Escultor não dera à primeva hera
I
Abrindo das nuvens dos plenos vapores,
fechado nos flancos – deserto de cores,
passeiam-se no teto afetiva razão;
São muitas suas aves, forçosos desvãos,
Tangíveis na terra, quais plenas das partes
retesam dos planos da imensa imensões.
São aves, extensas, intensas de fúria,
Meigas excitam, refazem finórias,
leigas aprendem à luz do esplendor:
dolosas empinam, domínio contentes!
Doido langor que toa no pico das crentes,
Pendão de rodízios, marmor do condor!
As sebes sozinhas, sem laços, com trilho,
As aves se alçando, abraçando-as ao frio.
Do intenso respiram de aragens das marcas:
Salsugem das serras das tíbias descendem,
Vultosas memórias inglórias lá fendem,
Ao puro herdeiro doído que jaz.
Domar pascer sebe desdobra-se dolente,
Doído conjuga a morada envolvente
Doloso penhora, das nuvens gentis:
Os tenros montados domáveis afora
Das margens inglórias, que atestam embora,
Dolência contorno da pomba feliz.
Destoa? – ninguém dobra: seu timbre distante
À margem enfim: – de um pouso adiante
Pretende por perto – repouso cinzel.
Estátua da inércia pressente do plano
Estática grita do surdo anteplano
nas curvas honestas do dobre gentil.
Atrasos da terra pariu do escrutínio
Nos chãos das estátuas de brusco domínio
Retesam do pleno, que obteve em lição;
Domínios das sebes do céu de esplendor,
Ciosas pertencem no plano do ardor,
Dos domos terrestres finórias função.
Acercam-se a pedra de casto marmóreo,
Dorido da forja passagem arbóreo
Ornada do nada com cenas tão grátis:
O justo, das sagas do crivo da serpente
transita marmor, reflui a sebe pressente,
Dormência dos dobres do bronze matriz.
Enquanto das estátuas com Letes vingança,
Inertes contritas da cândida das danças,
Do chão puro tecem furtivas no altar:
As pombas lhe cortam, os dorsos que atingem,
Marmóreas das dívicias curvas ramagem,
Divina da fonte tão límpido ar.
Medusa das lápides marmo pendores,
Cercado de pedras — cobertos de dores,
volteiam-se com fardos altiva ilusão;
São muitos seus charmes, nos ânimos fortes,
Temíveis na terra, que em densos dos cortes
Espantam nos corvos a imensa fusão.
São rudes, olhares, cobertos de fúria,
com pródigos mordem, já canta finória,
Já meigos se fundem à voz do pastor:
São todas tão tíbias, certeiras serpentes!
Sua marca lá toa na boca dos crentes,
junção de prodígios, de fúria e terror!
Nas pedras sozinhas, silentes, sem brio,
Os dentes quebrando, lançando sombrio,
Incenso aspiraram das liras que traz
pastores das terras que os fortes precedem,
vultosos tributos tão parvos se rendem,
O fardo certeiro suspeito que jaz.
No centro o jardim se estende canteiro,
adorna se aduna o conspícuo carneiro,
Do limbo penhora, dos lodos mais vis:
Os corpos inertes praticam na aurora,
E os jovens inquietos, que a pétrea penhora,
Derramam-se em mudos dum coro infeliz.
Também — ninguém diz: do pavor é ignoto,
Seu pétreo não fala: — do corpo revolto
Precinte por pedra — da sina tão frágil;
Assim lá na terra do extrato mundano
formavam distinto do vil mais humano
As formas perfeitas mais nobre de ardil.
Acaso da terra padeceu parceiro,
Nos vãos dos carneiros: — no extenso pinheiro
Assola-se é certo, que o teve em missão;
Convida dos ventres os vermes roedores,
Silentes se incumbem do acaso das flores,
Estátua de apreços da honrosa junção.
Conservam cabelos do brio das serpentes,
Entesa-se a pétrea beleza dos crentes,
Adorna-se o ventre com cenas gentis:
A louca, entre os vagos olhares da beira,
nutrir-se memória, do pétreo matiz.
Pássaros alentos dos Carmos senhores,
peleja das torres — dobrados pendores,
desdobram-se sinos mendigos da missão;
São muitos seus dobres, batidas dão fortes,
Tangíveis na serra, que aterram aportes
declaram-se as pombas à imensa ilusão.
São bronzes de rústicos pertos de glória,
badalos que dobram, encantam aforia,
Já mágoas se rendem à luz do castor:
São brônzeos sibilinos, parceiros batentes!
Sua carga já coa nas falas dos contentes,
função dos murmúrios, finória e negror!
Nos dobres caminhos, solventes, sem trilho,
Badalo anulando, traçando no atilho,
Intenso aspiraram das sortes que traz
louvores das serras que os nortes concebem,
passivo murmuro dobrar desprendem,
Batida ao badalo do peito detrás.
Poente da terra se esplende morteiro,
contorna que aduna o longínquo agueiro,
Do sino sonora, dos lados mais cris;
O látego adestra batida canora
E as pontas ferrenhas, contornam melhora,
perfazem-se em dobro da seiva joliz.
Aterra que a serra feneceu primeiro,
Razão das serpentes: — pretenso aceiro
consulta-se excerto, conteve em visão;
aragens das nuvens das torres condores,
Silêncio se incumbe do atraso de ardores,
Das serpes cabeça da honrosa Medusa.
Portanto as mulheres com leda vingança,
Afeitas ao rito da cândida fiança,
Os homens já querem cativa acabar:
As pomas lhes podam, os ventres lhe atingem,
Candentes estrupos nas púbis lhe cingem,
Sombreia-lhe a mente senil agitar.
Finada? — ninguém quer candor marnoto,
Sua frágua condiz: — dum harmônico moto
Ferrugem por perto — dum dobre tão grácil;
Também lá na serra do estrato traz dano
serranos instintos do grito germano
dos dobres confeitos do forte mandil.
Conservam cabelos de pedra subúrbio,
Perseu dos agíeis da leveza conúbios ,
Adorna-se os pés com aparos tão gráceis :
do elmo, entre os peitos de serpes pervígeis,
nutrir-se terrestres, que passam lentes,
Levando a cabeça medusa serpentes.
Na fonte das águas de acenos das dores,
Trazidos das margens – abertos de cores,
Passeiam-se nos tetos de cativa visão;
São alvas suas aves, titânios das sortes,
Tão cálida terra, que imensas com hortes
planando nas plantas a crença expansão.
Revoltas, inteiras, com mentes de fúria,
Sedentas empinam, já voam história,
Já leigas aprendem à luz do marmor:
São aves cadentes, matilhas pendentes!
Suas asas já toam alvas sebes das gentes,
Serão de portentos, de injúria e clamor!
As aves sozinhas, sem traços, sem rios,
As asas quebradas, perdendo-as ao cio.
Do imenso conspiram das pedras carcás
Silentes das terras que as fontes desprendem,
Terrestres limpados das pedras já pendem,
Aos puros nas minguas suspeitos que jaz.
No centro da tábua pretende abutreiro
Onde hora desdobra o silente morteiro
Do sino já que hora, das torres anis:
As aves plantadas praticam na aurora,
E o gesto imprecisos, restando-se agora,
Depenam-se entorno da fonte ardidez.
Silentes – enfim pasce a sebe nonato,
Que treva condiz: – de um voo semoto
Desprende por perto – dum voo senil;
Portanto no pétreo se criva no plano
formatos instintos da paz de sulano
Os laços perfeitos do dobre do ardil.
Acasos da terra também agoireiro.
Nos chãos dos terrestres: – parada aguaceiro
Sustenta do teto, reteve adesão;
Revidam-se as margens aguados açores,
Ciosas se incumbem do plano das flores,
Dos cântaros prestos da honora junção.
Acercam-se a chuva na casta nogueira,
Entesa-se na horta da embira faceira,
Contornam com folhas de verdes cantis:
tão justo, entre as asas do voo candeia
trespassa a madeira, que a selva ideia,
charmoso das asas de páreo petiz.
Entrando os alvores com lida da lança,
refeitas ao pétreo da cândida trança,
As aves já cantam cativas dobrar:
A como elas partem, os voos lhe atingem,
Sustentam aragens no plano da margem,
Saltitam a fonte de límpido par.
II
Transita, pouco e pouco, se conserva,
Estátuas pétreas sós nas praças de erva,
Pasciam marmor, estáticos troféus,
Da sina, e nela olham irmãos plebeus.
Permaneciam também na amada terra,
Conservação que traz primores serra,
E, já depois escondeu toda à sombra,
Não temos mais, enfim que alfombra.
Assim vimos abrindo no céu pombas,
Na flutuação pascendo no ar tumbas,
Bárbaras ilhas vendo novo altares.
Gesto frondoso de algum ser gessoso,
De montanhosa verve serve ao osso,
Da terra que creu de Érebo traz pares.
III
O plácido céu,
candido do anel
desterro do reú,
alguma não abriu
pouco se desterra
seara sã da serra,
de outra mais suspeita,
amada da terra,
que enfim se encerra
montes e lugares
mágoas lá partiram
marmor esplendor
flor fresca da serra,
das novas trilhas sendo
dos novos revendo
estátua que ardia
gestual de tão fria.
IV
Já transita da estátua pouco e pouco de Orfeu,
Estranhos gestos são que ficam no museu,
Ficava quadro, serra eleva dos domínios,
Do fardo, dela olhar alongavam dos bolônios.
Permanência também, torso curioso da aura,
A pulsação crivada dos gestos da aurora,
E, já depois, que efígie deu se descobriu,
Não que jamais enfim, vergonha assim cobriu.
Assim vimos abrindo aquele braço causa,
Tanto temor que amor possui à parca náusea,
Novas linhas trazendo do dorso lugares.
A luz que instaura à mão esquerda, que à direita,
Não dá certeza ao tempo evapora ao delir,
Já vista pouco dera através sombra algures.
V
Estática sombra das tumbas ardores,
Marmóreos de vincos – desertos pavores,
Alheiam-se das plenas cativa emoção;
São rudes seus brilhos, fulgidos nortes,
Tangíveis na perna, que mais densas mortes
Sustentam das sombras de imersa expansão.
São surdos, austeros, pudendos de fúria,
Já néscios expendem, luzentes história,
Já marotos aprendem à luz do vetor:
De tudo romeiros, avelória demente!
Seu crivo já toa nos sinos das mentes,
redobram rodízios, do mister da dor!
As torres sozinhas, sem dobres, sem pobres,
Campainhas quebradas, silentes dos cobres.
Do intenso almejaram dos hinos funérios:
Zelosos das serras que os vermes pressentem,
Mistérios conjuntos bradavam compensem,
Dos puros morrentes suspeitos de arcaz.
Adentro da sombra se esplende da tábua,
Conter do que hora se apluma da rua
Delir do confisco, das nuvens rivais:
Casaco alvejado destina-se aurora,
E o naco socava, que o resto de embora,
Na tábua do entorno da calpa beliz.
No susto, dentre as mágoas crivam de efígies,
horrendo o corpóreo, marmor vera-efígies
Garboso das tumbas de otário perdiz.
tombando as campainhas com seda pujança,
desfeitos ao mito da cândida aliança,
Servil delir pende de altivo planar:
O corpo lhe picam, o dorso retinem,
Sonante compor pétrea sólida à margem,
Que sombras desprendem clamor de ninar.
Acasos que aterra fizeram cordeiro
Nos chãos dos marmóreos: – marmor certeiro
Assopra-lhe o teto, detém em fusão;
Chamadas dos corvos dos céus dos clamores,
Curiosos sucumbem do atraso das flores,
São sérios, funestos, frondosa missão.
Empenham-se a treva do casto crepúsculo,
Rezando-se a corda da expende do opúsculo,
Contornam-se à sombra de plenos de anil.
Também – ninguém dobra: descobre dobrado,
Sua calpa condiz: – de terrestre ser prado
Desprende no centro – dum poço arazel;
Portanto já escava na calpa de agave
Humano de extinto vibrar de tom grave
Correntes perfeitas no dobre donzel.
VI
Manhã, ó paz ampla! Reveste o meu gosto
Intenso de velas de cenas proclama;
E pascem já poucos dizendo da trama
São cenas perderam no lume desgosto!
Manhã, ó paz centra! O gozo reveste:
Instante pasceu de gozosos da aliança!
São pássaros destros andaram crianças
Suas penas que pairam à margem mudança.
Estátua impiedosa tão pétrea que avista
as nuvens que a praia murmura na crista,
Que voam sem mátrio, que pascem sem hino
Faz doutro descendo, velozes, sem bentos.
E os sinos que dobram se bisam os brios
Ressaltam, são planos; descendem-se lentos:
Por que lhes despiram tão castas alianças,
Se os pétreos dos seios, ressoam, tão castos?
Manhã, ó paz baba! Escorre o seu gozo
Imensas das telas de cenas tão gráceis ;
E pascem suas aves proclamam à dança
Das alvas de doídas sedas magoadas.
Suas aves descendem, tomadas na terra,
Calor da manhã das flamas que revi!
A sorte pousava nas chamas das águas,
No lume que aterra, no flanco devi!
E hoje em que acenas se estende do frio
Das vezes avista descer e deixar...
Restaram bem poucos dos poucos que pousam
Dos brios, fenecem, os ossos moldar.
Suas aves descendem pousavam labor,
Suas aves recheavam as margens luar,
As águas murmuram de estreitas searas.
Das pedras partindo-se espaços do mar
Já hoje não dançam nas águas gozosas
A ave faceira, do âmbito vi...
A sorte dançava nas chamas frondosas,
No lume da dança, no parco devi!
O pássaro desce na treva teria,
A que nos padece da morta missão;
E as aves que ainda vagando nas terras,
procuram um ninho de avaro perdão!
Manhã, ó paz ampla! Reveste o seu gozo:
Sustenta bastante com doce da dança!
Os préstimos, lágrimas tristes remoço,
Suas aves que pousam na grande da herança.
Reveste o seu gozo, murmurem cativos,
Que eu vi cambaleando no alvor da manhã;
Pressentem das aves, padecem descidas
são amplas; e singra, amanhece amanhã.
VII
Manhã, que se insurge, na pradaria agueiro
Quis Zeus que se emposse, conjunto sua rés,
A luz sempre diva no rol do aceiro
Plantada nos traços fraternos das grês!
Estátua orgulhosa, no pétreo do instante,
Num jeito marmor que perfaz a brandir!
Em puro formato endeusa-se o amante,
Trazer-se do instante clamaram adir.
Estática pedra no centro escarpado
Prazer tão zelosa, de inerte zelar;
O tempo passado o crivou dominado,
Sonora, que tange, não há desdobrar!
Enlaces nos seios trazidos charmosos,
Mais ampla que as margens, da rés postergar,
Sua curva se esplende mister dos gozosos,
Olhar tão domável transcende luar!
Das ancas luzentes de círculo ídos
Emergem intensos: só Zeus podará
Recente dançá-lo nas margens perdidas,
Arcados ao teso, que dorso que está.
E o véu, e as estradas e os prados das gentes
Das crenças, das chamas, são divos senões,
E cândido surgir dão mágoas nas mentes,
E a calpa que envolve, marmor dos vulcões.
Enlaças amores que as dores se calam,
Deixam-na clâmide de um manto em labor
Estáticas pedras, dos lutos, que enlevam,
Dos bentos beiram, calor em louvor.
E já desta entranha, cercado doído
Transpõe do diamante, – luzir recordar!
Traçados os laços do oceano reunido,
A fonte das margens são rés do luar!
Voltaram-se as serpes na face da terra,
serpentes alastram deserto tão azul;
Mas inda Medusa, que morre na serra,
Se alcança ao intenso crepúsculo sul.
Nas puras crispadas as serpes caladas
Findadas a golpes de ignoto cinzel,
Desmancha, Perseu, que aterra os fardos,
Que dessas geladas de garra arazel.
Também se algum fio contorna inconstante
Pender-nos a presa e da lábia abalar,
trovejam-te às serpes, ó puro diamante,
Imunda estas terras, desfoca este lar!
Éric Ponty