sexta-feira, setembro 15, 2017

Correspondência da Musa - Eric Ponty



À Carine
Tua estirpe é nave, onde vibram vivas ondas
Às vezes sussurrar da oração ambígua;
Homem nada dentro mar de tua insígnia,
Cada um meditar tal estilo soar lhe fundo.

São ecos extensos, sombrios, profundos, tais mundos
Ouvir te remota, mistura na ascensão,
Vastos de tua noite, limpidez luz teu sol,
Assim, olores, cores, sons podem te soar.

Olores frescos tais sândalos duma criança,
Outros devassos, ricos, triunfantes, recheados,
Suaves tais oboés, verdes tais verve prado.

Tendo tuas grandezas imensamente vastas,
Cantam assomo acepções perecem tua alma,
De incensos, almíscar, âmbar, teu Benjamin.
Eric Ponty

Ô Musa Mãe do zelo - Eric Ponty

À Carine
Ô Musa Mãe do zelo vós despertais lembranças,
Nessa augusta missão—tão plena de poesia;
Quando embalais a tez tímida poeta qual crianças,
Eu penso ver te eterna nos braços de quem cria!

Vós amais quais anjos dons! De amor simplicidade
Tendes uma ave em flor nos seios virtuosos;
— Nos poetas refletis a vossa felicidade,
Como em límpido engenho os corpos dadivosos.

Vós sois a inspiração primeira dos poetas,
Vindo a cerrar mais tarde os olhos dos videntes?...
Vós sois o pensamento extremo desses crentes.

Ô Musa! Desse meu peito vós me trazeis tuas danças...
Encheis-me de saudades!... Eu amo-vos por isto,
Quando embalais, cantando, aos seios tuas tranças.
Eric Ponty
 

quinta-feira, setembro 14, 2017

Eu sou dor silvestre - Eric Ponty



À Carine
Eu respiro no espaço em que respiras ;
Tu sabes, meu amor, ah não, não esvais ;
Porque ficar aqui, se cruz me deixas?
Porque viver aqui, se tu te fartas?

De que serve viver, sendo-lhe a sombra
Desse anjo, que de nós fugiu nos cria?
Que serve viver, num céu fez tristonho
Sendo-se a noite insalubre sombria?

Eu sou dor silvestre, que te recebe
Do mês de Abril o alento dessa essência,
Mas, se foges de mim, nada mais resta.

Ver-te, pérolas « meu único ensejo;
Tudo me leva, querida, em tua ausência.
Se queres que eu aqui descenda adejo.

Eric Ponty