Fortuna venças se estiver sob peso,
De tantos cuidados, enfim, caírem;
Ganharem, do meu descanso e bem,
Troféu profano está pender no templo.
Ela, me fizeste mil altos impérios,
Tão vis e iguais às arenas mais baixas,
Meu mal cá vanglorias em minhas mágoas,
Contas, me chamais por tua ira ofendida.
Portanto, natureza, e, estilo mudam:
Serás mudo meus risos em prantos?
Presságios esperais meu eterno mal?
Choras, alma triste; e tua amargura,
chorando uma tenebrosa revolta,
Exílio sejais então do nosso inferno.
II
Já completou o grande planeta eterno,
Que eu ao tormento afligido pelo escárnio,
Do suspiro cruel da Fortuna errar,
Sendo indigno és do que pretende ar.
Ao meu redor ou em outros, eu percebo:
Belo é bem, se olhares vós, peito interior;
Mas quê? Prêmios só vergonhas, martírio,
Belo é que, visto no mundo, exemplo:
Por honra: Estátua ambos são escultores,
E vivem respirar uma e outra imago,
Belo ídolo não prestes atenção,
Vero desejo; mas vós, ai de mim!
Fé e o coração que são altares, templos,
Em meio tais tormentas e dilúvios!
III
Ó Alma real, por gracioso véu,
Trilhar sol brilharem meio cristal,
E olhares, rosto adornados de luz,
Donde tão brilhante é do quarto céu.
Tu, quem se ligas com amor zelo casto,
De pérola em ouro, ao glorioso dueto,
Rezes pra que ele me esboce onde há sol,
D´ocioso escuro nos quais só tormento:
Abarbar de tristeza e desconfiança,
Lenheiro sofrer, serra quebrar choros,
Não temeste à morte, mas longo estrago.
Cárcere aberto e meus lábios cantares,
Templo feito que em prantos digo, amares,
Dissolvereis dos votos deste templo.
ERIC PONTY


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