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terça-feira, outubro 20, 2026

TRÊS LIEDS À MEMÓRIA DE NUNO JÚDICE - ERIC PONTY

 P/ MARCOS LUCHESI

Somente terrível príncipe do piano,
Somente piano reconhecia,
Nosso pianista o Salvador das almas,
De irreprimível cultura espumava.

Poderes infernais de que dispunha,
Das paixões, dos desejos, dos errares,
Para cantar sem trégua contra a lua,
De senda de alva da sabedoria.

Podes fundar os que escreve a si mesmos,
Do pecado desse egoísmo que há no fundo,
Ora pelas palavras lisonjeiras.

Relataram desse noturno combate,
Vê sempre refletida a própria foz,
Deves te concentrar em ser o que és…

II

Dos dez anjos do azul se aproximaram,
Vindos da fronte deles Atavada,
Do pecado desse egoísmo que há no mundo,
Deixa que os outros andem nessas turras.

Se fala responder-lhe: Tu somente
Podes fundar os dizem de si mesmos,
Falarei aqui o que os antanho livros,
Ver sempre refletida a própria face.

Pela dúvida ou pela zombaria,
Tramou desviar o espírito da Lua,
Para lutar sem trégua contra a voz.

Se somente há Lua reconhecia,
Por gemidos de amor ou de luxúria,
Ou pelo terror, ou pela da cultura.

III

Se com poesia e com ritos ludibria,
Melhores que encontramos sobre a terra,
Mulheres que encontramos sobre a farra,
Acariciavam o seu corpo imóvel.

Durma gentil coorte de figuras,
Mais inebriantes do que forma a terra,
Refrões de amor ressoavam lhe aos ouvidos,
Prova os meus lábios, provam a minha boca.

Quanto mais valia a cultura do palácio,
Retorna para mim, sir Nuno Júdice,
Que a lida tem, se olvidar de viver.

Eu não posso haver tão longe de ti,
De tão abrasado louvor de saudade,
Das tempestades turras ribombando.

   ERIC PONTY

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