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sábado, outubro 29, 2022

isotopia dum soneto 22 de Gaspara Stampa - Trad. Eric Ponty

Desde o início que estávamos determinados a imprimir o maior número de mulheres possível, mas depressa descobrimos que o número antes de 1500 é assaz pequeno de Safo que ao ergue-se quase como uma ilha para si própria. Os romanos não produzem ninguém, e, ainda a surpreendentemente grande literatura homoerótica da Idade Média é quase diretamente escrito por homens. É apenas em tempos recentes que a literatura lésbica floresce por completo. Quanto ao estilo, estávamos zelados na precisão, mas não queríamos um trabalho de ser pedante. Anotamos onde pensamos ser imprescindível, mas não tente duplicar o que pode ser achado em qualquer dicionário autorizado.

Quando Gary Kuris da Garland Publishing me perguntou se eu gostaria de editar uma antologia de verso gay e lésbica, respondi prontamente que o faria. É que me surpreendeu que, até hoje em dia, as antologias têm sido em grande parte feitas por pessoas que estavam mais velados numa coleção ampla e geral do que em demostrar qualquer altura. Desde o início, as primeiras coisas a pôr de quem foram essas fronteiras decidimos, após longas discussões, ater este trabalho à Europa, uma vez que literatura homoerótica do Japão, por exemplo, mereceu um livro próprio, que a Garland poderá emitir num futuro próximo. É por isso que a poesia árabe está restrita ao que foi produzido em Espanha - não no Médio Oriente. Encontramo-nos em também queria pôr limites temporais. Decidimos, portanto, começar com que as origens da literatura europeia, especificamente com Safo e outros gregos, e para completar com o auge da Renascença italiana.

Gostaria de agradecer aos meus colegas colaboradores, que trabalharam com velocidade e entusiasmo. Sentimos durante todo o tempo que estávamos a dar o nosso contributo, trazendo à luz muitas obras que há demasiado tempo tinham sido ocultas (muitas vezes de forma bastante deliberada). Se publicámos alguns poemas em que o afeto platónico e não erótico, sentimos que tínhamos de permitir o leitor para decidir, tal feito neste soneto 22 de Gaspara Stampa:

Virar por vezes olhos lastimosos,
Vossas belezas às minhas tristezas,
Pra tanta alteridade venha até si,
Tanto que coração lhe tocou à pena.

Verás feito; será um mártir pra mim,
Verás arrepios dos arrepios cheios,
Quem prestou ao meu dano, Amor detém,
Quando tinha isso na minha chefia.

Quando tinha isso minha chefia arco,
E talvez à pena do meu tormento,
Irá torcer, onde agora cavalga altivo;

Não se vê, como eu o sinto amor;
Pensivo eu menos, menos orgulhoso,
Recuarás, duma centena e cem vezes.

TRAD. ERIC PONTY

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