Doutora Te Amo em Branco na Janela
Esses versos, Doutora, que tinha,
que ao teu deleite consagro,
e só os têm dos bons agrados
te conheceres que são maus,
Nem os desculpar quero
nem quero recomendá-los,
Porque isso fora está querer
fazer deles muito pouco caso.
Não ao agradecido te busco:
pois não deves, bem olhados,
estimar o que eu nunca serão,
julguei que foram as tuas mãos.
Em tua liberdade te ponho,
Se quereis censurá-los assim;
Pois de que, ao fim, te estás
Neles, estou muito ao fim,
Não há coisa mais livre que
A compreensão humana;
Pois o que Deus não violenta,
Por que ei lhes de violentá-los?
De quanto os quiseres deles,
que, quando mais inumano
me os mordêreis, contudo
se quer às mais obrigado,
Pois lhes deves a mim Musa
ao mais sazonado pranto,
que és o murmurar, segundo
Um pensamento cortesão.
E sempre que te sirvo, pois
Ao te agrado, ou não te agrado:
Se te agrado, te divertis; vários
murmuras, se não te cenários.
Bem pudera eu ia dizer-te
por desculpa, que não eis dado
Lugar para corrigir-vos
Com pressa destes escritos;
Que vão de diversas letras,
matam de sorte o sentido,
que és cadáver do vocábulo;
E que, quando os hei feito,
Há sido em certo espaço
que feriram ao ócio às
precauções de meu estado.
Se tenho pouca saúde
E se contínuos embaraços ,
tais, que há dizendo isto,
Que levo a pluma trotando.
Porém tudo isso não serve,
Pois pensarás que me louvo
de que serão que forem bons
ao fazer-vos feito despacho;
E não quero que tal creias,
Se não só que és ao dar-nos
Ao teu rubor, tão só por
Obedecer-lhe a um mandato.
Isto és, si gostas acredita-lo,
Se sobre isso não me mato,
Pois ao fim farás o quê
se te puseres no lixo.
E adeus, isto não és mais dês
Dar-te a mostra do pano:
Se não te agrada a peça,
não desenvolvas esses versos.
II
Aos vossos olhos se ofereceis
Esses versos, por ficares
ilustrada de tanto sol,
digno de tanta deidade.
Diverti-los só um instante
És quando aspirar poderás,
que fora mui empreender
atravessá-lo a ocupar-vos.
Se eu ousar para servir-vos
És de certas temeridades,
defendido em seu escopo
se consagrar ao vosso olhar.
Reverente as vossas santas,
solicitam, em seus disfarces,
Não dareis que os discorrer,
Sim só o que lhes explicar.
Tão feliz será lido por seus,
Olhos, que, ufano, dilatará
De instantes de atenção
aos séculos de vanidade.
Fazer-se imortal busca,
Qual favor tão celestial
se mede na estimação
aos preços da eternidade.
Todo quanto até em si
por lidos por si os dá,
porque não és ferro na fé
oferecer, senão duvidar-me.
Dê atenção com que se expõe
Não espera que agradeçais;
que, em Vosso culto, ao crer
impeça-vos por não esperar.
Tão resignado vosso respeito
aos vossos olhares irão,
que a primeira oblação
És não ter mais desejo.
Da ousadia de atrever-se
Não lhes pretende desculpar,
Que aos buscá-los, tua razão
Se elevou sua indignidade.
Um descuido vosso pede,
por que, sendo os versos tais,
não prendeste à atenção
Com ferros da ociosidade.
Muito quer, pois não ignora
que, pela natureza da piedade,
mais apurado deve ao céu
Ao desleixo que se fez afã.
Mas nem esquecer nem atenções
Poderão estes versos lograr,
porque és daqueles indignos
E sóis deles feitos incapazes.
Com tuas deidades os crer;
Porém, ao ver vossa beldade,
Como falar mais que crer,
Se te escusa do ignorar.
Tanto infere que, crendo
mais do que é possível já,
Qual te cantar Doutora, os tinha.
III
Quando canto faz surgir o mês de outubro
Eu te descubro uma graça bem maior rubra
Que me regressou na época e ser menino
E ao tom do sino ver a vida feminino.
Ver gente em procissão tomando as ruas
Espalhando que és Lírio outra vez cruas,
Que és Rainha do Lenheiro vem chegando
Vem trafegar pelas ruas São João andando.
Cordas dum violão avançam o corpo cansa
Só pra colo descansar, Só colo descansar
É meu olhar soluçando ao ver o teu olhar
Pequenina e menina segues colher
Rosas e Flores que tua gente quer te dar!
Ó Virgem Maria, tua gente a cantar
Dona de Nazaré! Dona do Pilar!
Ó Virgem Maria, tua gente a cantar
Dona de Nazaré! Dona do Pilar!
Tu és Rainha o manto as flores das Dores,
Reinante no pão humano tão mulher
Tão majestade de Deus nos guardar
Nossa gente, nosso sangue nesse altar;
Tu és Rainha o manto as flores das Dores,
Posteridade que acolheu ser mulher
O segredo encarnado jazes revelando
Por isso hoje é Lírio outra vez andando.
Quando canto faz surgir o mês de outubro
Eu te descubro uma graça bem maior rubra
Que me regressou na época e ser menino
E ao tom do sino ver a vida feminino.
IV
Regado em luz, Regado em luz, ver cruz,
Ao tempo já surgiu, O tempo já ardeu,
Já retornou nos braços da manhã
eterno amor arruma o tempo se deu.
Derramar véu as cores da aliança,
No pão que és da minha dor feita flor.
E ao seu redor Deus acerca de Verbo,
Cede o colo pra me abrigar mulher,
E me guia quando eu não sei seguir.
Abro as portas do meu coração ter,
Descer o manto da vida sobre o ser,
Ouvir tua voz sem rodeios me indaga
Na chama íntima só eu posso ouvir:
Será estou valer pena ser quem eu fui?
Viver a trama que escolhi pra ser o meu?
Louvar quem amo, buscar o que busco?
Andar no rumo que escolheu meu coração.
Regado em luz, Regado em luz, ver cruz,
O tempo já surgiu, O tempo já ardeu,
Já retornou nos braços da manhã
eterno amor arruma o tempo se deu.
V
Ver fonte na procissão tomando as ruas
Espalhando que és Círio outra vez cruas,
Que és Rainha Aparecida vem chegando
Vem viajar pelas ruas chega já passando.
Cordas d´alma avançam teu corpo cansa
Só pra solo se banhar, Só solo se banhar,
É meu olhar soluçando ao ver o teu olhar
Pequenina és a Rainha segues poder
Orações e Flores tua gente quer doar!
Tu és Rainha das santas as flores das Dores,
Reinante no chão humano tão mulher
Tão majestade de Jesus nos guardar
Nossa gente, nosso prado nesse altar;
Ver fonte na procissão tomando as ruas
Espalhando que és Círio outra vez cruas,
Que és Rainha Aparecida vem chegando
Vem viajar pelas ruas chega já passando.
VI
Minhas mãos se chegam, minha voz te gaba,
Meu ser regozija quando estou em tua presença
Ó Senhor.
É teu este instante de aclamação,
Não trago nem palavras me expressar.
No fulgor dessa luz que vem do teu olhar,
Acho-me no teu abrigo, de teu regar.
Quando estarmos juntos entre nós estás,
Calhando em nosso meio a nos abençoar.
E voltar com ternura com a tua mão
A cada um que acende o coração.
Minhas mãos se chegam, minha voz te gaba,
Meu ser regozija quando estou em tua presença
Ó Senhor.
VII
Senhora Jovem Rosa, és minha chama,
Morena, clama, esgalga, penumbra,
Se és rosa colhida feita orvalho,
Justo é momento tornar-se sombra.
Ah, porque não deixas graça flora,
Se tu fazes versos, na misteriosa,
Fragrância do ventre, feito de nada,
Coisa tão sutil, que perfaz tua rosa.
Mas (Senhora Luz) por que deixá-la em haste,
Agora ela é rosa comprometida,
Deves na tua lida o que buscaste.
E tão dolorosamente varrida,
Ela é Rosa, cume... assim na clama...
Se vês bem ramagem... Ela é vida...
VIII
Aquilo não posso,
Não é bem quero,
Querer repousou
Do já não espero.
Se quero pousou,
Pelo que já voou,
Vim saber onde,
Sei pra onde estou.
Senhor, sou terra,
Então sou um louco,
Amante, pai, dera.
Lida, que me fere...
Suor, fura tudo,
Vida que vai...
IX
Olhem as margaridas,
Jardins telepáticas,
Olhem as margaridas,
Tão Belas inexatas
Olhem as margaridas,
Sem face alterada,
Olhem as margaridas,
Não sejam feridas
Olhem as margaridas,
Pela rosa parida,
Olhem as margaridas,
Não é exata,
Olhem as margaridas,
Pela rosa surgida,
Olhem as margaridas,
Olhem as margaridas,
Pela rosa da vida,
Olhem as margaridas,
Pela rosa da lida,
Olhem as margaridas,
Pela rosa da ida
Olhem as margaridas,
Pela rosa ramagem,
Olhem as margaridas,
Sem que saia
Olhem as margaridas,
Pela Rosa Margarida.
X
Tantas vezes calaste,
Que quero desesperar,
Pranto tanto, estou em riste,
Que já desaprendi clamar.
Ó louvada, não partas,
Não me apartas de mim,
Que só ida não tem fim,
Não há nada consorte,
Essência Deus olhos teus,
Diz que é minha maldade,
Tudo agora podes matar-me,
Longe da Rosa, tua,
Adeus.
Eric Ponty
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
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