ACEITO SUA MÃO
A RAINHA ROSEMONDE
«Quem, entre vocês, viu a rainha Rosemonde
Que erguia sobre nossas testas o brilho de tuas mãos?»
Perguntavam aos transeuntes dos caminhos tranquilos,
Aqueles cuja caminhada errante nada detém.
A rainha Rosemonde não virá mais, jamais,
Com os cabelos ruivos que lhe roçavam a cintura,
Para depositar sua coroa aos pés dos peregrinos
Que lhe comoviam o peito com cantos de outro mundo.
Teus estandartes, agora ausentes, ó rainha Rosemonde,
Já não misturam ao crepúsculo seus tons púrpura e dourados;
Já não se ouve o uivo das matilhas e o som das trombetas,
Nas profundezas da floresta nem nas margens do mar.
Estás morta para sempre, ó rainha Rosemonde,
Entre teus cavaleiros sangrando sob o sol,
Ou estás dormindo, com os olhos unidos em sono mágico,
Na torre mais alta do rei de Trebizonda?
Será que a rainha Rosemonde ainda é bela,
Com teu manto malva cingido por um cinto de prata?
Teu olhar, no qual se reflete um céu azul mutável,
Será que enlouquece os mendigos cujo amor selvagem ruge?
Será que a rainha Rosemonde repousa sob as flores,
Entre as folhas e as flores que o inverno espalhou?
Teus cabelos eram dourados sob um aro de ferro
E tua boca parecia uma peônia redonda.
Ai de mim! A rainha Rosemonde já não existe,
A não ser uma palavra vaga que flutua no sopro dos anciãos,
Enquanto, na vigília, após os cânticos religiosos,
Eles recitam os nomes dos reis falecidos da região.
E ninguém mais responde, rainha Rosemonde,
Aos pálidos peregrinos que, torcendo as mãos,
Perguntam aos transeuntes dos campos e caminhos,
Quando o inverno bate no coração da terra profunda:
“Quem, entre vocês, viu a rainha Rosemonde?”
BALLET NO CEMITÉRIO
Vamos dançar ao sol, ó minha Alegria,
Sobre os túmulos da Morte I
Tua boca é a romã à mercê
Dos desejos das abelhas douradas.
Será que ouvimos os sinos,
Esta manhã, tocando a campainha fúnebre?
Cala-te, pois as horas se aproximam
Do bom amor em teus braços cansados.
E depois canções, e depois dança
Sobre as lilases amontoadas
Não há flores em abundância
A não ser no doce jardim dos finados.
Teus cabelos são uma auréola
De fogo ruivo contra o azul do céu.
Ó Morte, como você é louca
Por querer manchar esse ouro puro!
A dança furiosa da vida,
Vamos dançá-la e cantá-la
Até fazer estremecer, encantada,
A poeira de todos daqueles finados.
Que outrora amavam as rosas,
As mulheres e as crianças douro,
E todos os lábios desabrochados
E todos os beijos triunfantes.
Para minhas canções e para a sua dança
Não será preciso nem o som
Das flautas enlouquecidas, nem a cadência
Das liras na floresta florida.
Mas apenas teus gemidos, ó brisa,
Que nos ciprestes te dormem,
E o silêncio sem surpresas
Do sono eterno dos mortos!
STUART MERRILL - TRAD. ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
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