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quinta-feira, outubro 27, 2022

ISOTOPIA PARA BALADA DE FRANTESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY

Esse seu modo habitual de ver os fatos eu só pondero imparcial no grau em que também creio que Leitor-Crítico não tem a menor dolo pelo nosso distanciamento. Mas eu também não tenho a menor dolo. Se pudesse levá-lo a conhecer isso, então seria admissível, não uma nova existência — para tanto nós dois estamos velhos demais nesse barco — mas sem imprecisão uma espécie de paz; não a cessação, mas certamente um abrandamento das suas intermináveis recriminações. Curioso Leitor-Crítico tem alguma percepção daquilo que eu quero falar. Assim, por exemplo, me disse há pouco tempo com essas traduções. Ora, no que me diz deferência, nunca oscilei da sua afeição, mas medito imperfeita esta advertência. Leitor-Crítico não sabe fingir, é verdade, mas querer afirmar só por esse pretexto que os outros fingem, é ou mera mania de ter razão e não se aventa mais, ou então — como de ocorrência acho — o aparecimento em vigília de que os casos entre nós não vão bem, e, de que Leitor-Crítico tem a ver com isso, porém sem dolo. Se verdadeiramente reflete assim, então estamos de ajuste, e, para tal aparecimento lhe demostro uma tradução de Francesco Petrarca que é mais ao menos assim o dê vinte dois:

Para qualquer animal viva à terra,
Ao menos que alguns que odeiem o sol,
Tempo de trabalho é tão longo ao dia;
Mas quando o céu acendeu as estrelas sal,
Regressam casa, e que espreitam no ermo,
Deitar pelo menos até ao amanhecer.

E eu, desde o belo amanhecer,
Sacudir a sombra em torno da terra,
Acordar os animais em cada mata,
Nunca triguei os suspiros com sol;
Depois, quando vejo estrelas em chamas,
Vou chorando e desejando o dia.
Quando à noite expulsou o dia livre,

E da nossa escuridão faz nascer,
Olhar penosa pra as cruéis estrelas,
Quem me fez desta terra sensível!

A ideia de, no entanto, escrever como trauma sobre a isotopia, leva-nos para além das questões do Leitor-crítico que leva à vida para nos ajudar a compreendê-lo melhor. Especificar estilo, a estrutura de abrangência tardia que caracteriza a resposta ao trauma oferecia uma forma convincente de pensar sobre as reiterações performativas desta história literária que têm sido geralmente descritas como paródias, pastiches ou sátiras.

Mas também quero insistir que o trabalho de Leitor-crítico não é um modernismo alternativo, mas sim uma parte do modernismo, e que a leitura do seu trabalho fez com que o modelo de textualidade seja ainda mais matizado. Enquanto identifico certas características recorrentes do modernismo canónico que são desafiadores pelo trabalho de Leitor-crítico, não quero sugerir que o modernismo não é um termo suficientemente capcioso para incluir no corpus Leitor-crítico por esta Balada de Francesco Petrarca que foi mais ao menos lhe expus.
TRAD. ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY

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