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sábado, dezembro 03, 2022

Os pés que toco na sombra, as mãos na luz - Pablo Neruda - Trad. Eric Ponty - Poema Inédito



1
Os pés que toco na sombra, as mãos na luz,
Sou guiado no meu voo pelos vossos olhos lacrimejantes,
com os beijos que aprendi da tua boca,
incendiaram meus lábios para conhecer o fogo.
Pernas herdadas da aveia absoluta
Qual prolongaram a batalha,
Coração da pradaria
Quando ponho os meus ouvidos nos vossos seios,
espalhar a sua sílaba araucana.

2

Nunca só, contigo
pela terra,
atravessando  fogo.
Nunca só.
Contigo por os bosques
reconhecendo
a flecha
entumecida
da aurora,
O terno musgo
da primavera.
Contigo
em minha batalha,
não há que eu escolhi
senão
a única,
Contigo pelas ruas
e na areia, contigo
o amor, o cansancio,
o pão, o vinho,
a pobreza e o sol duma moneda,
as feridas, a pena,
a alegría.
Toda a luz, a sombra,
as estrelas,
todo o trigo cortado,
as corolas
do girasol gigante, dobrados
por seu próprio caudal, o voo
do corvo-marinho, pregado
ao céu
como cruz marinha,
todo
o espaço, o outono, as clavílias,
nunca só, contigo.
Nunca só, contigo, terra
Contigo o mar, a vida,
quanto sou, quando dou e quando canto,
esta matéria
amor, a terra,
o mo ar,
o pão, a vida. 

3

Onde foi o que fez
Oh meu amor
quando através dessa porta
não foi que entrou mas a sombra,
o dia,
que foi gasto, tudo
o que não és,
Fui procurar-te
em todos os cantos,
me parecía
que estava no relógio, que talvez
escondeu no espelho,
que dobrou o seu riso maluco
e lá
deixaste
para soltá-lo
por detrás de um cinzeiro,
não estavas, nem teu riso,
nem teu pelo
nem tuas pisadas rápidas
que correm

3

Pablo Neruda - Trad. Eric Ponty

Os poemas inéditos de Pablo Neruda publicados nesta obra escapou às primeiras revisões dos originais do poeta e só apareceu durante a exaustiva só apareceram durante a catalogação exaustiva de todos os documentos existentes. Encontrados em várias caixas, foram escritas em cadernos e papéis soltos, na parte de trás de um programa musical e no menu de um navio milhares de quilómetros no ar, num avião com destino ao Rio de Janeiro.

Vinte e um poemas de amor e outros temas, de extraordinária qualidade, não incluídos nas obras publicadas, que não estavam incluídas nas obras publicadas e que agora veem ver a luz do dia. Uma extraordinária oportunidade de deleitar-se com versos nunca antes lidos por Pablo Neruda, um dos maiores poetas nunca antes lido por Pablo Neruda, um dos maiores poetas de todos os tempos.

Estes poemas representam a maior descoberta da literatura hispânica nos últimos anos, um grande evento literário de importância universal. A enorme relevância deste trabalho inédito reside no fato de que os poemas pertencem a um período que vai desde o início da década de 1950 até pouco antes da sua morte em 1973.  São, portanto, posteriores ao Canto general (1950) e foram escritas no Pablo maduro no período de maturidade de Pablo Neruda. A presente edição, anotado por Darío Oses, inclui um prefácio de Pere Gimferrer e a reprodução fac-símile de vários dos poemas encontrados nesta edição. Edição fora de circulação, apenas e-book pirata. 

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