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sábado, outubro 24, 2026

RITO DE PASSAGEM OU EXAUSTÃO DO POSSÍVEL - ERIC PONTY

 PARA ANTÔNIO TORRES

I
Pomposo dia desses calham nas sombras, 
desses cintilam, nas tumbas dos jazigos, 
dessa angústia longo céu fundiu os logos! 
O lar, desse sempre mármore do lar! 

Após que do penar, quais dessas tumbas, 
protegeu do espectro vivos desafrontas! 
da coragem duro fim que se acostuma 
do pequenino véu mausoléu apruma.

A silente fronte céu apascentar! 
Sobre admirar-se à luz quando recusa 
da ópera de vasta eterna dessa lousa, 

Ó templo anima dormido suspirar! 
Assente douro, missas que desta erva, 
calmas das Minas, quisto nos reserva.
II
Soberbo desse véu pascido do mundo,
grande do pouso! Do céu ascende chama, 
do meu solene! Casa a pascer calma, 
soberbo doura mil igrejas, Minas! 

Estação da morada, aspira luto, 
se qual duma pena aprumo que costumo, 
tudo resguarda olhar vazio do culto,
qual desse Altíssimo entre ser assuma. 

Da cintilação alastrar-se tão serena,
do pobre desdém de se ouve tão amena, 
desse tão fundido bronze ulterior cena. 

É feito encanto altera estratosfera,
do qual fera a boca sino do fastio. 
E deu som vero brônzeo desse fundo.
III
Da alma conduz-se empíreo desse sopro, 
das rumorosas dores do murmúrio
vazio do véu vagar-se à terra altera, 
após do bardo esguelho do entranhável.

Repudia do que intenso passo ao espaço, 
das solenes já das casas sombras passo,
da réstia total cabal ilusão,
tragando grácil ser consumição,

Dos cedros de expostas folhas do fastio,
reprimir das pujanças dos indícios, 
quais dessas cruzes clamam por piedade! 

Renda se dedica clima da pureza: 
De que se aspira!...Cruz junto à rudeza, 
suposto ombrear da triste da igualdade!
IV
Ô para ser, de ser si mesmo toado,
nasce declive, do imo desse próximo, 
desse que via que invade do mais todo, 
de que oferto eco minha voz fraterna.

Sombra de azeda, tez dessa quimera, 
que atear-me da calma do soturno! 
Sombra da falsa imagem da ramagem, 
Esplendor dessa fronte da linguagem.

São meus ateados visos estimados,
quais das visões que perdem fins ruidosos 
Da Minas de terra pascem destes ósseos? 

Fagulha jaz trespassa ausentados. 
réstia soberba plena do folguedo, 
estilhar do terrestre à voz saciado. 
V
Eva me deu domínios destes cedros, 
mesclada pedras, marmo sombrios mundos, 
fardo de maçãs trêmulas das árvores; 
jazem tangendo escura luz sepulta! 

Impura escura idólatra dos mármores, 
É solitário canto do pastor, 
perpétuos dos carneiros sentenciosos, 
tamanho gritos mortes desses horrores.

Distantes dos ausentes em penumbras, 
hinos altivos, sons tanger ruidosos,
daqui da escura à terra dos auxílios.

Aqui futuro que arde mais da usura, 
quais ranger voz isenta do futuro, 
tudo que parte, e, arde, aceita, e cura.
VI
Não dê severo passo da existência,
maça largada espírito rendido,
morte devassa livre permanência, 
solenes são dos passam foz dos lácios. 

Dos que fornecem secos do degredo,
medial do funéreo, lado desse acerto,
ausentes pensam erro de si ao serro,
credo repleto doa qual do sistema.

Dê sigilosa voz inanição,
não faz contenham ossos dos fulgores, 
remorsos, réstias cores da paixão.

As consequências dão vastos haveres,
quaisquer ocasos vindos dessas árvores,
passarem marmo látego dos cárceres.
VII
Seres das sombras tramam-se das dores,
são breves vozes hinos dos alvores, 
fundiram ser cerrado dessa murta,
vermelha argila traga à tíbia luta.

Vértebras dessas lousas tão idênticas, 
tíbia findada fia fragmento a terra! 
Vozes transeuntes pascem mansões margens, 
ritos das minas, sol pálpebra ilhada.

Tudo houve sobre esvai terra foi fogo,
danças das tíbias, crânios pascem relvas,
olhos tão vivos, faces desafogos.

Veio enlevado teceu luz do jogo, 
do douro que brilhou serros fenderam, 
dos últimos tons, ogros que correram, 
VIII
Olhar resguarda quê, da grande palma,
quer desse ajuste dores ainda silvas,
cores tão vivas, palmas tão vibradas,
tudo nos foca! Poros passam dos silvos.

Impaciência, Eva pasceu nesses hortos,
acenam quando dão carpem recusa,
que reconhecem tez que lhes repulsa,
tíbia vazia deste ágrafo lenheiro.

Mentira de Eva dos que lhes acusam,
de eternal riso, crânio desse meio,
segredo do degredo da maça ao seio.

Corra do prado! Fuga d´alma acusa,
do cedro confunde vivos nos vazios,
que desconhece traz dos campesinos!
IX
Erva imortal traspassa do serrado,
diluidor desse seio do doirado,
do marmo fez o leito fraternal,
tom do murmuro tece do final! 

De quem lhe bebe essência tão marmórea 
Do corpo vazio de olhar de mineral! 
Profundo dia, das noites inabitadas, 
em indulgências dessas tantas portadas.

Noite difunde véus pasceram mais, 
Da sombra do seixo geme iniludível, 
cedro que está sob lua pasce jamais!
X
Degredo de este ser do que alucina, 
pendor, ardor, lhe trama terá acima? 
Importa nome! Quis fazer do nomeado!
Em quais das lousas quis se convencer!  

A relva pétrea assunta até que encima,
pedra que medra, está não tolhe mais,
pascer dos medos, credos incumbirem,
clima retorna à luz do retornado.

A Luz evade prado condenado!
Ah! Lua... Qual réstia sombra do enluarado
calmos lilases grados evadem mais! 

Senão!  Do turvo não! Senão da via! 
Que luto desses marmo se rondeia 
reluz, conduz que luar pastoreia!
XI
Partam do prado, formas evasivas! 
Carpem do meio à relva desse tempo,
Oh Esplendor, deste luar tão elevado,
Retornar a calma! Céu rubor nublado! 

Grada lua alva, lírios dormitados, 
rubras esferas, zênite formados, 
das mil das mil das palmas tão feridas, 
da suave carne azul, pascer dessa lua.

Da cintilante lua passa retorna 
túmulo paz idêntica dos hortos! 
Tempo descrê!…do lazer jazigos ter!
XII
Tristeza de olhar carpe lua do céu,
justo do fogo queima pelas lajes,
dessa passagem que à lua que pranteia,
nessa marmórea paz tece do douro.

São mansos cantos cânticos tão breves,
que se aplaina da fala deste sempre,
suave da foz que carpe desta lide,
findo coevos poentes de tão leves.

Intensa luz que paz marmo nos traz:
Oh vão vagou mortais das lides vagas! 
Oh vácuo do marmóreo do enlevado! 

Que meditado véu passar do céu,
Dissolvam corpos! Quebrem tíbia alçada! 
Repicar torres calmas destes mortos!

  ERIC PONTY

  

 POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA  

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