P/ Andrea Neves da Cunha
à M. Alexandre Soumet
Mourir sans vider mon carquois !
Sans percer, sans fouler, sans pétrir dans leur fange
Ces bourreaux barbouilleurs de lois !
ANDRÉ CHÉNIER, Iambes.
"O vento a soprar longe do campo
A boleta que caiu dos ramos verdes;
Carvalho, batendo nas montanhas;
Esquife, ele bate nos mares.
Meu jovem, o fadário está nos premendo.
Em sua loucura de bêbado, não
Males do mundo para infortúnios;
Vamos nos manter, culpados e vítimas,
Nosso remorso por nossos próprios crimes,
Nossas lágrimas por nossas próprias tristezas!
Minhas canções são imprudentes?
Devo eu, nestes dias de medo,
Ficar surdo aos gritos de seus irmãos!
Sofrer então apenas por si mesmo?
Não, o poeta na terra
Consola, em seu exílio voluntário,
Os tristes humanos em seus grilhões;
Entre os povos em delírio,
Ele se eleva, armado com sua lira,
Como Orfeu no submundo dos mortos!
"Orfeu das tristezas eternas
Veio uma ocasião para arrebatar os mortos;
Você, sobre cabeças criminosas,
Canta o hino do remorso.
Tolo, que orgulho o conduz?
Que direito que tem de entrar na arena,
Julgar sem ter lutado?
O censor escapou da infância,
Deixe sua inocência envelhecer
Antes de crer em sua virtude! "
Quando o crime, pérfida Python,
Enfrenta, impune, o freio das leis,
A Musa se torna as Eumênides,
Apolo pega sua aljava!
Eu me rendo ao Deus que me alivia;
Não estou ciente dos males
Que infortúnios o fadário quer me trazer;
Sigo minha estrela sem orgulho;
A tempestade rasgando esta vela:
A vela salva o nocher.
"Os homens estão indo para o abismo!
Suas canções não os salvarão.
Com eles, longe dos céus propícios,
Por que se desvia do fado?
Pode você, em seu viço,
Sem quebrar outros destinos,
Quebrar a corrente de seus dias?
Poupe sua vida fugaz;
Jovem, não tem mãe?
Poeta, não tem amores? "
Bem, um brinde às minhas chamas terrenas,
Se eu morrer, os céus se abrirão.
O amor casto engrandece as almas,
E quem sabe amar sabe morrer.
O poeta, em tempos de crime,
Fiel aos justos que são oprimidos,
Celebra e imita os heróis;
Ele tem, ciumento de seu martírio,
Uma lira para as vítimas,
Uma cabeça para os carrascos!
"Dizem que era uma vez o poeta,
Cantando sobre dias ainda distantes,
Sabia como revelar seu destino futuro.
Mas o que pode fazer pelo mundo?
Se compartilha sua noite profunda;
O céu está encoberto e quer punir;
As liras não têm mais um profeta,
E a Musa, cega e muda,
Não sabe nada do futuro! "
Mortal que até um Deus anima
Pisa para o futuro, cheio de ardor;
Correndo para o abismo
Para sondar suas profundezas.
Ele se prepara para o sacrifício;
Ele sabe que a felicidade do vício
Pelo inocente é expiada;
Um profeta em seu dia de morte,
A prisão é seu santuário,
E o cadafalso é seu tripé!
"Por que não nasceu nas praias
De Abbas e Cosroës,
Sob os raios de um céu sem nuvens,
Entre murtas e aloés!
Lá, surdo aos males que deplora,
O poeta vê sua aurora
Erguer-se imperturbável e sem pranto;
E a coluna, querida pelos sábios,
Leva doces mensagens às virgens
Onde o amor fala com as flores! "
Que outro prefira o martírio celestial
Prefira um descanso sem honra!
A glória é o objetivo a que aspiro;
Não se chega lá por meio da felicidade.
O alcíone, quando o oceano ruge,
Teme que ventos perturbem a onda
Onde seu doce sono é embalado;
Mas para a águia, filho das tempestades,
É somente por meio das nuvens
Que ele voa em direção ao sol!
VICTOR HUGO - TRAD. ERIC PONTY
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