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quinta-feira, outubro 27, 2022

Almanaque das Mulheres - Djuana Barnes - Trad. Eric Ponty

 

Se sendo duma "alternativa" à simples autobiografia lésbica é a roman à clef, o romance que pode ou não ser "correto", que se baseia em acontecimentos na vida dessa autora. E pode não estar claro se a mascarada é esta artística, lúdica ou camuflada, particularmente devido à impossibilidade de declarar tais verdades dos desejos e experiências de cada uma. 

Um exemplo bom exemplo modernista é um texto quase inescrutável de Djuna Barnes Ladies Almanack (1928), sobre o qual ISABEL FRANC explica-nos, num prefácio intitulado, "A Paris era A Mulher de Ladies Almanack:

Ladies Almanack, sendo o seu título completo Ladies Almanack: mostrando os seus Sinais e as suas Marés; as suas Luas e as suas Mudanças; as Estações como está com elas; os seus Eclipses e Equinócios; bem como um Registo completo de Distempers diurnos e noturnos, escrito & ilustrado por uma senhora da moda, foi escrito por Djuna Barnes em 1928. Este roman à clef cataloga as intrigas amorosas da rede lésbica de Barnes centrada no salão da Natalie Clifford Barney em Paris. Escrito como um pastiche de restauro de sagacidade, o volume esbelto é ilustrado pelas xilogravuras inspiradas em Elizabethan de Barnes. Natalie Barney aparece como Dame Evangeline Musset, "que estava no seu coração uma Grande Cruz Vermelha para a Perseguição, o Alívio e a Distração, de Moças como dessas suas Partes Travessas, e nas suas Partes Prematuras, e em tudo o que essas Partes mais sofreram, lamentam Cruelmente".  "[A] Pioneira e uma Ameaça" na sua juventude, Dame Musset atingiu "uma cinquenta espirituosa e sábia"; resgatou mulheres em perigo, dispensa sabedoria, e na sua morte é elevada à santidade. Também aparecem pseudonímicamente Élisabeth de Gramont, Romaine Brooks, Dolly Wilde, Radclyffe Hall e a sua consorte Una, Lady Troubridge, Janet Flanner e Solita Solano, e Mina Loy.

A linguagem obscura, nas piadas internas e a equívoco têm mantido os críticos a discutir se é uma sátira afável ou um ataque agro, mas a própria Barney adorou o livro e relê-lo ao longo sua vida.

A Paris era Mulher

No ano 1921 Djuna Barnes viajou como correspondente para Paris com uma missão de retratar à comunidade de expatriados e de expatriadas norte americanas e terminou afinal sendo uma delas.

Desta época se houve escrito muito pouca coisa, porém em poucas ocasiões essas intelectuais e as artistas protagonistas desse momento haviam passado de ser algo demais que uma sombra. De feitio, nem se demostraram até para que outras mulheres reconhecessem esse testemunho deixado por suas antecessoras de la Rive Gauche e vieram dizer sobre elas. Biografias, ensaios, ficções, biográficas e autobiográficas irromperam nas estantes das tais livrarias a partir da metade desse Século XX. Algumas de notáveis exemplos, das quais muitas nos encontramos, sendo sem dúvida: As Mulheres de la Rive Gauche, de Shari Benstock (esse livro impossível de achar). A importância de Chamar-se Dolly Wilde, de Joan Schenkar, a biografia de Natalie Barney, de Suzanne Rodríguez, o Da Paixão segundo Renée Vivien, de Maria Mercè Marçal, senão uma das melhores recriações em ficção recreações, nessa ficção, dessa encantadora, cruel e ambígua sociedade dessa época.

Se naquele período histórico «A Paris era mulher», afirmamos com toda sua razão documental de uma Greta Schiller. Tais escritoras, editoras, livreiras, fotógrafas, pintoras e Jornalistas que se escabecearam na margem esquerda do Rio Sena se converteram em mecenas dos principais movimentos literários e artísticos dessa exuberante ocasião que se vivia e de cujos rendimentos, todavia nós gozamos algumas dentre outras. Porém, muitas delas se tornaram por demais pioneiras do outing lésbico. Sendo há mais destacada, sem dúvida nenhuma, Natalie Clifford Barney, uma Amazona, la salonnière reconhecida fundadora da Académie des Femmes.

Em seu salão de la rue Jacob se celebravam todos os viernes tertúlias literárias, picantes representações teatrais de obras escritas por ela mesma ou por alguma de suas amigas em tais atrevidas performances muito acompanhadas de chás, de vinhos e de champagnes desses da melhor qualidade e de suculentos manjares dentre os quais nos caberia destacar os famosos sanduiches de pepino que preparava Berthe Cleyrergue, cozinheira e assistente pessoal de Barney.

No centro desse jardim se encontrava o assim chamado «Templo da Amizade» onde havia um lugar para espetáculos. Conta Suzanne Rodríguez, em sua biografia de la salonnière, que «em uma certa ocasião contratou a conhecida Mata Hari para que passeasse nua por tais jardins de sua mansão montada num cavalo branco prendido com arnês pintado de esmalte azul turquesa.

Nesse salão se manteve durante mais de sessenta anos, porém se não foi dentre as tais décadas de 1920 e 1930 quando viveu no período de seu maior auge. 

No salão de Barney era o único em Paris (sendo o mais importante na Europa) consagrado para encontro de mulheres dedicadas na arte e na criação, para desfrutar de suas habilidades, fazerem centro de debates e de exposições, representarem em suas obras, gozarem dos prazeres duma vida social e terem tais animados embates sexuais.
ISABEL FRANC-TRAD. ERIC PONTY
Ladies Almanack, sendo o seu título completo Ladies Almanack: mostrando os seus Sinais e as suas Marés; as suas Luas e as suas Mudanças; as Estações como está com elas; os seus Eclipses e Equinócios; bem como um Registo completo de Distempers diurnos e noturnos, escrito & ilustrado por uma senhora da moda, foi escrito por Djuna Barnes em 1928. Este roman à clef cataloga as intrigas amorosas da rede lésbica de Barnes centrada no salão da Natalie Clifford Barney em Paris. Escrito como um pastiche de restauro de sagacidade, o volume esbelto é ilustrado pelas xilogravuras inspiradas em Elizabethan de Barnes. Natalie Barney aparece como Dame Evangeline Musset, "que estava no seu coração uma Grande Cruz Vermelha para a Perseguição, o Alívio e a Distração, de Moças como dessas suas Partes Travessas, e nas suas Partes Prematuras, e em tudo o que essas Partes mais sofreram, lamentam Cruelmente".  "[A] Pioneira e uma Ameaça" na sua juventude, Dame Musset atingiu "uma cinquenta espirituosa e sábia"; resgatou mulheres em perigo, dispensa sabedoria, e na sua morte é elevada à santidade. Também aparecem pseudonímicamente Élisabeth de Gramont, Romaine Brooks, Dolly Wilde, Radclyffe Hall e a sua consorte Una, Lady Troubridge, Janet Flanner e Solita Solano, e Mina Loy.

A linguagem obscura, nas piadas internas e a equívoco têm mantido os críticos a discutir se é uma sátira afável ou um ataque agro, mas a própria Barney adorou o livro e relê-lo ao longo sua vida.


Esta é a História da mais bela e delicada Mulher que alguma vez humedeceu uma Cama. O seu nome era Evangeline Musset e tinha sido consolada com uma Cruz Vermelha Enorme pela Dedicação, Alívio e decorada com uma Cruz Vermelha Enorme para a Dedicação, Alívio e Distração que ela deu como distração que ela deu às Raparigas nas suas partes retaguardas, na Foreparts e em qualquer uma dessas partes que tão cruelmente as fazem sofrer. Quer seja uma Comichão na Palma da Mão, ou uma Picada ardente em qualquer dos seus Membros, tais Doenças dos seus membros, tais Miladies costumam afligi-las na Primavera. E também naqueles períodos inclementes em que têm prazer em materiais quentes, tais como peles ou tapetes orientais espessos (concebidos, poder-se-ia dizer, para lhes dar Tapetes orientais (concebidos, poder-se-ia dizer, para os adquirir de tal língua, tanto nas assombrações como nas rédeas, de modo a que seja mesmo intolerável para eles); e insuportável); ou quando sentem a necessidade de suavizar as nádegas sentando-se em fogões quentes. As crónicas dizem que uma delas, ao fazê-lo, se levantou de um salto e uma delas saltou a exclamar: "Eu vou fazê-lo!

-Que mundo é este para uma rapariga, mesmo que ela seja de natureza dócil e serena de Julgamento, e a salvo de más intenções, pois os instintos levam-na a tais instintos levam-na a uma tal agitação extrema, que ela correu de um lado para o outro em busca de para em busca de alguma Substância ou Pomada para aliviar o seu Desconforto.

Não há um Filósofo, de qualquer Classe, que tenha descoberto, entre os delicados descobriu, entre as ervas delicadas do seu Jardim, uma que pode ajudar a satisfazer, e, ajudar a satisfazer as nossas modestas partes? Porque, desde os dias em que nós mulheres éramos Matéria.

Quando nós mulheres éramos indiferenciadas Matéria até à atualidade, quando já somos personagens Imperiais da Raça humana divina, não tem havido nada que possa adquirir nada que possa trazer alívio a essa nossa Zona - e a outras zonas igualmente susceptíveis à inflamação - que tem em outras áreas igualmente susceptíveis à inflamação, exceto o dom que cada Mulher possui as crónicas dizem que uma delas, ao fazê-lo, saltou para os seus pés e exclamou que ela saltou para os seus pés e exclamou:

-Que mundo é este para uma rapariga, mesmo que ela seja de natureza dócil e serena de e serena de Julgamento, e a salvo de más intenções, pois os instintos levam-na a tais dos instintos levam-na a uma tal agitação extrema, que ela correu de um lado para o outro em busca de alguma Substância ou Pomada para aliviar o seu Desconforto.

Quando nós mulheres éramos indiferenciadas Matéria até à atualidade, quando agora somos Personagens Imperiais da Raça humana divina, não tem havido nada que possa adquirir que nada que possa trazer alívio a essa nossa Zona - e a outras zonas mais susceptíveis à inflamação – tem de outras áreas mais susceptíveis à inflamação, exceto o dom que cada Mulher possui de Evangeline Musset, uma senhora de alta linhagem, foi arquitetada para este fim.

De alta linhagem, que no início da década de 1880 tinha desistido do transporte familiar com o prazer que sempre deu à sua mãe e ao seu pai em Desfrutar do deleite retorcido de andar a cavalo; tal como um camponês faz quando vai buscar o seu agricultor quando vai colher a Colheita. E, com tanto movimento e de galopante, ela tornou-se cada vez menos feminina.

 "Embora nunca", disse ela, "fez aquele Mistério Grego conhecido como a Aparição dos Testículos! Na aparência dos Testículos, com tudo o que isso implica"!

Diz-se que tal conjuntura aconteceu, no entanto, a uma Prostituta Bizantina do Período Troiano, mais para a sua Surpresa, de fato, do que para o seu Encanto, que tais do que para seu deleite. Aceitemos, de qualquer forma, que este milagre, transmitido ao longo dos séculos ainda é possível. A esperança é a última coisa a ser perdida.

Tem sido frequente observado que as mulheres possuem o Alemão do Romantismo tão bem desenvolvido e tão cheio de Romantismo tão bem desenvolvido e tão cheio de Sensibilidade que, ao atingir uma certa idade, livram-se do espanador, da prole e do cônjuge e, num curto espaço de tempo, podem ser vistas com cônjuge e, em pouco tempo, podem ser vistas reclinadas, sem força, sobre Pilares de Pathos, 

(.........)
Nos dias em que escrevo, a Evangelina tornou-se uma pessoa espirituosa e erudita de 50 e tal anos que, embora pequena em estatura e nada espirituosa e erudita de 50 e tal anos que, embora pequena em estatura e nada graciosa, é a mais caçada. A sua popularidade tornou-se tão generalizada, tais graças ao seu dom de educar com as mãos, e ela é tão bem conhecida e estimada tão conhecida e estimada pelos escorregões da sua língua, que por fim entrou no Salão de Salões da Fama, onde jaz, ao lado de uma Estátua de Vénus, tão sossegada como a própria estátua, como a própria estátua; ou dobra-se sobre uma urna chorosa com uma pequena esponjeira na mão para esponja na sua mão para secar as lamúrias de todos os Necessitadas do seu Tempo.

Assim começa este Almanaque que todas as Senhoras devem levar consigo tais quais como o Sacerdote seu Breviário, como o Cozinheiro suas Determinações, como o Doutor seus Medicamentos, como Jesus, e, aos seus mandamentos, a Noiva os seus Medos, e o Leão os seus Rugidos!

SETEMBRO POSSUI
 30 DIAS
AS LUAS E SUAS MARES
Sendo do Próprio feitiço de ser Mulher depender de tanto do azar, sendo tanto complexo e tão doloroso que o situar em um Momento determinado da História equivale ao desprezo em relação ao momento seguinte.

Na Juventude segue o que foi atrativo, dessas extremidades tão içadas, pureza nos Olhos, muito doce por atrás e por adiante; altivo ou baixo, rubro ou moreno, seguido muito sempre. Agradável de contemplar. Porém, passado um Tempo, que não chegando nem aos doces anos, se inclinam, se amplia e se deforma. Se essas suas Ossaturas estão muito importunas, sendo sua carne se acalma, sua Língua regressa amarga o só funciona com tal doçura quando se acha diante de mel proibitivo.

Seu pensamento está corrompido por uma existência sendo sua base de dinheiro e duma adulação. A Vida lhe há duma maneira ensinado o que é esta Vida. Se hão feitas de Amigas dela e sendo dessa vida, e não havendo passado tempo suficiente tombado no Ventre do altivo – porque passou metade de sua vida tombado. Só se contemplando a Abobada Celeste. Não havendo sido feita para nadar nesse celestial; sendo um Peixe de Terra, nada além dessa Terra fundamentada. 

Sem, contudo, de tão pobre Condição nada lhes impediu de lhes causar Dor em outras dessa sua mesma pobre Condição. Todas estão perdidas numa mesma Rede sendo todas terminam transformadas em indignos Resíduos. A Ossatura pélvica de Santa Teresa não bocejava com mais Honestidade que duma Messalina porque na Porta por houve que não existir passado algum Homem sendo tão inexistente desse Espaço que ventava por todos àqueles que queriam por ele lhes passarem.

Quando te virás nessas Ossaturas de iguais tivessem muito ou muito pouco contato Carnal e de tão pouco serviu para lhes chorar por essa Carne que havia ao que não existe, pois quando fosses dessa Ossatura, os olhares tampouco estarão.

Se Bem se fica sabendo que nesse Jazigo não há nenhum pé que se possa mover, nem havendo de tais Mãos tão lascivas nesses Jazigos. Esse assim desde fez muito tempo, de modo que, para que serve lamentar-se? Foste desonesta hoje, nesse alvorecer ao nada lhe virá lhe interessar já.

Mas, se em nosso Coração debata o que se fiz de forma muito apressada e sem prevenir que algo sucederia nesse O Útero e sem querer saber que lhe ocorreria com esse algo quando chegara há dez semanas nessa Terra.

Essa Mulher passou por três Estados, porém somente se lhe reconhece dum que lhes sendo desse segundo: se neste se lhe admite existência. Se tratando duma enfermidade mental, duma infido sumário? Porque existiu dois identificadores que não se resultam num fator dum cálculo desse que lhe serás duma sequela Final.

Se nas Invejas dum Homem havia sua Mulher lhe havendo irreflexão dum erro de Cálculo, quanto mais inútil seja para que uma Mulher se desmaie, se fira, se enfureça e se apiede por uma outra Mulher?  Se um homem pode enraiverzer -se porque existe essa pequena Diferença que sempre lhes será algo de alheio, porém uma Mulher ao se rasgar essas Vestimentas por alguém com essas Vestimentas tão iguais as das suas, por ser dum Mistério que se perdesse em sua dimensão nesse ato de Mistério.

Se desse Fogo se propagou com mais paixão do houve aqui, nesse Jardim de Vênus. Sem haver que arder inclusive com uma chama de mais lasciva lhes sendo ainda mais tempestuosa que nesse mesmíssimo Reino dessa dita Natureza; e sendo do mesmo dia em nele que se atenda para um Homem da Corda da que se havia enforcado por culpa dessa infidelidade de sua Mulher, do qual podemos encontrar essas duas Jovenzinhas balançando-se nesse Mesmo Feixe e por qual essa mesma Mulher.

Não chamaram, sendo de tal Costume nas Famílias, quais dessa Traição às converteram em mulheres mundanas, que aos chegarem Cornos e que as mantêm qual há um filho de natura bastardo, pois, tal controvérsia sendo do mais do que impossível dentre elas. No que isto tenha sido desde tempos imemoriais dessa sua maior Espinha cravada reparem quais sendo dum vaidoso tal sofrimento deste Homem, que se admire por onde se admire, pois que entre uma irmã e de uma outra e ao se vergar numa espinha nem tal sofrimento daqueles que choraram de tais modos com essas suas forças lhes sendo feita dessa Ausência precisamente, o que mais que tal dor provocada por isso mesmo dos quais lamentaram fazendo se gemer, que ao gemerem num ato desesperado dos quais vejam havendo essa se lembrarem disso.

Que sendo esse sinal duma Vaidade e de um mero regresso dessa Desesperação sobre o ato dessa condição de nós mesmas? E não prova isto, para que todos esses Homens hajam falado deste seu contrário (brandindo como duma razão desta legitimidade de sua Descendência), que por ser uma Mentira e que ao Centro dessa questão sendo fruto do seu próprio ato de Orgulho?

Quitar-se para um Homem em sua escusa que virá há chorar da mesma maneira, somente lhes sendo então que os fará numa desoladora e inigualável ato de Melancolia. Isso será algo duma maneira honesta, e quanto for mais que honesto lhes sendo algo, mais acerca deste Coração lhes feriu. Se isso mesmo vem lhes ocorrer para às Mulheres. Seus Invejas não possuem mais Estrado que dessa autêntica desgraça deste ato dessa Loucura, e quando o choram, se fazem por sua alienada ato dessa solidão. Lhes sendo irreflexivo tal ato de regressar desse estado delas mesmas em si mesmas nessas condições que se tornam o ato de pensar –  lhes sendo uma coisa bastante improvável – pois quando surge uma Pitada desse raciocínio, se houve uma Pitada dessa recuperação, e quando houve uma Pitada dessa recuperação, e quando houve uma tal Pitada de recuperação houve uma folhagem dessa Indiferenças, e quando essa é acrescida muito rápida, pode acreditar num Jardim do Olvido no que se possa vir a se recuperar tal alento ido.  
Sem, entretanto, tanto nos temos acostumado ao chamarmos a tal da Vaidade por um outro Nome, que nem se queira nesses espetáculos de ver se uma mulher que cheguemos a sofrer por uma outra isso nos há de alguma forma ensinado algo. E as que se relembram com esse Lamento o fazem contra uma Parede, somos iguais que uma Penélope chorando por essa ausência desse seu Marido no exílio.

Sendo um Labirinto do que não sabemos sair, sendo de tal motivo nos conhecemos desde feito pelo tempo dessa passagem. Se de tanto darmos contornos as Ossaturas, o Fio dessa desesperação se faz mais fina que uma película de tanto empurrar o Tear que se afiliam aos Problemas ao Propósito, se, porém, não queremos nos darmos conta dessa condição e ao pisarmos ao Pedal sem Motivo, nos pomos por funcionar ao Tear sem Fio e tecemos nos ares para terminarmos nos reduzindo num Manto do desconforto.

Se ao sacudirmos dessa Árvore até deixá-la sem nenhuma folhagem e logo nós gritamos em sua Ramagem, nós ao perturbarmos essa Terra com nossa Ira, que essa dor vem penetrar até a carne e nos terminamos de alimentarmos deles até que nos chegue nessa Ossatura. Se em nossa condição pacifica não se encontrarmos nessa flor dessa pele, senão uma réstia duma Medula, não somos sábias o suficiente para este lado; se não viemos há nos submergir em nenhum Rio duma dita Sabedoria, nós nadamos livres nestas margens do Rio Jordão.
 
Temos umas quantas Filósofas entre nós, se, porém, nosso Sangue passa a ser demasiadas por espessa para nos portar tal Sabedoria, que nos sendo duma pequena Barca que só navegamos quando o que foi acontecido está tramando com os Ventos que se acham em meio ao estado da calma.

ENUMERAÇÃO E PROVÁVEIS

A Meretriz do Abrigo vermelha vestida,
A Sagaz de Mel sua Cabeça costurada,
De Sua Frente circundada com mui esmero
Por cachos de Juta quais um bode,
Com seu Vestidinho de Cabra de Putinha
Emite ao frufru duma gatinha,
Olhares de Pantera escuros e tão sombrios
Quais Pés de pomba para passear com um brio.
A Amazona reluz na pélvis proeminente,
A lutadora, qual duma cadeira turgente
De bunda firme, grossa e enrugada,
A Domadora do odor de sua Besta acostumada,
A Mulherzinha sendo masculina em seus abalos,
As Gestantes se atam com cintas aos pares,
As suas bundas, à Bufona curvada,
Suas alegrias num Trapézio enleadas,
Duma Virgem qual um Perdiz Pinho,
Debaixo dos pés sua Bola azul regressou,
Qual Rainha dar o contorno da Corona de seu Esposo
Para se sentar, justo dentro, desta Mulher de seus Olhares,
Numa noite de infidelidade não trouxe qualquer dano
Mas assim vai ser durante todo esse ano!
Pois um ar de juvenil feminismo
Percorrer por Luminares, Mundos e Esferas
E em frente, Mais das Mesmas
Prognosticam todas essas Mares!

Sobretudo seguindo as recomendações de Natalie Barney's e destas cópias registradas de Janet Flanner, o almanaque foi lido como tal um romano à clef", mas, segundo uma leitora numa resenha nos esclarece que tal romance está circunscrito quanto ao estilo de linguagem à Década de 30 com expressões típicas daquele período parisiense de gays e lésbicas.

O texto de Barnes sugere não só que a representação literária ou "visibilidade" não elucida as particularidades da vida lésbica, mas também que qualquer representação direta de tal vida simplesmente reproduziria, como o que já é versado e normativo. As vidas lésbicas são estranhamente nomeadas personagens desta história, então um texto impenetrável começa a fazer sentido como um gesto lúdico em relação à representação lésbica, tornando as figuras visíveis, mas ainda obscuramente peculiares. Além disso, ao tornar tão difícil discernir quem é quem ou mesmo o que está incidindo.

Neste caso, um poema nunca é entendido essencialmente para cumprir os termos da pessoalidade. A poesia, como a prosa ficcional, pode ser escrita em primeira pessoa, sem que se assuma que está na voz ou sobre a vida do autor, mesmo quando a protagonista partilha o próprio nome do escritor; no entanto, nesses casos - como no fragmento de Sapho - é muitas vezes uma pista de que estamos a ler um romano (ou poème) à clave, uma versão ficcional ou ficcionalidade do fato.

Essas relações lésbicas desencadearam ao ponto de libertar toda esta paixão e problemas da experiência sexual das mulheres. Mesmo as lésbicas que não eram doutrinadas pelo feminismo tinham muitas vezes essa sua vida sexual regida pelo segredo e pela vergonha. Não sendo preciso ter um papel de posicionamento para explicar por que é que se pode ter vergonha e temor dos seus desejos sexuais. não podem ser simplesmente reveladas: é preciso haver uma nova linguagem para compreendê-las ou expressá-las.

As mulheres são infetadas pela dúvida sexual desde à infância, e duma predisposição para o lesbianismo não sendo uma cautela para fora do tradicional receio feminino e estupidez das tais anteposições sexuais.

Os Modernistas articularam esta onda deste frenesim, e assim o desvio sexual tornou-se uma questão de "cruzeta" no sentido do termo estudos culturais - uma inquietação manifestada no discurso público e retrabalhadas tanto no popular no "altivo”. Das tais formas ditas culturais.

No entanto, como argumentou Michel Foucault, o puro cultural investimento na sexualidade, especialmente no pacto entre as formas de ser sexual e destas noções de fato, interioridade e informação, intensificou-se a duma febre no século XIX e início do século XX.

Se dessas linhas cruzam-se e divergem para desenvolver uma rede do que Foucault chamou de “ponto(s) de transferência denso(s) para relações de poder".  Esta rede abrangeu a rede Queer do modernismo feminino, de língua inglesa.

Para além das coordenadas mínimas de tempo e lugar - Sapho viveu a ilha de Lesbos na viragem do século VII para o VI a.C. – as realizações literárias e reputação são os "fatos" mais fiáveis sobre os quais os estudiosos concordam. Como "a mulher poetisa mais conceituada da Grécia e Antiguidade Romana", Sapho escreveu poesia lírica - canções acompanhadas por uma Lira - que foi recolhida por estudiosos em Alexandria séculos após a sua morte; desta, pouco sobreviveu, e quase só em fragmentos.

Se formalmente, tal autobiografia lésbica contemporânea jaz a mexer com tais regras comuns. Mesmo tais "romances" que são inscrições nesta primeira pessoa sobre lésbicas explorações e escapadelas e nas quais da protagonista é chamada pelos mesmos nome destas autoras nos dando a mesma questão controversa de categoria que a do Poema de Saffo continuando a ser o único artifício para contar à vida duma lésbica como percorremos neste ensaio sobre obras de Gertrude Stein Tender Buttons e Djuna Barnes em Ladies Almanack (1928).

CONCLUSÃO DE JULIE TAYLOR

Dado o seu início traumático, pode-se incluir 'surpresa' entre os efeitos produzidos pelo 'final feliz' deste livro. Mas neste 'final não é, evidentemente, tal coisa: ao viajar de forma não sincronizada a partir de The Antiphon (1958) a Ladies Almanack (1928) através de Ryder (1928) e Nightwood (1936), espero ter honrado a relação das maricas em tempo exibido pela obra de Barnes.

Em Djuna Barnes, o passado nunca é história, mas é apreendida em toda a sua estranheza - e com todas suas possibilidades de horror e deleite - no tempo presente. E, além disso, está ênfase do trabalho sobre a falta de ordem do efeito - sobre a forma como os efeitos se combinam de formas extraordinários e imprevistas - talvez faça tais 'surpresas' totalmente menos admiráveis.

Elizabeth Freeman conta um modo de crítica que nos pode permitir 'imaginar em nós próprios assombrados pela prosperidade e não apenas pelo trauma: resíduos de efeitos positivos (idílios, utopias, memórias de tato) podem estar disponíveis para como um texto assombrado pela alegria, mas a prática de leitura que cresci ao longo de Djuna Barnes e o Modernismo Afetivo permitem-nos, de fato, achar sinais de beleza dentro do trauma e outros tipos de ensaios e sentimentos negativos.

O trabalho de Barnes ilustra a percepção que afeta "nascimento no meio e reside no lado cumulativo" (Gregg e Seigworth, 2010: 2). Barnes ensina-nos a "não ir além da imagem", mas sim a sentar com a nossa ambivalência, para experimentarmos os sentimentos 'aditivos e acríticos' que se acumulam e circulam nas superfícies dos corpos e dos textos. Isto perpassa a prática da leitura afetiva permite-nos sentir a história, os sentimentos mistos que provocam qualquer polarização e moralização narrativa do passado e perturbar a própria ordem da própria narrativa.

Este corpo de barro é formado pelos movimentos e efeitos de outro corpo, que por sua vez é afetado pelo corpo de barro. Este deus maleável contrasta com 'O deus que é sempre o mesmo': o deus barro de Barnes é responsivo e emocional; sendo governado por reserva e efeito: ele é "imprudente" e "o seu julgamento deve parar e ser coxo".

A imagem do corpo afetivo sendo afetivo neste poema inicial nos fornece, como muitos dos corpos de Barnes, um modelo de leitura. De fato, em sua ênfase na erupção cutânea, na suspensão e no julgamento coxo celebra a particularidade e a contingência do ato de ler sobre de certezas falsas do 'escrito', porque 'piedade escrita' e 'ira escrita' podem virar em efeitos bastante díspares à medida que tocam o leitor. Residindo nestes espaços entre leitor e escritor, passando para trás e para a frente entre o corpo e o texto, são dores e os prazeres do modernismo afetivo de Barnes.


TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

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