P/ Andrea Neves da Cunha
Sim, o homem é culpado e um dia será culpado.
Nesta Terra, onde a aurora e o crepúsculo têm sua vez,
Seja um mordomo de Deus, mas honesto.
Tema qualquer abuso de poder sobre a besta.
Se pondera um fim tão grande que poderá se tornar
infernal sem medo, voraz, sensual, libertino, feroz,
Para esgotar o garanhão, para esgotar o cão,
Arrancar seus olhos engordará o ortolano,
E chacinar a brenha três ou quatro vezes por ano?
Esse alegre caçador, armando rifle ou ardil,
beira o homicídio e toca o sacrilégio.
Pensar, esse é objetivo; viver, é o seu direito.
Não matar por prazer. Achas, então, que é
Para que a codorna assada tenha um sabor melhor
Que o sol apõe uma garça à urtiga,
Pintar a amora-preta ou corar a semente da sorveira?
Deus, que faz os pássaros, não faz a caça.
VICTOR HUGO - TRAD. ERIC PONTY
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