde se admire, pois que entre uma irmã e de uma outra e ao se vergar numa espinha nem tal sofrimento daqueles que choraram de tais modos com essas suas forças lhes sendo feita dessa Ausência precisamente, o que mais que tal dor provocada por isso mesmo dos quais lamentaram fazendo se gemer, que ao gemerem num ato desesperado dos quais vejam havendo essa se lembrarem disso.

Que sendo esse sinal duma Vaidade e de um mero regresso dessa Desesperação sobre o ato dessa condição de nós mesmas? E não prova isto, para que todos esses Homens hajam falado deste seu contrário (brandindo como duma razão desta legitimidade de sua Descendência), que por ser uma Mentira e que ao Centro dessa questão sendo fruto do seu próprio ato de Orgulho?

Quitar-se para um Homem em sua escusa que virá há chorar da mesma maneira, somente lhes sendo então que os fará numa desoladora e inigualável ato de Melancolia. Isso será algo duma maneira honesta, e quanto for mais que honesto lhes sendo algo, mais acerca deste Coração lhes feriu. Se isso mesmo vem lhes ocorrer para às Mulheres. Seus Invejas não possuem mais Estrado que dessa autêntica desgraça deste ato dessa Loucura, e quando o choram, se fazem por sua alienada ato dessa solidão. Lhes sendo irreflexivo tal ato de regressar desse estado delas mesmas em si mesmas nessas condições que se tornam o ato de pensar –  lhes sendo uma coisa bastante improvável – pois quando surge uma Pitada desse raciocínio, se houve uma Pitada dessa recuperação, e quando houve uma Pitada dessa recuperação, e quando houve uma tal Pitada de recuperação houve uma folhagem dessa Indiferenças, e quando essa é acrescida muito rápida, pode acreditar num Jardim do Olvido no que se possa vir a se recuperar tal alento ido.  
Sem, entretanto, tanto nos temos acostumado ao chamarmos a tal da Vaidade por um outro Nome, que nem se queira nesses espetáculos de ver se uma mulher que cheguemos a sofrer por uma outra isso nos há de alguma forma ensinado algo. E as que se relembram com esse Lamento o fazem contra uma Parede, somos iguais que uma Penélope chorando por essa ausência desse seu Marido no exílio.

Sendo um Labirinto do que não sabemos sair, sendo de tal motivo nos conhecemos desde feito pelo tempo dessa passagem. Se de tanto darmos contornos as Ossaturas, o Fio dessa desesperação se faz mais fina que uma película de tanto empurrar o Tear que se afiliam aos Problemas ao Propósito, se, porém, não queremos nos darmos conta dessa condição e ao pisarmos ao Pedal sem Motivo, nos pomos por funcionar ao Tear sem Fio e tecemos nos ares para terminarmos nos reduzindo num Manto do desconforto.

Se ao sacudirmos dessa Árvore até deixá-la sem nenhuma folhagem e logo nós gritamos em sua Ramagem, nós ao perturbarmos essa Terra com nossa Ira, que essa dor vem penetrar até a carne e nos terminamos de alimentarmos deles até que nos chegue nessa Ossatura. Se em nossa condição pacifica não se encontrarmos nessa flor dessa pele, senão uma réstia duma Medula, não somos sábias o suficiente para este lado; se não viemos há nos submergir em nenhum Rio duma dita Sabedoria, nós nadamos livres nestas margens do Rio Jordão.
 
Temos umas quantas Filósofas entre nós, se, porém, nosso Sangue passa a ser demasiadas por espessa para nos portar tal Sabedoria, que nos sendo duma pequena Barca que só navegamos quando o que foi acontecido está tramando com os Ventos que se acham em meio ao estado da calma.

ENUMERAÇÃO E PROVÁVEIS

A Meretriz do Abrigo vermelha vestida,
A Sagaz de Mel sua Cabeça costurada,
De Sua Frente circundada com mui esmero
Por cachos de Juta quais um bode,
Com seu Vestidinho de Cabra de Putinha
Emite ao frufru duma gatinha,
Olhares de Pantera escuros e tão sombrios
Quais Pés de pomba para passear com um brio.
A Amazona reluz na pélvis proeminente,
A lutadora, qual duma cadeira turgente
De bunda firme, grossa e enrugada,
A Domadora do odor de sua Besta acostumada,
A Mulherzinha sendo masculina em seus abalos,
As Gestantes se atam com cintas aos pares,
As suas bundas, à Bufona curvada,
Suas alegrias num Trapézio enleadas,
Duma Virgem qual um Perdiz Pinho,
Debaixo dos pés sua Bola azul regressou,
Qual Rainha dar o contorno da Corona de seu Esposo
Para se sentar, justo dentro, desta Mulher de seus Olhares,
Numa noite de infidelidade não trouxe qualquer dano
Mas assim vai ser durante todo esse ano!
Pois um ar de juvenil feminismo
Percorrer por Luminares, Mundos e Esferas
E em frente, Mais das Mesmas
Prognosticam todas essas Mares!

Sobretudo seguindo as recomendações de Natalie Barney's e destas cópias registradas de Janet Flanner, o almanaque foi lido como tal um romano à clef", mas, segundo uma leitora numa resenha nos esclarece que tal romance está circunscrito quanto ao estilo de linguagem à Década de 30 com expressões típicas daquele período parisiense de gays e lésbicas.

O texto de Barnes sugere não só que a representação literária ou "visibilidade" não elucida as particularidades da vida lésbica, mas também que qualquer representação direta de tal vida simplesmente reproduziria, como o que já é versado e normativo. As vidas lésbicas são estranhamente nomeadas personagens desta história, então um texto impenetrável começa a fazer sentido como um gesto lúdico em relação à representação lésbica, tornando as figuras visíveis, mas ainda obscuramente peculiares. Além disso, ao tornar tão difícil discernir quem é quem ou mesmo o que está incidindo.

Neste caso, um poema nunca é entendido essencialmente para cumprir os termos da pessoalidade. A poesia, como a prosa ficcional, pode ser escrita em primeira pessoa, sem que se assuma que está na voz ou sobre a vida do autor, mesmo quando a protagonista partilha o próprio nome do escritor; no entanto, nesses casos - como no fragmento de Sapho - é muitas vezes uma pista de que estamos a ler um romano (ou poème) à clave, uma versão ficcional ou ficcionalidade do fato.

Essas relações lésbicas desencadearam ao ponto de libertar toda esta paixão e problemas da experiência sexual das mulheres. Mesmo as lésbicas que não eram doutrinadas pelo feminismo tinham muitas vezes essa sua vida sexual regida pelo segredo e pela vergonha. Não sendo preciso ter um papel de posicionamento para explicar por que é que se pode ter vergonha e temor dos seus desejos sexuais. não podem ser simplesmente reveladas: é preciso haver uma nova linguagem para compreendê-las ou expressá-las.

As mulheres são infetadas pela dúvida sexual desde à infância, e duma predisposição para o lesbianismo não sendo uma cautela para fora do tradicional receio feminino e estupidez das tais anteposições sexuais.

Os Modernistas articularam esta onda deste frenesim, e assim o desvio sexual tornou-se uma questão de "cruzeta" no sentido do termo estudos culturais - uma inquietação manifestada no discurso público e retrabalhadas tanto no popular no "altivo”. Das tais formas ditas culturais.

No entanto, como argumentou Michel Foucault, o puro cultural investimento na sexualidade, especialmente no pacto entre as formas de ser sexual e destas noções de fato, interioridade e informação, intensificou-se a duma febre no século XIX e início do século XX.

Se dessas linhas cruzam-se e divergem para desenvolver uma rede do que Foucault chamou de “ponto(s) de transferência denso(s) para relações de poder".  Esta rede abrangeu a rede Queer do modernismo feminino, de língua inglesa.

Para além das coordenadas mínimas de tempo e lugar - Sapho viveu a ilha de Lesbos na viragem do século VII para o VI a.C. – as realizações literárias e reputação são os "fatos" mais fiáveis sobre os quais os estudiosos concordam. Como "a mulher poetisa mais conceituada da Grécia e Antiguidade Romana", Sapho escreveu poesia lírica - canções acompanhadas por uma Lira - que foi recolhida por estudiosos em Alexandria séculos após a sua morte; desta, pouco sobreviveu, e quase só em fragmentos.

Se formalmente, tal autobiografia lésbica contemporânea jaz a mexer com tais regras comuns. Mesmo tais "romances" que são inscrições nesta primeira pessoa sobre lésbicas explorações e escapadelas e nas quais da protagonista é chamada pelos mesmos nome destas autoras nos dando a mesma questão controversa de categoria que a do Poema de Saffo continuando a ser o único artifício para contar à vida duma lésbica como percorremos neste ensaio sobre obras de Gertrude Stein Tender Buttons e Djuna Barnes em Ladies Almanack (1928).

CONCLUSÃO DE JULIE TAYLOR

Dado o seu início traumático, pode-se incluir 'surpresa' entre os efeitos produzidos pelo 'final feliz' deste livro. Mas neste 'final não é, evidentemente, tal coisa: ao viajar de forma não sincronizada a partir de The Antiphon (1958) a Ladies Almanack (1928) através de Ryder (1928) e Nightwood (1936), espero ter honrado a relação das maricas em tempo exibido pela obra de Barnes.

Em Djuna Barnes, o passado nunca é história, mas é apreendida em toda a sua estranheza - e com todas suas possibilidades de horror e deleite - no tempo presente. E, além disso, está ênfase do trabalho sobre a falta de ordem do efeito - sobre a forma como os efeitos se combinam de formas extraordinários e imprevistas - talvez faça tais 'surpresas' totalmente menos admiráveis.

Elizabeth Freeman conta um modo de crítica que nos pode permitir 'imaginar em nós próprios assombrados pela prosperidade e não apenas pelo trauma: resíduos de efeitos positivos (idílios, utopias, memórias de tato) podem estar disponíveis para como um texto assombrado pela alegria, mas a prática de leitura que cresci ao longo de Djuna Barnes e o Modernismo Afetivo permitem-nos, de fato, achar sinais de beleza dentro do trauma e outros tipos de ensaios e sentimentos negativos.

O trabalho de Barnes ilustra a percepção que afeta "nascimento no meio e reside no lado cumulativo" (Gregg e Seigworth, 2010: 2). Barnes ensina-nos a "não ir além da imagem", mas sim a sentar com a nossa ambivalência, para experimentarmos os sentimentos 'aditivos e acríticos' que se acumulam e circulam nas superfícies dos corpos e dos textos. Isto perpassa a prática da leitura afetiva permite-nos sentir a história, os sentimentos mistos que provocam qualquer polarização e moralização narrativa do passado e perturbar a própria ordem da própria narrativa.

Este corpo de barro é formado pelos movimentos e efeitos de outro corpo, que por sua vez é afetado pelo corpo de barro. Este deus maleável contrasta com 'O deus que é sempre o mesmo': o deus barro de Barnes é responsivo e emocional; sendo governado por reserva e efeito: ele é "imprudente" e "o seu julgamento deve parar e ser coxo".

A imagem do corpo afetivo sendo afetivo neste poema inicial nos fornece, como muitos dos corpos de Barnes, um modelo de leitura. De fato, em sua ênfase na erupção cutânea, na suspensão e no julgamento coxo celebra a particularidade e a contingência do ato de ler sobre de certezas falsas do 'escrito', porque 'piedade escrita' e 'ira escrita' podem virar em efeitos bastante díspares à medida que tocam o leitor. Residindo nestes espaços entre leitor e escritor, passando para trás e para a frente entre o corpo e o texto, são dores e os prazeres do modernismo afetivo de Barnes.


TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

50.000 ACESSOS A ESTE BLOQUE - ERIC PONTY

 


quarta-feira, outubro 26, 2022

ISOTOPIA OU TRASLAÇÃO E UMA VERDADE - ERIC PONTY

Esse seu modo habitual de ver os fatos eu só pondero imparcial no grau em que também creio que Leitor-Crítico não tem a menor dolo pelo nosso distanciamento. Mas eu também não tenho a menor dolo. Se pudesse levá-lo a conhecer isso, então seria admissível, não uma nova existência — para tanto nós dois estamos velhos demais nesse barco — mas sem imprecisão uma espécie de paz; não a cessação, mas certamente um abrandamento das suas intermináveis recriminações. Curioso Leitor-Crítico tem alguma percepção daquilo que eu quero falar. Assim, por exemplo, me disse há pouco tempo com essas traduções. Ora, no que me diz deferência, nunca oscilei da sua afeição, mas medito imperfeita esta advertência. Leitor-Crítico não sabe fingir, é verdade, mas querer afirmar só por esse pretexto que os outros fingem, é ou mera mania de ter razão e não se aventa mais, ou então — como de ocorrência acho — o aparecimento em vigília de que os casos entre nós não vão bem, e, de que Leitor-Crítico tem a ver com isso, porém sem dolo. Se verdadeiramente reflete assim, então estamos de ajuste, e, para tal aparecimento lhe demostro uma tradução de Francesco Petrarca que é mais ao menos assim o dê vinte dois: 

Para qualquer animal viva à terra,
Ao menos que alguns que odeiem o sol,
Tempo de trabalho é tão longo ao dia;
Mas quando o céu acende as estrelas sal,
Regressam casa, e que espreitam no ermo,
Deitar pelo menos até ao amanhecer.

E eu, desde o belo amanhecer,
Sacudir a sombra em torno da terra,
Acordar os animais em cada mata,
Nunca triguei os suspiros com sol;
Depois, quando vejo estrelas em chamas,
Vou chorando e desejando o dia.
Quando à noite expulsou o dia livre,

E da nossa escuridão faz nascer,
Olho penosa pra as cruéis estrelas,
Quem me fez desta terra sensível!
TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY

UTOPIA DAS ISOTOPIAS PARA KARINE - ERIC PONTY

Apesar não seja versada estrelas,
Presumo tu saber astronomia,
Não trazer sorte, Karine má ou boa,
Nem prever fome outro infortúnio.

Não lhe anuncio a sorte qualquer detalhe,
Nem em cada vento, chuva ou trovão;
Nem consigo lhe prever os avatares,
Decifrar lhe firmamento duma urbe.

Teus olhares, estrelas obstinadas,
Que são da fonte da minha ciência,
Dizem-me, se semeares tua linhagem.

Do triunfo da verdade e da beleza,
Por outro lado, se desistir, prevejo,
De que o teu final será o teu fim.


ll

Se é causa deste amor produtivo,
De uma diversidade destes afetos,
Karine, que, produzindo todos eles,
Sê te aperfeiçoar assim si mesma.

Natural é a inveja adora ser perfeita?
São eles, que há amor, pois só podem dar,
Humidade da água qual fumo do fogo,
Não são, dizem, de amor, pois só podem dar.

Da metade do preço justo? Assim,
à própria conveniência, tão grosseira,
Não são, dizem, de amor bastardos filhos.

Porque a finura, que é em regra, tesoureiro,
Faltou o instrumento tal assunto ou peão?
Tal discurso sem alusões teu empenho.

lll 

Amor chorou e eu com ela por vezes,
Dos quais nunca que estive mais longe,
Apontar pra efeito acerbos e estranhos,
Da sua alma dos seus nós desatar;

Cá, quando a porta reta Deus transformou,
Com coração içando ambas as mãos pra o céu,
Agradeço-lhe apenas orações humanas,
Benigna, o seu mérito ouviu à voz.

E se regressar à vida amorosa,
Pra o belo desejo lhe vire costas,
Achados no caminho, valas, cômoros.

Foi pra mostrar como é espinhosa a rua,
E como a subida é íngreme e dura,
Onde o vero valor concorda o homem.


lV

A propriedade real, Ó Karine,
Dos gritos que dão, são, mas de tormentos,
Por lhe faltar razão, carece instrumento,
De fingir, só é não bem irracional.

Dos frenéticos que, no exterior chamam,
Caem por terra, não há ninguém que clame,
Se despedaçar, não há quem lhe chame,
À prova verdade todos os exemplos.

Com outra cor, estes provam de si próprios,
Se já não têm pai esse amor, depois são eles,
Doutras demonstrações, por mui bem olho;

Da febre ardente seu vero delírio;
Aquele que não lhe sente, amoroso,
Do menor vestígio, gozar bonanças.

V

Vós, buscais faceirar velo com louro,
De estilo, pra belo descanso ao monte,
E com quantos passos firmes, Karine,
D´almas sábias, cultas e peregrinas.

Neste mar, que não tem fundo ou final,
Velas largas diante de mim navegam,
E, Honras e graças a duma cantata,
Minha senhora tão rara e divina:

Porquê sujeita tão sublime e só,
Sem qualquer outra ajuda de engenho,
Podes para si elevar-nos ao céu!

Só eu venho para provar de amores,
Quanto eu a amo, o quanto eu a amo;
Mas dos seus elogios não alcanço alvo.

V.l.

Se eu achar que da perfeição perdura,
Apenas um instante que está a crescer;
Que nesta imensa vida perpetuem,
De estrelas, os interesses arcanos;

Se eu vir que dos homens e das plantas,
Florescer à mercê do próprio céu,
Dos jovens gabam-se desta sua seiva,
Diminuir quando chegam ao seu apogeu;

Que então, embora inconstante vida,
Vendo a vossa juventude, que é ótimo,
Sei que do tempo e da ruína conspiram.

Por dar gorjeta durante o dia, à tarde,
Em nome do meu amor, luto contratempo:
Do que ele lhe tirar, eu reintegrarei.


VII

Quem crerá amanhã nos meus poemas,
Sê apenas jazerem cheios das graças?
E ainda assim, feito um tumba, ensinam mortos,
Mal metade e do resto é feito silêncio.

Pudesse descrever os vossos olhos,
Enumere uma a uma as suas belezas,
Lhe diriam: "O poeta mente; sem rosto,
Reúne em ti tais dotes celestiais".

Riam-se do papel amarelado,
Onde há mais mentiras do que palavras,
É produto do fervor de um velho poeta.

Que atestou suas estrofes pouco usuais,
Tendo um filho vivo, você viveria,
Duas vezes: Uma vez minhas rimas.


VIII

É oferecido aos olhos vitrais face,
Sendo Ilustrada a tanto sol, tua chama,
Quanto aspirar, consagrado altar,
Referente teus pés, alargará!

Da justiça divina admirava ali,
Estava cativo, que aí apenas Tudo,
Deste rigor, como se reluz: céu,
Que detestar quem me ama, aparta flor.

Para ambos atormentar meu sentido:
Deste, com que pedir um que não tenho;
E este, não ter o que lhe peço faça.

Não se trata de correio de amor;
Das causas tendo as superiores:
Ou gerar perfeições que tratam rima.

IX

Sim, medida prova novo deleite,
No meu amor, alegrias não usadas tais,
Ver naquele cinturão angelical,
De milagres e efeitos sempre novos.

Por isso gostaria de ter conceitos,
Palavras certas a tanto trabalho,
Fossem escritas, cantadas por mim,
Feitos pra mil intelectos altos.

E escutar os outros que virão ecos,
Com quanta inveja se vangloriam tais,
Do meu amoroso do meu feliz dano;

Veria a minha verdadeira glória,
Quanto luz e força têm os belos olhos,
Fazer outros felizes, mui embora!
X

Porém entorno em doce face, o tom,
Teu dizer me relembre quando aparta,
E mais não dizer sendo mais respondo,
Torna-se oblíquo olho direto expresso.

Olhar-me um pouco abaixa à luz face,
Dentre cegueira de onde era egresso,
É minha musa ao som do angélico clarim,
Quando poder opositor lhe desponte.

Todos relembrarão a Musa, assim,
Tornando à carne e tornando efígie,
Da sentença escultaram um não fim.

Das sombras desta chuva tais passos lentos,
Aos mais do que atos urdiram benignos,
Falando um pouco da vida vivida.


XI

Brincar, o meu olho, ser pintor, pintado,
Sobre o meu Lenheiro a sua bela efígie;
Meu corpo fixou a moldura e o pintor,
Dando-lhe perspectiva, pondo à arte.

Se de olhar através do seu talento,
Verá bancada a sua cópia de vera,
Para sempre no sótão do meu peito,
Que fez seus olhos destas janelas.

Os olhos que entregam-se uns aos outros:
Desta minha esboçou-o a si e aos seus,
Janelas do meu peito, deixar entrar.

Sol para se deleitar com seu desenho,
Mas apesar da sua arte, o meu olho é,
Desenhar o que vês, não que escondes.

XII

Tenho frequente o sonho tão estranho,
Dum estranha que eu amo, de que me ama,
E de que não é sempre a mesma coisa,
Nem diferente, e ela ama-me e compreende.

É porque ela compreende-me a mim,
É só para ela que ela deixa enigmas,
Pra ela. E suor na minha face pálida,
Só ela, sozinha com choro, que pode.

Seu cabelo é loiro, vermelho ou negro,
Não sei. Nem o seu nome, que é doce tom,
Como dos entes prezados que a Vida alça.

Seu olhar é como olhar duma estátua,
E a sua voz, tão distante, tão profunda,
Deixei aqueles que amava e fui morto.
ERIC PONTY