O problema da relação entre ritmo e contador é um problema venerável: Dentre os gregos já havia uma divisão entre o rhythmikoi e o metrikoi; o primeiro via o ritmo poético feito, e, relacionado com a música, uma arte temporal, e o segundo tratava-o como uma estrutura métrica. Mas o vasto corpo do trabalho sobre o movimento do verso centra-se no contador, e para a maior parte da história da letra, poemas foram escritos em relação a particular da métrica, e, das armações, padrões específicos de sílabas de tipos particulares. O sistema métrico tem sido um encontro contencioso, com sistemas diferentes de notação e concepções de metro e luta vigorosa entre os defensores de abordagens diferentes; e nos últimos tempos tem sido, em grande medida, capturada pelos linguistas, cuja métrica generativa estabelece a tarefa de regras que distinguiriam as linhas metricamente bem formadas daquelas que os leitores experientes considerariam não estar bem formados, o que é um objetivo difuso da análise rítmica, na medida em que as descrições atribuídas pelo aparelho generativo pode ser irrelevante para os efeitos rítmicos, sendo muito tentador para os críticos evitar completamente o tópico na suas discussões de poesia. Uma característica marcante dos contadores poéticos é que a partir de uma vasta gama de características de línguas naturais, selecionam um número muito pequeno e ou orgânico num conjunto limitado de padrões bastante restritos que, utilizados numa vasta gama de casos, desde rimas infantis até aos poemas mais sofisticados, chegam, e, a têm uma potência especial. Os contadores selecionam a partir das características fonológicas da linguagem e segmentar o continuum sonoro em unidades que são uma relação de equivalência, com posições marcadas em cada unidade, preenchidas por alguns tipos de proeminência, normalmente chamada de ictus como demostrado por este soneto de Dante da Maiano,
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domingo, outubro 30, 2022
Dante da Maiano e a feitura do soneto - Trad. Eric Ponty
DANTE DA MAIANO E A VOZ DO METRO - TRADUÇÃO E ENSAIO - ERIC PONTY
O lírico não pretende ser uma representação dum evento, mas para ser ele, o próprio um evento, por isso é necessário conceder um relato lírico de primazia sobre o que acontece em e por meio da letra, os acontecimentos distintivos do discurso lírico, o que torna o ritmo e a repetição centrais.
Muito para além da ligação histórica da letra à recitação cantada e do uso moderno que se enfatiza a estreita ligação com o ritmo, chamando "letra" às palavras das canções, não é o ritmo acima de tudo que faz da lírica atraente, sedutora e memorável? Se a letra é uma linguagem aprazível, uma linguagem que dá prazer, os seus ritmos e padrões sonoros podem ser largamente responsáveis. Se a letra é memorável, a linguagem que pede para ser aprendida de cor e repetido, recitado - isto não é também por causa dos seus ritmos? Ritmo dá ao lírico uma qualidade somática que rompe em outras formas alargadas carecem - da experiência visceral do ritmo que o liga ao corpo e, muitas vezes de forma bastante duvidosa, aos ritmos de vários processos naturais - e assim contribui para um tipo de prazer difuso dos promovidos pelos romances e um sentido de alteridade sendo como se alguém estivesse a fazer uso da minha máquina para viver".
Embora o nosso corpo tenha os seus próprios ritmos, de respiração e de batimentos cardíacos, nossa competência rítmica a maioria das vezes responde ao ritmo como algo exterior que, no entanto, nos envolve, atrai-nos a bater no tempo com ele, pressentir um padrão, em ruídos, movimentos, ação no mundo. O ritmo é uma das principais forças através das quais os poemas nos assombram, apenas uma vez que os próprios poemas são assombrados por ritmos de outros poemas. A tenacidade com que os ritmos podem alojar-se na nossa memória, como a melodia de uma canção força, encoraja o pensamento de forças ocultas, como se os esforços potentes devessem ter causas misteriosas ausentes.
Se o ritmo é fundamental para o apelo da lírica, é largamente negligenciado por crítica, em parte porque a escansão tradicional dos pés apenas limitou acesso aos ritmos. "Como variar livremente o medidor iâmbico? Como contador trosquio livre? Como alternância entre o iâmbico e o troqueu"? São diferenças entre a letra e os padrões de prosódia do pé implicam que é rítmica altamente complexa e cheia de incertezas. Este é o ritmo de muitas canções e de verso popular e também momentos altamente ritmados de verso literário. Num divertido levantamento de outras introduções à poesia, se observa como frequente em discussões que podem quebrar ou tornar-se excessiva elaborado quando confrontado com poemas deste tipo, com um ritmo pronunciado que é fácil de apreender pelos leitores.
Este é o ritmo é o aspecto dominante do poema. Do que nós fazemos do poema quando aplicamos pressão interpretativa, colocá-lo em um ou outro contexto temático ou mítico ou histórico, a fim de obter um significado, passa a ser relevante, certamente, mas pode-se perguntar se estes esforços interpretativos não são, em certa medida, o produto de um desejo de justificar que o porão que sequências rítmicas tão estranhas, mas profundamente familiares, têm sobre nós.
Este é o ritmo é o aspecto dominante do poema. Do que nós fazemos o poema quando aplicamos pressão interpretativa, colocá-lo em um ou outro contexto temático ou mítico ou histórico, a fim de obter um significado, é relevante, certo, mas pode-se perguntar se estes esforços interpretativos não são, em certa medida, o produto de um desejo de justificar o porão que sequências rítmicas tão estranhas, mas profunda familiares, têm sobre nós.
Tais versos têm o poder de se fixar-se na memória mecânica independente de qualquer tentativa de os recordar, e em vez de nos considerarmos vítimas de alguma susceptibilidade jejuada ao ritmo independente do significado, vítimas da sua "temível simetria", dedicamo-nos a intrincadas explorações temáticas, que contam para nós como uma resposta ao poema, mas na realidade deixam o poder rítmico inexplicável, por exemplo como neste soneto de Dante da Maiano do qual partimos em uma ideia isotópica:
Non canoscendo, amico, vostro nomo,sábado, outubro 29, 2022
Rime de Amor Torquato Tasso entre a poética e a hermenêutica - Trad. Eric Ponty
Aqui há uma distinção básica, demasiadas vezes negligenciada nos estudos literários, entre dois tipos de projetos: um, modelado em linguística, distorce significados como aquilo que tem de ser contabilizado e tenta resolver como elas são possíveis. A outra, pelo contrário, começa com formas e procura interpretá-los, para nos dizer o que realmente significam. Em estudos literários, isto é um contraste entre a poética e a hermenêutica.
Poética começa com significados ou efeitos atestados e pergunta como são alcançados. (O que faz esta passagem de um romance parecer irónico? O que faz-nos simpatizar com este carácter particular? Por que é que o final deste poema ambíguo?) Hermenêutica, por outro lado, começa
com textos e pergunta o que significam, procurando descobrir novas e melhores interpretações. Os modelos Hermenêuticos provêm dos campos do direito e da religião, onde as pessoas procuram interpretar uma religião autorizada, legal ou sagrada, mas cabe o texto ao fim de decidir como agir. O modelo linguístico sugere que o estudo literário deve tomar o primeiro de poética, tentando compreender como as obras alcançam os efeitos, mas a tradição moderna da crítica tem tomado esmagadora na segunda, fazendo da interpretação de obras individuais seu pagamento de estudo literário. De fato, as obras de crítica literária combinam frequente com poética e hermenêutica, perguntando como se conseguem um determinado efeito ou por que um final parece certo (ambas as questões de poética), mas também perguntar o que uma linha particular e o que um poema nos diz sobre o humano de sua condição (hermenêutica). Mas os dois projetos são, em princípio, bastante distintos, com diferentes objetivos e diferentes tipos de provas. Tomando dos significados ou efeitos como ponto de partida (poética) é fundamental diferente de achar descobrir o significado (hermenêutica).
isotopia dum soneto 22 de Gaspara Stampa - Trad. Eric Ponty
Desde o início que estávamos determinados a imprimir o maior número de mulheres possível, mas depressa descobrimos que o número antes de 1500 é assaz pequeno de Safo que ao ergue-se quase como uma ilha para si própria. Os romanos não produzem ninguém, e, ainda a surpreendentemente grande literatura homoerótica da Idade Média é quase diretamente escrito por homens. É apenas em tempos recentes que a literatura lésbica floresce por completo. Quanto ao estilo, estávamos zelados na precisão, mas não queríamos um trabalho de ser pedante. Anotamos onde pensamos ser imprescindível, mas não tente duplicar o que pode ser achado em qualquer dicionário autorizado.
Quando Gary Kuris da Garland Publishing me perguntou se eu gostaria de editar uma antologia de verso gay e lésbica, respondi prontamente que o faria. É que me surpreendeu que, até hoje em dia, as antologias têm sido em grande parte feitas por pessoas que estavam mais velados numa coleção ampla e geral do que em demostrar qualquer altura. Desde o início, as primeiras coisas a pôr de quem foram essas fronteiras decidimos, após longas discussões, ater este trabalho à Europa, uma vez que literatura homoerótica do Japão, por exemplo, mereceu um livro próprio, que a Garland poderá emitir num futuro próximo. É por isso que a poesia árabe está restrita ao que foi produzido em Espanha - não no Médio Oriente. Encontramo-nos em também queria pôr limites temporais. Decidimos, portanto, começar com que as origens da literatura europeia, especificamente com Safo e outros gregos, e para completar com o auge da Renascença italiana.
Gostaria de agradecer aos meus colegas colaboradores, que trabalharam com velocidade e entusiasmo. Sentimos durante todo o tempo que estávamos a dar o nosso contributo, trazendo à luz muitas obras que há demasiado tempo tinham sido ocultas (muitas vezes de forma bastante deliberada). Se publicámos alguns poemas em que o afeto platónico e não erótico, sentimos que tínhamos de permitir o leitor para decidir, tal feito neste soneto 22 de Gaspara Stampa:
Virar por vezes olhos lastimosos,sexta-feira, outubro 28, 2022
ISOTOPIA NO POEMA 22 DA POETA SAFO - TRAD. ERIC PONTY
A leitura de uma isotopia deve ser tão próxima da experiência de leitura do texto grego como possível. O leitor, contudo, só pode descobrir as probabilidades do texto grego por meio dos olhares do tradutor. Uma língua não pode ser copiada para outra língua intacta, como se por meio de papel de decalque. A poesia entra e sai do tradutor, filtrada pelo meio de um viés individual cuja visão que um tradutor é o mais ativo dos leitores, lendo, interpretando, e depois escrevendo esta interpretação para um novo texto de novos leitores feito essa isotopia do poema de Safo vinte dois:
... trabalho ...
... [... cara ...
*
... brusco ...
... ... [se] não, inverno ...
... dor ...
_-Djuna Barnes -The-Book-of-Repulsive-Women Duma Isotopia - Eric Ponty
quinta-feira, outubro 27, 2022
ISOTOPIA PARA BALADA DE FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY
Esse seu modo habitual de ver os fatos eu só pondero imparcial no grau em que também creio que Leitor-Crítico não tem a menor dolo pelo nosso distanciamento. Mas eu também não tenho a menor dolo. Se pudesse levá-lo a conhecer isso, então seria admissível, não uma nova existência — para tanto nós dois estamos velhos demais nesse barco — mas sem imprecisão uma espécie de paz; não a cessação, mas certamente um abrandamento das suas intermináveis recriminações. Curioso Leitor-Crítico tem alguma percepção daquilo que eu quero falar. Assim, por exemplo, me disse há pouco tempo com essas traduções. Ora, no que me diz deferência, nunca oscilei da sua afeição, mas medito imperfeita esta advertência. Leitor-Crítico não sabe fingir, é verdade, mas querer afirmar só por esse pretexto que os outros fingem, é ou mera mania de ter razão e não se aventa mais, ou então — como de ocorrência acho — o aparecimento em vigília de que os casos entre nós não vão bem, e, de que Leitor-Crítico tem a ver com isso, porém sem dolo. Se verdadeiramente reflete assim, então estamos de ajuste, e, para tal aparecimento lhe demostro uma tradução de Francesco Petrarca que é mais ao menos assim o dê vinte dois:
Para qualquer animal viva à terra,Almanaque das Mulheres - Djuana Barnes - Trad. Eric Ponty
quarta-feira, outubro 26, 2022
ISOTOPIA OU TRASLAÇÃO E UMA VERDADE - ERIC PONTY
Esse seu modo habitual de ver os fatos eu só pondero imparcial no grau em que também creio que Leitor-Crítico não tem a menor dolo pelo nosso distanciamento. Mas eu também não tenho a menor dolo. Se pudesse levá-lo a conhecer isso, então seria admissível, não uma nova existência — para tanto nós dois estamos velhos demais nesse barco — mas sem imprecisão uma espécie de paz; não a cessação, mas certamente um abrandamento das suas intermináveis recriminações. Curioso Leitor-Crítico tem alguma percepção daquilo que eu quero falar. Assim, por exemplo, me disse há pouco tempo com essas traduções. Ora, no que me diz deferência, nunca oscilei da sua afeição, mas medito imperfeita esta advertência. Leitor-Crítico não sabe fingir, é verdade, mas querer afirmar só por esse pretexto que os outros fingem, é ou mera mania de ter razão e não se aventa mais, ou então — como de ocorrência acho — o aparecimento em vigília de que os casos entre nós não vão bem, e, de que Leitor-Crítico tem a ver com isso, porém sem dolo. Se verdadeiramente reflete assim, então estamos de ajuste, e, para tal aparecimento lhe demostro uma tradução de Francesco Petrarca que é mais ao menos assim o dê vinte dois:
Para qualquer animal viva à terra,Ao menos que alguns que odeiem o sol,






















