Das criaturas mais belas desejamos aumento,
Para que assim a rosa da beleza nunca morra,
Mas quando o mais maduro pelo tempo falecer,
teu terno herdeiro possa levar tua memória:
Mas tu, contratado com teus próprios olhos vivas,
Alimentas a chama de tua luz com adustível,
Criando uma fome onde há abundância,
Tu mesmo teu inimigo, cruel demais com teu doce eu.
Tu, que agora és o novo ornamento do mundo,
E único arauto da primavera vistosa,
Dentro do teu próprio botão enterras o teu conteúdo,
E, rude insensível, desperdiças com a tua mesquinhez:
Tem piedade do mundo, ou então sê este glutão,
Para comer o que é devido ao mundo, pela cova e por ti.
Quando quarenta invernos cercarem tua fronte,
E cavarem profundas trincheiras no campo de tua beleza,
A orgulhosa libré de tua juventude, agora tão admirada,
Será uma trapaça esfarrapada de pouco valor:
Então, quando te perguntarem onde está toda a tua beleza,
Onde está todo o tesouro de teus dias vigorosos,
Dizer que está em teus olhos forte encovados,
Seria uma vergonha devoradora e um elogio inútil.
Quanto mais louvor fazer jus a o uso da tua beleza
se pudesses responder: “Este meu belo filho abreviará meu cômputo
E servirá de desculpa para minha velhice”,
Provando que tua beleza é herança tua.
Isso seria como renascer quando estiveres velho
E ver teu sangue quente quando sentires que está morto.
Shakespeare’s Sonnets – Trad. Eric Ponty
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