Pesquisar este blog

domingo, junho 23, 2024

Para você, amistoso ou amistosa, - Eric Ponty


II
 Eric Ponty
Mais que meu conivente: confidente
de ocasiões ditosas, macambúzias;
Horto de expressões, recônditas estirpes.
O que ajuízo tu arrazoas, o que falas

Te diz minha criadeira, é o que ela sente,
por isso, em ti apreendo os estigmas
que vão apontando o íntimo da gente.

Em ti me curvar-se: és meu confessionário;
Aqui despido a minha história, e sinto
que és a limpidez em que posso me rever;

Da burra de tantas ilusões, diurno
ti confiro sem respeito, não minto,
se és bocado destes meu azado ser!

III

Essa tarde eu... me sinto nervoso, 
Quando julgo vê-la surgir, num vulto,
- Teu lábio frio, trêmula de tão ofegante,
os teus olhos nos meus, marco, fitando...

Céu desfaz-se em luar... Num vento nu
nas folhagens Macias, acariciante,
enquanto com o olhar ternura amante
fico à sombra da noite buganvília...

E ela não vem... Majorar a ansiedade:
- Do segundo que ao passar me tortura,
é segundo sem fim dessa efeméride...

Mas eis que ela abrolha tão de repente!...
- E feliz, chego a crer igual censurar,
quê abusava esperar-se eternamente!...

Eric Ponty

ERIC PONTY - POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA

sábado, junho 22, 2024

Quando todos te arguam ao lar = Eric Ponty

Quando todos te arguam ao lar
quando ninguém te escutar,
a poesia é te escuta e perdoa,
pois ser lavra – é doar!

Quando todos te repudiem
e ninguém eles queriam olharem,
a poesia é te segue e caça à gente 
pois ser vozes – é envolvente!

Quando todos te negarem ao olhar em 
um poema, um verso para agasalhar
só andar te ampara e se apadrinha
pois ser poesia é – sempre é se soar!
Eric Ponty
ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR-LIBRETTISTA

Amantes da Poesia - Eric Ponty


 

66007 acesso ao blog vai essa composição = Eric Ponty

Apolo, se o adorável desejo ainda vive
que o fez arder na onda de Tessália,
e se aqueles cachos loiros e prezados dela
não te olvidou com o passar dos anos,

da geada inerte e do clima duro e cruel
que dura enquanto esconde teu rosto,
venha agora defender a folha honrada e sagrada
primeiro, e eu, depois, também fomos epítomes;

e depois, em virtude da esperança amorosa
que o manteve durante tua vida amarga,
torne clara a atmosfera de tal impressão;

então veremos juntos, maravilhosas,
Nossa Senhora sentada na grama,
braços lançará a sombra ao redor de si mesma.

II
Para fazer um ato gracioso de vingança,
e punir mil erros em um único dia,
O amor sempre pegou seu arco secreto,
homem que espera a hora e o lugar para atacar.

Meu poder estava restrito em meu coração,
fazendo defesa ali e em meus olhos,
quando o golpe mortal caiu ali,
todas outras flechas haviam sido embotadas.

Assim, confuso com o primeiro ataque,
ele não teve oportunidade ou força
para pegar em armas quando fosse imperioso,

ou me retirar astuto para o alto,
colina alta e íngreme, longe do tormento,
do qual ele deseja me salvar agora, mas não pode!

III
Foi naquele dia em que o raio de sol
se escureceu de pena de seu Criador,
que fui capturado e não me defendi,
porque lindos olhos me prenderam, Senhora.

Não me pareceu ser o momento de me proteger
contra os golpes: então segui em frente confiante, 
sem suspeitar; a partir daí, meus problemas
começaram, entre as tristezas públicas.

O amor me descobriu sem armas,
e abriu pra o coração por meio dos olhos,
se tornaram as passagens e portas das lamúrias:

que me parecemos que não tem muita honra
ferir-me com tua flecha, nesse estado,
não mostra teu arco que estão armados.
ERIC PONTY 
ERIC PONTY POETA TRADUTOR LIBRETTISTA

quinta-feira, junho 20, 2024

Descobri que estou cancelado pelas editoras: Morto-Vivo

P/ DONA APARECIDA FRANCO
Quanto mais meu último dia se aproxima,
Servindo-se pra encurtar a duração da miséria humana,
mais eu vejo como o tempo corre célere e leve,
minha esperança nele é ilusória e vã.

Eu digo aos meus anexins: "Não temos muito o que fazer
falando de amor, pois agora o mais pesado,
mais sólido fardo terrestre, como a neve fresca
está derretendo, o que finalmente nos trará descanso:

"pois com esse peso cairá a esperança esvazia
que nos manteve em êxtase por tantos anos
e todos os nossos risos, choros, raiva e medos;

"Então reconheceremos claros como todos os
mortais estão lutando por um prêmio duvidoso
e ah, quantas vezes soltamos suspiros inúteis."

Já no céu do leste ardia a estrela do amor, 
enquanto no norte gelado pelas sombras,
as outras, causa da ira ciumenta de Juno,
estavam girando seus raios resplandecentes;

a pobre mulher idosa, levantando-se para fiar,
meio vestida e descalça, agitava o fogo adormecido;
os amantes estavam sendo incitados pela hora
que faz com que todos se queixem habitualmente;

quando minha esperança, esmagada em seu toco,
entrou em meu coração, não pela maneira usual,
que o sono mantinha fechado e a tristeza úmida

como ela mudou, infeliz, em relação ao que era antes!
"Por que sua coragem está falhando?", ela parecia dizer.
"Ver esses olhos ainda não lhe foi negado."

ERIC PONTY

quarta-feira, junho 19, 2024

To a Skylark (1820) - PERCY BYSSHE SHELLEY - Trad. Eric Ponty

P/ Moema
Salve senhor, espírito alegre,
Pássaro que senhor nunca foi
Que do céu, ou perto dele,
Derrama seu coração pleno
5 Em profusos cantos de arte não premeditada!
Mais alto e mais alto ainda
Da terra o senhor brota
Como uma nuvem de fogo;
O azul profundo o senhor alça voo,
10 E cantando ainda se eleva, e subindo sempre canta.
Mais alto e mais alto ainda
Da terra senhor brota
Como uma nuvem de fogo;
As profundezas azuis senhora alça voo,
10 E cantando ainda te elevas, e subindo sempre cantas.
No relâmpago dourado
Do sol que se põe
Sobre o qual as nuvens estão brilhando,
Senhor flutua e corre;
15 Como uma alegria sem corpo, cuja corrida está apenas começando.
A pálido púrpura
Derrete-se em torno de sua luta;
Como uma estrela do céu
Em plena luz do dia
20 Senhor não é visto, mas ainda assim eu ouço seu prazer estridente.
Afiadas como as flechas
Daquela esfera de prata,
Cuja intensa lâmpada se estreita
Na clara aurora branca,
25 Até que mal vemos - sentimos que ela está lá.
Toda a terra e o ar
Com sua voz é alta,
Como quando a noite está nua,
De uma nuvem solitária
30 A lua derrama seus raios, e o céu é inundado.
O que senhor é, nós não sabemos -
O que é mais parecido com senhor?
Das nuvens do arco-íris não fluem
Gotas tão brilhantes para ver
35 Como de tua presença cai uma chuva de melodia.
Como um poeta abrigado
Na luz do pensamento,
Cantando hinos sem ser solicitado
Até que o mundo se forme
40 Para simpatizar com esperanças e 
medos, ele não deu atenção;
Como uma donzela de alta estirpe
Na torre de um palácio,
Acalmando sua alma
Alma em hora secreta
45 Com música doce como o amor, 
que transborda de seu abrigo;
Como um verme dourado
Em um vale de orvalho,
Espalhando-se sem ser sustentado
Em um tom atrial
50 Entre as flores e a grama, que o protegem 
da vista;
Como uma rosa envolta
Em suas próprias folhas verdes,
Desfolhada pelos ventos quentes,
Até que o aroma que exala
55 Faz desmaiar, com demasiada doçura, as pesadas asas
Quais ladrões –
Som das chuvas de primavera
Na grama cintilante,
Flores despertadas pela chuva -
Tudo o que sempre foi
60 Alegre, clara e fresca, sua música supera!
Ensina-nos, duende ou pássaro,
Que doces pensamentos são os seus;
Nunca ouvi
Elogios ao amor ou ao vinho
65 Que ofegasse um alimento de êxtase tão divino.
Coro hinário,
Ou canto triunfal,
Comparado com o teu, seria tudo
Mas uma vanglória vazia,
70 Uma coisa em que sentimos que há 
alguma carência oculta.
Que objetos são as fontes
De sua feliz tensão?
Que campos, ou ondas, ou montanhas?
Que formas de céu ou planície?
75 Que amor por sua própria espécie? 
Que ignorância da dor?
Com sua alegria nítida e aguda
A languidez não pode existir;
Sombra de aborrecimento
Nunca se aproximou de ti!
80 Senhor ama - mas nunca conheceu 
a triste saciedade do amor.
Acordado ou dormindo,
Senhor da morte deve considerar
Coisas mais verdadeiras e profundas
Do que nós, mortais, sonhamos,
85 Ou como suas notas poderiam fluir 
em uma corrente tão cristalina?
Nós olhamos antes e depois,
E ansiamos pelo que não existe:
Nosso riso mais sincero
Com alguma dor está repleto
90 Nossas canções mais doces
são aquelas que falam dos pensamentos mais tristes.
Mas se pudéssemos desprezar
O ódio, o orgulho e o medo;
Se fôssemos coisas nascidas
Para não derramar uma lágrima,
95 Não sei como poderíamos 
nos aproximar de sua alegria.
Melhor do que todas as medidas
De sons deliciosos
Melhor do que todos os tesouros
Que se encontram nos livros,
100 Tua habilidade de poeta foi, 
campesina da terra!
Ensine-me metade da alegria
Que sua mental deve conhecer,
Essa loucura harmoniosa
De meus lábios fluiria,
105 O mundo deveria ouvir então, 
como estou ouvindo agora.

PERCY BYSSHE SHELLEY - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

segunda-feira, junho 17, 2024

6 Sonetos de Paul Verlaine - Trad. Eric Ponty



A BALCONISTA
A dupla observava as andorinhas alçando voo;
uma com cabelo de corvo e pele como leite,
uma loira e rosada, com suas camisolas de seda
ondulando livremente pelo casarão.

Enquanto os asfódelos definhavam
e a lua suave e redonda subia a colina,
ambos saboreavam a triste felicidade de
corações inocentes e a quietude da noite.

Braços úmidos apertando a cintura uma da outra,
um casal estranho com pena dos mais castos,
Assim, na varanda, as moças sonhavam.

Atrás deles, na sala escura e opulenta,
igualando o trono de uma imperatriz em pompa,
a cama perfumada estava esperando na escuridão.

Uma noite de setembro, abafada e quente;
uma tinha dezesseis anos, a outra um ano a menos,
magras, com faces de morango e olhos azuis
que dormiam juntas no dormitório estudantil.

Para maior conforto, cada uma delas havia arrancado
sua camisola com cheiro de âmbar. A moça mais jovem
se inclina, com os braços esticados; sua tutora
a beija enquanto aperta os seios quentes.

depois cai de joelhos, enlouquece,
e, com a boca colada ao útero daquela criança,
passa a língua no arbusto escuro e loiro-dourado.

Nos dedos delicados, a novata, enquanto isso,
marca as valsas prometidas até que, corada,
ela exibe um pequeno sorriso inocente.

SONETO A SAFO


Furiosa, teus olhos estavam vazios e teus seios rígidos,
Safo, irritada com a languidez de teu desejo,
tal qual uma loba corre ao longo das margens frias.

Ela pensa em Phaon, alheio ao Rito,
E, vendo tuas lágrimas nesse momento,
Arranca teu imenso cabelo em punhados;

Então ela se lembra, com remorso incessante,
Aqueles tempos em que a jovem glória brilhava pura
De seus amores cantados em versos que a memória
Da alma recontará às virgens adormecidas:

E agora ela deixa cair tuas pálpebras azuladas,
E salta para o mar onde o Moire a chama.
O céu explode, incendiando a água negra,
A pálida Selene que se vinga dos teus amigos.

PRIMAVERA 

Ternuras, a jovem ruiva,
A quem tanta inocência desperta,
Disse à donzela de cabelos claros
Estas palavras, suave, em uma voz gentil:

"Seve que se levanta e fogo que cresce,
Sua infância é um caramanchão:
Deixe meus dedos passearem pelo musgo
Onde o botão de rosa brilha.

"Deixe-me, entre a grama clara,
Beber as gotas de rosa
Com as quais o terno coração é aspergido, -

"Então, que prazer, minha querida,
Ilumine tua fronte cândida
Como a aurora em um céu tímido. "
Uma noite de setembro, abafada e quente;
uma tinha dezesseis anos, a outra um ano a menos,
magras, com faces de morango e olhos azuis
que dormiam juntas no dormitório estudantil.

Para maior conforto, cada uma delas havia arrancado
sua camisola com cheiro de âmbar. A moça mais jovem
se inclina, com os braços esticados; sua tutora
a beija enquanto aperta os seios quentes.

Então cai de joelhos, quase enlouquece,
e, com a boca colada ao útero daquela criança,
passa a língua no arbusto escuro e loiro-dourado.

Nos dedos delicados, a nova tá, enquanto isso,
marcam as valsas prometidas até que, corada,
ela exibe um pequeno sorriso inocente!
Soneto do Cu

Obscuro e enrugado como um cravo roxo
Ele respira, humildemente topi entre o musgo,
Ainda úmido de amor que segue a suave inclinação
De tuas nádegas brancas até a borda de sua bainha.

São como fios tais quais lágrimas de leite
Choram sob o cruel Vautan que os empurra para longe,
Pelo meio de pequenos seixos de marga avermelhada,
Para alterar o óleo que a encosta lhes chamava.

Minha boca frequente se junta à sua ventosa,
Minha alma, ciumenta do material de coito,
Fez dela tua gota de fúcsia amarelada e teu ninho de soluços.

É do azeite de oliva e desta flauta Calina,
É o óleo do tubo que desce o doce celestial,
Feminino de Chanana nas brumas do tempo.
PAUL VERLAINE

terça-feira, junho 11, 2024

Spleen et idéal- Charles Baudelaire - Trad. Eric Ponty

Da Insensatez e do erro, da avareza e do vício
Ocupam nossas mentes e a força de nossos corpos;
Alimentamos nossos amenos anseios de remorsos
Quais mendigos coceiras comendo seus piolhos cio.

Pertinazes no pecado e covardes no pesar trança,
Fazemos a confissão por uma prestação franca traça,
Depois voltamos festivo, a passagem lamacenta,
lamúrias banais pudessem lavar todas nódoas contas.

No travesseiro do mal, Satanás Trismegisto
Embala longos cicios a alma encantada ao misto,
Um químico sábio que dissolve nossa vontade
E transformou-se seu valioso metal em névoa idade.

O demônio segura as cordas que nos fazem mover!
Agora, objetos repugnantes parecem nos afagar a ter;
A cada dia damos mais um passo em direção ao inferno,
Sem repugnância, descendo por cavernas fétidas ao ermo!

Como um pobre leproso com sua puta radiante
Beija e mordisca seu peito murcho acinte,
Roubamos prazeres secretos, como o sabor
De uma laranja velha premida por uma gota a mais pôr.

Como milhões de vermes intestinais em ebulição,
Uma raça de demônios se comove em nossos cérebros,
E com o ar que respiramos, a morte semeia invisível braços, 
Em nossos pulmões, um fluxo monótono de lamentação.

Se o estupro e o ardor criminoso, o veneno ou a faca
Ainda não enfeitaram a tinta onde nos agrada placa 
Para pintar destinos banais e mesquinhos,
É porque não somos ousados os aceitáveis ninhos.

Mas em meio a chacais, panteras, toda a tripulação
De vira-latas, macacos, escorpiões, abutres, cobras,
Monstros que uivam e gritam, rastejam e coaxam,
O principal dos vícios em nossa coleção.

É um mais sujo, mais cruel do que os outros traços,
Que não grita ou faz algum grande alvoroço,
Mas que, com um bocejo, engoliria toda a criação
E, felizmente, reduziria a terra a pó em ração;

Isso é Ennui! Com uma lacrima relutante e bobo
Ele sonha com andaimes enquanto fuma seu cachimbo.
Parece que também conhece esse monstro delicado.
Tu Leitor hipócrita! - Meu gêmeo! - Meu irmão ofertado!
Quando, por decreto dos grandes poderes do alto,
O poeta chega este mundo sem graça, sua mãe assalto 
Contristada, atônita, estoura em blasfêmia
E sacode a mão para Deus, tem pena dela reluzia:
- "Ah, por que não gerei um ninho de víboras
Em vez de cuidar dessa zombaria de coisa afaroa!
Maldita seja a noite de meus prazeres efêmeros
Quando concebi essa penitência por meu pecado mero!
Já que me escolheu entre todas as mulheres unhas
Para fazer meu marido me odiar como sua vergonha,
E já que não posso jogar esse monstro atrofiado,
como uma velha carta de amor, no lixo, alijado 
Vou passar adiante o fardo de seu ódio dando 
Para o maldito instrumento de todo o seu rancor
E torça essa árvore pobreza, para que nunca possa pôr 
Ao produzir novos brotos e dar frutos infectados".
E assim, não compreendendo o plano eterno adiado,
Ela se engasga e engole a espuma de seu ódio;
Ela mesma alimenta a raça penal criada no lábio,
No fundo da Geena por causa do crime materno.
No entanto, com um anjo como seu guia invisível,
A criança deserdada sente o gosto do sol terrível 
A luz do sol, e em tudo o que come e bebe crível,
Encontra néctar e ambrosia para seu banquete.
Ele brinca com o vento, conversa com as nuvens margens
E canta o caminho da cruz em tal estado de espírito
De felicidade que seu Espírito Assistente chora que resta
Ao vê-lo feliz como um pássaro da floresta num rito presta
Todos aqueles que ele busca amar olham para ele com medo,
Ou então, porque sua calma os tornou corajosos aos credos,
Para ver qual deles pode forçá-lo a gritar idos,
Testando o que sua ferocidade pode arranjar.
Cinzas e pedaços de cuspe são misturados sem par,
O pão e o vinho destinados à sua boca;
Como hipócritas, jogam fora tudo o que ele toca oca,
E se culpam por pisar em seu caminho.
Sua esposa anuncia no mercado em vestes de linho:
"Já que ele adora minha beleza, vou me atrever
Para nomear o ofício que os antigos ídolos faziam ver,
E, como eles, me cobrirei de ouro.
E me drogarei com nardo e incenso puro,
Com mirra e gênios, carnes e vinho,
E rirei se em seu coração amoroso eu puder pinho,
Usurpar a homenagem devida ao que é Divino.
E quando eu me cansar dessa farsa ímpia,
Trarei minha mão esbelta e forte para suportar a pia,
Em sua sela; minhas unhas, como garras de harpias,
Cortarão o caminho sangrento que leva até onde,
Como se fosse um jovem pássaro trêmulo fronte,
Vou desenterrar de seu peito o coração vermelho e brilhante;
E então, como carne para saciar meu cão favorito,
Eu o jogarei com desprezo na poeira esse mito!"
Para o céu, onde ele vê um trono brilhante,
O poeta ergue seus braços piedosos; a luz antes de 
E as vastas faixas de sua mente lúcida
Cancelam de sua visão as nações furiosas explícitas:
"Seja abençoado, ó Deus, que oferece o sofrimento
Como cura celestial para nossas impurezas de tormentos,
E como a essência mais pura e mais rica
Para treinar os fortes para as ectasias sagradas fica.
Eu sei que para o poeta você guardou riscas 
Um lugar entre as legiões dos abençoados,
Entre os Tronos, as Virtudes e as Dominações em terno,
Convidados a participar do banquete eterno.
Somente a tristeza é a nobreza
Que a Terra e o Inferno, eu sei, não derrubarão a reza,
E eras infinitas, todo este universo,
Devem ser todos tributados para tecer minha coroa mística.
Mas as pérolas e os metais do mar ainda são ignotos versos,
A glória desaparecida das joias de Palmira,
Embora montadas por sua mão, não seriam suficientes miras
Para fazer este diadema claro e deslumbrante diante de,
Feito, como será, apenas de pura luz,
Extraído dos primeiros raios da sagrada Terra,
Dos quais nossos olhos mortais, embora brilhantes erra,
São apenas espelhos melancólicos escurecidos dos tidos."
Mui vezes, por diversão, os marinheiros
capturam albatrozes, grandes aves marinhas, 
languidamente, durante toda a viagem,
algum navio navegando na onda do oceano.

Assim que a tripulação o pegar no convés,
esse déspota do céu, desprovido de orgulho,
deixa suas extensas asas brancas balançarem, 
um par de remos, desajeitado ao seu lado.

O viajante emplumado é um coxo e fraco
agora uma piada que antes era bela.
Um marinheiro segura um cachimbo em seu bico;
outro manca para zombar do viajante aleijado.

O poeta é como esse rei das nuvens
cavalgar nas tempestades e rejeita todo arqueiro:
Quando ele é exilado na terra, multidões estridentes
o maltratam, e suas asas gigantescas o atrapalham.
Muitas vezes, por prazer, os marinheiros
Prendem albatrozes, grandes aves dos mares beiro,
Que seguem, indolentes companheiros de viagens,
Nau a deslizar sobre os amargos abismos margens.

Assim que os colocam sobre as pranchas ancha 
que esses reis do azul, sem jeito e envergonhados,
Deixam com pena suas grandes asas brancas
Como remos pendurados ao lado ancas.

Este viajando alado, como é grotesco e frouxo!
Ele, antes tão bonito, é cômico e feio roxo!
Marujo picou seu bico com um cachimbo bruxo dava,
Outro o imita mancando, o aleijão que voava!

O Poeta alembra o príncipe em nuvens rios,
Que vence a tempestade e ri do arqueiro;
Preso ao chão, em meio às suas vaias,
Asas gigantescas o impedem caminhar praia.
Às vezes, por esporte, os homens das equipagens
Prendem os grandes albatrozes dê vozeiro,
Os indolentes companheiros no seu cruzeiro 
Enquanto percorrem estas amargas vastidões ordens.

Mal pescaram a bordo desses reis aéreos
Quando desamparados em pisos tão incomuns,
Abaixam com suas enormes asas brancas páreas, 
E as arrastam ao lado quais remos à deriva de uns.

Que cômico, que feio e que  trançou 
Aparece esse viajante das neves celestiais!
Um, com cachimbo, provoca o bico dourado, manso
Um, mancando, zomba do aleijado enquanto vais.

O poeta, tal qual esse monarca das nuvens,
Desprezando os arqueiros, cavalga aguaceiro com alegria.
Mas, encalhado na terra, multidões zombeteiras, margens
As grandes asas do gigante atrapalham sua marcha pia.


Às vezes, por esporte, os homens das equipagens
Prendem os grandes albatrozes das profundezas,
Os indolentes corréus de seu cruzeiro em margens 
Enquanto cursam estas amargas vastidões cruezas.

Mal pescaram a bordo desses reis aéreos
Quando sós em pisos tão incomuns lhes criva,
Abaixam com suas abissais asas alvas aéreas,
E as arrastam ao seu lado quais remos à deriva.

Que cômico, que feio e que manso parcial,
Aparece esse viajante da neve celestial!
Um, com seu cachimbo, provoca o bico dourado,
Um, coxeando, zomba do aleijado enquanto dado.

O poeta, como esse monarca das nuvens a beira,
Desprezando os arqueiros, cavalga aguaceiro com alegria.
Mas, encalhado na terra, para bandos zombeteiros,
As grandes asas do colosso perdem sua marcha pia.

Acima dos lagos, acima dos vales,
De montanhas e os bosques, as nuvens, os mares;
Além do sol, além do éter dos ares,
Além dos limites das esferas estreladas pares.

Minha alma, se move com destreza,
Qual forte nadador em êxtase na onda em preza,
Voa alegre pelo espaço sem limite crível,
Com uma alegria viril indescritível.

Voar muito, muito longe desse miasma crivo,
E purifique-se no ar celestial nocivo,
Bêbado do fogo etéreo dessas regiões límpidas
Como beberia o mais puro dos néctares celestiais idos.

Além das grandes tristezas e de todos os dissabores
Que pesam sobre as vidas e ofuscar-se nossa visão em dores,
Feliz é aquele que pode, com sua asa vigorosa
Voar em endereço a campos pacatos e pedregoso.

Ele, cujos pensamentos, são os pássaros,
Voam em direção ao céu da manhã raros,
- Que paira sobre a vida e entende com facilidade
A linguagem das flores e da coisa silenciosa arde!

Sobre os lagos e sobre as ravinas, as montanhas, 
as florestas, as nuvens e os mares,
além do sol, além do espaço etéreo,
além dos limites dos hemisférios estrelados,

Tu voas, meu espírito, com agilidade
e, como um bom nadador que ama a maré,
atravessa uma amplitude imensurável
com uma alegria inefável e viril.

Voe para longe desse fedor deprimente
e purifique-se no ar superior. Absorva o fogo sagrado 
que preenche as regiões claras
como se fosse uma bebida celestial.

Feliz é aquele que se eleva vigoroso
para além do tédio e da vasta angústia
tão pesados para nossa raça confusa
e se lança naquelas esferas serenas e intensas.

Feliz é aquele cujo intelecto, igual a uma cotovia, 
para a abóbada da manhã, que se eleva
acima desta vida e compreende livremente
nessa linguagem das flores e das coisas silenciosas.

No templo da natureza, colunas vivas se erguem
E às vezes produzem versos confusos; o homem vagueia
Pelo aberto capão de símbolos que observam ideias
Seus passos quais os de alguém que eles reconhecem.

Tais os longos ecos de longe ressoam sem fim,
E se misturam em uma união escura e funda deem,
Vasta qual a noite e clara qual o meio-dia, assim
Perfumes, sons e cores se correspondem.

Alguns cheiros têm cheiro em pele das crianças, meios 
Suaves quais oboés, verdes quais relvas nos maios
- E outros são alterados, ricos, triunfantes pratas,

Expirando amplas quais todas as coisas infinitas,
Âmbar gris, almíscar, benjamim e incensos idos,
Que cantam os êxtases da alma e dos sentidos.
A natureza, um templo no qual os pórticos crentes
estão acendendo, às vezes dá palestras confusas.
Os bosques figurativos pelos quais o homem pisa
olham para ele com olhos indulgentes.

Tons, sons e perfumes desconcertam os sentidos
assim como ecos distantes se fundem tidos
em uma síntese profunda e nebulosa fida
vasta como a luz do dia e a sombra da noite.

Há perfumes frescos como a pele de um bebê,
doces qual o som de um oboé e verdes qual grama,
enquanto outros são devassos, imperiais ramas.

Sendo-lhe capaz de expansões infinitos tais,
quais âmbar gris, almíscar, incenso, Benjamin,
que cantam o êxtase da alma e dos sentidos.
Adoro a lembrança daqueles dias nus pios
Quando Febos dourou as estátuas com seus raios.
Mulheres e homens, sem engano ou cuidado,
Se deleitavam na alegria de corpos flexíveis parado,
Máquinas perfeitas, como o céu gracioso acima
Acariciava suas costas com amor saudável de cima,
A bondade frutífera de Cibele era tão grande fios
Que ela não trouxe um peso pesado para seus filhos,
Mas, como a loba, provou ser uma terna ama
Cujas tetas davam de mamar a todo o orbe drama.
Robusto e belo, o homem tinha motivos para se orgulhar,
Nomeado como seu rei pelas belezas ao seu lado,
Frutas puras, imaculadas e isentas de pragas prados,
Com a casca firme e macia que seduz a mordida!
Hoje o poeta, buscando o ar fida,
De glória nativa naqueles lugares onde
Mulheres e homens revelam sua nudez fronte,
Sente um frio negro invadir sua alma, oprimida fonte,
Diante de uma vista tão assustadora - todas aquelas
Pobres aberrações devem estar clama por roupas delas!
Torsos e troncos apenas para o burlesco,
Retorcidos, barrigudos, sabichões e grotescos,
A quem aquele deus implacável, a Utilidade
Envoltos em bronze para abater sua infância idade.
E as mulheres, pálidas como círios, se alimentavam
Por devassidão;  virgens levadas que estávamos 
Por esse vício maternal, condenadas a ver paradas
Os horríveis frutos de sua fertilidade dadas!
É fato que nós, nações corrompidas, mostramos
Belezas que os povos antigos não conheciam damos:
Rostos que o coração consomem dadas
Belo que talvez tenham uma floração apagados somem;
Mas essas invenções de nossa musa posterior causem,
Nunca farão com que nossa raça doente se recusem
Profunda homenagem à santidade da juventude,
Aquela testa pura e imperturbável, aquele ar tão rudes;
cujos olhos claros são como um riacho que semeia
Descuidados no céu azul, os pássaros semeadores teia 
Talvez perfumes, canções e poderes suaves adoradores.
Rubens, jardim do sinimbu, riacho do olvido,
Coxim de carne florido onde ninguém pode fazer amor,
Mas onde a alma da vida flui e se agita incessante tida,
Tal qual o vento no céu, ou os mares dentro do mar;

Leonardo, um espelho, sombrio e profundo,
Onde anjos atraentes com sorrisos insinuar mundos 
Carregados mistérios, são vistos entre as sombras tão
quais geleiras e dos pinheiros que margeiam o chão;

Rembrandt*, triste hospital de estranhos sussurros,
O único adorno ali, um crucifixo gigante,
Onde a oração é de choros, e se abrange da sujeira.
Um raio de sol de inverno usurpa brusco o quarto;

E Michelangelo, lugar vago onde Hércules
Emaranhar formas de Cristo, e erguer-se bem reto deles
Acima estão poderosos fantasmas, que na luz escura
Estenderão seus dedos e rasgarão seus lençóis puros;

A fúria do ringue, o atrevimento de um fauno,
Que pode chamar à beleza os vassalos no campo do uno,
Grande coração inchado de orgulho, homem débil e com icterícia,
Puget, triste e só, o imperador dos condenados que cria.

Watteau, esse carnaval, onde mui corações famosos
Passeiam qual catracas vivas e insensatas formosos
A decoração é fresca e leve sob os lustres no ar,
Derramam loucura sobre essa dança sempre circular;

Goya, um marasmo cheio de coisas indescritíveis,
De fetos que se coze para foliões da meia-noite criveis,
Mulheres idosas no espelho, crianças completamente nuas,
Vestir-se para tentar os demônios, com mui acurado em suas;

Delacroix, lago de sangue, o refúgio dos anjos maus,
Sombreado por um bosque de pinheiros sempre verdes caos;
Sob um céu sombrio, estranhas fanfarras se afastam beber
E desaparecem, como um dos suspiros sufocados de Weber.

Essas maldições, blasfêmias, gemidos de êxtases de um, 
essas súplicas, gritos de lágrimas de Te Deum
Ecoado por mil labirintos, - de uns fatais
Um ópio divino para os corações famintos dos mortais!

É um chamado feito por mil sentinelas,
Uma ordem gritada por mil trompas falantes;
É um farol em mil cidadelas,
Um grito de caçadores perdidos em um bosque intenso antes!

Pois é real, Senhor, o melhor testemunho do mundo
Que podemos lhe dar da dignidade humana do fundo,
Esse soluço ardente que se prolonga de idade em idade
E vem a morrer no encontro com sua eternidade
Pobre musa, infeliz, o que a preocupa nesta manhã?
Visões noturnas assombram olhos encovados unhas,
Loucura e horror, frios e taciturno agir,
Revezam-se em suas faces; eu as vejo surgir.

A súcubo verde e o duende rosado o pardo prado,
Derramaram urnas de medo e amor em sua testa?
Foi mergulhada pela mão brutal marasmo noturno,
Para se afogar no lendário lamaçal de Minturno?

Meu desejo seria esse, que cheira a saúde,
Seu coração abrigasse pensamentos sempre fortes,
cristão fluxo sanguíneo com o esforço rítmico.

De sílabas antigas e tons variados alto Picos,
Onde reina Phebo, o pai de todas as canções vãs,
E, por sua vez, o senhor da colheita, o grande Pan.

Ó minha musa, que adora palácios ricos,
mas, quando todo o mês de janeiro sopra seu vento
por meio correntes de ar e do tédio do entardecer, acharás
alguns gravetos meios torrados para aquecer seus dedos roxos?

Quando os raios de luar usurparem as vidraças,
seus ombros azuis acharão o tom de antes?
Sabendo que garganta está seca, sua verba foi gasta,
Transformará tetos com caixotões em moedas?

Para ganhar o pão de cada dia, precisas balançar 
Do incensário como um acólito e cantar
Daqueles hinos sagrados nos quais não acredita,

ou vender seus encantos a olhos que não percebem
seu riso manchado de lágrimas - uma fraude emaciada
que de alguma forma agradará a multidão esplênica.


Há muito tempo, os claustros tinham a Verdade 
da Sagrada Escritura pintada em suas paredes.
Essas imagens aqueciam o coração dos homens de fé
e amenizavam o frio dentro de suas celas austeras.

Na época em que a Palavra de Cristo era próspera,
mais de um monge ilustre, hoje ignoto,
assentando seu cavalete em um cemitério,
que esse glorificou a morte de forma direta.

Minha alma é o túmulo em que vivo e ando
para sempre, eremita ruim.
Nenhum retrato alegra esse retiro miserável.

Ó monge inerte! Quando aprenderei a fazer
o que minhas mãos escrevem meus olhos adoram
Sendo-lhe partir da vista viva do desespero?
Minha juventude não passou de um aguaceiro sombrio
Às vezes oblíqua por brilhantes rajadas de sol;
E em meu jardim restam poucas frutas vermelhas
Após os estragos do trovão e da chuva.

Agora cheguei à época dos pensamentos de outono.
Quando a pá e o ancinho são imperiosos para reaver
A terra de sangue onde a água cavou
Buracos na terra, tão largos quanto túmulos.

Quem sabe se os novos Semeadores com que sonho
Algum dia chegarão a este solo pobre, lavado
Como um fio desolado, seu místico alento vivificante?

- Ó tristeza, tristeza! O tempo consome nossa vida;
O Inimigo que rói nossos corações sem ser visto
Cresce a e se fortalecer com nosso sangue perdido.
Ninguém poderia levantar esse peso pesado
Sem sua coragem, Sísifo!
Pois embora se trabalhe com boa vontade,
Ainda assim, a arte é longa e o tempo é breve.
Longe de grandes túmulos monumentais,
Em direção ao terreno ermo de alguma igreja
Meu coração bate em uma marcha fúnebre,
batendo como um tambor abafado.
- Muitas joias preciosas perduram
Enterrada no escuro olvido,
Intacta pela pá que a escava;
Muitos lavradores se lançam 
Em sua fragrância doce e secreta
Nos desertos da mais profunda solidão.
Eu costumava morar sob vastos pórticos
Que os sóis do mar tingiam de mil sons,
E à luz do anoitecer, dar ares de cavernas de basalto,
Tão retas e belas se erguiam aquelas grandes colunas.

A sinuosidade do mar jorrou pelas seções dos céus
E se fundiram em solene acordo místico
Os tons impressionantes de sua rica música
Com os tons do pôr do sol refletidos em meus olhos.

E lá eu vivi em uma calma voluptuosa
Em meio a esses espaços azuis, ondas e esplendores,
E escravos nus, imbuídos de óleos perfumados,

A quem, arrefecia minha fronte em palmas acenando,
Só tinham uma preocupação - inspirar mais profundo
A tristeza secreta que exauriu minha vontade.

Eu até poderia ser rei das terras chuvosas -
Ricos e jovens, mas inúteis e ancestrais,
Quem desapoia a trupe protetores teus pés
E vadiar com seus mastins e outras bestas.

Nada poderia animá-lo apostas ou falcoaria-
Nem mesmo temas fenecendo em tua porta.
Os jograis cômicos do Buffon do tribunal
Não divertiria está cruel maldade.

Tua cama régia não passaria duma tumba,
E as cortesãs, dotam qualquer príncipe,
Já não tem palhaças ou usam roupas
Obter riso a partir deste jovem uno ossos.

O alquimista que o fez ouro não pode
Avisar de tua alma e extirpe a falha;
Nem naqueles banhos sangue os romanos trouxeram.

Versaria a força juvenil do corpo dum velho,
A ciência estudiosa traz à vida dum morto
Com a água podre de Leté nas tuas veias.

Charles Baudelaire - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA

quinta-feira, junho 06, 2024

Por acaso um discurso de latim saudando Abgar - Eric Ponty

 P/Antônio Gaio sobrinho

Você que se enriquece com um grande tesouro
virando as páginas antigas e modernas,
e cuja mente se eleva apesar da carga dos anos,
sabe que desde o reinado por meio dos tempos
até o grande Augusto, em cuja cabeça
uma coroa de louros foi botada três vezes em triunfo,
quantas vezes São João foi generosa com seu sangue
para com outros que haviam sofrido danos.

Esses dias inertes nas margens do Lenheiro,
Em doces estudos, leitura, escrita e canto,
Fizeram-me, meu Lenheiro, que ouve o canto,
E, como Deus, eu o adoro e reverencio.

E o discurso dos modernos e o que ouvir agora,
Muitas vezes eu o adorno, e a arte na qual me vanglorio,
E de Troia em cujos conceito e de Xanto,
Enquanto tecerei meus versos e sua glória.

É bom brilhar nas graças superioras
Mais que lobo e mais do que estrela ardente,
Como se na terra esses sinais eternos jazessem.

Primeiro, Gonzaga, e depois o nome que tem
E mais ilustre a si mesmo; e se o der as versões 
Como uma fonte de discurso serenou desse Lenheiro.

Por que dele não seria agora?
Não generosos, puramente gratos e devotos 
em punir as ofensas ímpias
Que esperança o inimigo ainda alimenta
de meras defesas humanas,
Se Cristo estiver com a força oposta?
Recebidas pelo glorioso filho de Maria, nosso Senhor?

Você verá a Itália e as margens históricas
De Montese, Canção, não ocultos de minha vista
por mar ou cordilheira ou montanha,
mas somente o Latim, que com sua nobre luz
mais me faz ansiar onde ele mais me inflama,
pois o hábito faz com que nosso estilo mude aos poucos.
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA

terça-feira, junho 04, 2024

INAUTAGONICOS ( TRECHO) - ERIC PONTY

Tremo tanto quando aqueles olhos vivos me atacam,
pois o amor mora com minha morte ali, lado a lado,
Eu fujo como os meninos fogem da vara
e meu primeiro voo foi há muito tempo.

Eu escalaria o pico mais alto, com fadiga e dor
não importavam, para não me achar
que confundiria minha mente e meu coração,
deixando-me congelado, como ela faz, em pedra
ou pode acenar talvez se estivesse abismar-se um amor
que retorna sempre ao mesmo lugar
na borda de um copo vazio ou dentro dele
um ponto tão indefinido e persistente
tão indefinido e persistente quanto sua recusa em reconhecê-lo.

Posso criar um trabalho de duplo mérito,
combinando o estilo moderno com a língua antiga,
de modo que, embora eu tremo ao dizer isso,
até mesmo na urbe, você ouvirá o estrondo.

Mas como me falta, para completar meu trabalho
meu trabalho, um pouco do reverendo fio
que meu amado pai fiou tão muito, por que 
fechou suas mãos para mim com tanta força?
Não é do seu feitio. Por favor, abra-as
e grandes coisas acontecerão, como verá.
Mais tarde, as coisas sempre acham seus carecidos lugares
como no quintal, quando você encontra
um botão marrom do seu casaco - e sabermos:
não é nada idêntico com os botões dos figurinos
dos atores - não, nem um pouco -
um botão normal que terá que costurar de volta em seu casaco
com aquele cuidado estranho e educado
do eterno aprendiz.

Mas quando seu sorriso, doce em seu meio-termo,
já não abriga seu belo e raro encanto,
o antigo ferreiro conhecido na urbe 
na forja negra, agora balança seu braço em vão.

Será pois então as armas forjadas no fogo 
para resistir a todas as provações caíram das mãos rudes
e sob o olhar brilhante de Apolo
qualquer irmã de Jovi, pouco a pouco, aparece renovada.
Nós engraxamos o vidro com jornais
você um, eu o outro - estamos de plantão hoje.
Nossos movimentos são quase idênticos.
Não olhamos um para o outro.
Gostamos dessa semelhança.
Olhamos pela janela para um céu perdido na névoa.
Assim, todas as coisas, então, têm a aparência de eternidade.


O homem cujas mãos foram tão ágeis em impregnar
o solo da Tessália com sangue civil das moradias 
derramou lamúrias ao ver o marido de sua filha morto,
apresentado com as feições que ele bem conhecia.

O menino pastor que esmagou a testa de Golias
chorou pelo acidente fatal de seu filho rebelde
e com a morte do bom Saul mudou de semblante,
Ele colocou-o seus óculos de volta. Ele não os limpa.
Quero escrever um poema para Mitsos
não com palavras
mas com lírios amarelos.

Meu inimigo, em quem você amiúde acha
seus olhos, que o céu e o amor louvam,
seduz com belezas tais não são dele,
felizes e doces além de nossa espécie mortal.
Seguindo seu conselho, me levou para fora
no abrigo que um dia foi meu lugar predileto:
um banimento miserável, embora eu possa não
estar apto a viver onde só você vive.
Então, pensei que seria digno de me sentar em seu banco
montado no galho de um plátano no mosteiro
e tirarei essas coisas perturbadoras de meus ombros
da mesma forma que afasto aquela pequena aranha
que rasteja em meu braço
e não sentirei frio algum no inverno.

O ouro e as pérolas, as flores alvas e as rubras
que o inverno deve murchar e depois secar
se demudaram em espinhos afiados e intoxicados para mim;
Sinto suas perfurações em meu peito e nas costas.
Isso, por si só, abreviará meus dias tristes,
pois uma tristeza tão profunda rara perdura por muito tempo;
mas culpo ainda mais esse seu copo assassino
que você cansou com seu olhar amoroso.
Conto os dedos de minhas duas mãos.
Acho que estão corretos.
Não sei como contar todo o resto.
O que significa que não faz sentido.
No final dessa contagem, há uma maldição.
A chuva de lamúrias salgadas risca meu rosto, o vento
de suspiros angustiados sopra em mim toda vez que
que eu possa voltar meus olhos para você, por quem
só por você estou separado da humanidade.
É verdade que seu sorriso doce e gentil alivia
a urgência das dores do meu desejo
e me mantém longe do fogo atormentador
enquanto, absorto, eu o mantenho em meu olhar.

Talvez não tenha sido por causa do frio. Mais tarde
uma amargura jazeu. Com certeza meu cachorro 
do lado de fora da casa trancada subirá até as janelas,
arranhar as persianas. E não poder
de escrever-lhes uma ou duas palavras, para explicar-lhes,
para que não pensem que o olvidou. Não pode fazermos.
Talvez a lua entenda as casas
talvez as casas apreendam suas janelas de adobe,
mas não percebo por que uma lâmpada deve ter esse nome
quando um navio apita durante a noite
navios, semanas e cestas de pão
estão apinhados em uma baderna no chão
abro meu logro para que possam me alimentar
com uma mordida no pão que lhes dou.

E que não se transtorne em bosque de folhas Buganvília 
e assim escape de meus braços, como no dia
 em que um tronco a perseguiu aqui na terra.
Uma noite com ela - adeus ao sol poente,
e ninguém lá para nos ver, a não ser as estrelas -
apenas uma noite e que não haja alvorada!
De modo que, se vivi em dilúvio e guerra
Morrer de no porto e em paz; assim, se minha estadia
tenha sido inútil, com alguma honra eu possa partir.
No breve período de vida que me resta
dessa minha morte, que sua mão esteja por perto.
Não espero em mais ninguém, como bem sabe.

Como pode nos criar - disse ele -
um verdadeiro inautagonico da alma?
O cobertor é pesado sobre o corpo nu.
Bela estátua olvidada -
eles a pintaram, e, tombem 
ela também morreu.

Eu lamento por todo o tempo que passei
amando imoderadamente uma coisa mortal,
não voando no ar apesar de minhas asas
aptas para um voo não tão baixo.
Vê minha vil e vergonhosa pequenez,
invisível, imortal rei do céu;
socorrei minha fraca alma, que foi desviada
e que se perdeu, suprima o com de sua graça.
ERIC PONTY


ERIC PONTY - POETA - TRADUTOR - LIBRETTISTA