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quarta-feira, janeiro 07, 2026

PARA ELEITA DO DESCONHECIDO - Shakespeare’s Sonnets – Trad. Eric Ponty

 Das criaturas mais belas desejamos aumento,
Para que assim a rosa da beleza nunca morra, 
Mas quando o mais maduro pelo tempo falecer, 
teu terno herdeiro possa levar tua memória:    

Mas tu, contratado com teus próprios olhos vivas,
Alimentas a chama de tua luz com adustível,
Criando uma fome onde há abundância, 
Tu mesmo teu inimigo, cruel demais com teu doce eu.

Tu, que agora és o novo ornamento do mundo,
E único arauto da primavera vistosa,
Dentro do teu próprio botão enterras o teu conteúdo, 

E, rude insensível, desperdiças com a tua mesquinhez:
Tem piedade do mundo, ou então sê este glutão, 
Para comer o que é devido ao mundo, pela cova e por ti.

Quando quarenta invernos cercarem tua fronte, 
E cavarem profundas trincheiras no campo de tua beleza, 
A orgulhosa libré de tua juventude, agora tão admirada, 
Será uma trapaça esfarrapada de pouco valor: 

Então, quando te perguntarem onde está toda a tua beleza, 
Onde está todo o tesouro de teus dias vigorosos, 
Dizer que está em teus olhos forte encovados,
Seria uma vergonha devoradora e um elogio inútil.

Quanto mais louvor fazer jus a o uso da tua beleza 
se pudesses responder: “Este meu belo filho abreviará meu cômputo 
E servirá de desculpa para minha velhice”, 

Provando que tua beleza é herança tua. 
Isso seria como renascer quando estiveres velho 
E ver teu sangue quente quando sentires que está morto.

Shakespeare’s Sonnets – Trad. Eric Ponty


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