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segunda-feira, dezembro 05, 2022

NOTURNO PARA ISSABELLA - ERIC PONTY

Ó MINHA ISSA TÃO BELLA
SÃO OS OLHOS TEUS AS DELAS
SÃO AÍS NOTURNOS ESSES SEUS,
CHEIO DE DEUS FUNDO AO MUNDO
SÃO MUSAS QUE MANSAS PASSAS
BRILHANDO QUAIS URGES AOS LONGES
FAZENDO ÁGUA DO CAIS QUE APELA
POIS VÃO LONGE DOS TEUS...BELLA!

Ó VIDA, ISSA TÃO BELLA,
QUE SÃO OLHOS TEUS BELLA,
SERÁ VÊNUS CONCEBEU TEUS,
DE TÃO CHEIOS DE MISTÉRIOS,
QUE LENHEIRO VIRA RIO...

DOS NEGROS OLHOS TEUS AO DEUS,
DE QUANTAS DORES FEITAS
DE QUANTAS FLORES ACEITAS
QUANDOS ADÁGIOS TOCADOS
LONGE DOS TEUS TÃO ATADOS...

MINHA VIDA SEM ISSA TÃO BELLA,
SÃO OS OLHOS NEGROS TEUS ROSTOS
SE ADEUS HOUVERA PARA TI MEUS,
FIZERAM QUE FOSSEM OS TEUS BELLA,
POIS ELE NÃO FIZERA OLHAR MEUS EUS
QUEM NÃO HÁ DE SABER OHOS ADEUS!

AH, MINHA VIDA, ISSA TÃO BELLA,
QUE DOS OLHARES DE DEUSA
FIZERAM DOS OLHARES QUE TU USAS
DE VEREM UM DIA NOS TEUS
DE OLHAR PERDIDO DOS MEUS
TÃO DISTANTES DOS OLHOS TEUS.

ERIC PONTY

UMA BOSSA PARA UMA RUIVA - ERIC PONTY

P/Myriem Roussel

ESTE OLHAR TEU OLHOS
QUANDO ACHAM O CÉU
DIZ MAIS DE MIM COISAS
NÃO POSSO CRER DEMAIS!

É JEITO TÃO DOCE ILUSÃO
AO PENSAR-TE QUE EM VÃO
SE GOSTARES ASSIM EU
COMO EU NO OLHAR TEU!

É MAIS QUE FASCINAÇÃO
QUANDO ME FUI NA RAZÃO
QUEM TE PINTOU
EM FORMA DE CORAÇÃO!

QUANDO ME DESFIZ EM TI
RÓI O CORAÇÃO QUE FALOU
EM SONHÁ-LA DEMAIS!

AH! SE TU PUDESSES CRER
O QUE QUERO DIZER-LHE EM TI...

ERIC PONTY

NATUREZA VISTA POR UM ÉBRIO - ERIC PONTY


COM SUA MAIS FANTÁSTICA TINTA
ESPALHA-SE A COR DA RUA EM FIOS CRISTAIS
SOBRE O BRANCO DA PÊLE SAGRADA
DO APATICO DÂNDI DESSAS TRINCHAS.

O PINTOR COM A FACE DA RUA
SE ADMIRA COM SUA FACE DE MIRA:
DE QUE SERÁ PINTADA ESSA MÁSCARA DE IRA?

A SE RECOLHER NO AZUL E O VERDE ACIDENTAL
E SE PINTAR TAL QUAL FACE DA RUA
COM SUA MAIS FANTÁSTICA TINTA.

ERIC PONTY

BOSSA DO ADORMECIDO - ERIC PONTY


VÊ QUE COISA MAIS BELA,
MAIS CHEIA DE DANÇA,
SENDO A MUSA TRANÇA,
QUE CHEGA E DANÇA,
NUM DOCE ACALANTO,
PAISAGEM AO DANÇAR.

MUSA DA FORMA ESTAMPADA,
AO LUAR QUE QUE ME DELINHAS,
A SUA DANÇA
É MAIS
É DUMA COISA MUITO BELA
QUE POR MIM VEM TRAFEGAR!

AH, POR QUE ESTOU TÃO ENTREGUE,
AH, POR QUE TUDO FAZ PARTE DO LUAR,
DA FORMA ESTAMPADA NÃO É MINHA
QUE TAMBÉM PASSA NUM VULTO SOZINHA...

AH, SE A MUSA PERCEBER-SE,
QUE QUANDO ELA SE MEXE A LUA
QUE DESSAS CORES AS ENVOLVEM
BEBENDO DOS MATIZES DA RUA
TUDO PERMANCE MAIS SÓ
POR CAUSA DO SEU DANÇAR...

ERIC PONTY

A TINTA QUE MEU OLHAR SORVE - ERIC PONTY



A TINTA QUE MEU OLHAR SORVE
FAZ TUA FRONTE VERTER EM ONDAS
QUE NUM BARCO ÉBRIO SOLVEM
DAS MUDAS FALAS DOS QUADROS.

SONHOS PERDIDOS SE ESCONDEM
NAS PÁTINAS DA PINTA QUE ESCORREM.
QUE TINTA QUE MEU OLHAR SORVE
NA TINTA VERTE EM LONGAS VERTIGENS.

O PINTOR, NO SILENTE ABSORTO
BEBE DA TINTA SANTAMENTE O QUE PINTA.
O OLHAR É SEU ATÉ QUE DELE CAÍA
QUE AO OLHAR PARA LINHA TÃO PERTO
DA TINTA QUE OLHAR NO TEU SORVE.

ERIC PONTY

IMENSIDÃO DA MINHA ILUSÃO - ERIC PONTY


NÃO, NÃO PODES MAIS MINHA VISÃO,
VERSAR ASSIM DESCONSOLADO
ENRAIZADO HÁ UMA IMENSIDÃO
QUE SÓ ME DÁ ILUSÃO.

NÃO, NÃO VEJA A VIDA SEMPRE EM MIM
SENDO UMA RUA DESEMPARADA
SE DERRAMAR NOSTALGIA EM MIM
ESSA DOR EM MIM...

AH, TOSCA ILUSÃO, SAI DO SEU JEITO
RADIANTE NA IMENSIDÃO
RETRATA DENTRO DO MEU CORAÇÃO.

ERIC PONTY

sábado, dezembro 03, 2022

Os pés que toco na sombra, as mãos na luz - Pablo Neruda - Trad. Eric Ponty - Poema Inédito



1
Os pés que toco na sombra, as mãos na luz,
Sou guiado no meu voo pelos vossos olhos lacrimejantes,
com os beijos que aprendi da tua boca,
incendiaram meus lábios para conhecer o fogo.
Pernas herdadas da aveia absoluta
Qual prolongaram a batalha,
Coração da pradaria
Quando ponho os meus ouvidos nos vossos seios,
espalhar a sua sílaba araucana.

2

Nunca só, contigo
pela terra,
atravessando  fogo.
Nunca só.
Contigo por os bosques
reconhecendo
a flecha
entumecida
da aurora,
O terno musgo
da primavera.
Contigo
em minha batalha,
não há que eu escolhi
senão
a única,
Contigo pelas ruas
e na areia, contigo
o amor, o cansancio,
o pão, o vinho,
a pobreza e o sol duma moneda,
as feridas, a pena,
a alegría.
Toda a luz, a sombra,
as estrelas,
todo o trigo cortado,
as corolas
do girasol gigante, dobrados
por seu próprio caudal, o voo
do corvo-marinho, pregado
ao céu
como cruz marinha,
todo
o espaço, o outono, as clavílias,
nunca só, contigo.
Nunca só, contigo, terra
Contigo o mar, a vida,
quanto sou, quando dou e quando canto,
esta matéria
amor, a terra,
o mo ar,
o pão, a vida. 

3

Onde foi o que fez
Oh meu amor
quando através dessa porta
não foi que entrou mas a sombra,
o dia,
que foi gasto, tudo
o que não és,
Fui procurar-te
em todos os cantos,
me parecía
que estava no relógio, que talvez
escondeu no espelho,
que dobrou o seu riso maluco
e lá
deixaste
para soltá-lo
por detrás de um cinzeiro,
não estavas, nem teu riso,
nem teu pelo
nem tuas pisadas rápidas
que correm

3

Pablo Neruda - Trad. Eric Ponty

Os poemas inéditos de Pablo Neruda publicados nesta obra escapou às primeiras revisões dos originais do poeta e só apareceu durante a exaustiva só apareceram durante a catalogação exaustiva de todos os documentos existentes. Encontrados em várias caixas, foram escritas em cadernos e papéis soltos, na parte de trás de um programa musical e no menu de um navio milhares de quilómetros no ar, num avião com destino ao Rio de Janeiro.

Vinte e um poemas de amor e outros temas, de extraordinária qualidade, não incluídos nas obras publicadas, que não estavam incluídas nas obras publicadas e que agora veem ver a luz do dia. Uma extraordinária oportunidade de deleitar-se com versos nunca antes lidos por Pablo Neruda, um dos maiores poetas nunca antes lido por Pablo Neruda, um dos maiores poetas de todos os tempos.

Estes poemas representam a maior descoberta da literatura hispânica nos últimos anos, um grande evento literário de importância universal. A enorme relevância deste trabalho inédito reside no fato de que os poemas pertencem a um período que vai desde o início da década de 1950 até pouco antes da sua morte em 1973.  São, portanto, posteriores ao Canto general (1950) e foram escritas no Pablo maduro no período de maturidade de Pablo Neruda. A presente edição, anotado por Darío Oses, inclui um prefácio de Pere Gimferrer e a reprodução fac-símile de vários dos poemas encontrados nesta edição. Edição fora de circulação, apenas e-book pirata. 

quinta-feira, dezembro 01, 2022

SONETTOS A MULHER SANJOANENSE - ERIC PONTY

O teu aroma de amada – tua passagem,
Floresceu, azul... são de odores sentidos!
Retrato das alvas ergue mordidas,
Esvaindo ao longo das margens idas...

Olhando-as, vou indo efígies fenecidas,
Torno eu aspirá-lo antes cá, e, ali,
Exausto tão certo sinto-te aberto,
Feito que numa foram ser quisera.

O parto tão pouca flor almeja-lhe,
Que tanto quisera apartar só um dia,
Venha cá tão próxima esteja aqui...

Primavera esteja longo das preces,
No teu aroma apartou presas folhagens,
És primavera avanças já esvaneces!


II

Num instante de alegria, fez acalanto,
Sussurrante e alvo como uma pluma,
E dos silentes lábios fez-se espuma,
No silêncio que sepultado espanto.

Num instante de toda paz ao vento,
Que se apagou nos olhos fez- se drama,
E da exaustão fez-se pressentimento,
E do instante solene fez-se o cântico.

Num instante não se ouviu deste instante,
Fez-se pranto que se fez acalanto,
Do estar só um movimento da nascente.

E do instante impotente o quão distante,
Fez-se música errante num momento,
Desaparecida amante pulsante.


III

Com a mão num momento esteja livre,
Sequiosa de escrever eterna face,
E a nuvem longínqua arfar no crepúsculo,
Ao comprazer na face cá descrita.

Mas ao tocá-la e lhe perceber grácil,
De que anuncia, e traçada forma frágil,
Do tempo, de instante toma-lhe face,
Sendo ali lhe põe anunciar-se ela passe.

Se no princípio não se percebeu fada,
Mas ao cantar depois ela resguarda,
Um par confuso e inspiração momento.

A cada aparição vem réstia dele,
Sendo expulso da confraria desse amor,
É momento também cantar tão repente.

ERIC PONTY

SAO JOAO DEL-REI - ERIC PONTY

Ô serras minhas, vejo-a através muros e os arcos,
E das colunas e os simulacros e das hermas,
Torres de nossos abalos,
Porém na glória te vejo,
Não vejo o laurel e o ouro de que estava repleta,
Nossos pais velhos. Agora fecha inerme,
Nua na frente do nu do peito de Minas,
Ai de mim! Quantas feridas,
Que a lividez há no sangue! Ô qual te vejo,
Formosíssima senhora! Eu pergunto ao céu,
E ao mundo cabe decidir;
Quem te reduziu a tal? E a vez pior,
Que das cadeias têm carregado nos braços;
A tal desagrado há chegado de desordena cabeleira assim
Vejo sentada na terra, abatida, desconsolada,
Ocultando o passado,
Entre sinos chora.
Chora, que farta razão tens, meu São João,
Para ganhar essas gentes cá nascidas
Em boa fortuna ou má.
Se foram teus olhares de fontes vivas.
Nunca poderia em canto
Igualar-te a teu dano e ao teu opróbrio,
Que fosse senhora, agora surge escrava.
Quem te canta ou te escreve,
Que recordando teu esplendor,
Não diga: Foi-te o grande o tempo, agora não sois aquela?
Por quê Por quê? Onde foi tua força velha,
Aonde as armas, e o valor das suas continências?
Quem te destinou à forca?
Quem te traiu? Sendo a arte da fatiga,
Que grande poder
Pode despojar-te do manto e da áurea cinta?
Como caíste e quanto
De tanta altura se fez um baixo lugar?
Nada luta mais por ti? Não te defende
Nenhum dos teus? As armas, aqui estão armas: Eu só
Combaterei, sucumbirei eu só.
Dá-me o céu, que sejas logo,
Nos Lenheiros peitos ao sangue meu.

Onde estão teus filhos? Ouço barulho de armas,
De carros, vozes, e de fanfarra:
Em estrangeiras terras
Combateram teus filhos.
Escuta-me São João, escuta-me. Eu revejo, ou só imagino,
Num flutuar de crianças e de sinos,
O incenso e o pó no fulgurar das igrejas
Como no Ofício de Trevas.
Não te consolas? E os temerosos olhares
Não te atreveste a volver ao duvidoso evento?
Por quem luta aqueles campos 
A juventude de São João? Os inúmeros, os inúmeros:
Lutaram entre outras terras dos Italianos.
Ô desgraçado daqueles que na guerra morrem,
Não por nossas causas, mas por piedosa
Esposa e dos filhos caros,
Senão por inimigos dos outros
E por outras gentes, já não posso dizer por que morreram:
Prezada terra, minha,
Minha vida que tive de devolvê-la!

Ó felizes e prezados, e benditos,
Das velhas cidades em que se morrem,
Por essas serras corriam as gentes da comunidade,
E vós sendo das outras preclaras e gloriosas,
Sendo que desaplicas gargantas,
Em que no Porto e nos Rios das Mortes mui menos fortes
Fizeram em poucas almas francas e generosas!
Já creio que nas plantas e nas rocas do doiro,
Com indistintas vozes
Ou quando daquelas orelhas,
Cobriram os invictos bandarras,
De corpos que de vossa Graça eram devotos.
Então vil ouro
Reluziam entre essas serras e Lenheiros,
Retorno ao escarnio de vossos descendentes;
Sendo que na colina do Lenheiro, cá morrendo,
Se subtrai a sorte na sagrada legião,
São Francisco se alcançava
Olhando o céu, a colina e a terra.

Sendo que de lágrimas banhadas das pálpebras,
Do peito alheio e de vacilante pé,
Tombavam em suas mãos e lira:
Ditosos sendo vós,
Que ofertais ao peito a inimiga quimera
Por amor da que Deus lhe fez em luz,
Vós, há quem o Lenheiro adora e ao mundo admira.
Sendo-lhe as armas e o perigo
Que há no amor os carregou num destino certo?
Como lhes são gratos esses filhos,
A hora extrema lhes pareceu, que sorridentes,
Correis ao transe doloroso e duro?

Parecia que a dança e não há sorte marchar-te,
Cada um de vós, sendo do esplêndido banquete:
Tanto que vos esperava o oculto
Tártaro e onda fenecida;
Não estavam vossas esposas e filhos de vossos lados
Quando se fez áspera orelha
Sem beijo pereceis e sem canto.

Ó primeiro dia, silêncio memorável,
Quando nossos olhares se viram na prima vez,
Nos fizeram silenciar e temer nossa voz
Porque sentimos no agora o inexorável,
De nosso coração todo esse peso adorável,
Do amor menino que vai nascendo, ó doce peso,
Nascer conosco que tocamos em nossos dedos.

Te recordas por acaso? Contudo, não me recordo,
Faz falta alma minha, que me acorde?
O que nunca hei deixado de ser, ó minha,
Sendo que precise que desande que andado,
E, contudo, quereis que cante o meu beijo,
Senão frutos, dons, olhares, braços,
Que não havendo sempre alma que resguarde!

POETA, CRÍTICO, TRADUTOR IVO BARROSO E POETA ERIC PONTY

terça-feira, novembro 29, 2022

Pompas e solenidades - Á Karine com labor 2013 - Éric Ponty - ùltima Postagem

 A realidade, verdade são mais cruas que a poesia

Os ruídos nuvens exalaram pompas,
passam mensagem, surdinas das trompas, 
do rosto longo céu que aposte logros! 
pasce, do sempre mármore do agro! 

Após ser do apenar, fulgidas Tebas, 
protege avantesma crê catacumbas,
Audácia pura fim soprando bruma 
do inaudível do véu mausoléu duma.

Discreta frente céu pastorear! 
Mitra apreciar a luz de que repousa, 
ópera casta eterna ecoa-se à lousa. 

Ó templo anima abunda despejar! 
Acedem douros climas que Karine, 
friezas das minas, quisto que nos finde.

Este livro escrito em homenagem à Karine possui 50 poemas escritos em 2013 e inédito. No eleito desconhecido aceita minha mão?


sexta-feira, novembro 25, 2022

AS MADEIXAS DO LENHEIRO NOS VELOS DE KARINE II - ERIC PONTY

 

Tivemos atos meigos e o aspecto vago,
Já quebrou a geada de que o coração, 
Desdenhava armado contra seu olhar,
E os vestígios de antigos ardores magos.

Eu sabia que dentro do peito alterado;
E de nutrir mal deleitar-se olhar,
com o doce engodo de um suave de erro:
O amor lisonjeador tão tenso ardor.

Que tinha nos seus encantadores olhos,
Quando eis que um novo canto atinge amor,
E expirou no seu fogo, e mais ardor.

Tornou das chamas plácidas e calmas;
Pois, nunca vi faces tão comoventes,
à medida que o fogo crescia e as faíscas.

ERIC PONTY


quinta-feira, novembro 24, 2022

OS ANJOS - RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

Todos têm boca cansada e almas luminosas,
E ilimitáveis; E um anseio 
(Quão se fosse pelo pecado) 
Tremem às vezes pelo meio de seus sonhos.
Todos se assemelham um ao outro, 
No jardim de Deus são silenciosos 
Como muitos, muitos intervalos em 
Sua poderosa melodia.
Mas quando espalham suas asas 
Eles despertam os ventos que se agitam 
Como se Deus com suas mãos mestras 
de grande alcance 
Vira-se as páginas do livro escuro do começo.
RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

terça-feira, novembro 22, 2022

SONETTOS A ORFEU - 1- RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY


Surgiu uma árvore. Ó transcendência pura!
Orfeu canta! Ó árvore alta dentro da orelha!
E tudo ficou em paz. No entanto, nesse silêncio,
Pulsada nova génese, nova sintonia, nova variação. 

Criaturas de quietude atraídas pela claridade,
Floresta desenredada, de ninho e covil;
E não foi astuto, não foi atento ou assustador,
que põem tanta suavidade no seu passo,

Mas ouvindo. Berrar, gritar e rugir,
Pareciam pequenos dos seus corações. E onde uma vez,
Mal havia uma cabana para acolher isto,

Um refúgio oculto feito de saudade mais escura,
Sendo com uma entrada cujo braço tremeu,
Construiu templos para eles na sua audição!

 RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY

AMARELLO AMOR


Hoje dorme a pétala morena, hoje a branca;
Nem acenei o cipreste no passeio do palácio;
Também não pisca a barbatana de ouro na pia:
O vagalume desperta: acorda comigo.
Agora, o pavão branco de leite baba qual fantasma,
E, quão um fantasma, ela vislumbra-me.
Agora jaz toda a Karine às estrelas,
E todo o teu coração se me abre.
Passa agora o meteoro silencioso, e sai
Um sulco luminoso, teus pensamentos em mim.
Agora dobra o lírio toda a sua doçura,
E escorrega para o seio do lago:
Então dobra-te, minha querida, tu e escorrega,
Para o meu seio e perder-se em mim.
Eric Ponty


domingo, novembro 20, 2022

CHRISTOPHER MARLOWE - SONNETS ON ENGLISH DRAMATIC POETS - ALGERNON CHARLES SWINBURNE - TRAD. Eric Ponty

Coroar, cingir, vestir, calçar com luz e flama,
Primogênito da manhã, fado reinante!
Alma mais adjunta nossa, e, estava mais longe,
Sendo a mais abissal neste tempo, a tua lira.

Pendurado mais alto acima da alvorada,
Todos vós cantastes juntos, todos os que são,
E todas canções estrelas atrás teu carro,
Que todas nossas almas te aclamam Senhor,

Se todas canetas que os poetas possuíram,
Haviam nutrido a emoção desse Teu Mestre,
Mui com tua urgência de lançarem carruagens.

Voo todos teus espíritos foste impacto,
Para um grande fim, tua glória – Não então,
Ainda não podeis ser tão louvado tua glória!



ALGERNON CHARLES SWINBURNE - TRAD. ERIC PONTY

sábado, novembro 19, 2022

AS MADEIXAS DO LENHEIRO NOS VELOS DE KARINE - ERIC PONTY

 


Fortuna venças se estiver sob peso,
De tantos cuidados, enfim, caírem;
Ganharem, do meu descanso e bem,
Troféu profano está pender no templo.

Ela, me fizeste mil altos impérios,
Tão vis e iguais às arenas mais baixas,
Meu mal cá vanglorias em minhas mágoas,
Contas, me chamais por tua ira ofendida.

Portanto, natureza, e, estilo mudam:
Serás mudo meus risos em prantos?
Presságios esperais meu eterno mal?

Choras, alma triste; e tua amargura,
chorando uma tenebrosa revolta,
Exílio sejais então do nosso inferno.

II

Já completou o grande planeta eterno,
Que eu ao tormento afligido pelo escárnio,
Do suspiro cruel da Fortuna errar,
Sendo indigno és do que pretende ar.

Ao meu redor ou em outros, eu percebo:
Belo é bem, se olhares vós, peito interior;
Mas quê? Prêmios só vergonhas, martírio,
Belo é que, visto no mundo, exemplo:

Por honra: Estátua ambos são escultores,
E vivem respirar uma e outra imago,
Belo ídolo não prestes atenção,

Vero desejo; mas vós, ai de mim!
Fé e o coração que são altares, templos,
Em meio tais tormentas e dilúvios!

III

Ó Alma real, por gracioso véu,
Trilhar sol brilharem meio cristal,
E olhares, rosto adornados de luz,
Donde tão brilhante é do quarto céu.

Tu, quem se ligas com amor zelo casto,
De pérola em ouro, ao glorioso dueto,
Rezes pra que ele me esboce onde há sol,
D´ocioso escuro nos quais só tormento:

Abarbar de tristeza e desconfiança,
Lenheiro sofrer, serra quebrar choros,
Não temeste à morte, mas longo estrago.

Cárcere aberto e meus lábios cantares,
Templo feito que em prantos digo, amares,
Dissolvereis dos votos deste templo.

ERIC PONTY

domingo, novembro 13, 2022

Oración publicada en latín por la Santidad del Papa Urbano Octavo - TRAD. SOR JUANA - TRAD. Eric Ponty

 Para P.H.D Rodrigo Petronio


Ante teus olhos benditos,
as culpas manifestamos,
E as feridas mostramos,
Fizeram nossos delitos.

Se no mal permanecemos,
Vem a ser considerados,
Menor é ser tolerado.
Se no mal temos ficados,
Maior é a consideração;

Consciência nos condena,
Não fazendo dela desculpa,
Porque culpa merece respeito,
Sendo muito leviana a pena.

Do pecado seja duro azar,
sentimos, que padecemos;
E nunca emendar queremos,
Neste costume de pecar,

Quando nas suas pestanas soar,
Do sangue dessa natureza,
Rimos então dá nossa fraqueza,
Pois maldade não se altera.

Tenhas das humanas gentes,
Que sois convicta na confissão,
Que se não dás perdão,
Da qual acabarás justamente.

Lhes concedei humilde rogo,
Sem mérito, a quem criaste,
Tu que de nada formaste,
Para quem rogará logo.
TRAD. ERIC PONTY



LINES WRITTEN IN AN ALBUM, AT MALTA. - LORD BYRON - TRAD. ERIC PONTY

 

1

Tal como a pedra sepulcral fria lido,
Algum nome prende transeunte em nós;
Assim, quando vês esta página sós,
Que o meu atraia o teu olhar distraído! 

2
E quando por ti lido esse nome,
Acaso em algum ano de sucesso,
Refletir sobre mim qual sobre os mortos,
Pensem que meu Coração está cá fincado.

Malta, September 14, 1809. [First published, Childe Harold, 1812 (4to).

LORD BYRON - TRAD. ERIC PONTY


EM BUSCA DA MINHA MUSA - ERIC PONTY

 

ERIC PONTY

sábado, novembro 12, 2022

SONETTO - PARADISO - A. E. HOUSMAN - TRAD. ERIC PONTY

 


Quando Adão caminhou no jovem Éden,
Sendo feliz, escreveu, estava ele,
Enquanto alto fruto da noção pendeu,
Sendo então, despedaçado na árvore.

Feliz foi o dia em que ele viveu entre frutos,
Duvidando que esteja escrito errado:
Coração do homem, pelo que dizem,
Nunca foi feliz, que, por muito tempo.

Cá meus pés estão fartos descanso,
E aqui eles não ficarão sobre o prado,
E das febres da alma no meu peito.

São as dores para estar longe do Éden,
É navegar durante o verão Oeste,
Reinos são dores Paradiso conosco!


A. E. HOUSMAN – TRAD. ERIC PONTY