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quinta-feira, dezembro 01, 2022

SONETTOS A MULHER SANJOANENSE - ERIC PONTY

O teu aroma de amada – tua passagem,
Floresceu, azul... são de odores sentidos!
Retrato das alvas ergue mordidas,
Esvaindo ao longo das margens idas...

Olhando-as, vou indo efígies fenecidas,
Torno eu aspirá-lo antes cá, e, ali,
Exausto tão certo sinto-te aberto,
Feito que numa foram ser quisera.

O parto tão pouca flor almeja-lhe,
Que tanto quisera apartar só um dia,
Venha cá tão próxima esteja aqui...

Primavera esteja longo das preces,
No teu aroma apartou presas folhagens,
És primavera avanças já esvaneces!


II

Num instante de alegria, fez acalanto,
Sussurrante e alvo como uma pluma,
E dos silentes lábios fez-se espuma,
No silêncio que sepultado espanto.

Num instante de toda paz ao vento,
Que se apagou nos olhos fez- se drama,
E da exaustão fez-se pressentimento,
E do instante solene fez-se o cântico.

Num instante não se ouviu deste instante,
Fez-se pranto que se fez acalanto,
Do estar só um movimento da nascente.

E do instante impotente o quão distante,
Fez-se música errante num momento,
Desaparecida amante pulsante.


III

Com a mão num momento esteja livre,
Sequiosa de escrever eterna face,
E a nuvem longínqua arfar no crepúsculo,
Ao comprazer na face cá descrita.

Mas ao tocá-la e lhe perceber grácil,
De que anuncia, e traçada forma frágil,
Do tempo, de instante toma-lhe face,
Sendo ali lhe põe anunciar-se ela passe.

Se no princípio não se percebeu fada,
Mas ao cantar depois ela resguarda,
Um par confuso e inspiração momento.

A cada aparição vem réstia dele,
Sendo expulso da confraria desse amor,
É momento também cantar tão repente.

ERIC PONTY

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